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terça-feira, 22 de novembro de 2011

“A globalização não destrói o lugar. Recria-o.” - entrevista Roberto Lobato Correia - Jornal Da UFRJ

“A globalização não destrói o lugar. Recria-o.”

A globalização capitalista não destrói o lugar ou a região, mas recria-os, atribuindo-lhes novo papel por meio de uma mais complexa divisão territorial do trabalho, na análise de Roberto Lobato Azevedo Corrêa, professor do Programa de Pós-graduação em Geografia da UFRJ, localizado no Instituto de Geociências (Igeo). No Brasil, até 1970, as áreas de florestas, por exemplo, eram dedicadas à agricultura e nas áreas de vegetação aberta a pecuária predominava. Com a agroindústria, esses conceitos foram alterados e áreas abertas, como o cerrado, passaram a ser consideradas ideais para a implantação mecanizada de lavouras de grande extensão.
Foi uma mudança que gerou movimentos migratórios e nova inserção do Brasil na divisão territorial do trabalho por meio da exportação de grãos, sobretudo soja, destaca Lobato, pesquisador 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “No futuro, olharemos criticamente para a expansão da soja, que alterou a organização espacial e fez do país um fornecedor de rações para os rebanhos europeus”, critica o professor.
Especialista em Geografia Urbana, ele também analisa as mudanças ocorridas na organização do espaço urbano nas últimas décadas. A “periferização” acentuada, com a alocação na periferia das regiões metropolitanas da população de baixo nível de renda, e o autoisolamento das classes médias-altas e das elites em condomínios fechados são, segundo ele, alguns dos fenômenos mais evidentes do processo recente de urbanização.
Nesta entrevista ao Jornal da UFRJ, Roberto Lobato também comenta seu estudo, no campo da Geografia Cultural, acerca dos parques  temáticos – “formas simbólicas criadas pelo capitalismo avançado para auferir lucros” – e afirma que não acredita em uma universidade de qualidade no curto prazo. “Se pensarmos em padrões de outros contextos, ainda precisamos caminhar muito”, frisa o pesquisador.

Leia a entrevista completa aqui.
Entrevista Roberto Lobato Correia - Jornal Da UFRJ

terça-feira, 6 de julho de 2010

Vídeo - Espaço e contemporaneidade - Antonio Carlos Robert Moraes


A velocidade e a intensidade da circulação humana no planeta é impar na história. A contemporaneidade gera uma economia e uma cultura globalizada, que influenciam de forma desigual cada porção da Terra. Traz também qualidades novas que requalificam a especialidade da vida social, como a circulação imaterial (fluxos de informações), propiciados pelo desenvolvimento das telecomunicações e da informática. Nesta palestra é demonstrado como que para alguns teóricos, a compressão do espaço determinaria o fim das fronteiras, dos territórios e das localidades, resultando na finalização da própria geografia como disciplina; porém, para outros, este campo de investigação adquire grande importância, pois o espaço teria adquirido uma centralidade comparável à do tempo nos séculos anteriores. A palestra faz parte do módulo “Geografia na contemporaneidade” de curadoria de Antonio Carlos Robert Moraes.

- Veja a íntegra da palestra

Antonio Carlos Robert Moraes
: Doutor em Geografia Humana pela USP. É professor do Departamento de Geografia da mesma universidade.

O
Invenção do Contemporâneo vai ao ar na TV Cultura às 0h10 de segunda para terça-feira e é reprisado na madrugada de quarta-feira às 3h40.
Data:
06/07/2009
Hora:

Vídeo Novas territorialidades - Rogério Haesbaert da Costa


Uma detalhada descrição do conceito de desterritorialização a partir de quatro perspectivas conceituais. As ideias de território e a multiterritorialidade como uma alternativa para a compreensão das complexas relações espaciais do mundo contemporâneo. A palestra faz parte do módulo “Geografia na contemporaneidade” de curadoria de Antonio Carlos Robert Moraes.

-Veja a palestra na íntegra


Rogério Haesbaert da Costa
: Pós-doutor em Geografia pela Open University na Inglaterra e professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense.

O
Invenção do Contemporâneo vai ao ar na TV Cultura às 0h10 de segunda para terça-feira e é reprisado na madrugada de quarta-feira às 3h40.
Data:
13/07/2009
Hora:

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Video - Espaço e Contemporaneidade

Neste programa, o professor Antônio Robert de Moraes faz um resumo histórico de como a geografia surgiu como ciência e a sua influência na sociedade. Com uma descrição detalhada dos vários caminhos que essa ciência tomou em função dos interesses sociais e políticos de cada época, o professor deixa claro que o aparente fim da Geografia, precocemente decretado por alguns, está longe de chegar.

O geógrafo e professor Antônio Robert de Moraes é doutor em geografia humana pela USP e professor doutor da Universidade de São Paulo.

Video:

http://www.cpflcultura.com.br/video/espaco-e-contemporaneidade

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Concurso - Material para Prova específica de Geografia



Clic na Imagem e aacesse o Material ou clic no link abaixo:
http://www.4shared.com/file/227335871/bd2ebec0/Apostila_de_Geografia.html


Obs: Professores e professoras recebi esse material por e-mail. Não tenho responsabilidade sobre o conteúdo. Qualquer problema enviar comentários.

sábado, 16 de janeiro de 2010

A Geografia do Serra


Saiu na Folha de S. Paulo (reproduzido por sugestão da Conceição Oliveira)


Os livros de geografia (6ª série) com erros distribuídos pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo


Pelo menos alguém aprendeu alguma coisa com as cartilhas da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (caderno do aluno): O Jornal Folha de São Paulo

Fonte: Vi o Mundo
UOL Educação

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Geografia - Ensino De Geografia: Práticas E Textualizações No Cotidiano

O autor traz à tona, discussões pertinentes à apreensão e compreensão do espaço geográfico. Tendo como referência o trabalho pedagógico e as teorias de aprendizagem em relação à formação de conceitos, sugere uma ação pedagógica redimensionada. Inicia seus estudos mostrando o resultado de pesquisas que comprovam que muitos dos professores que atuam nas séries iniciais não foram alfabetizados em Geografia, matéria esta que vem inserida, nos chamados Estudos Sociais, formados, entre outras ciências, pela História e a Sociologia.
Devido à pouca aproximação da escola com a vida ou cotidiano dos alunos, esta não se manifesta de forma atraente frente ao mundo contemporâneo. Torna-se, portanto, necessário trabalhar nos primeiros anos de escolarização, a valorização do espaço e do tempo vivenciados. Piaget e Inhelder, distinguem a partir da geometria contemporânea, três tipos de relações espaciais - que devem ser trabalhadas com diferentes características visuais e com a discriminação visual (tamanho, cor, forma, espessura). São elas: topológicas, projetivas e euclidianas.
As relações topológicas são as mais importantes e as primeiras a serem construídas, pois delas derivam as projetivas e as eucledianas, e estão sendo sempre aplicadas ao cotidiano. A percepção e a manipulação ativa das relações de vizinhança, separação, ordem ou sucessão, envolvimento ou fechamento e continuidade ou contínuo, servem de ponto de partida para as noções representativas. As relações projetivas, vêm acrescentar ao topológico, a necessidade de se situar os objetos ou os elementos de um mesmo objeto, um em relação ao outro, isto é, inicialmente, o ponto de referencia está centrado no corpo da própria criança, aos poucos é transferido para outras referências, ocorrendo a descentralização (compreensão da posição dos objetos exteriores não mais em relação a si própria como observadora, mas com relação a outros objetos).
A construção de projetividade apresenta-se em três fases:
- na primeira (de 5 a 8anos), a criança dá a posição do objeto a partir do seu ponto de vista;
- na segunda (8 a 11 anos), é a partir do ponto de vista do outro colocado a sua frente; e por fim, na terceira (12 anos), colocando-se no lugar dos objetos distintos, quando solicitado a situa-los entre eles. Já o espaço euclidiano, coordena os próprios objetos entre si e em relação a um quadro de conjuntos ou sistemas de referência estável que exige como ponto de partida a conservação das superfícies e das distâncias. A evolução da forma de apreensão do espaço pela criança segue três fases. A primeira é a do espaço físico vivido. Em seguida, através do movimento, ela começa a etapa da apreensão do espaço, onde ele passa a ser percebido, e começa aí a haver um distanciamento com o espaço vivido.
Daí, ela começa a analisá-lo não apenas através do movimento, mas também da observação, ou seja, passa do conhecimento espacial corporal para o formado pelos sentidos, construído pela reflexão. A construção, a conservação de símbolos e o trabalho com as relações espaciais (representação de trajetos), devem ser iniciados na educação infantil e continuados nos primeiros ciclos, onde o trabalho será operatório para a construção das relações topológicas, projetivas, euclidianas e o desenvolvimento da função simbólica se a criança observar e classificar os elementos do espaço e posteriormente codificar o conteúdo para a representação, quer da sala de aula ou fora desta. O autor vem exemplificar inúmeras atividades que podem ser seguidas por professores, neste sentido.
A posição relativa dos subespaços (limites e fronteiras) é enfatizada pela noção topológica de interioridade espacial. Esta atividade vem auxiliar na construção de estruturas lógicas que possibilitem a compreensão na localização dos territórios delimitados politicamente. A construção das noções espaciais está relacionada com o processo de descentralização, a partir da liberação do espaço egocêntrico. Através da tomada de consciência do corpo (mapacorporal), a criança permite aí transposições para outros espaços, construindo as noções de lateralidade e hemisférios, onde a tranqüilidade sócio-afetiva vem colaborar de modo positivo para o sucesso deste processo. Também nesse caso, como no de outrora citado, o autor nos deixa inúmeros exemplos a serem trabalhados pelo professor em relação à criança. Utilizando essas construções acima citadas, (lateralidade, hemisférios, orientação e direção, distanciamento, etc) o aluno já pode ser preparado para fazer uma leitura crítica das representações cartográficas, onde a carta é a formalização do espaço, ou o domínio deste. E é através do sentido de orientação, que se estabelece pontos diferenciais, para que os elementos formadores do espaço possam ser situados e encontrados num mapa, por exemplo, que oferece uma visão da síntese das relações espaciais e da distribuição dos diferentes elementos que compõem o espaço.
Igualmente, vem o autor propor aqui também, trabalhos ou exercícios que na maioria das vezes, estão fora do livro didático, tornando assim, a apreensão e a compreensão mais dinâmica. Em suma, o autor procura nos mostrar as várias formas de se apresentar à criança a definição de espaço geográfico (através da análise de mapas, cartas, construção de maquetes, etc). Estimula o uso de ferramentas pouco exploradas, como a leitura crítica de jornais e os chamados estudos do meio. A descoberta da rua, do bairro e da cidade pode ser transposta para conjuntos mais amplos, como o país e o mundo. Do mesmo modo, a compreensão da realidade global facilita a percepção do microcosmo local.

Geografia - HAESBAERT, Rogério; PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A nova desordem mundial.


Um momento de desordem mundial : Livro discute reformulação de territórios diante de novas influências políticas, econômicas e culturais
Por: Fabíola Bezerra

Neste começo de século, assistimos a uma reformulação de fronteiras e influências político-econômicas no mundo. Essa nova forma de organização mundial, baseada na existência de redes, fluxos e conexões, exige mudanças no método geográfico tradicional de agrupar e separar territórios. O livro A nova des-ordem mundial apresenta propostas para entender a estrutura do espaço contemporâneo sob as dimensões econômica, política, cultural e ambiental e tece as causas dessa reconfiguração territorial com base em argumentos históricos. Segundo os autores do livro, os geógrafos Rogério Haesbaert e Carlos Walter Porto-Gonçalves, os conceitos básicos de estudo da geografia vêm mudando por causa de uma série de acontecimentos que, nos últimos 15 anos, alteraram os rumos da humanidade. Para eles, o melhor exemplo para representar essa reformulação mundial seria o fato de que, enquanto as torres gêmeas do World Trade Center foram derrubadas nos Estados Unidos em 2001, as torres Petronas permanecem firmes em Kuala Lumpur, capital da Malásia, o que, de forma simbólica, revela a ascensão de um novo poder no Oriente.
A tarefa de reorganizar as regiões do planeta em função dessas mudanças para fins de estudo torna-se então o grande desafio da geografia pós-moderna. Haesbaert e Porto-Gonçalves afirmam no livro que a hegemonia do Ocidente e o pensamento moderno são incompreensíveis sem o conceito de colonização. No entanto, o mecanismo de exploração da Ásia e da África iniciado pelos europeus com a expansão marítima e comercial mudou a partir da Primeira Guerra Mundial.
A busca por novas fontes de matéria-prima e mercados consumidores impulsionada pelo imperialismo gerou uma nova ordem, encabeçada pela Europa, pelos Estados Unidos e pelo Japão. Enquanto o comércio internacional crescia no início do século 20, a África, a Ásia e a América Latina viviam devastações ecológicas e sociais, por causa da nova divisão internacional do trabalho, que atribuiu aos países “centrais” a produção de tecnologia e a exploração dos recursos naturais e da mão-de-obra dos países “periféricos”. Essa geografia imperialista regeu o mundo por muito tempo, até o período em que os teóricos chamam de Pós-modernidade.
Essa nova era é marcada pelo advento da globalização e da internet, que permitiu maior integração internacional e criou um novo espaço público, o “território-mundo”, composto de uma sociedade mundial que compartilha os mesmos valores. A integração cada vez maior dos Estados e a soberania de um país através de um grupo – situação que os geógrafos chamam de capitalismo globalmente integrado – são demonstradas pela força dos blocos econômicos – como a União Européia –, que estabelecem uma concorrência acirrada entre si para manter a influência sobre seus parceiros comerciais. Nesse processo, interesses econômicos e políticos se mesclam o tempo todo. No livro, os autores identificam um novo movimento de regionalização do espaço contemporâneo a partir de redes integradas ilegais de poder, como o tráfico de drogas e o terrorismo globalizado – por exemplo, a rede árabe Al Qaeda –, e de organizações não-governamentais (ONGs). Estas seriam talvez as melhores indicadoras da desordem na organização do território, por não atuarem em uma base específica. Segundo Haesbaert e Porto-Gonçalves, a existência dessas organizações civis comprova a crise do Estado, que não exerce o seu papel político em causas sociais.
O uso de termos mais complexos, além de referências constantes a teóricos, podem vir a confundir o leitor que não está habituado à linguagem acadêmica. No entanto, os próprios avanços e retrocessos do texto, bem amarrado pelos autores, transmitem a idéia principal do livro: a reconfiguração dos territórios devido a mudanças nas relações de poder e ao hibridismo cultural. Ler A nova des-ordem mundial pode ser um começo para entender esse movimento.

Resenha GUERRA, José Teixeira; COELHO Maria Célia Nunes. Unidades de Conservação: abordagens e características geográficas.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO: ABORDAGENS E CARACTERÍSTICAS GEOGRÁFICAS
Carlos Alberto MENARIN

Resenha de: GUERRA, Antonio José Teixeira; COELHO, Maria Célia Nunes. (Orgs.).
Unidades de Conservação: abordagens e características geográficas. Rio de
Janeiro: Bertrand Brasil, 2009. 296p.

A criação de Unidades de Conservação (UCs), no Brasil, tem-se constituído em
uma das principais formas de intervenção do Estado na proteção de áreas
representativas dos biomas naturais do país, frente ao acelerado processo de
exploração e dilapidação do meio ambiente, imposto pelo sistema capitalista.
Paradoxalmente, tem sido esse mesmo Estado que há tempos vem agindo de modo a
fomentar a expansão desse sistema. Portanto, as UCs podem constituir objeto
privilegiado de investigação sobre as relações entre Estado, Sociedade e Meio
Ambiente nesse país.
O livro Unidades de Conservação: abordagens e características geográficas
(2009), composto por sete capítulos, contando com a participação de dezoito
geógrafos oriundos do Programa de Pós Graduação em Geografia da UFRJ, publicado
pela Editora Bertrand Brasil, vem complementar uma seqüência de publicações fruto
de pesquisas desse mesmo grupo que merecem ser consultadas¹, inclusive, pelos
historiadores afeitos à questão ambiental, particularmente, aqueles dedicados às
políticas públicas de proteção do patrimônio ambiental, urbano ou não.
As UCs constituem um novo objeto de investigação no campo das Ciências
Humanas de modo geral, ainda pouco trabalhado por historiadores. Outras áreas
como a Antropologia, a Sociologia e a Geografia têm dedicado maiores esforços na
incorporação desse novo tema às suas análises. No campo daquela última disciplina,
as relações entre natureza e sociedade têm pautado grande número de trabalhos.
Particularmente, sobre as UCs, a obra em foco propõe a perspectiva de uma análise
integrada da chamada geografia física e humana como ponto de partida para o
conjunto das investigações, teóricas e aplicadas a estudos de caso.
Na Apresentação do volume, os organizadores reafirmam as possibilidades
reservadas pelo estudo dessas Unidades a partir das realidades físicas e das
* Carlos Alberto Menarin é doutorando em História pela Faculdade de Ciências e Letras –
UNESP/Assis – mailto:menarin@bol.com.br
Unidades 2 de Conservação
UNESP – FCLAs – CEDAP, v. 5, n.1, p. 1-7 - out. 2009
ISSN – 1808–1967
construções sociais, culturais e políticas em torno dessas áreas protegidas,
encontrando-se, invariavelmente, inseridas em problemáticas tanto locais como
globais, as quais deveriam estar comprometidas com “os ditames do desenvolvimento
sustentável, que pressupõe redes de interdependência, mais densas e eficazes, e
equilíbrio dinâmico nas relações entre crescimento econômico, contingente
populacional e a preservação normativa dos recursos para além da duração das
demandas presentes”. (p. 16)
O prefácio escrito pela geógrafa Bertha Becker segue a mesma linha e enfatiza
que o estudo das UCs deve contribuir para um questionamento sobre o modo como a
sociedade e o Estado brasileiro vêm por muito tempo tratando a natureza, “seja via
mera extração predatória de recursos para atender a mercados globais, seja apenas
via preservação generalizada, que pouco ou nada beneficia a população”. (p. 19). Uma
das questões de fundo apresentadas nesse volume é justamente a dificuldade e a
importância da gestão dessas áreas para que se tornem indutores de ações voltadas
para o desenvolvimento sustentável local e equidade social.
De modo geral, os autores dessa obra advogam pela leitura das Unidades de
Conservação como espaços de diferentes territorialidades. Em nossa opinião, a
consideração dessas múltiplas territorialidades pode ser melhor operacionalizada se
vista sob a perspectiva diacrônica, pois as diferentes temporalidades expressas
nessas territorialidades podem informar sobre as diversas racionalidades e identidades
culturais das distintas organizações sociais estabelecidas ao longo da história com
esses espaços. O que deve contribuir para uma renovada interpretação sobre as
mudanças ambientais para além da insuficiente visão do ser humano essencialmente
destruidor e da idealização da natureza em estado puro dotada de uma organização e
racionalidade intrínseca.
Sobre o tema das UCs, encontramos referências dispersas em várias
disciplinas e em uma série de estudos de caso. Para uma visão panorâmica,
destacamos o trabalho de Maria Cecília Wey de Brito, resultado de pesquisa de
mestrado em Ciência Ambiental na USP, defendido em 1995, editada em livro no ano
de 20002, e a obra de Carla Morsello, Áreas Protegidas Públicas e Privadas: seleção e
manejo (2003), ambas publicadas pela editora Annablume3.
A obra em questão é de significativa importância no rol dessas publicações por
transitar entre propostas teórico-metodológicas consistentes e estudos de caso de
significativa relevância. Pelo caráter de obra coletiva, as contribuições acabam sendo
desiguais. Destacamos os esforços de sistematização das políticas de proteção e
Carlos Alberto Menarin 3
UNESP – FCLAs – CEDAP, v. 5, n.1, p. 1-7 - out. 2009
ISSN – 1808–1967
gestão da biodiversidade, articuladas entre as demandas nacionais (Brasil) e
internacionais (propostas emergidas das reuniões e conferências organizadas pela
ONU, por exemplo), apresentados no primeiro Capítulo “Gestão da Biodiversidade e
Áreas Protegidas”, redigido pelos geógrafos Evaristo de Castro Jr., Bruno H. Coutinho
e Leonardo E. de Freitas. Esses autores chamam a atenção para situar o conceito de
biodiversidade como uma produção social, construído historicamente. Na atualidade, a
biodiversidade adquire sentido de força mediadora dos sistemas ecológicos e sociais –
a natureza apresentando valor intrínseco – e resvala no senso comum, como natureza
em estado puro, com destaque para a crescente necessidade de serem negociados
acordos, em diferentes escalas, entre instituições e grupos sociais para o
estabelecimento de novos compromissos sobre a sua proteção e utilização
sustentável. (p. 28)
No Brasil, o Estado sempre foi o condutor da política de implantação de áreas
protegidas, mesmo quando marcadas por processos de mobilização popular. Segundo
esses autores, até fins da década de 1980, “esse papel era fruto de uma visão de
apropriação de recursos naturais e controle territorial” (p. 47). Desde então, a
perspectiva do Estado brasileiro viria se alterando ao incorporar a “noção estratégica
de meio ambiente”, na qual a biodiversidade passa a ser o conceito central na política
de conservação. Contudo, subjacente aos modelos de desenvolvimento atuantes, não
tem conseguido equacionar justiça social, proteção e conservação dessa
biodiversidade, sendo o desafio posto neste novo século “a construção social de
modelos que expressem outra racionalidade produtiva que não a da
instrumentalização da natureza pelo capital” (p. 62).
O Capítulo 2, redigido por Maria Cecília N. Coelho, Luis H. Cunha e Maurílio de
A. Monteiro, “Unidades de Conservação: populações, recursos e territórios –
abordagens da geografia e da ecologia política”, apresenta uma rigorosa discussão
teórica da qual sobressai elementos analíticos para interpretar as dificuldades de
gestão de UCs na Amazônia brasileira. A importância da relação das populações com
o meio é ressaltada de forma a advertir a racionalidade e estratégia das ações de
populações locais, evidenciando relações conflituosas estabelecidas por vários
indivíduos ou grupos, econômicos ou não.
A abordagem proposta por esses autores busca referencial teórico na chamada
ecologia política, considerada síntese teórica entre economia política e ecologia
cultural. “Em linhas gerais, a economia política contextualiza um determinado grupo ou
processo social em relação a uma região, nação ou até mesmo ao sistema mundial. Já
Unidades 4 de Conservação
UNESP – FCLAs – CEDAP, v. 5, n.1, p. 1-7 - out. 2009
ISSN – 1808–1967
a ecologia cultural examina as adaptações dos grupos sociais ao ambiente local e aos
fatores demográficos” (p. 74) Ora, uma perspectiva que não é, de modo algum,
estranha aos historiadores. Particularmente, destacamos a História empreendida em
torno do movimento historiográfico conhecido por “escola dos Annales”, ou mais
precisamente pelo modelo desenvolvido por Fernand Braudel, conhecido como
geohistória e atualmente, as abordagens advindas da emergente História Ambiental.
Particularmente, quanto ao Capítulo em questão, outro mérito a ser destacado
é chamar a atenção para o fato de que as UCs são também projetos territoriais que
não podem ser totalmente compreendidos apenas no contexto das políticas públicas
voltadas para proteção da natureza. Ou seja, a criação desses espaços pode estar
ligada a diversos interesses que não o da estrita conservação ambiental, conforme
demonstrado nas analises de casos específicos de Unidades criadas na Amazônia
brasileira, onde as dinâmicas da territorialização puderam ser interpretadas “tanto em
termos de estratégias de permanência/sobrevivência das populações locais quanto
das formas de acomodação/adaptação de novas populações que se dirigem para a
região, mediadas por interesses econômicos, científicos, conservacionistas, entre
outros”. (p. 104). Segundo esses autores, considerar as relações de poder e as
dinâmicas territoriais como foco analítico permitiria a adoção de uma visão menos
“romântica” tanto das populações tradicionais/locais quanto das políticas públicas
destinadas à criação dessas Unidades no Brasil.
Depois de um Capítulo instigante, do ponto de vista teórico-metodológico, e
das análises empíricas dos estudos de caso, os Capítulos seguintes versarão sobre
áreas protegidas próximas ou em meio a espaços urbanos. Uma problemática
importantíssima, devido ao grau de urbanização atual do Brasil como um todo, mas
principalmente das metrópoles, e ao crescimento dessas áreas sem efetivo
planejamento, o que coloca essa obra em fina sintonia com a publicação Impactos
Ambientais Urbanos no Brasil (2001), já citada.
Nesse sentido, o Capítulo 3 “APA de Petrópolis: um estudo das características
geográficas” escrito pelos geógrafos Antonio José T. Guerra e Patrícia Batista M.
Lopes, apresenta grande ênfase na descrição do meio físico e levanta questões
importantes de uma Área de Proteção Ambiental (APA) que sofre diretamente os
impactos da expansão das áreas urbanas, não apenas a da cidade de Petrópolis, mas
das demais do seu entorno, envolvendo desde especulação imobiliária para
construção de luxuosos condomínios até os avanços das favelas em direção àquela
área, principalmente, as de encostas, dentre outros agravantes. A questão posta é
Carlos Alberto Menarin 5
UNESP – FCLAs – CEDAP, v. 5, n.1, p. 1-7 - out. 2009
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equacionar o desenvolvimento das áreas urbanas sem afetar as condições ambientais
da APA e produzir condições de vida para grande número de famílias que habitam as
áreas indevidas e de risco. A gestão do território urbano deveria estar em sintonia com
programas voltados à conservação e manejo dessa área, mas parece haver um
recorrente descompasso entre os interesses assentados no crescimento urbano
regidos pelo capitalismo e ações de conservação ambiental e qualidade de vida para
populações postas à margem pelo mesmo sistema.
Na mesma linha de estudo de UCs em áreas urbanas, no Capítulo 4 “O Parque
Nacional no Maciço da Tijuca: uma Unidade de Conservação na Metrópole do Rio de
Janeiro”, as autoras Ana Luiza C. Netto, Lia O. Machado e Rita de Cássia M.
Montezuma apresentam uma perspectiva histórica da ocupação do maciço da Tijuca
para justificar em seguida a heterogeneidade das formações vegetais oriundas de
sucessões naturais ou induzidas, encontradas no momento de criação daquela
Unidade, em 1961. Sob essa perspectiva fez-se sensível a ausência do trabalho da
historiadora Claudia Heynemann sobre a região que viria a ser a Floresta da Tijuca.
Essa pesquisadora colocou em evidência o papel da natureza no processo de
constituição de um ideal de civilização almejado pela classe dirigente imperial. Com o
reflorestamento de tal área, a partir de 1861, a elite política refletia sua proposta de
organização do Estado Imperial a partir do próprio ordenamento da natureza4.
Sobressai, da análise das autoras desse Capítulo, a urgência de não apenas constatar
as degradações internas à mencionada Unidade, mas também de estabelecer um
plano de gestão integrada desta com os espaços urbanos.
O Capítulo seguinte, “Legislação Ambiental e a Gestão de Unidades de
Conservação: o caso do Parque Nacional da Restinga de Jurubatiba-RJ”, escrito pelas
geógrafas Claudia B. de Dios e Mônica dos S. Marçal, defende a idéia de que a
proteção legal não tem sido suficiente para manter a integridade das UCs. Para tal
afirmação, as autoras cotejam o arcabouço legal que incide sobre a referida Unidade
juntamente com a realidade local e os problemas enfrentados para gestão daquele
espaço. Constatam que a criação de tal UCs influiu diretamente no ritmo de vida local,
particularmente na economia, pela vinculação história daquelas comunidades com a
extração de recursos naturais daquela área. O governo local via nas restingas o
atrativo turístico que propiciaria, ainda, a expansão imobiliária de condomínios de alta
classe. Sob esses aspectos, ressaltam as autoras que os conflitos gerados pela
criação de UCs não devem ser tratados como meros entraves técnicos, mas como
Unidades 6 de Conservação
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ISSN – 1808–1967
problemas socioeconômicos decorrentes do histórico de ocupação dessas áreas. (p.
196).
No Capítulo 6, intitulado “Caracterização e análise de situações ambientais
relevantes no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses e áreas vizinhas”, os
pesquisadores Jorge Hamilton S. dos Santos, Jorge X. da Silva e Nádja Furtado B.
dos Santos apresentam o texto menos crítico e mais descritivo do volume, com grande
ênfase nos aspectos do meio físico da região. A proposta foi subsidiar a tomada de
decisões quanto à gestão daquela, mas o que traz evidente é a completa insuficiência
das normas estabelecidas no Plano de Manejo daquela Unidade. As considerações
apresentadas pouco trazem de referências aos contextos sociais locais e às questões
políticas.
O Capitulo final “Parque Estadual da Pedra Branca: o desafio da gestão de
uma Unidade de Conservação em área urbana”, das autoras Josilda Rodrigues da S.
Moura e Vivian Castilho da Costa, retoma os estudos de áreas protegias em espaço
fluminense. Ressalta da análise que práticas consideradas “tradicionais” para
comunidades da região, como o plantio de banana e criação de gado, acabavam
sendo utilizados como instrumentos para delimitação de propriedades irregulares
invadindo os limites do referido Parque, mascarando o verdadeiro uso que se fazia:
ocupação e retirada de madeira nativa. Essas ocupações irregulares são favorecidas
pelas dificuldades de regularização fundiária do Parque, e por outro lado, da falta de
política pública de habitação para a cidade do Rio de Janeiro, que lança grande
contingente populacional para as zonas periféricas.
Fato relevante dos estudos de caso que tiveram como foco áreas situadas no
Estado do Rio de Janeiro é que tais áreas naturais protegidas encontram-se sob a
chamada Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, categoria internacional criada pela
UNESCO, a partir do Programa Man and Biosphere, que propõe a conservação dos
recursos naturais e melhoria da qualidade de vida das populações localizadas nesses
espaços, disponibilizando meios de acesso a financiamentos internacionais para
ações nessas áreas visando tais objetivos. Contudo, uma perspectiva pouco explorada
pelos autores, restringido-se apenas à menção ao fato.
Em termos de editoração, o volume apresenta-se muito bem acabado, contudo,
o livro apresenta uma série de imagens (fotografias, mapas e imagens de satélite)
presentes nos Capítulos 3 ao 7, todas em preto e branco, aparecendo em caráter
meramente ilustrativo e deficitárias em resolução e tamanho.
Carlos Alberto Menarin 7
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ISSN – 1808–1967
A apresentação das múltiplas possibilidades de estudo sobre as UCs parece
evidente ao final da leitura da obra em questão. De maneira ampla, os Capítulos
demonstram as dificuldades de gestão dessas áreas, particularmente, emergidas de
problemas fundiárias: não reconhecimento das sociedades do entorno e conflitos com
os interesses locais e/ou regionais. O mérito do volume, de modo geral, é apresentar
uma discussão abrangente das dificuldades em torno da criação e, principalmente, a
implantação e gestão das UCs no Brasil. Panorama atual de grande relevância para o
estado da questão das insuficiências das políticas públicas de proteção ao patrimônio
ambiental no país. Constatação que deveria ter maior atenção dos historiadores.
As questões abordadas nesse livro apresentam congêneres em outras partes
do país, como a região metropolitana de São Paulo e as áreas naturais protegidas
localizadas nesse espaço e entorno dele. Da leitura dessa obra de geógrafos, mas não
circunscrita a geógrafos, devemos destacar o leque de abordagens possível para o
tema das UCs e sua inquestionável relevância para compreensão e possibilidade de
intervenção crítica na realidade de questões cruciais da atualidade, como a formulação
de políticas públicas que dêem conta da conservação do patrimônio ambiental do país
com justiça social.
Recebido para publicação em setembro de 2009.
Aprovado para publicação em setembro de 2009.
Notas
______________
¹ Dentro do conjunto de títulos disponíveis, destacamos os seguintes, que apresentam
afinidades com a obra em questão: Cf. CUNHA, Sandra Baptista; GUERRA, Antonio José
Teixeira. (Orgs.). A questão ambiental: diferentes abordagens. 4. ed. Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 2008. GUERRA, Antonio José Teixeira; CUNHA, Sandra Baptista. (Orgs.). Impactos
ambientais urbanos no Brasil. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001.
2 Cf. BRITO, Maria Cecília Wey de. Unidades de Conservação: intenções e resultados. 2. ed.
São Paulo: Annablume; FAPESP, 2003.
3 Cf. MORSELLO, Carla. Áreas Protegidas Públicas e Privadas: seleção e manejo. São Paulo:
Annablume, 2003.
4 Cf. HEYNEMANN, Claudia. Floresta da Tijuca: natureza e civilização no Rio de Janeiro. Rio
de Janeiro: Secretaria municipal de cultura; Departamento geral de documentação e
informação cultural; Divisão de editoração, 1995.