quarta-feira, 21 de abril de 2010

O REGIME DE PROGRESSÃO CONTINUADA E O BAIXO DESEMPENHO DA APRENDIZAGEM

Por professortemporario
Pesquisa realizada com metodologia de Estudo de caso, por meio de análise quantitativa e qualitativa sobre dados de matrícula e rendimento escolar de estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental das redes públicas Estadual e Municipal de São José dos Campos, nos anos de 1993 a 2004.
Esta pesquisa só pôde ser realizada em virtude da colaboração dos professores da Rede de Ensino Municipal de São José dos Campos, que ajudaram na coleta dos dados nas Atas de Conselho de Classe para a análise.
Resumo
A política educacional do Estado de São Paulo tem se mostrado negativa ao desenvolvimento da qualidade do ensino público. Formulada a partir de uma proposta planejada para uma realidade européia, a divisão da estrutura curricular em ciclos de quatro anos de estudo em regime de progressão continuada não trouxe bons frutos ao ensino paulista, em virtude de sua estrutura de meia jornada e da falta de um programa de recuperação para os alunos com defasagem de aprendizagem. Como nos quatro anos do ciclo essas defasagens se acumulam, a indisciplina se generaliza e a qualidade se perde. De acordo com os resultados desta pesquisa, realizada como análise quantitativa e qualitativa sobre matrículas e desempenho de alunos de escolas públicas da cidade de São José dos Campos, nos períodos de 1993-1996 e 2001-2004, antes da progressão continuada 12% dos estudantes apresentavam desempenho escolar com notas acima de 8,0 e apenas 7% terminavam o ano com notas abaixo de 5,0, em escolas com média de 36 alunos por classe e índice de evasão escolar de 6%. Depois da progressão apenas 8% dos estudantes apresentaram desempenho escolar com notas acima de 8,0 e 27% foram aprovados ao final do ano com notas inferiores a 5,0. A média de alunos por classe subiu para 40 e o índice de evasão escolar atingiu 22%. Como essa pesquisa analisou recortes temporais e sociais distintos, sem transição de uma estrutura para outra, é possível afirmar que seus resultados servem de modelo para todo o Estado de São Paulo.
versão integral está disponível em PDF.
O regime de progressão continuada e o baixo desempenho na aprendizagem

terça-feira, 20 de abril de 2010

PIERRE BOURDIEU (1930 -

BOURDIEU E OS ESQUEMAS REPRODUTORES
Questões a refletir a partir do pensamento de Bourdieu: Será que a barreira da dominação social é intransponível?
Será que estamos condenados a reproduzir as estruturas indefinidamente?
Bourdieu é um dos principais sociólogos a analisar a educação contemporânea sob a influência do modelo de Durkheim.
Para levar a cabo a ambição de Durkheim de unificar as ciências humanas em torno da sociologia, Bourdieu introduziu uma síntese teórica entre o modelo durkheimiano e o estruturalismo.
O estruturalismo se conecta à sociologia de Durkheim na medida em que pretende desvendar o peso das estruturas sociais por trás das ações dos sujeitos. (O pensamento de Bourdieu é uma versão mais radical do modelo de Durkheim).
Para o estruturalismo (pensamento de Bourdieu na 1a fase de sua produção, década de 1960) = os sujeitos são uma espécie de marionetes das estruturas dominantes.
Os agentes sociais, mesmo aqueles que pensam estar liberados das determinações sociais, são movidos por forças ocultas, que os estimulam a agir, mesmo que não tenham consciência disso. (“condições objetivas” que o investigador deve desvendar, pois é nelas que residem as explicações)
Bourdieu compreende que: a teoria de Durkheim e o estruturalismo permitem demonstrar como os indivíduos, em sua ação, apenas reproduzem as orientações determinadas pela estrutura social vigente.
Para Bourdieu: Os sujeitos da ação estão ausentes daquele nível da sociedade em que são objetivamente determinadas as suas ações. O sujeito não existe. O que chamamos de ação, é o processo pelo qual as estruturas se reproduzem. O sujeito está submetido aos desígnios da sociedade, faz o que as estruturas determinam, não sabe disso e ainda é iludido pelos discursos dominantes, que o fazem pensar que sua ação é resultante de vontade própria.
Bourdieu e Passeron (em 1964) os herdeiros, livro no qual pretendiam combater uma idéia muito comum na França da época, segundo a qual os estudantes e o meio estudantil seriam uma classe social à parte na sociedade. E seriam responsáveis, em razão de sua juventude e de sua disposição para a ação, pela liderança da transformação social.
Em maio de 1968, em Paris, estudantes franceses saíram às ruas, culminando num processo de mobilização que teria um alcance bem maior do que a capital francesa.Ironicamente o livro serviu como estímulo para essas mesmas revoltas estudantis (por seu aspecto crítico).
Idéias presentes no livro os herdeiros:
  • Discordam do discurso dominante segundo o qual a conquista de uma “escola para todos”, de caráter igualitário, tornaria possível a realização das potencialidades humanas.
  • Compreendem que a instituição escolar dissimula por trás de sua aparente neutralidade a reprodução das relações sociais e de poder vigentes: encobertos sob as aparências de critérios puramente escolares, estão critérios sociais de triagem e de seleção dos indivíduos para ocupar determinados postos na vida.
  • Entendem que não há qualquer possibilidade de romper com as estruturas de reprodução e afirmam que as teorias pedagógicas são uma cortina de fumaça que procura ocultar o poder reprodutor do sistema que está nas mãos dos educadores. (Para os autores não há saída: o sistema de ensino filtra os alunos sem que eles se dêem conta e, com isso, reproduz as relações vigentes. Não há possibilidade de mudança).

1970: Bourdieu e Passeron refinam suas idéias, incorporando sistematicamente as idéias e Marx e Max Weber, publicando o livro “A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino”.- Tese central do referido livro: toda ação pedagógica é, objetivamente, uma violência simbólica.

  • Violência simbólica = imposição arbitrária que, no entanto, é apresentada àquele que sofre a violência de modo dissimulado, que oculta as relações de força que estão na base de seu poder.
  • Ação pedagógica = é uma violência simbólica porque impõe, por um poder arbitrário, um determinado arbitrário cultural.
  • Arbitrário cultural = concepção cultural dos grupos e classes dominantes, que é imposta a toda a sociedade por meio do sistema de ensino.

Tal imposição não aparece jamais em sua verdade inteira e a pedagogia nunca se realiza enquanto pedagogia, pois se limita à inculcação de valores e normas. A ação pedagógica implica o trabalho pedagógico (trabalho de inculcação daquele referido “arbitrário” que deve durar o bastante para que o educando “naturalize” seu conteúdo, encare-o como natural, como evidentemente correto em si mesmo, o bastante para produzir uma “formação durável”).

(...) Na media em que o educando interioriza os princípios culturais que lhe são impostos pelo sistema de ensino – de tal modo que, mesmo depois de terminada sua fase de formação escolar, ele os tenha incorporado aos seus próprios valores e seja capaz de reproduzi-los na vida e transmiti-los aos outros – Bourdieu diz que ele adquire um habitus. Uma vez que o arbitrário cultural a ser imposto é incorporado ao habitus do professor, o trabalho pedagógico tende a reproduzir as mesmas condições sociais (de dominação de determinados grupos sobre outros) que deram origem àqueles valores dominantes. (p.74).

O que explica, no pensamento de Bourdieu, a desigualdade que está na base do processo de seleção escolar?

A compreensão de que todo sistema de ensino institucionalizado visa em alguma media realizar de modo organizado e sistemático a inculcação dos valores dominantes e reproduzir as condições de dominação social que estão por trás de sua ação pedagógica.(...)

Os autores, valendo-se de dados empíricos, demonstram que as “condições de classe de origem” dos alunos que entram no sistema de ensino francês determinam tanto a probabilidade de passagem ao nível escolar seguinte, quanto, ainda, o tipo de estabelecimento de ensino ao qual ele tem acesso (se de melhor ou pior qualidade). Tal situação se reproduz, do ensino básico ao médio e ao superior e determina também, no final das contas, a “condição de classe de chagada”, deste aluno, isto é, o tipo de habitus que adquiriu, o “capital social” ao qual teve acesso e, em especial, a posição na hierarquia econômica e social a que chegou. (P.74).

REFERÊNCIA:

GADOTTI, Moacir. História das idéias pedagógicas. 8. ed. São Paulo: Ática, 2001
Fonte: http://sociedadeducacao.blogspot.com/2007/10/bourdieu.html

Um breve histórico das teorias da Educação

O livro "Escola e Democracia" é uma tentativa de esclarecimento da situação da Educação, senão ao menos uma melhor compreensão de sua relação com os diferentes aspectos da sociedade, da história e dos momentos políticos.
Na primeira parte do livro o autor destaca as "teorias não-críticas" da educação que, segundo o mesmo, não consideram os problemas e a estrutura social como influenciadores da educação. Estas teorias "já encaram a educação como autônoma e buscam compreendê-la a partir dela mesma" 1.
Destaca também as diferenças entre a pedagogia tradicional, a nova e a tecnicista e sua relação com o problema da marginalidade:
Na pedagogia tradicional, a educação é vista como direito de todos e dever do Estado, sendo a marginalidade associada à ignorância. A escola surge como um "antídoto", difundindo a instrução.
Na Escola Nova, passa a ocorrer um movimento de reforma na pedagogia tradicional, na qual a marginalidade não é mais do ignorante e sim do rejeitado, do anormal e inapto, desajustado biológica e psiquicamente. A escola passa a ser então a forma de adaptação e ajuste dos indivíduos à sociedade.
Por fim, o Tecnicismo define a marginalidade como ineficiência, improdutividade. A função da escola então passa a ser de formação de indivíduos eficientes, para o aumento da produtividade social, associado diretamente ao rendimento e capacidades de produção capitalistas.
O autor depois discorre sobre as "teorias crítico-reprodutivistas", nas quais não pode ser possível "compreender a educação senão a partir dos seus condicionantes sociais"2.
Estas teorias consideram a Educação como um instrumento da classe dominante capaz de reproduzir o sistema "dominante-dominado", sendo responsável pela marginalização, uma vez que percebe a dependência da educação em relação à sociedade, tendo em sua estruturação a reprodução da sociedade na qual ela se insere.
Essas teorias reproduzem o modelo capitalista vigente (são citados na obra o sistema de ensino como violência simbólica; a teoria da escola como aparelho ideológico do Estado ou da classe dominante; e a teoria da escola dualista).
Pode-se observar a atual política educacional brasileira, que privilegia o ensino fundamental como formação de mão-de-obra (países em desenvolvimento/ mão-de-obra barata, acrítica e subserviente), que saiba ler para operar as tecnologias desenvolvidas no "Primeiro Mundo", retentor de tecnologia, dos poderes econômico, bélico e político.
Num segundo momento do livro, Saviani faz referência à Teoria da Curvatura da Vara, fazendo alusão à política interna da escola a partir de três teses, sendo as mesmas todas teses políticas:
Tese filosófica-histórica, do caráter revolucionário da pedagogia da essência e do caráter reacionário da pedagogia da existência. Neste momento, pode-se refletir sobre a história do homem e a influência desta na educação, as mudanças sociais e a luta de classes trazida com o capitalismo e seus reflexos na educação.
Tese pedagógico-metodológica, que é mostrada como do caráter científico do método tradicional e do caráter pseudo-científico dos novos métodos. O autor discute aqui a relação entre ensino e pesquisa e como o "escolanovismo"3 tentou articular-se com o processo de desenvolvimento da ciência enquanto o método tradicional o articulava como produto da ciência.
Voltando então à falta de democracia na Escola Nova, que remete o autor à terceira tese que deriva, segundo ele das duas primeiras:
[...] de como, quando mais se falou em democracia no interior da escola, menos democrática foi a escola; e de como, quando se menos falou em democracia, mais a escola esteve articulada com a construção de uma ordem democrática". (SAVIANI, 2000, p. 36)
A educação que deveria ser o instrumento para as escolhas do homem livre, democrático, cidadão e autônomo acaba, então se tornando mais uma ferramenta de manipulação e de homogeneização do pensamento crítico da sociedade.
Ela legitima as diferenças sociais e marginaliza, ao invés de tencionar a luta contra a ideologia das classes dominantes, e dos direitos dos seres humanos: o conhecimento, que deve ser universal e possibilitado a todos.
E como o próprio autor destaca, a teoria de curvatura da vara de Lênin pode ser a forma da Educação criar sua revolução para a quebra desse sistema, uma vez que se quebra a neutralidade da Educação, passando a ser considerada parte ativa neste processo de transformação.
O autor termina o livro e conclui retificando a relação entre e educação e a sociedade, bem como a responsabilidade dos professores em transformar, não o mundo, mas sim cada indivíduo que assiste sua aula, compreendendo melhor o mundo e seus acontecimentos, assim como seu papel dentro do sistema, seus deveres e seus direitos para a construção de um país melhor.
Essas pequenas revoluções que acontecem na sala de aula (aquilo que podemos nos aventurar a chamar de ruptura ou quebra de paradigmas) podem dar a chance de uma transformação histórica num período maior de tempo.
É preciso então que se tome consciência das lutas sociais e das formas de dominação ideológicas que sofre a educação hoje, regulando o equilíbrio dos conteúdos a serem desenvolvidos nas salas de aula e o discurso político e histórico usado pelo(a) professor(a).
A obra é rápida, leve e fundamental para a compreensão do papel do(a) educador(a), em qualquer que seja sua área de atuação. Conhecer estes períodos e as vertentes educacionais traz respostas a muitas indagações em nossa área especifica de atuação: a Educação Física escolar, disciplina que possui em seu histórico muitos reflexos e marcas das situações e contextos político-sociais nos quais o país passava.
Daí a importância desta obra para nosso campo acadêmico e as diversas possibilidades de discussão da obra entre os profissionais de nossa área.
A importância de conhecer a história da educação segundo suas influências políticas possibilita o traçado de uma educação para o homem livre, crítico e consciente de seu tempo, espaço e sociedade.
Desta forma, atingimos então o papel primordial da educação, que a partir deste "exercício lógico-conceitual"4; poderemos além de educar, formar cidadãos e homens livres, através de práticas sociais globais, contextualizadas tanto com o momento histórico social, quanto com as necessidades, objetivos e interesses destes indivíduos. Isto resultará em autonomia, criticidade e participação social ativa e efetiva.
Saviani, através de suas brilhantes analogias, além do resgate e compreensão histórica da Educação, faz também algumas provocações, quanto às questões de influência histórico-política nos papéis da escola na vida social.
Ao elencar a necessidade e importância do professor como transformador desta realidade educacional, o autor estrutura proposições e abre possibilidades para diálogos e discussões a respeito da relação educativa estar realmente colocando o educador a serviço do educando ou às políticas governamentais ou sistemas vigentes atualmente.
Discussão esta que nos remete a constantes reflexões e análises do sistema educacional brasileiro, uma vez que a Educação Física consta como uma das disciplinas curriculares e se insere no processo de ensino-aprendizagem dos alunos e alunas, nas diversas fases de ensino (educação infantil, ensino fundamental e médio).
Portanto, caros leitores e leitoras, desfrutem desta odisséia a respeito das indagações pertinentes à Educação e Democracia. Este livro serve como aperitivo para despertar acaloradas e sadias discussões a educadores e pesquisadores da área acadêmica... Quem sabe até um banquete?! Bon Apetit!!!
Notas
SAVIANI, 2000, p. 05.
Op. Cit., p. 16.
Termo utilizado para determinar e caracterizar a teorização da Escola Nova, já descrita no texto e detalhadamente citada na obra. Neologismo criado e surgido a partir da teorização da Escola Nova e sua consolidação como uma das vertentes educacionais brasileiras.
SAVIANI, 2000, p. 91.
Bibliografia
SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia: teorias da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política. 33.ª ed. revisada. Campinas: Autores Associados, 2000.
VENDITTI JR., Rubens. Análise do livro Escola e Democracia: fichamento técnico. In: Apostila de estudos e anotações pessoais da disciplina EL650- Didática aplicada à Educação Física Escolar- 2.º semestre/2002 (F.E.F./ Unicamp). Campinas: Faculdade de Educação Física-Universidade Estadual de Campinas, 2002 (apostila).
Acesse o Livro em formato digital em:

sexta-feira, 16 de abril de 2010

INFORME SOBRE A NEGOCIAÇÃO COM GOVERNO

MESA DE NEGOCIAÇÕES
No dia 13 de abril, ocorreu reunião com Paulo Renato para negociações referente a nossa pauta de reivindicações. Longe de ser uma vitória, esta pequena inflexão do governo em receber a entidade se deve aos 33 dias de enfrentamento com Serra/Paulo Renato/Goldmann. Vejam o saldo desta primeira rodada de negociações:

PARCELAMENTO DO DESCONTO DOS DIAS PARADOS
A Secretaria de Educação informou que irá fazer o desconto dos dias parados em duas parcelas. Fará o desconto de 13 dias no mês de maio e de 14 dias no mês de junho.

REPOSIÇÃO
· calendário de reposição será construido no âmbito da unidade escolar;
· reposição para todos os professores, inclusive onde os eventuais deram aulas;
· retirada das faltas do prontuário;
· reposição para os especialistas e readaptados;
· prazo de reposição até o último dia do ano letivo.

CATEGORIA O
Os professores que foram demitidos por serem categoria O terão seus contratos restabelecidos. A orientação é para que as escolas considerem que o período de greve não caracteriza quebra de contrato, pois as faltas serão justificadas pela própria greve. Os professores desta categoria também têm direito à reposição das aulas. Também ficou estabelecido a possibilidade do governo encaminhar um novo projeto de lei estendendo o contrato desses professores por mais um ano.
PROFESSOR COORDENADOR PEDAGÓGICO
Os PCP que teriam suas designações rompidas poderão permanecer até o final do ano.
JORNADA INTERGRAL
O governo estuda encaminhar projeto de lei possibilitando ao professor titular de cargo que tem no máximo 32 aulas, e portanto não pode ter jornada integral, completar a jornada integral com uma Hora Atividade a mais.

APOSENTADORIA ESPECIAL DE ESPECIALISTAS
O governo vai dar resposta se irá acatar a decisão do supremo que garante aposentadoria especial aos especialistas.
SALÁRIO
Paulo Renato afirmou não ter condições e/ou autorização para deliberar sobre o assunto, empurrando a responsabilidade para Goldmann.

Fonte: APEOESP OPOSIÇÂO ALTERNATIVA

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Professores Estaduais de São Paulo dão exemplo de Luta


Professores Estaduais de São Paulo dão exemplo de Luta.
Por João Zafalão*
No dia 08 de abril após 33 dias de muita luta encerrou-se a greve dos professores paulistas. Nestes 33 dias, os professores de forma corajosa e heróica enfrentaram a truculência do governo de São Paulo, realizando 4 manifestações na avenida Paulista, centro financeiro da capital, três passeatas rumo a praça da República (sede da Secretaria Estadual de Educação) e uma manifestação no Palácio dos Bandeirantes (sede do governo).
Durante estes 33 dias o governo Serra, através do Ministério Público entrou com ação judicial tentando impedir assembleias na Avenida Paulista, com ameaça de multa no valor de R$ 350 mil. Como os professores não se intimidaram diante destes ataques, no dia 26 de março, o governo Serra patrocinou uma agressão nunca vista contra professores. Foram centenas de professores feridos, alguns gravemente, pelas bombas e balas de borracha da Força Tática (batalhão policial especializado em repressão a criminosos), com cenas dignas dos tempos de excessão, com policiais à paisana, infiltrados na manifestação e provocando tumultos, inclusive ateando fogo em um automóvel, ação que foi reconhecida pelo comando da PM após divulgação de foto de um P2 no jornal O Estado de São Paulo, além de utilizarem o helicóptero da PM para jogar bombas sobre os professores.
Apesar dessa atrocidade cometida por Serra, os professores novamente não se intimidaram e tomaram novamente a Avenida Paulista no dia 31 de março. Desta vez, Serra, talvez em homenagem aos 46 anos do golpe militar enviou a PM que prendeu o caminhão de som, para tentar inviabilizar nossa assembléia. Mais uma vez, em uma demonstração de coragem os professores seguiram em uma passeata “silenciosa” até a Praça da República e realizaram a assembléia da categoria.
Professores enfrentaram a truculência de Serra/Paulo Renato
A educação paulista que até a década de 1990 estava entre as sete melhores redes de ensino do país, chegou ao século XXI entre as sete piores redes de ensino. Essa situação é reflexo de uma política educacional se sucessivos governos do PSDB, que fez que os salários dos professores paulistas caíssem do 10º para o 14º no ranking nacional, segundo o jornal Folha de São Paulo (01/04/2010). Para se ter uma idéia as salas de aula tinham limite máximo de 35 alunos.
Portanto se uma escola tivesse 54 alunos matriculados no 1º colegial, se constituiriam duas salas com 27 alunos cada. Hoje se constitui uma única sala com os 54 alunos. Os professores recebiam um piso salarial referente a 10 salários mínimos (cerca de R$ 5.100,00), hoje o piso por 40h do Professor do ciclo I é de R$ 1.309,17, sendo que a maioria desses professores tem jornada de 30h (R$ 981,88) ou de 24h (R$ 785,50) e vários professores estão cumprindo jornada de 12h (R$ 392,75). No caso dos professores de ensino fundamental II e ensino médio o piso por 40h é de R$ 1.515,53, por 30h é de R$ 1.136,65, por 24h é de R$ 909,32 e por 12h é de R$ 454,66. Ou seja, houve uma redução de mais de 200% nos salários dos professores nesses últimos 20 anos, tendo como referência o mínimo.
Além da superlotação das salas de aula e do arrocho salarial se instituiu a chamada progressão continuada, que nada mais é que uma promoção automática, pois o único critério para aprovação é a freqüência escolar e não o aprendizado. Essa situação combinada com a falta de perspectiva profissional para a juventude brasileira torna a escola pública um barril de pólvora, por isso a crescente onda de violência que passou a atingir o ambiente escolar.
Diante dessa deterioração das condições de trabalho e de salários, os professores chegam a cumprir jornadas de até 64h semanais em sala de aula (permitido por lei), tornando a profissão um fardo. Com essa significativa piora da escola pública paulista, motivada por estas políticas dos sucessivos governos e diante da impossibilidade de esconder o drama social nas escolas públicas, o governo Serra, tentando se isentar de sua responsabilidade iniciou uma campanha para culpabilizar os professores por essa crise.
Faz uma propaganda enganosa nos meios de comunicação, afirmando que existem dois professores por sala de aula, que as escolas estão equipadas com computador e internet, inclusive aos fins de semana para a comunidade, que professores receberam até R$ 15 mil de bônus e que com a promoção da carreira os professores podem receber até R$ 6.270,00 de salário.
É tudo mentira! E justamente por isso que os professores foram à greve. Não existem computadores a disposição da comunidade e sequer dos alunos na grande maiorias escolas estaduais, não existem os dois professores por sala, e dos mais de 220 mil professores, mais de 176 mil professores não terão nenhuma reposição salarial e os que terão receberão 25% de reposição sobre o salário base, além de terem de ficar mais três anos no mínimo sem nenhum reajuste.
Se fosse pouco, nas medidas combatidas pela greve está a lei 1093/09, que institui um novo contrato de trabalho aos novos professores, que estabelece: contrato de no máximo 1 ano letivo (fevereiro até dezembro), não garantindo a estes profissionais receberem as férias, além de impor que os professores que tenham esse contrato, ao final do ano letivo terão que ficar 200 dias sem trabalhar no serviço público. Ou seja, o professor trabalha ano sim e ano não. Essa aberração contratual se deve por um lado ao total descompromisso do governo para com a educação e serve para reduzir gastos do governo com a educação.
Alguém acredita em melhora da escola pública com a precarização do trabalho? Apesar da forte greve dos professores em São Paulo, não conseguimos derrotar esse projeto nefasto à escola pública, pois a intransigência do governo se materializou até agora em ZERO de reajuste salarial e manutenção dos projetos que atacam ainda mais as condições de trabalho, retiram a garantia do emprego além de não trazer nenhuma melhora para a qualidade do ensino, punindo os estudantes, maior vítima deste processo.
Porém a disposição de luta do professorado paulista demonstra que apesar de não vencermos esta batalha, a guerra em defesa da escola pública, gratuita, de qualidade, a luta pela garantia do emprego, do salário e das condições de trabalho irão continuar.
Lula toma medidas que ajudam Serra contra os professores.
No dia 19 de março, enquanto mais de 60 mil professores ocuparam a Avenida Paulista, Lula publicou no Diário Oficial da União o decreto Nº 7.133, que “regulamenta os critérios e procedimentos gerais a serem observados para a realização das avaliações de desempenho individual e institucional e o pagamento das gratificações de desempenho” dos servidores federais. Essa atitude de Lula reafirma sua política favorável a avaliação desempenho, que é justamente a mesma política de Serra em relação à política de valorização por mérito (prova para se ter reposição salarial).
Lula faz com os servidores federais o mesmo que Serra faz aos professores estaduais. Essa política de Lula/Haddad já estava expressa no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), que é o decreto nº 6.094, de 24 de abril de 2007, que no seu inciso XIII diz ser necessário “implantar plano de carreira, cargos e salários para os profissionais da educação, privilegiando o mérito, a formação e a avaliação desempenho.”
Essa política educacional, federal e estadual, parte da mesma premissa que é responsabilizar os professores pela crise educacional, deixam evidente que a disputa entre PT e PSDB é uma disputa pelo controle do governo federal, mas o projeto de ambos é igual.
Dilma ou Serra representam a continuidade da precarização das relações de trabalho e a continuidade de uma política educacional excludente.É muito importante compreender que as 10 metas de Serra/Goldman/Paulo Renato em São Paulo partem da mesma base legal do PDE de Lula/Haddad. Portanto, para derrotar a política educacional de Serra é necessário derrotar a política educacional de Lula.
O Papel da direção da APEOESP (ArtSind-CUT)
Apesar de toda disposição de luta demonstrada pelos professores, nossa luta esbarrou nos limites estabelecidos pela direção majoritária do sindicato. A corrente que dirige a APEOESP (ArtSind e ARTNova-CUT e o CTB) por serem defensores do governo Lula, priorizaram durante toda greve os discursos de desgaste de Serra. Queremos deixar claro que somos radicalmente favoráveis a desgastar e denunciar esse governo truculento de Serra, porém também queremos uma luta que conquiste as reivindicações dos professores.
Reafirmo isto porque o fato de apoiarem o governo Lula e a candidatura Dilma, faz que não possam ser coerentes no combate a política de avaliação desempenho de Serra (provas), justamente por ser esta a posição do governo Lula. Uma direção coerente tem que dizer aos professores que temos a tarefa de derrotar Serra e sua política educacional e que para isso nossa luta também é contra o PDE de Lula/Haddad.
Essa política limitada da direção majoritária da APEOESP foi expressa no meio de nossa greve, quando a direção majoritária vai à imprensa e protocola documento junto a SEE sinalizando que um reajuste salarial seria suficiente para por fim a nossa greve. Esse rebaixamento da pauta de reivindicação demonstra as limitações de uma direção governista (ligada ao Lula), que para defender seu governo, tenta abrir mão da pauta da categoria.
Por pressão dos professores e por decisão de assembléia estadual os professores reafirmaram nossa pauta completa, impondo uma derrota à direção majoritária que tentou o tempo todo limitar nossa greve ao salário, que é parte importante de nossa pauta, porém tão importante quanto à luta contra as provas e a avaliação deseNegritompenho e o reajuste por mérito, política que unifica Serra e Dilma.
Nossas Tarefas
Diante disso, nós professores temos que manter nossa organização por escola, reafirmar nossa luta por salário, emprego e condições de trabalho e preparar os novos embates que teremos em defesa da escola pública, gratuita e de qualidade para todos.
Temos que fortalecer a Oposição Alternativa/CONLUTAS, que durante toda greve foi o único setor que denunciou que a política educacional de Serra e de Lula são iguais e que a direção majoritária da APEOESP tem limites para conduzir nossa luta, justamente por ser correia de transmissão da política do governo federal.
Nos dias 03 e 04 de junho de 2010 em Santos-SP, ocorrerá o II Congresso da CONLUTAS e nos dias 05 e 06 de junho, ocorrerá o Congresso da Classe Trabalhadora (CONCLAT), congresso de unificação entre CONLUTAS e INTERSINDICAL. Essa Nova Central que será construída tem importância estratégica para todos os trabalhadores e também para os professores, pois representa uma alternativa de esquerda a CUT governista e que possa unificar as lutas dos trabalhadores, dos movimentos sociais e da juventude, na defesa de uma sociedade justa e igualitária, uma sociedade socialista.
* João Zafalão é Secretário de Política Sindical da APEOESP Oposição Alternativa-Conlutas e militante do PSTU

INFORMES SOBRE A REUNIÃO COM A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO


No dia de hoje, 13 de abril, ocorreu reunião com a Secretaria de Educação para negociações referente a nossa pauta de reivindicações. Participou da reunião: Silvio e João Zafalão (Oposição Alternativa), Bebel, Fábio e Francisca (setor majoritário). O governo foi representado por Paulo Renato e assessores.
Na pauta da reunião foi priorizado a questão do pagamento dos dias referentes à greve e a reposição de aulas, além das demissões dos professores categoria "O", PCPs, jornada integral dos titulares de cargo, concurso, aposentadoria especial de especialistas.

PAGAMENTO DOS DIAS PARADOS
O secretário, após nossa posição de pagamento dos dias, informou que há uma decisão do governo de não pagamento dos dias. Após debate sobre o tema o mesmo ficou de responder, ainda no dia de hoje, sobre a possibilidade de parcelamento dos descontos, após consultar o governador.

REPOSIÇÃO
Sobre a reposição foi levantada uma série de questões e o governo ficou de publicar uma resolução nos próximos dias, abordando os principais temas: calendário de reposição discutido pelo conselho de escola; reposição para todos os professores, inclusive onde os eventuais deram aulas; retirada das faltas do prontuário; reposição para os especialistas e readaptados; prazo de reposição até o final do ano letivo. Outras questões que surgirem referentes a reposição serão discutidas pontualmente.

CATEGORIA O
Os professores que foram demitidos por serem categoria "O" terão seus contratos restabelecidos. A orientação é para que as escolas considerem que o período de greve não caracteriza quebra de contrato, pois as faltas serão justificadas pela própria greve. Os professores desta categoria também tem direito à reposição das aulas. Também ficou estabelecido a possiNegritobilidade do governo encaminhar um novo projeto de lei estendendo o contrato desses professores por mais um ano.

PROFESSOR COORDENADOR PEDAGÓGICO
Os PCP que teriam suas designações rompidas poderão permanecer até o final do ano.

JORNADA INTERGRAL
O governo estuda encaminhar projeto de lei possibilitando ao professor titular de cargo que tem no máximo 32 aulas, e portanto não pode ter jornada integral, completar a jornada integral com um HTPC a mais.

APOSENTADORIA ESPECIAL DE ESPECIALISTAS
O governo vai dar resposta se irá acatar a decisão do supremo que garante aposentadoria especial aos especialistas.

Oposição Alternativa Santo Amaro

terça-feira, 13 de abril de 2010

Finlândia: Um exemplo de educação para o resto do mundo

Parte 1
Desde sua política de “Welfare state” onde visa o bem estar social em primeiro lugar, a finlândia vem se destacando nos ultimos 20 anos como exemplo nessa área, e não é para menos, utilizaram de muito investimento e apoio para chegar aonde chegaram: É o primeiro colocado em matemática, em compreensão da escrita e em cultura científica .
Às 8 da manhã Marku Keijonen entra na escola. Ele tem 42 anos e é o diretor do colégio Porolahden Perus, em Helsinque. A primeira atividade do dia é ligar o computador. "Não é uma coisa superficial: ao abrir meu correio encontro as cartas dos pais de alunos, que tenho de responder." As famílias estão em contato permanente com o colégio, e é aos pais que o diretor tem de prestar contas de seu trabalho, em primeiro lugar.
Os professores não sabem muito bem o motivo desses dados. Investem-se 5,8% do PIB em educação, mas outros países também o fazem; seu clima adverso deixa as crianças em casa, em contato com os livros, mas na Islândia ou na Dinamarca também não faz calor; suas classes têm os níveis de imigração mais baixos da OCDE. Mas todas essas coisas não explicam por si sós o êxito repetido. Os professores, e a própria ministra da Educação, Tuula Haatainen, o atribuem em grande medida à sólida formação dos docentes e a um quadro educacional muito claro. "Temos um sistema uniforme, obrigatório e gratuito que garante a eqüidade e o acesso para todos; o corpo docente é altamente qualificado e as mães, incorporadas ao sistema de trabalho, são as primeiras a motivar seus filhos a estudar"
O sistema educacional finlandês é público e gratuito desde a infância até o doutorado na universidade. Além disso, é obrigatório dos 7 aos 16 anos. Nessa etapa todos estudam a mesma coisa e o governo pretende que o façam no mesmo edifício, ou o mais perto possível, para garantir um acompanhamento continuado do aluno.
O Estado define 75% de disciplinas comuns e o resto é organizado pelo colégio, com a participação ativa de estudantes e famílias. Há ampla liberdade para projetar o dia-a-dia escolar, portanto não é fácil falar do sistema de maneira geral. Mas há alguns aspectos comuns.
A formação dos professores é um deles. Todos têm de ter cinco anos de formação, um terço da qual será de conteúdo pedagógico. "Não basta saber matemática", dizem. E a maioria, tem um ano a mais de estudos, um mestrado.
Os professores acreditam que o salário poderia ser um pouco maior que os cerca de 2.300 euros (R$ 8.300) brutos por mês; mas estão contentes com as 13 longas semanas de férias por ano (os espanhóis têm mais de 16). A jornada semanal é de 37 horas, mas nem todas são de ensino em classe.
Quando perguntados, não duvidam: são professores por vocação e estão motivados. Talvez porque têm valorização social e prestígio entre seus compatriotas.
Parte 2
Depois de analisar um documentário da BBC que manda um correspondente pra Helsinque verificar como é montada a estrutura escolar, ficou muito mais claro que, o grande diferencial desses nórdicos está na ousadia de mexer na grade curricular, coisa que qualquer Coordenador odeia, está muito mais preocupado em passar todo mundo .
O encontro da Coordenadora e do enviado da BBC, que é um especialista inglês é muito interessante, pois parece ter um choque cultural, mesmo se tratando de dois paises desenvolvidos, e a conclusão que ele tira é que eles acertaram na chave do sucesso que é como aplicar no conhecimento a tecnologia.
Uma vez iniciado o velho método do professor falar e os alunos ouvir/entender/reproduzir conhecimento, num pequeno intervalo de tempo, fica dificil alguem ter a iniciativa de mudar, e eles fizeram.A coordenadora diz "Para eles conseguirem entender as principais matérias, usamos o que temos na cidade, no país, exemplos práticos."
Numa aula de Biologia por exemplo, os alunos estudam o ecossistema local e analisam peixes, dissecando-o, estudando teoria e práticas juntos, mas o diferencial vem aonde? Eles dão muito mais tempo para o aluno concretizar e absorver essa quatidade de conhecimento. "Pelo fato de termos muita coisa, separamos o que é necessário e tentamos executar bem.
Não temos pressa em passar todo o velho conteúdo da escola. Trabalhamos para o agora, é muito mais importante preparar eles para o futuro do que discutir o passado" Conclui a coordenadora.O especialista finaliza ( de queixo caído ). "
A forma como é planejado, com a estrutura e com o tempo e auxilio de pessoas muito bem capacitadas, mostra para esses jovens de 13 - 15 anos como iniciar no mundo da pesquisa.
"Para quem quiser ver os videos na integra, segue os links