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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Coleção Historia Geral da Africa para download

Brasília: UNESCO, Secad/MEC, UFSCar, 2010.

Resumo: Publicada em oito volumes, a coleção História Geral da África está agora também disponível em português. A edição completa da coleção já foi publicada em árabe, inglês e francês; e sua versão condensada está editada em inglês, francês e em várias outras línguas, incluindo hausa, peul e swahili. Um dos projetos editoriais mais importantes da UNESCO nos últimos trinta anos, a coleção História Geral da África é um grande marco no processo de reconhecimento do patrimônio cultural da África, pois ela permite compreender o desenvolvimento histórico dos povos africanos e sua relação com outras civilizações a partir de uma visão panorâmica, diacrônica e objetiva, obtida de dentro do continente. A coleção foi produzida por mais de 350 especialistas das mais variadas áreas do conhecimento, sob a direção de um Comitê Científico Internacional formado por 39 intelectuais, dos quais dois terços eram africanos.

Download gratuito


(somente na versão em português):










Informações Adicionais:



Fonte: Prof. Marcelo Mendonça - CEGeT (UNESP)

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Livros Digitais

Pessoal,
esses livros, entre outros, estão à disposição para acesso nos links abaixo de cada texto. É um trabalho sério de acesso ao conhecimento, do neo economista Ladislau Dawbor e outros, que afirma que conhecimento é para ser compartilhado, pois ao compartilhar conhecimento você fica com mais conhecimento (diferente de uma caneta, por ex. que você dá e fica sem ela). O site dele é http://dowbor.org/ onde vc vai encontrar muita coisa boa.

Hailton F. Araújo


Riscos e oportunidades em tempos de mudança - Instituto Paulo Freire e Banco do Nordeste - 2010,272p.
O planeta está entrando numa fase de altos riscos. As mudanças climáticas, o esgotamento de recursos básicos como o petróleo, a erosão dos solos, a liquidação da vida nos mares pela sobrepesca, a contaminação generalizada da água doce, e sobretudo a desigualdade crescente entre ricos e pobres, geram um processo de crises convergentes. Mas estas crises também abrem oportunidades de mudança de rumos, analisadas por 25 autores que incluem Ignacy Sachs, Paul Singer, Susan George, Amir Khair, Silvio Caccia Bava e outros. Ladislau Dowbor contribui com dois artigos. O livro está publicado em Creative Commons, disponível online na íntegra gratuitamente, entre outros no blog criseoportunidade.wordpress.com




A Nova Política Econômica A sustentabilidade ambiental - Ed. Perseu Abramo, São Paulo, 2010, 270 p
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A visão econômica tradicional, o main-stream das bobagens de Washington, envelheceu de repente. A presença de um forte setor estatal não é um estorvo, é um suporte fundamental. A regulação das finanças não é burocratização, é uma proteção contra a irresponsabilidade. Assegurar melhores salários e direitos aos trabalhadores não é demagogia, é a forma mais simples e direta de gerar demanda e uma conjuntura favorável. Apoiar os mais pobres da sociedade não é assistencialismo, é justiça, bom senso, e dinamiza a economia pela base. Investir nas regiões mais pobres não é um contrasenso, prepara novos equilíbrios ao gerar economias externas para futuros investimentos. Fazer políticas sociais não é um bolo que se divide, pois é o investimento na pessoa que mais gera dinâmicas econômicas, como já analisava Amartya Sen. Fazer política ambiental não atrasa o progresso, pois muito mais empregos geram as alternativas energéticas e o apoio à policultura familiar, do que extrair petróleo e desmatar para introduzir soja e gado. Manter uma sólida base de impostos, não é tirar da população, é assegurar contrapesos indispensáveis para o desenvolvimento equilibrado do país. Ao reunir alguns dos melhores especialistas de diversas áreas, o presente livro constitui uma excelente visão panorâmica das transformações em curso.www.fpabramo.org.br




Gestão da Comunicação e Responsabilidade Socioambiental – Joana d’Arc Félix e Gilson Borda (Orgs.), Ed. Atlas, São Paulo 2009
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O livro busca construir uma nova visão de marketing e conunicação para o desenvolvimento sustentável, coisa nem sempre fácil. De toda forma um início de responsbilidade social e ambiental pela comunidade do marketing é coisa muito bemvinda. Se as empresass foram além do marketing, será melhor ainda. O capítulo assinado Ladislau Dowbor e Hélio Silva é “Informação para a participação” (pp. 95 a 116) e trata do desafio de ermos uma cidadania efetivamente informada. ISBN 978-85-224-5649-9 www.editoraatlas.com.br




A Fé na Metrópole: desafios e olhares mútliplos – Ed. Paulinas e Educ, São Paulo, 2009
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Organizado por Afonso Maria Ligorio Soares e João Décio Passos, o livro reune diversos olhares sobre a vida urbana, os valores, o desenvolvimento e cultural, a religiosidade, a convivência. Trata-se de uma ampliação radical da visão da metrópole, relativamente aos olhares necessários mas estreitos do urbanismo. O capítulo de Ladislau Dowbor, Sustentabilidade Urbana, trata das visões de desenvolvimento integrado na urbe. ISBN 978-85-356-2421-2 e ISBN 978-85-283-0394-0



Os avanços tecnológicos e o futuro da humanidade – Rose Marie Muraro - Ed. Vozes, Petrópolis, 2009, 355 p
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Rose Muraro fez um exercício muito interessante: analisar os nossos desafíos civilizatórios partindo da evolução das técnicas. É um livro duro, contém fortes denúncias, e pode pecar em diversas passagens por excessos. É escrito por uma cientista, que está visivelmente cansada de ver a ciência, que tanto pode servir a humanidade, ser voltada contra ela, e gerar tensões cada vez mais insuportáveis. Serve sem dúvida de alerta, e alertas sempre incomodam um pouco. Belíssima leitura. Prefácio de Ladislau Dowbor. Editora www.vozes.com.br



Compêndio de Indicadores de Sustentabilidade de Nações – Ane Louette (Organizadora). São Paulo, WHH, 2009, 113 p.
O compêndio organizado por Anne Louette vem na sequência de outro volume, que apresentava as diversas metodologias utilizadas para avaliar a responsabilidade social e ambiental das empresas. No presente volume, o leitor encontrará um conjunto de notas técnicas sobre as novas metodologias de indicadores de desenvolvimento, por parte de Hazel Henderson, Jean Gadrey, José Eli da Veiga, Ladislau Dowbor, Lala Deheinzelin, Patrick Viveret, Rosa Alegria e Serge Latouche, e em sequência um apresentação sintética sobre o IDH, o FIB, a Pegada Ecológica, o bemestar das nações e outros, no conjunto 25 das principais metodologias utilizadas. Trata-se realemente de um instrumento de trabalho, de muita utilidade. ISBN 978-85-88262-16-4 Está disponível online em www.compendiosustentabilidade.com.br



Direitos Humanos, Democracia e República - Homenagem a Fábio Konder Comparato.
Maria Victória Benevides, Gilberto Bercovici e Claudineu de Melo (Orgs.) Editora Quartier Latin, São Paulo, 2009, 982 p.
O título diz tudo, pois nada como resgatar o conceito de democracia, numa visão ética, nesta era de desorientação generalizada. E a homenagem a Fábio Konder Comparato é mais que devida, e nos emociona, aos que trabalhamos ou cruzamos com ele nas div ersas dimensões das nossas vidas. Esta publicação volumosa reuniu quase cinquenta pessoas, que quiseram prestar a homenagem, e o fizeram da forma mais prática, trazendo as suas visões sobre os desafios éticos e políticos que enfrentamos. Nomes de primeira linha neste debate, como Rubens Ricúpero, Celso Lafer, Dalmo Dallari, Margarida Genevois, Fernando Haddad - só para citar alguns, trazem as suas visões. Trata-se de um excelente compêndio para debater a crise civilizatória que vivemos. O capítulo de Ladislau Dowbor, "Ética, Transparência e Democracia Econômica", traz a visão de que a própria economia deve ser democratizada, pois sermos cidadãos a cada dois anos apenas, depositando o voto na urna, já não é viável. ISBN 85-7674-390-6






Desafios do Consumo - Coletânea organizada por Ladislau Dowbor, Helio Silva e Ricardo Mendes Jr. - Ed. Vozes - 2007
O consumo, tradicionalmente estudado em economia e por áreas de administração como o marketing, afeta na realidade todos os setores de atividade. Hoje precisamos ver os impactos ambientais do consumo irresponsável, os resultados de um consumismo obsessivo sobre o bem estar das pessoas, as mudanças culturais que estão sendo geradas, problemas setoriais diferenciados como por exemplo a proteção das reservas de água doce e assim por diante. A presente coletânea reune um conjunto de visões - partindo das mais variadas disciplinas - sobre este poderoso estruturador das nossas sociedades que é o consumo. O capítulo de Ladislau Dowbor, "Consumo Inteligente", faz parte da abertura geral com Hazel Henderson e Juliet Schor, duas pesquisadoras de primeira linha no plano mundial.


Alternativas ao aquecimento global - Le Monde Diplomatique, IPF - 2007
O aquecimento global já não é assunto de especialistas, tornou-se uma questão planetária que exige mudanças nos processos produtivos, nos modos de consumo, no perfil energético, nas próprias formas de organização social e processos de decisão política. Este pequeno livro reune artigos nacionais e internacionais importantes. Trata-se do primeiro volume publicado pelo Le Monde Diplomatique no Brasil, junto com o Instituto Paulo Freire, e a idéia é ir publicando bons livros que abordam problemas chave do desenvolvimento, fornecendo material de pesquisa e estudo em particular para o mundo educacional. Contato www.paulofreire.org - O capítulo de Ladislau Dowbor é "Inovar em organização social". Esta e outras publicações, disponíveis em www.diplo.org.br, podem ser reproduzidas para efeitos científicos e didáticos sem fins lucrativos.




Administrando a água como se fosse importante– Ladislau Dowbor e Renato A. Tagnin (orgs.) – Editora Senac, São Paulo, 2005, 290 p.
O título é um pouco provocativo. No entanto, se considerarmos que morrem 4 milhões de crianças por ano por falta de acesso a água limpa, e que um bem tão essencial é simplesmente desperdiçado, justifica-se plenamente. Mas este livro não é sobre os dramas da água, sim sobre como administrá-la: temos boas leis ambientais, inúmeros diagnósticos, mas as coisas não andam. Na realidade, o uso inteligente da água exige ir além do Estado e do mercado, envolvendo pactuações e a organização de consensos entre os mais diferentes atores sociais. Aprender a administrar a água é em grande parte aprender a administrar a sociedade. O livro conta com a colaboração de 30 autores de primeira linha, e uma visão geral por Ignacy Sachs. Contato www.editorasenacsp.com.br ou editora@sp.senac.br.



Responsabilidade Social - Editora Educ, Pucsp, São Paulo, 2005, 276 p.
O trabalho de Paulo Rogério consiste numa excelente sistematização da discussão a respeito da responsabilidade social e ambiental das empresas, que o tornam uma leitura importante tanto para a academia como para o mundo empresarial e as ONGs que buscam dinamizar as novas tendências. O livro parte da experiência do Selo Empresa Cidadã, mas vai muito além. O prefácio de Ladislau Dowbor apresenta alguns eixos principais da discussão da responsabilidade social e ambiental da empresa. Uma resenha mais ampla encontra-se neste site sob “pesquisas conexas”. Contato www.pucsp.br/educ ou educ@pucsp.br.


Tecnologias Sociais: uma estratégia para o desenvolvimento, 2004 216 p.
O livro "Tecnologias Sociais: uma estratégia para o desenvolvimento", organizado pela Fundação Banco do Brasil em parceria com Sebrae, Finep, Petrobrás, Ipso, Pólis e uma série de outras instituições, constitui um esforço importante para se fazer uma ponte entre as políticas do governo federal, e as inúmeras iniciativas na base da sociedade promovidas por ONGs, por poderes locais, por parcerias com empresas e outras experiências. A versão eletrônica do livro pode ser obtida no site www.utopia.com.br/rts.net ou pelo tel. (61) 310.1969 – O capítulo que correspondeu a Ladislau Dowbor foi sobre sistemas locais de informação para a gestão social.


Desafios do Trabalho – Editora Vozes, Petrópolis, 2004 220 p.
O trabalho está mudando, não só na sua base tecnológica, mas nos vínculos, no sentido de realização que proporciona, nas formas de
remuneração e outras dimensões. Na linha dos outros livros já publicados (Desafios da Globalização, Desafios da Comunicação) procuramos trazer as visões de diferentes áreas científicas, com textos curtos onde se busca entender as novas tendências. O livro foi organizado por Ladislau Dowbor, Odair Furtado, Leonardo Trevisan e Hélio Silva. http://www.vozes.com.br


Trabalho e sociedade em transformação: mudanças produtivas e atores sociais – 2003, 221 p.
O livro de Márcia Leite vem ocupar um relativo vazio entre as grandes visões de transformação social e as análises excessivamente focadas no microcosmo empresarial. Partindo das mudanças sociais, navega pelas transformações dos processos produtivos, e analisa o impacto concreto de reorganização social que os novos processos de trabalho geram, desembocando em formas concretas e inovadoras de regulação social como as que foram desenvolvidas no Grande ABC, na periferia industrial de São Paulo. O texto de Ladislau Dowbor se limita às orelhas do livro, mas aproveitamos para divulgar o que é uma excelente leitura. Veja a resenha neste site sob “pesquisas conexas”.


Márcia de Paula Leite – Trabalho e sociedade em Transformação – Editora Fundação Perseu Abramo, São Paulo, 2003, 221 p. – ISBN 85-86469-88-2 - editora@fpabramo.org.br
Estados Unidos: A Supremacia Contestada – 2003 / 130 p.
Os Estados Unidos preocupam. Um grupo de pesquisadores organizou este balanço do que acontece com os Estados Unidos, com capítulos curtos sobre temas-chave como o meio ambiente, a dinâmica militar, as polarizações internas, as tendências econômicas e outros. É um livro para quem não acredita nem no eixo do bem, nem no eixo do mal, mas quer entender o que está acontecendo. Gostemos ou não, os EUA são, nesta fase, muito poderosos, e a sua dinâmica precisa ser conhecida por todos. Textos de Ladislau Dowbor, Octávio Ianni, Ricardo Mendes Antas Jr (orgs.), de Antônio Corrêa de Lacerda, José Arbex Jr, José Eduardo Faria, Leonardo Trevisan, Luiz Eduardo Wanderley, Luiz Pinguelli Rosa, Pedro jacobi e Renato Ortiz fazem desta edição da Cortez uma iniciativa que contribui bastante para os nossos conhecimentos. O 11 de setembro 2001 mudou muito mais do que o horizonte de New York. O capítulo de Ladislau Dowbor, “EUA: Novos Rumos?” está disponível neste site em “Artigos Online”.


O livro completo pode ser encontrardo em www.cortezeditora.com.br ou cortez@cortezeditora.com.br Estados Unidos: A Supremacia Contestada, Cortez Editora, São Paulo 2003 - ISBN 85-249-0959-5
Famiília: Redes,Laços e Políticas Públicas – 2003, 320 p.
Coletânea sobre a família, de grande interesse, pois passamos rapidamente da família ampla (o clã), para a família nuclear, e hoje nos EUA famílias com pai, mão e filhos representam apenas 26% do total. Com a mudança profunda desta unidade básica da sociedade, é a própria sociedade que muda. Temas como as “famílias enredadas”, “O jovem e o contexto familiar”, “metodologia de trabalho social com famílias”, “Famílias e políticas públicas” se sucedem nos 21 capítulos que apresentam uma visão de conjunto das transformações. O texto de Ladislau Dowbor, “A economia da família”, estuda a família como unidade de reprodução econômica: pais sustentam os filhos e os idosos, e serão por sua vez sustentados. Hoje, com a desarticulação da família, fragilização do Estado e privatização dos serviços sociais, é o próprio processo de redistribuição do excedente social entre gerações que se vê prejudicado.


Família: Redes, Laços e Políticas Públicas, organizado por Ana Rojas Acosta e Maria Amalia Faller Vitale – IEE/PUCSP, São Paulo 2003, 320 p. iee@pucsp.br O capítulo de Ladislau Dowbor está disponível neste site sob “Artigos Online
As novas fronteiras da desigualdade: homens e mulheres no mercado de trabalho – Margaret Maruani e Helena Hirata (orgs.) – Editora Senac, São Paulo 2003 (Prefácio: Ladislau Dowbor)
Trata-se de uma coletânea que apresenta os desequilíbrios de gênero no mundo de trabalho, comparando países como Italia, França, Inglaterra, Alemanha, Espanha e outros. O livro já foi traduzido em várias linguas, e para esta edição foi feito um excelente estudo da situação do Brasil, por Cristina Bruschini e Maria Rosa Lombardi. Helena Hirata, que tão bem conhece este assunto, contribui com uma apresentação e um artigo em co-autoria. De certa maneira, constata-se no conjunto dos estudos apresentados uma grande evolução da mulher na área profissional, mas mal acompanhada pelas necessárias mudanças institucionais, jurídicas e de valores.



Boa vontade existe: como organizá-la?
Junho 2002 – 20 p.

Capítulo do livro "Voluntariado e a Gestão das Políticas Sociais", organizado por Clotilde Perez e Luciano Prates Junqueira, coletânea que envolve uma largo leque de autores, de Aldaiza Sposati a Ruth Cardoso, fazendo o ponto da situação e das tendências do voluntariado. Já houve tempos em que voluntariado era um pouco do tipo chá da tarde com roupinhas para pobre. Hoje trata-se de um dos elementos importantes que diversificam o universo do trabalho. O livro foi editado no final de 2002 pela editora Futura, São Paulo, 390 p. – futura@siciliano.com.br


Novos Contornos da Gestão Local: Conceitos em Construção – Peter Spink, Silvio Cacciabava e Veronika Paulics (orgs.) – São Paulo, Polis/Programa Gestão Pública e Cidadania, 2002, 335 p.
Trata-se de uma obra de fôlego, publicada com apoio da Fundação Ford e do BNDES, sobre problemas chave da gestão local, partindo da análise de experiências concretas de sucesso. Depois de uma abertura de Francisco de Oliveira, o texto examina temas como a mobilização das capacidades locais de racionalização da gestão social, a construção de alianças e parcerias, consórcios intermunicipais, organização de processos participativos e assim por diante. Colaboram Francisco de Oliveira, Ladislau Dowbor, Silvio Cacciabava, Peter Spink, Evelyn Levy, Maria do Carmo Cruz, Caio Silveira, Cunca Bocayuva, Tânia Zapata, José Carlos Vaz, Jorge Kayano e Eduardo Caldas, além da AGENDE (Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento).




segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Especial Coletânea Gramsci



António Gramsci
1891 - 1937

Membro fundador do Partido Comunista Italiano. Teorizou sobre conceitos chave, como sejam a hegemonia, a base, superestrutura, intelectuais orgânicos e guerra de posições.
Actualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras - seja directamente no arquivo ou através de ligações para outros locais da rede:

Marx e o Reino da Consciência

Uma Carta a Leão Trotski sobre o Futurismo Italiano

1916 -
Os Jornais e os Operários

1916 - Dez -
Homens ou Máquinas

1917 -
Os Indiferentes

1917 - Abr -
A Revolução Contra o Capital - Galego
1917 - Abr -
Notas Sobre a Revolução Russa - Galego
1917 - Jun -
Os Maximalistas Russos - Galego
1917 - Dez - Intransigência-tolerância. Intolerância-transigência
1918 - Fev -A Organização Econômica e o Socialismo
1918 - Mar - Wilson e os Maximalistas Russos - Galego
1918 - Mar - Um Ano de História - Galego
1918 - Jul -
A Utopia Russa - Galego
1918 - Set - A Obra de Lenine - Galego
1919 - Eleitoralismo
1919 - Jun - Democracia Operária
1920 - Jul - Duas Revoluções
1921 -
Um Partido de Massas
1921 - Fev - Controle Operário
1921 - Mar - Itália e Espanha
1926 - Out -Carta ao Comitê Central do PC da URSS

Especial - Georg Lukács


György Lukács - 1885 - 1971

"A confusão mental nem sempre é o caos. Pode denotar as contradições internas da actualidade, mas a longo prazo conduzirá à sua resolução. Por isso a minha ética tendeu no sentido da praxis, da acção, e portanto da política. E isso levou, por seu lado, à economia. (...) Só a revolução russa abiu realmente uma porta para o futuro; a queda do czarismo trouxe-lhe um brilho, e com o colapso do capitalismo tal apareceu à vista desarmada. Nesse tempo o nosso conhecimento dos factos e dos principios que lhes estavam subjacentes era dos menores e menos credíveis. Apesar disso vimos, finalmente! Finalmente! uma forma de a humanidade escapar à guerra e ao capitalismo."


Filósofo e político Húngaro de origem judaica, ingressou no Partido Comunista Húngaro em 1918. Foi Comissário do Povo durante o efémero governo de Bela Kun, e tornou-se, no pós 2ª guerra, uma espécie de porta voz do Marxismo intelectual, sobretudo após a discussão pública que o opôs a K. Jaspers e outros filósofos ocidentais nos Encontros Internacionais de Genebra, de 1946. Ministro da Educação do Governo de Imre Nagy, foi deportado para a Roménia após a invasão da Hungria por tropas soviéticas em 1956.
Actualmente estão disponíveis em Português as seguintes obras:
1920
Velha e Nova Cultura
1920
Consciência de Classe
1920
A Última Superação do Marxismo



Outras Obras Disponíveis:

A proletarização do professor: neoliberalismo na educação


A proletarização do professor: neoliberalismo na educação

Autores: Áurea Costa, Edgard Neto e Gilberto Souza.

Educação é o assunto da moda: mesmo diante da grave crise econômica que atinge a economia capitalista, é o assunto mais discutido na mídia. Isso não poderia se dar de outra forma, pois a universalização do acesso à educação básica não significou o "paraíso terreno" para milhões de brasileiros desempregados ou subempregados, como prometeramAdicionar imagem governos de direita e esquerda ao longo dos anos. A escolarização não garante, imediatamente, a inserção no mercado de trabalho assalariado, com direitos e, consequentemente, melhora das condições de vida para a classe trabalhadora, pois não é na escola que se criam os novos postos de trabalho.

Na conjuntura do neoliberalismo, houve a desintegração da promessa integradora da escola.A população brasileira, em sua grande maioria, é formada por ágrafos e analfabetos funcionais, os quais se constituem em pessoas que passam pela escola e se certificam sem saber ler ou entender textos elementares.Parafraseando Anísio Teixeira, ainda hoje temos que repetir: "Educação não é privilégio".Conforme a concepção de Estado foi mudando no âmbito do liberalismo, foi mudando também sua relação com a educação escolar formalizada, o que é esperado, uma vez que as instituições escolares capitalistas são braços do Estado. Assim, no momento do Welfare State, em que o Estado tinha um caráter fortemente interventor na economia, a escola era considerada como estratégica na formação do chamado capital humano, preparando a mão-de-obra para o ingresso no mercado, o que justificava um mínimo investimento público em políticas públicas para a Educação, a elaboração de um plano nacional de educação e de um sistema educacional de proporções nacionais e tendência mais centralizadora.

Na conjuntura neoliberal, o Estado assume a forma de mínimo no que tange ao investimento no social; a escola permanece formando mão-de-obra para a nova organização do trabalho, mas agora contando com financiamento cada vez mais restrito do Estado e inserção de fontes alternativas privadas de financiamento, que trazem consigo ingerência da esfera privada sobre a educação escolar formal pública.É por isso que, nos discursos governamentais, a educação foi se transformando de solução em problema a ser resolvido. Ela passou a ser apresentada como um peso econômico para o orçamento público, cada vez mais cobiçado e loteado pelo capital privado, nos discursos e práticas dos diferentes governos que passaram pelo poder desde o fim do ciclo militar até nossos dias.É esse um mundo onde, cada vez mais, o capital invade todas as esferas da vida social e econômica, privatizando tudo, saqueando as finanças públicas - como a interminável e impagável dívida pública demonstra - e com parcerias que servem como um sorvedouro de recursos antes destinados às chamadas áreas prioritárias, saúde e educação.

Podemos afirmar que a crise e a agonia da escola pública está sendo gerada a partir do Estado capitalista, que de forma cada vez mais despudorada assume a condição de instrumento da acumulação privada de capital, principalmente o financeiro, ratificando seu caráter privado, transparecendo quão fictícias são suas funções de arbitragem dos interesses públicos, da realização da democracia e da implementação falaciosa de práticas sociais de cidadania.Para justificar o desmonte consciente e deliberado do ensino público, da educação básica a universidade, governos estaduais, municipais e o próprio governo federal orquestram uma campanha a parir dos grandes meios de comunicação contra os professores, alunos e pais de alunos e, principalmente, contra o ensino público.Um exército de "especialistas" - pedagogos, psicopedagogos, jornalistas, economistas, psicólogos e outros produtores de ideologias - resolveu "discutir" a crise da escola pública.

Esse exército mercenário, a soldo de governos e de grandes grupos econômicos interessados na privatização da educação, descobriu a "pedra filosofal": a crise da educação nada tem a ver, segundo eles, com a pequenas dotação de verbas para a educação, com os baixos salários e condições de trabalho dos professores, muito embora a necessidade brasileira seja de investimento de 10% do PIB para a educação, e as agências internacionais indiquem um investimento de 6% do PIB, e o atual governo invista apenas cerca de 4,6%. Produz-se uma distorção da realidade em que os grandes culpados são a má gestão das verbas, os próprios professores que não sabem ensinar e os alunos que não querem aprender.Mediante esse quadro os autores entenderam que os professores devem se apresentar para o debate, organizados nos movimentos sociais; mas, para além do movimento social em defesa do direito universal à educação pública de qualidade, é necessário um programa que unifique a classe trabalhadora que atua na escola pública, seja como pais, seja como professores e como juventude, em defesa do direito histórico de apropriação da filosofia, do conhecimento, da arte e da cultura universais - pois, para essa classe, a escola pública é a chance única de contato com esses saberes de forma sistemática e diária, durante a infância e a adolescência, em especial.

O livro foi organizado na forma de três ensaios que têm um eixo ordenador comum; a crise da escola de educação básica pública no Brasil sob a égide do neoliberalismo, tendo como referência o estado de São Paulo. Empreendemos análises sobre a política educacional dos diferentes governos, a violência da alienação no trabalho desde a formação dos professores, a apresentação da conjuntura atual da educação básica brasileira. Pontuamos alguns elementos para a construção de um programa para a defesa da educação pública, de qualidade e para todos, objetivando estimular o debate por todos os professores, pais, pesquisadores e militantes dos movimentos sociais. Pois ele tem sido realizado privadamente pelos tecnocratas e difundido na mídia, com vistas a produzir justificativas para as políticas públicas de superexploração dos trabalhadores da educação, sucateamento da escola pública em todos os níveis e privatização da educação brasileira.

Enfim, agradecemos à Editora José Luís e Rosa Sunnderman pela implementação do projeto do livro e dedicamos este trabalho a lodos os professores das redes de ensino básico, num momento em que vivem premidos entre a atribuição da missão de redimir a sociedade de todos os problemas por meio da educação e o veredicto de responsáveis pelo fracasso da escola, que, na verdade, é produto de uma política consciente do capital contra a classe trabalhadora.

Capitulo 1 - O FRACASSO DOS PLANOS neoliberais NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Clic na Imagem e acesse o conteúdo.

Obs: Agurde a publicação dos demais capítulos.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Livro Didático Público - Secretaria da Educação do Paraná

Livro Didático Público - Geografia

DIMENSÃO SOCIOAMBIENTAL DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Abertura
Introdução
Os seres humanos são racionais. Será?
Pare de sonhar com um carro!
Catástrofes são evitáveis ou inevitáveis?
Você toma veneno?

DIMENSÃO POLÍTICA DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Abertura
Introdução
O Brasil podia ser diferente?
É proibida a entrada!
A união faz a...?
A Água tem futuro?


DIMENSÃO ECONÔMICA DO ESPAÇO GEOGRÁFICO
Abertura
Introdução
A indústria já era?
A gente se vê no shopping?
Nós da rede
Dinheiro traz felicidade?
Fome: problema econômico?


DIMENSÃO CULTURAL-DEMOGRÁFICA DO ESPAÇO GEOGRÁFICA
Abertura
Introdução
Você produz ou consome o espaço?
Para onde vais?
Nada a ver? Tudo a ver!
Passa por sua cabeça ter muitos filhos?


Veja também livros para outras Disciplinas clicando AQUI

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

As veias abertas da América Latina

Clic na Imagem e acesse o Livro em Formato Digital

Eduardo Galeano, autor de As veias abertas da América Latina, propôs um inventário dos 500 anos da história do continente retratando as suas principais bases: a economia agrícola e mineradora dominada pelo mercado internacional, com o objetivo de gerar lucros para a potência dominadora; a pobreza social como resultado de um sistema econômico externo e excludente, que privilegia uma minoria financeiramente capaz de integrar-se aos padrões de consumo; a opressão de governos centralizadores contra as minorias, produzindo genocídios e o caos social; a exploração do trabalho e as péssimas condições de sobrevivência para a grande maioria de sua população.
Num relato informal, cujo objetivo é "mostrar uma opinião", para entender a história e a atual situação da América Latina Galeano narra os fatos fora de uma seqüência cronológica, fazendo com que passado e presente conversem entre si na mesma obra, determinando o ponto de vista do autor: o continente foi e é peça importante no enriquecimento de poucas nações, e o preço que paga por isso é o seu subdesenvolvimento crônico, suas eternas crises sociais e seu status de colônia. "A riqueza das potências é a pobreza da América Latina", diz Galeano em certa passagem do livro.
O autor dividiu o livro em três partes. Na primeira, mostra como os espanhóis e portugueses chegaram àquelas terras virgens no século XV e se aproveitaram das riquezas que o continente possuía. Os primeiros, fixados desde o planalto mexicano até os Andes, tiveram sorte e encontraram ouro e prata nas primeiras andanças. Os lusitanos, ocupando a faixa litorânea do Oceano Atlântico, tiveram de construir um império colonial à base da cana-de-açúcar enquanto não encontravam os metais. Embora em áreas diferentes, a tônica da exploração foi a mesma: trabalho forçado, agressão física, enriquecimento, opressão colonial.
Os espanhóis encontraram dois exércitos de mão-de-obra disponíveis: os índios astecas no México e os incas no Peru. Estas civilizações, para Galeano, retratam o caráter do domínio colonial: socialmente e militarmente evoluídas, foram destruídas nas minas e com o trabalho forçado nas mitas e encomiendas. Já os portugueses, depois de tentar a exploração dos índios nos engenhos de açúcar e não obter sucesso, transformaram-se no maior traficante de negros mundial. Vindos da África, os negros deixavam à força seus reinos para, em terras brasileiras, ser escravos e motor da produção açucareira.
Após narrar a glória desses centros produtivos de riqueza colonial (que, como faz questão de ressaltar, não ficava na Espanha e Portugal: destinava-se a pagar as dívidas que estes países tinham com a potência que lhes roubaria o domínio econômico da América: a Inglaterra), Galeano traz a exploração para o presente e fala da decadência dessas regiões. São claros exemplos da tese de que a região rica do passado é marcada pela pobreza no presente as minas de Potosí, na Bolívia (região dava todo o ouro e prata que os espanhóis necessitavam e onde se formou uma elite local que enriquecia à base da escravidão indígena.
No século XVII, quando os metais escassearam, o sonho de riqueza acabou e a pobreza se enraizou. Hoje, Potosí é o distrito mais pobre da Bolívia, habitado somente por descendentes de índios, e de seu passado glorioso guarda apenas a lembrança); o Nordeste brasileiro, que viveu seu auge com a produção de açúcar nos século XVI e XVII, mas não escapou da decadência quando seu produto passou a sofrer concorrência das Antilhas Holandesas, no século XVIII; e a região de Ouro Preto, quando a efêmera exploração aurífera acabou na entrada do século XIX.
Os três casos refletem a formação colonial da América Latina: o continente nasceu para fornecer as riquezas que a Europa necessitava. Na medida em que as terras já não atendiam a essa demanda, foram abandonadas, ficando como marca do passado as gerações seguintes da população historicamente explorada, pobre e sem perspectivas. Citando a teoria marxista da divisão do trabalho entre operário e patrão, Galeano afirma que "enquanto a Europa era o cavaleiro que levava as glórias, a América era o cavalo que fazia todo o serviço".
Dos metais, seguiu-se a exploração agrícola e pecuária a partir principalmente dos séculos XVIII e XIX, por meio da qual cada país, numa engrenagem perfeita com o sistema econômico internacional, se identificou e ainda se identifica com um determinado produto na escala comercial. A América Central se especializou no fornecimento de frutas tropicais; o Equador, bananas; Brasil e Colômbia, café; Cuba e Caribe, açúcar; Venezuela, cacau; Argentina e Uruguai, carne e lã; a Bolívia tornou-se país fornecedor de estanho e o Peru de peixe. Embora com produções diferentes, o sistema permanece com mecanismos idênticos em todos os casos: por se tratar de mercadorias primárias, com baixos preços, os países pouco lucram como a venda agrícola.
Por isso, têm de produzir cada vez mais e com métodos baratos para fazer mais divisas e atender à necessidades dos países compradores para não perder mercados. Com isso, aumenta-se a exploração do trabalho e a formação dos latifúndios, impedindo o acesso das classes populares à terra. Este processo de dominação personificou-se principalmente na América Central. Neste território, a indústria nacional não existe ou é primária: os grandes conglomerados pertencem a países estrangeiros, atuando exatamente na industrialização de alimentos. Os países vendiam, no século XIX, sua produção agrícola aos ingleses, substituídos um século depois pelos EUA, potência que domina a área e dita os rumos da política local de acordo com seus interesses.
A antiga empresa norte-americana United Fruit Company era o "verdadeiro" poder na América Central, comandando a área a despeito das vontades e anseios de sua população, e inclusive promovendo golpes militares e instalando governantes de confiança para garantir seus direitos (como na Guatemala, em 1954: numa intervenção militar, os EUA derrubaram Jacobo Arbenz, socialista eleito democraticamente). As lutas de guerrilha que caracterizam até hoje a região são decorrentes dessa dominação: grupos paramilitares lutam contra governos corruptos que defendem os interesses norte-americanos para chegar ao poder. Mais uma vez, a vítima é sempre a população, que se não morre explorada nos latifúndios, tem sua vida encurtada nas batalhas da guerra civil.
Sociedades nascidas para fora, isto é, para fornecer produtos e condições econômicas de desenvolvimento às potências mundiais, as nações latino-americanas nunca se esqueceram de sua trágica condição. E nem os movimentos de independências nacionais das duas primeiras décadas do século XIX libertaram os novos países da dominação colonial, pois a estrutura permaneceu idêntica: a economia agrário-exportadora dominada por elites locais ligadas aos mercados compradores – principalmente a Inglaterra. A fragmentação que o território latino-americano sofreu após o movimento libertador de Simón Bolívar representa a impossibilidade de formar uma unidade nacional: cada elite identificou-se com um pedaço do território e nela formou seu país, de acordo com seu papel no comércio internacional. Como diz Galeano, "cada novo país identificou-se com seu porto exportador, acima de qualquer idealismo". O imperialismo britânico substituiu o domínio ibérico no século XIX, fomentando seu próprio desenvolvimento às custas da produção dos novos países e exterminando toda e qualquer tentativa de desenvolvimento autônomo.
A Guerra do Paraguai, de 1865 a 1870, é o exemplo mais claro desse argumento: capitaneados pelos interesses comerciais britânicos, Brasil e Argentina promoveram um conflito bélico contra a nação guarani, à época a mais industrializada e comercialmente independente do continente. O resultado foi o maior genocídio da história latino-americana (1,3 milhão de mortos numa população de 1,8 milhão) e o enfraquecimento do Paraguai, que até hoje não deixou de ser um protetorado sob a ingerência do imperialismo brasileiro e argentino. No século XX, com a decadência inglesa, surge no cenário os EUA como nova potência gestora da América Latina. Não é à toa que, já em 1823, os norte-americanos promulgaram a famosa Doutrina Monroe: "A América para os americanos".
O que significava dizer: os EUA estenderiam seus interesses sobre seu continente irmão e continuariam a exploração iniciada quatro séculos antes, por meio do controle econômico e político. O início da longa e duradoura intervenção norte-americana no continente data de 1898, quando os EUA derrotaram a Espanha na batalha de independência de Cuba, e se apossaram dos direitos políticos e econômicos sobre a ilha – os quais mantiveram até 1959, quando Fidel Castro e seus guerrilheiros derrubaram o governo de Fulgencio Batista e tomaram o poder. No entanto, mesmo longe de Cuba, é sabido que os interesses norte-americanos criaram ramificações em outros países do continente, com destaque para a já citada América Central e o México. Mesmo os países com certo desenvolvimento industrial – Brasil, Argentina e México – não escapam dessa dominação econômica imposta pelas potências internacionais. Basta uma análise mais detalhada nos índices econômicos dessas nações para se comprovar o argumento. Grande parte das receitas comerciais dessas nações ainda vêm da exportação de matérias agrícolas, pecuárias (destacadamente o caso argentino) ou minerais.
O campo, a agricultura e as indústrias primárias ainda são marcos dos tempos coloniais. Na verdade, as indústrias desses países têm força local, ou seja, encontram mercado apenas em países subdesenvolvidos que não produzem tais mercadorias. Perante as potências, não passam de apêndice das multinacionais com o objetivo de fornecer lucros à matriz, e não em desenvolver um forte mercado interno. A industrialização latino-americana não nasceu dos anseios de desenvolvimento sócio-produtivo, mas da impossibilidade de importar produtos manufaturados durante a recessão econômica mundial dos anos 30. Formou-se uma indústria baseada na "substituição de importações", reforçada durante os anos 50 e 60 com o advento das multinacionais e políticas internas de crescimento. No entanto, a industrialização latino-americana nunca deixou de estar ligada aos interesses estrangeiros, ao fornecer produtos que tais mercados necessitavam e importar tecnologias que, em vez de incrementar o desenvolvimento, só aumentavam a dependência.
A demanda interna e o crescimento do mercado consumidor não foi atendida. Assim, entende-se que o movimento industrial do continente foi mais uma etapa do colonialismo perante as potências mundiais: fornece-se produtos baratos, baseados no baixo valor da mão-de-obra e na exploração do assalariado, para se encaixar no mercado internacional e obter técnicas que a indústria local é incapaz de produzir. Mudam os tempos e os métodos, mantém-se a exploração, o subdesenvolvimento e a inviabilidade de um crescimento autônomo e principalmente voltado às classes mais injustiçadas do sistema. A iniciativa de um mercado de cooperação econômica que visa reduzir essa dominação, como o Mercosul, tem efetividade apenas em nível local, ou seja, perante os demais países do continente, que não dispõem das mesmas tecnologias e condições para produzir as mercadorias que o bloco comercializa.
O Mercosul não tem forças para competir ou fazer afrontas à futura Alca, por exemplo, ou à União Européia: estes blocos, além de poderosos economicamente, produzem mercadorias mais baratas e de melhor qualidade que o bloco latino-americano, o que lhes abrem as portas para conquistar os mercados onde o Mercosul atua hoje. A tentativa norte-americana de enfraquecer o bloco reflete que as condições mudam, mas a essência é a mesma: a potência mundial dita as regras e exige o cumprimento das colônias.
Embora diga que ainda é muito cedo para se pensar na Alca, o Mercosul vive sob o temor da formação desse novo bloco, que lhe faria concorrência direta ao englobar todos os mercados americanos restantes e limitar sua área de atuação. Tratar-se-ia de um pacto colonial moderno: as colônias seguem a orientação superior, mesmo com contestação, por saber que, se não o fizerem, as conseqüências e retaliações serão muito piores. Mas não é apenas isso. O Mercosul é enfraquecido em função das diferenças sociais e econômicas entre seus membros que, reforçadas ao longo dos séculos, fazem com que o bloco tenha atritos internos.
É inegável que o Brasil é o grande motor econômico do acordo, ao possuir economia e produção diversificados e que gozam de certa estabilidade financeira. Quem lhe poderia fazer concorrência, a Argentina, vive uma crise econômica de grave intensidade que estagnou seu sistema produtivo; o Uruguai oscila seu apoio aos dois países, pois necessita muito dos produtos que eles produzem, já que sua economia é basicamente pecuária; na mesma situação se encontra o Paraguai, país mais pobre e dependente do bloco. Nenhuma decisão pode ser tomada sem a participação das quatro nações, e os desníveis de desenvolvimento de cada uma delas, bem como tradicionais rixas políticas, atrapalham a tomada de políticas conjuntas.
Tome-se como exemplo o recente acordo automotivo entre Brasil e Argentina para a construção conjunta de carros. Os argentinos vetaram as primeiras versões do acordo, acusando o Brasil de querer manipular o Mercosul para favorecer a sua produção de peças para carros em detrimento dos outros membros. O que estava implícito na reclamação argentina era a crise da economia local e o inflacionamento da produção: as peças locais saiam mais caras que as brasileiras, o que encareceria o produto final. No final, um acordo definitivo foi assinado, dividindo a produção das peças e os custos de montagem dos carros. Para compensar a crise argentina, quem perdeu foi o Brasil, que arcará com os preços mais caros do parceiro e, conseqüentemente, encarecerá a mercadoria.
Esta, na concorrência com outros mercados, sairá em desvantagem. A América Latina nasceu para poucos desfrutarem da riqueza da terra e do trabalho de muitos. O sangue das "veias abertas" do continente é um manjar que alimenta o crescimento das potências e das elites locais, mas também faz-se veneno que mata a população de sua terra. No entanto, como veremos no próximo tópico, esse continente, mesmo protagonizando uma história trágica e permeada da exploração, elites de interesses limitados e governos repressores, nunca deixou de ter esperanças de mudar. Afinal, a América Latina também protagonizou acontecimentos que tentaram desviar o rumo da história e soam até hoje como esperanças de transformação. São casos como a Revolução Cubana, ocorrida há 40 anos, e a atual guerrilha zapatista no México que ainda permitem o sonho em uma terra melhor.
Como disse Marx, a respeito do processo histórico, são os homens que fazem a história, na sua luta diária pela sobrevivência e pelo bem-estar. Assim, somente a luta do povo latino-americano, após séculos de exploração e pobreza, poderá libertar o continente das amarras que o oprimem, desenvolvê-lo em suas potencialidades e, principalmente, dar-lhe uma cara latino-americana, ou seja, voltada às necessidades de seu povo." ( Texto de: Luiz Fernando B. Belatto )
Fonte: http://www.consciencia.org/forum/index.php?topic=768.0

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Livros eletrônicos “LABUR EDIÇÕES” - São Paulo de múltiplas faces ...

Labur edições - São Paulo de múltiplas faces ..

A coleção de livros eletrônicos que compõe a “LABUR EDIÇÕES” tem por objetivo precípuo dar visibilidade a "um modo de pensar e fazer Geografia" a partir de uma perspectiva crítica-radical apoiada, fundamentalmente, na obra de Karl Marx e Henri Lefebvre.

Uma leitura crítica destas obras revela a potência não só para o desvendamento do mundo moderno, como permitem atualizar a utopia.Para tanto, disponibilizaremos, sem a mediação do mercado editorial, parte da produção do conhecimento realizada pelo grupo, em versão integral (no formato PDF) para sua apreciação crítica. Trata-se, particularmente, mas não somente, da publicação de teses de Doutorado e Dissertações de Mestrado realizadas no programa de pós-graduação em Geografia Humana do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Brasil, sob esta orientação teórico-metodológica capaz de originar uma “escola de pensamento” na Geografia.

Coordenação: Ana Fani Alessandri Carlos e Glória Anunciação AlvesComissão Editorial - Secretária - Renata Alves Sampaio, Danilo Volochko, Julio Cesar Ferreira Santos, Rafael Faleiros de Pádua, Sávio Augusto Miele.

Para acessar o material é só clicar no nome do livro ou no nome da resenha!

Bons Estudos!

Livro: O Espaço Urbano - De Ana Fani Alessandri Carlos
Resenha- Novos Escritos Sobre a Cidade - por Sávio Augusto de Freitas Miele


Livro: O lugar no/do mundo - De Ana Fani Alessandri Carlos
Resenha:
O desvendamento do mundo moderno através do pensamento geográfico - Por Tatiane Marina Pinto de Godoy

Livro: A Construção do Patrimônio Natural - De Simone Scifoni
Resenha:
A proteção da natureza como condição da reprodução - Por Isabel Aparecida Pinto Alvarez

Livro: Ecoturismo: uma indústria sem chaminé - De Paola Verri de Santana
Resenha:
Ecoturismo: uma indústria sem chaminé - Por Frederico Bertolotti