terça-feira, 8 de junho de 2010

2° Congresso da Conlutas aprova unificação com Intersindical e outras entidades

Ampla maioria: 2° Congresso da Conlutas aprova unificação com Intersindical e outras entidades

Terminou na noite dessa sexta-feira, dia 4, o 2° Congresso Nacional da Conlutas, em Santos (SP). O evento, considerado um marco histórico para a classe trabalhadora brasileira, aprovou por ampla maioria a unificação da Conlutas com a Intersindical e outras entidades combativas de esquerda.
“Essa unificação é fruto de dois anos de discussão na base. Portanto, não precisamos ter medo, vamos avançar. Afinal, já estamos unidos nas lutas. Agora é a hora de criarmos uma alternativa política ao sindicalismo chapa-branca da CUT e demais centrais governistas. A hora é agora”, disse Geraldo Correa, o Gegê, da Secretaria Executiva Nacional da Conlutas, durante seu discurso de defesa à unificação.
E concluiu: “Não estamos aqui fazendo uma unidade sem princípios, mas um ato histórico”, levantando o plenário.
Além da unificação, foi aprovada ainda a proposta sobre o caráter da nova central, sua direção, nome, princípios e programa. A proposta será levada e defendida pela Conlutas durante o Conclat (Congresso da Classe Trabalhadora), que acontece neste final de semana.
“A nossa expectativa é grande para o congresso de unificação, que será um marco e nos deixará ainda mais fortes para avançar na luta contra os governos e os patrões. E as resoluções que saem do Congresso da Conlutas, fecham os detalhes de nossa proposta para a nova organização. Estamos muito otimistas”, disse Luiz Carlos Prates, o Mancha, da coordenação nacional da Conlutas.
Outras resoluções - Um dos principais pontos da proposta que a Conlutas levará ao Conclat, que vai efetivamente decidir pela unificação, é que o caráter da nova organização seja amplo. Ou seja, a nova organização deve reunir o movimento sindical, estudantil, popular e de opressões.
Decisão que foi muito comemorada pelo plenário e pelos inúmeros estudantes presentes. Afinal, a participação ou não de estudantes na nova central era um ponto polêmico e divergente, até mesmo dentro da Conlutas.
Além disso, ficou decidido ainda que a direção da nova entidade tenha a mesma estrutura de direção desenvolvida pela Conlutas, onde há uma coordenação nacional, formada por representantes de cada entidade, e esta mesma coordenação elege a Secretaria Executiva.
Para terminar, ainda foi definido que a proposta de nome que será defendida pela Conlutas para a nova organização seria o nome “Conlutas-Intersindical”, já que as duas centrais são as únicas entidades que deixam efetivamente de existir com a aprovação da unificação.
“Acreditamos que a experiência acertada da Conlutas deve ser exportada para a nova organização. Por isso, vamos defender, com unhas e dentes, todos os pontos aprovados pelo 2° Congresso Nacional da Conlutas”, disse Mancha.
"Viva a Conlutas! Viva o Congresso de Unificação! Viva o Socialismo!", finalizou Mancha, agitando o plenário. E, em clima de festa, o congresso foi encerrado.
Fonte: CONLUTAS

sábado, 5 de junho de 2010

CONGRESSO NACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA

Denise Simeão
Nasce uma nova central dos trabalhadores
Entidades nacionais do movimento sindical e popular realizarão o CONGRESSO DA CLASSE TRABALHADORA nos dias 5 e 6 de junho, no Centro de Convenções Mendes, na Cidade de Santos (SP). São aguardados cerca de 3.200 delegados de todos os estados do país, representando 537 entidades e que foram eleitos em mais de 900 assembléias de base realizadas nos meses de abril e maio.
Entre os objetivos do evento estão a contraposição à Conferência realizada no dia 1º de junho no Pacaembu organizada por cinco centrais sindicais (CUT, Força Sindical, CTB, NCST e CGTB) e a construção de uma nova central dos trabalhadores que não esteja atrelada ao Governo Lula.
A convocação desta atividade é feita pela Coordenação Nacional de Lutas – Conlutas, a Intersindical, o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade – MTL, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST, o Movimento Avançando Sindical – Mas e representantes da Pastoral Operária da Cidade de São Paulo.
O CONGRESSO DA CLASSE TRABALHADORA vai expressar um setor importante do movimento popular e do movimento sindical que, em boa parte, rompeu com a CUT nos últimos sete anos e tem conquistado força nas lutas que os trabalhadores brasileiros
Autonomia e relação com movimentos populares
Os setores que compõem este movimento se propõem a resgatar o papel contestador e de mobilização que, em sua avaliação, foram abandonados pelas centrais sindicais existentes no Brasil. Principalmente pela ligação estreita destas centrais com o Governo Lula. Por isso, uma das principais pautas da nova entidade será a autonomia em relação aos governos, setores patronais e partidos políticos.
Há um acordo entre os organizadores de que nenhuma das três pré-candidaturas melhor posicionadas nas pesquisas eleitorais para Presidência da República apresentam uma diferença qualitativa quanto ao modelo econômico e, portanto, não estão no leque de diálogo com este movimento.
Outra característica nova da nova central é não restringir sua ação apenas aos sindicatos, por entender que há uma mudança no perfil de organização dos trabalhadores. A entidade pretende abranger movimentos populares como os de luta pela terra e de moradia.
Campanhas
As principais campanhas que deverão ser aprovadas no Congresso dizem respeito à redução da jornada de trabalho, à defesa dos serviços públicos, à luta contra o processo de criminalização dos movimentos sociais e à defesa da Petrobrás 100%estatal.
Outra campanha que deverá ter destaque é pelo fim do fator previdenciário e contra a nova reforma da previdência cogitada pelo Governo Lula.

Relações internacionais
O CONGRESSO DA CLASSE TRABALHADORA contará com várias delegações internacionais de trabalhadores como convidadas, como forma de desenvolver ações solidárias e trocar experiências sobre políticas governamentais que têm reduzido direitos sociais e trabalhistas.
No dia 7, logo após o Congresso, acontecerá um Seminário Internacional com representação de 26 países, incluindo América Latina, França, Itália, Portugal, Estados Unidos e Japão. Também estará presente um representante da Federação Nacional dos Servidores Públicos da Grécia, país que, recentemente, foi notícia pelas várias manifestações contra as políticas de previdência, corte de verbas em serviços públicos e proposta de congelamento de salários.
Fonte: http://www.congressodaclassetrabalhadora.org/

sexta-feira, 4 de junho de 2010

2° Congresso CONLUTAS - Proposta de resolução sobre conjuntura e plano de ação será discutido nesta sexta-feira de manhã



Proposta de Resolução sobre Conjuntura e Proposta de Resolução sobre Conjuntura e Plano de Ação:

Considerações:
1. Os atuais acontecimentos no continente europeu confirmam as análises de que a grave crise da economia internacional, aberta em 2007/2008, está longe de seu fim e segue em pleno desenvolvimento, iniciando um novo momento mais agudo, com destaque para a crise da Grécia que se estende a importantes economias de outros países europeus, como Portugal, Irlanda, Itália e Espanha;
2. Com a nova intensificação da crise, os patrões e os governos burgueses já começam a aplicar os chamados planos de ajustes. Em todos os países, estes planos significam para os trabalhadores mais ataques, como a redução e congelamento dos salários dos funcionários públicos e das aposentadorias, a retirada de direitos trabalhistas, as demissões, o aumento do ritmo de trabalho e os cortes orçamentários nas áreas sociais;
3. As conseqüências sociais desta política são terríveis. Seja no Haiti e no Chile, onde os trabalhadores sofrem com os terremotos e pela falta de assistência social, seja nas periferias das grandes cidades brasileiras, a crise do capitalismo tem significado um aumento significativo da miséria, da fome, da falta de condições mínimas de moradia e sobrevivência;
4. Diante de mais estes ataques, os trabalhadores europeus têm mostrado que a única forma de resistir é a luta, e vêem protagonizando grandes ações, como as greves gerais na Itália, Grécia, França e Portugal, e as fortes mobilizações e greves na Espanha; ESSE É UM ELEMENTO QUALITATIVO EM RELAÇÃO A PRIMEIRA ONDA DA CRISE E PAVIMENTA O CAMINHO PARA UMA REAÇÃO INTERNACIONAL DOS TRABALHADORES FRENTE AOS ATAQUES DO CAPITALISMO E NOS PERMITE RECOLOCAR O SOCIALISMO COMO PERSPECTIVA NOVAMENTE.
5. No Brasil, ainda vivemos uma conjuntura de recuperação parcial da economia, que se iniciou no segundo semestre de 2009, facilitada pela recuperação conjuntural do cenário econômico internacional. Porém, esta recuperação limitada não significa que a economia brasileira esteja de alguma forma imune ou blindada em relação às conseqüências negativas deste novo momento mais agudo da crise. O Brasil e os BRICS não conseguiram se descolar da crise estrutural do sistema capitalista. Porem, o efeito desta crise foi minimizado pela política de isenções fiscais do governo Lula aos grandes capitalistas, bem como a ampliação do crédito que incentivou o consumo e o mercado interno. Por outro lado as grandes multinacionais, em particular da industria automobilística aumentam os investimentos no país, na tentativa de manter seus lucros afetados pela profundidade da crise das matrizes. Conjunturalmente continua o crescimento no país o que faz com que o governo Lula aumente a sua popularida
de;
6. Mesmo nesta situação de relativa estabilidade, o governo brasileiro segue buscando jogar nas costas dos trabalhadores o ônus da crise. Como podemos comprovar com a apresentação do projeto de lei 549 de iniciativa do Executivo que visa congelar os salários dos servidores públicos, pela ameaça de Lula de vetar o Projeto que acaba com o fator previdenciário e garante o justo reajuste de 7,72% aos aposentados e pela negativa de aprovar o projeto de lei que prevê a redução à jornada de trabalho sem redução de salários. No mesmo tempo que segue atacando os trabalhadores e aposentados, o Governo Lula segue ajudando as grandes empresas, via isenções fiscais e empréstimos a juros baixos garantidos pelo BNDES;
7. Da mesma forma, o governo segue com a sua política de privatização, aprovando no Congresso Nacional seu projeto de novo marco regulatório que mantém e amplia a participação das transnacionais na exploração do nosso petróleo. E tenta avançar na privatização dos Correios, com a proposta de transformar a empresa em sociedade anônima;
8. Para impor seus ataques, o governo federal, os governos estaduais e a burguesia seguem com a sua política de criminalização dos movimentos sociais, seja via a prisão de lideranças dos movimentos sem terra e sem teto, dos interditos proibitórios contra os sindicatos que mobilizam seus trabalhadores e pela verdadeira criminalização da pobreza com o extermínio da juventude pobre e negra das comunidades carentes das grandes cidades;
9. Mesmo com todos estes ataques, o governo Lula continua contando com o apoio da maioria dos trabalhadores, que seguem iludidos pela relativa melhoria da economia, com as políticas sociais compensatórias como o projeto do “bolsa família” e pelo apoio dado ao governo pela maioria das direções do movimento, como a CUT, a Força Sindical, a CTB e a UNE. Outro elemento que pesa no apoio dos trabalhadores ao atual governo é o medo do retorno do PSDB e DEM ao poder nas próximas eleições;
10. Mas, apesar do apoio majoritário ao governo, os trabalhadores brasileiros não estão derrotados, e já deram demonstrações da força de sua mobilização nas campanhas salariais do segundo semestre de 2009, que arrancaram reajustes salariais acima da inflação. Neste momento, inclusive, acontecem lutas e greves muito importantes, como de várias categorias dos servidores públicos federais, de servidores estaduais e em setores privados, como rodoviários em várias cidades do país;
11. O governo Lula quer transformar a eleição presidencial em um plebiscito e apresentar uma falsa polarização Dilma (PT) X Serra (PSDB) que no essencial tem o mesmo projeto capitalista para o país. Da mesma forma, Marina Silva, candidata do PV apesar, pousa de novidade, mas defende a mesma política econômica de FHC e de Lula e não uma ruptura com o sistema. As eleições vão chamar a atenção dos trabalhadores, e os movimentos sociais combativos precisam apresentar uma alternativa PROGRAMÁTICA classista e socialista nestas eleições;
Negrito


O II Congresso Nacional da Conlutas resolve:
1 – Apresentar ao Congresso da Classe Trabalhadora os pontos de resoluções abaixo;
2 - Alertar a classe trabalhadora e o conjunto dos explorados e oprimidos que a crise econômica ainda esta em curso. Os patrões e os governos no próximo período vão tentar com cada vez mais força descarregar o peso da crise nas nossas costas, e que devemos resistir. Seguir apostando na via da mobilização para derrotar os ataques dos patrões e do Governo Lula e seus aliados nos Estados e Municípios. Somente a força da nossa luta e organização poderá determinar que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Neste sentido, desenvolver uma plataforma de ação mais geral, a partir dos pontos abaixo:
· A defesa da estabilidade no emprego; Medias que impeçam a demissão imoltivada; Emprego para todos e todas; redução da jornada para 36h semanais (SEM REDUÇÃO DE SALÁRIO E DIREITOS), tendo como objetivo final à divisão do tempo de trabalho existente entre todos que precisam trabalhar;
· Salários dignos para todos; Salário mínimo do DIEESE; Recomposição do valor das aposentadorias; reajuste das aposentadorias igual aos reajustes do salário mínimo. Nossa luta é pela abolição do trabalho assalariado e do próprio capitalismo, mas, enquanto este perdurar, a defesa de melhores salários é uma das tarefas mais importantes dos sindicatos;
· Defesa dos direitos trabalhistas e sociais;
· Defesa da aposentadoria; Fim do fator previdenciário;
· Defesa dos serviços públicos: saúde, educação, moradia, transporte, lazer, etc.
· Contra a Terceirização nas empresas privadas e no serviço público. Enquanto existirem terceirizados, precários e estagiários, lutar para que tenham salários, benefícios sociais e direitos iguais aos dos trabalhadores efetivos. Abrir o debate na central sobre a incorporação de todos os terceirizados que já prestam serviços no setor privado e público, sem prejuízo às entidades que já tomaram posição em suas instâncias.
· Fortalecimento e unificação das campanhas salariais;
· Reforma urbana, com investimento público em habitação, sob controle dos trabalhadores.
· Reforma agrária com o fim do latifúndio e do agro-negócio; Políticas públicas, apoio técnico e financiamento para o pequeno produtor rural;
· Fim de toda forma de opressão e discriminação racial, sexista e homofóbica;
· Toda solidariedade ao povo haitiano! Organizar recolhimento de fundos e ajuda;
· Fora às tropas brasileira do Haití e de intervenção em qualquer outro país!
· Reestatização das empresas privatizadas: Petróleo e Petrobras 100% estatal com controle dos trabalhadores; Estatização do sistema financeiro com controle dos trabalhadores;
· Contra o projeto de privatização dos correios por parte do governo Lula;
· Contra os planos de congelamento salarial do funcionalismo público;
· Contra as Organizações Sociais que levam a privatização da saúde e não atendem as demandas da população, transferindo os procedimentos complexos para os hospitais públicos e o SUS. Em defesa do SUS. Contra a Autarquização dos Hospitais Universitários.
· Rompimento com o FMI e com todos os laços de dominação imperialista sobre o nosso país; Não pagamento das dívidas externa e interna;
· Punição aos assassinos e torturadores do regime militar;
· Contra a criminalização dos movimentos sociais. Fim às perseguições e às punições aos trabalhadores e seus representantes. Pela reintegração de todos os demitidos políticos e retirada de todos os processos criminais e administrativos contra os lutadores(as).
· Direito de organização dos trabalhadores nos locais de trabalho;
· Lutar em defesa do meio ambiente denunciando o capitalismo como predador da natureza. Por uma visão classista e socialista da luta por preservação do meio ambiente;
. Por uma sociedade socialista.
3 - Neste sentido, não medir esforços e se colocar à frente do apoio, organização, coordenação e unificação das lutas que estão ocorrendo. Apoiar o fortalecimento das campanhas salariais do segundo semestre de importantes categorias da classe trabalhadora brasileira e apoiar ativamente as ações, mobilizações e ocupações dos movimentos sociais em todo o país, especialmente do Frente de Resistência Urbana;
4 – Intensificar a campanha, conjuntamente com a Cobap e demais entidades, contra ameaça do veto do Presidente Lula ao Projeto de Lei que garante o reajuste de 7,72% aos aposentados que ganham acima de um salário mínimo e acaba com o famigerado fator previdenciário. Ralizar em todos os estados, no dia 10 de junho, um dia ações da campanha contra o veto de Lula, com operativos de coleta de assiantura do abaixo- assinado, manifrestações, assembléias e paralizações onde for possíve; Chamar as demais centrais sindicais para organizar conjuntamente um processo nacional de mobilização contra este veto. Caso seja efetivado o veto, seguir a campanha de denúncia do governo e em pela derrubada do veto presidencial;
5– Construir no segundo semestre deste ano um Dia Nacional de Lutas e Paralisações, a partir da unificação das lutas e das campanhas salariais. Indicar o 10 de agosto para sua a realização, pois já está marcada neste dia uma paralisação nacional dos trabalhadores dos Correios, passando para a primeira reunião da Coordenação Nacional da entidade unificada a definição final da data para a realização deste dia de luta. Chamar o conjunto das centrais sindicais e movimentos sociais brasileiros que construam conjuntamente conosco este dia nacional de lutas e paralisações;
6 – Construir uma campanha pela redução da jornada de trabalho para 36h semanais, sem redução de salários e direitos, chamando as demais centrais sindicais que abandonem a política de mera pressão parlamentar e apostarem na mobilização direta para arrancar esta importante conquista. Orientar os sindicatos que incluam esta reivindicação em suas pautas nos acordos coletivos;
7 – Participar ativamente da campanha, junto com a recém fundada Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) e demais entidades, contra o novo marco regulatório do Governo Lula, por uma Petrobrás 100% estatal e para que todo o petróleo seja nosso;
8 – Da mesma forma, construir uma campanha conjuntamente com o bloco dos 17 Sindicatos dos trabalhadores dos Correios, que são oposição à direção majoritária da Fentect, contra o Correio S.A., projeto que avança na privatização da empresa;
9 - Buscar coordenar as ações e mobilizações dos trabalhadores brasileiros com as lutas dos trabalhadores de todo o mundo, especialmente com os trabalhadores europeus neste momento, que lutam contra os mesmos planos de ajustes, aplicados de forma idêntica pelo conjunto dos governos burgueses e os patrões;
10 - Seguir a campanha de solidariedade de raça e classe ao povo haitiano. Construindo ações de solidariedade que destaquem a exigência ao Governo Lula de retirada imediata das tropas brasileiras do Haiti. “O Haiti precisa de remédios e solidariedade e não de ocupação militar”.
11 - Participar ativamente das iniciativas contra a criminalização dos movimentos sociais e apoiar as mobilizações do movimento negro que exijam dos governos à justa reparação ao povo negro. Apoiar as lutas contra o racismo, a homofobia e o machismo;
12 - Em relação às eleições de outubro devemos rejeitar a falsa polarização entre Dilma (PT / PC do B) X Serra (PSDB / DEM), que defendem os mesmos projetos políticos e econômicos. Da mesma forma, devemos denunciar as demais alternativas burguesas, como a candidatura de Marina Silva do PV. Apoiados na plataforma programática, estratégica e nas resoluções de nosso congresso devemos indicar aos trabalhadores e ao conjunto dos movimentos sociais a rejeição veemente aos candidatos burgueses e indicar o apoio aos candidatos dos partidos da classe trabalhadora que são oposição de esquerda tanto ao campo governista como ao campo da oposição de direita.

Agenda:

2° Congresso da Conlutas, momento tão aguardado por todos, começa nesta quinta-feira, dia 3 de junho, no Centro de Convenções Mendes, em Santos-SP.
Está chegando a hora e, por este motivo, todos devem se organizar para os últimos preparativos ao evento.
O credenciamento para o Congresso da Conlutas começará às 15h e o evento terá inicio às 18h. No dia 4 de junho o Congresso terá continuidade e serão apresentadas as propostas de resoluções além da reunião dos grupos de trabalho.
Confira programação completa do Congresso da Conlutas
Dia 3 de junho – quinta-feira
15h – Abertura do credenciamento (retirada de crachás) de delegados, convidados e observadores
18h – Abertura solene do II Congresso Nacional da CONLUTAS, com pronunciamento das organizações convidadas. Aprovação do Regimento Interno
21h – Encerramento das atividades.
Dia 4 de junho – sexta-feira
8h – Retomada do credenciamento
9 h às 11 h – Sessão Plenária do Congresso para apresentação das propostas de resoluções.
10h – Encerramento do credenciamento de delegados, convidados e observadores
10h às 11h – Credenciamento dos suplentes de delegados (o credenciamento dos suplentes poderá ser antecipado mediante apresentação de carta de desistência subscrita pelo titular, com a concordância do responsável pela delegação)
11h às 12h30 – Grupos para discussão das propostas apresentadas
12h30 às 14h. – Almoço
14h às 16h – Continuidade dos Grupos de discussão
16h às 20h. – Plenária de deliberação do Congresso da CONLUTAS
20h às 20h30 – Encerramento do Congresso da CONLUTAS
20h30 – jantar
É fundamental que as delegações se organizem para que problemas sejam evitados.
Seguem algumas orientações que servem para o Congresso da Conlutas e também para o Congresso da Classe trabalhadora.
Para quem for participar dos dois Congressos, a entrada no alojamento é a partir das 12h do dia 3 de junho. Aqueles que participarão apenas do Congresso da Classe Trabalhadora, poderão se alojar a partir das 12h do dia 4 de junho.
O outono é uma estação fria, por este motivo levem: cobertores, agasalhos e roupa de banho, pois o local dos alojamentos não possui estes itens.
Na chegada em Santos, no dia 3, não haverá jantar, e sim, um lanche para as delegações após a abertura do congresso.
O primeiro ônibus para as pousadas partirá do local do Congresso às 22h.
A alimentação e a hospedagem dos motoristas, bem como, o estacionamento dos veículos durante o evento é de responsabilidades das delegações. Não há possibilidade de encaixe nas estruturas dos Congressos.
Caso as delegações cheguem antes dos horários programados, solicitamos que se organizem conforme os horários previstos na programação do Congresso da Conlutas.
Algumas orientações de transporte e horários de partida para Santos
Não é de responsabilidade dos Congressos o translado até a cidade de Santos.
Para aqueles que chegarem pelos aeroportos ou terminais rodoviários na cidade de São Paulo, a delegação deve organizar em esquemas próprios de deslocamento, como ônibus intermunicipais, taxis ou vans.
Seguem algumas opções de ônibus:
Do aeroporto de Guarulhos (Cumbica)
Pegar ônibus no Aeroporto direto para Santos: Translitoral ou Expresso Brasileiro
Translitoral – horários 8h, 10h, 13h, 15h30, 18h30, 22h30. Valor: em torno de R$30,00. Descer desce em Santos na Av: Francisco Glicério, 369 – Canal 2
Expresso Brasileiro – horários: 5h, 9h30, 12h40, 18h10. Valor: em torno de R$22,50. Descer na Rodoviária de Santos
Do aeroporto de Congonhas:
Pegar ônibus no Aeroporto direto para Santos: Translitoral
Translitoral- Horários : 9h, 11h, 14h, 16h30, 19h30, 23h10. Valor: em torno de R$30,00. Descer em Santos na Av: Francisco Glicério, 369 – Canal 2
Hospedagem, alimentação e translado
Estão inclusos no pagamento da taxa de delegados e observadores a hospedagem e alimentação nos Congressos e o traslado do local do Congresso ao alojamento e vice-versa.
A hospedagem será em colônias de férias de sindicatos, na Praia Grande. Os quartos são coletivos (tem entre quatro e seis leitos) e possuem roupa de cama. A distribuição dos quartos e das delegações será feita no ato do credenciamento.
O café da manhã será servido na Colônia de Férias e o almoço e o jantar serão servidos em restaurante próprio no local do Congresso.
O percurso do local do evento até os alojamentos e vice-versa, é de responsabilidade da Comissão Organizadora dos Congressos e não tem custo adicional.
Importante: As delegações que contrataram empresas de ônibus devem solicitar que as mesmas comuniquem o setor de turismo da Prefeitura de Santos, através de oficio, que o deslocamento do estado até a cidade de Santos não tem fins turísticos, destina-se a participação em Congressos. Este procedimento é essencial, para se evitar o pagamento de uma taxa de permanência. Além disso, deve ser feita uma solicitação de isenção pelo site: www.egov.santos.sp.gov.br/sistur
Os motoristas dos ônibus das delegações não são de responsabilidade do Congresso. Essa tarefa é das delegações. Por isso, ressaltamos a importância de que as entidades tomem as devidas iniciativas para que estas pessoas não sejam prejudicadas.
Prestadores de serviços e expositores
Estandes e Bancas - O tamanho do espaço para cada expositor é de 1,5X2,0m e tem custo de R$ 250. As inscrições estão abertas e devem ser feitas por e-mail. Serão aceitas de acordo com a ordem de inscrição. O pagamento será feito através de boleto enviado por e-mail a partir do dia 26.
Importante: Cada banca/estande terá direito a dois expositores, porém estes não estão incluídos nas taxas dos Congressos, e não terão acesso ao plenário à alimentação e hospedagem. Deverão se credenciar antes do inicio do evento e terão identificação especifica.
Lembramos que não será permitida a comercialização de produtos alimentícios, devido às regras de funcionamento do local dos eventos.
Delegações
Representante das delegações - Cada equipe deve definir um representante que será responsável pela delegação. Isto facilitará o contato com a Comissão Organizadora do Evento. Se já possuírem este responsável, por favor, enviar para os e-mails: assessoria@conlutas.org.br com cópia secretaria@conlutas.org.br
Importante: Informamos às delegações que não será permitido fixar cartazes e faixas no local devido ao regimento interno do Centro de Convenções.
Creche
O período de inscrição para creche se encerrou no dia 20 de maio. Todas as solicitações após este prazo deverão ser enviadas para os e-mails: assessoria@conlutas.org.br com cópia para secretaria@conlutas.org.br e serão analisadas caso a caso.
Importante: Levar a cópia do documento da criança, para confirmação de grau de parentesco e idade.
Local do Congresso: Avenida General Francisco Glicério, 206, Santos – SP.
Com informações da Secretaria Nacional Conlutas e Ana Pagamunici da Comissão Organizadora

Fonte: http://www.conlutas.org.br/

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Iraque: forças invasoras assassinaram 302 professores.


Prezados colegas,
Desde a invasão imperialista ao Iraque em 2003, as forças invasoras assassinaram 302 professores. Além do massacre de mais de um milhão de iraquianos o imperialismo tenta por todos os meios extinguir a cultura milenar do povo árabe, destruindo relíquias, construções, museus e aqueles que com seu trabalho garantem a educação, a ciência e a cultura do povo iraquiano.
Neste link está disponível a relação dos professores assassinados:
http://www.iraqsolidaridad.org/2004-2005/docs/represion_11-11-05.html
Denunciem e divulguem amplamente!
Saudações,
Nazira Camely (CCJSA / UFAC)

terça-feira, 1 de junho de 2010

PROFESSORES DOENTES


Por Fabiano Curi
Sob pressão quase 50% dos professores brasileiros apresentam sintomas de estresse ou depressão. Os mais jovens são os que têm mais dificuldade para lidar com os problemas da profissão; muitos optam por abandonar o ofício

O professor está doente. Excesso de trabalho, indisciplina em sala de aula, salário baixo, pressão da direção, violência, demandas de pais de alunos, bombardeio de informações, desgaste físico e, principalmente, a falta de reconhecimento de sua atividade são algumas das causas de estresse, ansiedade e depressão que vêm acometendo os docentes brasileiros.
Profissionais de saúde e de educação dão cada vez mais atenção a fatores que afetam a saúde psicológica do professor. Ainda que pouco seja feito em termos de políticas públicas e educacionais para prevenção, acompanhamento e tratamento de casos genericamente classificados como de estresse, pesquisas começam a identificar a origem do mal e a apontar caminhos para mudanças.
Em artigo publicado em 2005 na revista Educação e Pesquisa, da Faculdade de Educação da USP, as pesquisadoras Sandra Gasparini, Sandhi Barreto e Ada Assunção, do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG, citam estudos realizados em várias localidades - Belo Horizonte e Montes Claros (MG), Vitória da Conquista e Salvador (BA), Santa Maria (RS) e Campinas (SP), entre outras - para aferir as condições de saúde do professor, a incidência dos pedidos de licença médica e suas motivações.
Partindo da hipótese de que as condições de trabalho - excesso de tarefas e ruídos, pressão por requalificação profissional, falta de apoio institucional e de docentes em número necessário, entre outras - geram um sobreesforço na realização de suas tarefas, o estudo conclui que os resultados aferidos nas diversas cidades são convergentes e que os professores estão mais sujeitos que outros grupos a terem transtornos psíquicos de intensidade variada.
Muitos desses elementos de pressão são fruto de uma reconfiguração do mundo do trabalho, que não foi realizada a contento no que diz respeito a suprir as necessidades do professor na mesma escala em que é cobrado. "O sistema escolar transfere ao profissional a responsabilidade por cobrir as lacunas existentes na instituição, a qual estabelece mecanismos rígidos e redundantes de avaliação profissional", diz Sandra Gasparini.
Um dos problemas mais comuns na atividade de educador é a síndrome de burnout (veja texto). Suas causas estão na ocupação profissional, principalmente entre trabalhadores que lidam diretamente com pessoas e demandas variadas. É comum entre médicos, enfermeiros, policiais e, é claro, professores.
Vista como epidemia no meio educacional, essa síndrome não é exclusividade brasileira. Estudos na década de 1980 já apontavam altíssima incidência do problema entre os docentes norte-americanos. Entretanto, por estar sendo estudada há relativamente pouco tempo, ainda é difícil avaliar o desenvolvimento do burnout nas diferentes atuações profissionais.
De qualquer maneira, as mudanças sociais das últimas décadas - que, para ficarmos no caso brasileiro, alteraram a cultura e os interesses do alunado, aumentaram a violência nos centros urbanos e diversificaram e intensificaram o acesso à informação - entraram na escola e tornaram-se fatores motivadores de estresse entre os professores.
A Universidade de Brasília (UnB) realizou, a partir de um acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), uma grande pesquisa nacional no final da década passada sobre o burnout com 52 mil trabalhadores em 1.440 escolas. Esse trabalho foi publicado no livro Educação: Carinho e Trabalho (Editora Vozes, 434 páginas).
Os resultados mostraram que 48% dos entrevistados apresentavam algum sintoma da síndrome.
Para a pesquisadora Iône Vasques-Menezes, da UnB, desvalorização da carreira docente concorre para o aumento dos problemas psíquicos dos professores
coordenadora do Laboratório de Psicologia do Trabalho da UnB e uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, Iône Vasques-Menezes, destaca no meio desses números preocupantes que, de certa forma, o profissional está mais sujeito ao burnout, pois a situação da sociedade é outra. Ela lembra que até o início da década de 1960 o professor era valorizado.
Uma pesquisa mais recente, de 2003, feita pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) apresentou resultados semelhantes: 46% dos professores já tiveram diagnosticado algum tipo de estresse - entre as mulheres esse número chega a 51%.No Mato Grosso do Sul, segundo dados da CNTE e da Federação dos Trabalhadores em Educação do Mato Grosso do Sul, mais de 60% das licenças médicas concedidas aos trabalhadores em educação no Estado são para professores. Do total de licenças, 38% estão relacionadas a transtornos mentais e comportamentais, o principal motivo dos afastamentos.
A deterioração
Celso dos Santos Filho é médico residente do setor de psiquiatria do Hospital do Servidor, em São Paulo. Ele diz que atende a um número considerável de professores que buscam ajuda psiquiátrica com os mais diversos transtornos. "Há uma desvalorização gradual do papel do professor. Ele se sente cada vez menos valorizado, o que afeta a prática profissional e a auto-estima", conta. Tais perturbações deságuam em "dificuldade para ir ao trabalho, insônia, choro fácil".
O médico nota que as reclamações mais comuns desse sentimento de depreciação da atividade apontam para a falta de autoridade sobre os alunos e para a ausência de apoio institucional e das famílias dos alunos.
Existem dados que balizam a fala do psiquiatra: a Unesco fez, em 2002, uma grande pesquisa sobre o perfil do professor brasileiro. Em uma das questões sobre a percepção que tinham do próprio trabalho, 54,8% afirmaram ser um problema manter a disciplina em sala de aula; 51,9% mencionaram as características sociais dos alunos; e 44,8%, a relação com os pais.
Outros pontos críticos estão relacionados com o volume de trabalho e a falta de tempo para preparar aulas e corrigir avaliações. De todo modo, as questões que envolvem relações humanas, que são a essência da educação, demonstram ser obstáculos difíceis para os professores.A síndrome do esgotamento profissional,conhecida como síndrome de burnout,foi batizada nos anos 70. O nome vem da expressão em inglês to burn out, ou seja, queimar completamente, consumir-se.
"A gente deixa de fazer o trabalho para ficar chamando a atenção de aluno para tirar o pé da cadeira e para fazer silêncio. Isso os pais deveriam ensinar", revolta-se uma professora da rede pública paulista. "Nas reuniões, os pais dos alunos que não têm problemas aparecem; os que têm, raramente vão." A psicóloga e professora da PUC-Campinas, Marilda Lipp, concorda com a professora: "As crianças estão mal-educadas. Mas ao mesmo tempo em que os pais desvalorizam os professores, passam a eles a responsabilidade de educar os filhos".
Marilda, que também é diretora do Centro Psicológico de Controle do Estresse e autora e organizadora de diversos estudos sobre o assunto - como o livro O Estresse do Professor (Papirus, 146 páginas), acredita que problemas semelhantes ocorram em várias ocupações.
Mas o dano que um professor pode causar é muito maior, pois o estresse é emocionalmente contagiante."
De acordo com uma pesquisa orientada pelo psicólogo e professor da UERJ, Francisco Nunes Sobrinho, um fator determinante do burnout é a idade do professor. Pelos resultados, educadores mais jovens fazem uso exagerado de "controle aversivo". "Eles, por exemplo, gritam mais com o aluno para tentar controlar a disciplina. Se o professor ameaça demais, ele também pode criar um clima de estresse", explica.
Problema abrangente
A deterioração da atividade docente não acontece apenas no ensino público, o privado também sofre de mal semelhante. "A relação entre professor e aluno se transformou em relação professor-cliente", condena Rita Fraga, diretora do Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP).
Apesar de trabalhar com profissionais da rede particular do Estado, ou seja, que supostamente figuram entre os mais bem remunerados do país e com uma boa infra-estrutura de ensino disponível, o sindicato nota um aumento do estresse no seu público. Rita avalia que muitos professores são pressionados pelos interesses mercadológicos da escola e, assim, muitas vezes não têm suporte da instituição em situações de enfrentamento com os alunos. "Com medo de perder o emprego, ele se sujeita a esse tipo de situação."
A psiquiatra do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Alexandrina Meleiro, demonstraMedo de perder o emprego gera submissão de docentes, alerta Rita Fraga, do Sinpro-SP que esse problema de instituições privadas existe nos casos que atende, principalmente de professores do ensino superior:
"Em algumas (instituições), os alunos fazem um motim contra o professor e a escola prefere demitir o profissional a ficar do lado dele", relata.Entretanto, ela identifica que a maior quantidade de casos está no ensino fundamental.
"São professores com problemas somáticos - depressão, ansiedade, às vezes síndrome do pânico - e, em alguns casos, se houve um assalto na escola, por exemplo, depressão pós-trauma", diagnostica. De acordo com Alexandrina, "entre 30% e 40% acabam desistindo da profissão, o que caracteriza que o problema é decorrente da ocupação".
O tratamento, segundo a psiquiatra, varia muito. "Dependendo do grau de desgaste, a pessoa pode passar somente por psicoterapia, ser medicada temporariamente com ansiolítico ou antidepressivo e, às vezes, tem de ser deslocada para uma função burocrática ou passar a trabalhar com outros tipos de alunos."48% das pessoas que trabalham em escolas apresentam algum sintoma de estresse, segundo pesquisa realizada em âmbito nacional pela Universidade de Brasília
Uma preocupação de Alexandrina é com a violência. Chaga dos grandes centros urbanos do país, a violência é apontada por muitos pesquisadores como um fator estressor importante que atinge comumente os professores que lecionam em escolas situadas em regiões de risco, com altos índices de criminalidade e, em alguns casos, presença do tráfico de drogas.
Ainda que a violência possa atingir direta ou indiretamente qualquer um, "a gente tem de dar um enfoque maior para a escola, pois ela lida com a criança e com o adolescente que serão cidadãos, e é nesse meio que a violência é cultuada", alerta a psiquiatra.
Origens múltiplas
"O burnout é uma síndrome multideterminada, ou seja, uma combinação de fatores facilita o surgimento dela", explana Iône Vasques-Menezes, da UnB. Dessa maneira, ainda que as dificuldades com disciplina, desvalorização da atividade e exposição à violência despontem como seus principais causadores, não se pode desprezar outros motivadores das doenças psicossomáticas dos professores.
Para a psicóloga Marilda Lipp, ao mesmo tempo em que desvalorizam os professores, pais confiam a eles a educação dos filhosMarilda Lipp, da PUC-Campinas, cita o tecnoestresse, que seria o contato cada vez mais freqüente com tecnologias em sua atividade escolar, o que demanda conhecimento de processos e, em muitos casos, um aumento da carga de trabalho para fazer relatórios via rede, por exemplo.
Francisco Nunes Sobrinho, da UERJ, tem como referencial a ergonomia. "Você pode ficar estressado, dentro da ergonomia cognitiva (disciplina que estuda os processos cognitivos em situações de trabalho), pelo excesso de informação que recebe. Isso pode provocar uma descompensação, pois o problema maior é não saber o que fazer, não ter uma resposta para a situação", explica. Ele adverte também que o ambiente físico é um estressor.
O incômodo gerado pelo ruído excessivo ou pela temperatura elevada podem contribuir bastante para o desenvolvimento de um estresse crônico entre os professores.
Por onde começar?
Como as causas dos problemas psicológicos dos professores têm origens distintas, os caminhos para sua solução também são variados. A presidente da CNTE, Juçara Vieira, lembra do que é óbvio para começar a valorizar a profissão, mas que costuma ser esquecido com assustadora regularidade: o salário. "O importante é se ter um piso salarial que permita, por exemplo, trabalhar para apenas uma escola", comenta.
Ela cita também a necessidade de ter uma escola democrática que fortaleça as relações interpessoais e de aplicar políticas públicas de formação permanente. Nunes Sobrinho corrobora a tese de que é preciso preparar os professores. "A mudança do cenário passa pela formação das pessoas, por começar a incorporar no currículo algumas questões de comportamento."
O psicólogo dá um exemplo que presenciou: "Trabalhei em uma escola de periferia em que a criança levava um bilhete chamando o pai para uma reunião, e ela era espancada antes mesmo de o pai saber do que se tratava. Isso demonstra que a professora só trabalha com o lado negativo. O pai só é chamado para ouvir crítica. O professor ainda não aprendeu que tem de chamar o pai também para fazer elogios.
Quando começaram a chamar alguns pais para elogios, as crianças queriam que os seus pais fossem chamados também".
Para Iône, há na atividade a sensação de que se dá muito, mas não se recebe nada em troca, o que provoca insegurança e desânimo. Ela acredita que o professor precisa de afeto para transmitir conhecimento. "Se ele não gostar dos alunos, não conseguirá transmitir nada."
A psicóloga da UnB acha difícil estabelecer uma única linha de atuação para diminuir o burnout. "Se é uma síndrome de trabalho, teria de mudar a organização do trabalho dependendo das condições em que ocorre naquela comunidade".
Ela esclarece que em uma cidade pequena, ainda que a infra-estrutura da escola seja inferior quando comparada à de um grande centro desenvolvido, a proximidade com a sociedade local acaba compensando e o professor fica menos exposto. "É mais fácil identificar fatores que protejam contra o burnout do que os causadores - controle sobre o trabalho, suporte social, ligação da escola com a comunidade, reconhecimento social."55% dos professores brasileiros ouvidos em pesquisa da Unesco afirmaram ter problemas para manter a disciplina em sala de aula
Com uma abordagem menos voltada para a idéia de síndrome trabalhista, a professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília (UCB), Sandra de Almeida, avisa que o professor se apresenta com uma expressão de grande sofrimento psíquico e um mal-estar visível.
Ela baseia suas afirmações em pesquisas realizadas com docentes na complementação pedagógica para professores do magistério no Distrito Federal, dos quais "cerca de 20% têm licenças médicas motivadas por estresse".Isso tem como conseqüência o absenteísmo, ou seja, os professores faltam muito. "Eles fazem pedidos de transferência para secretaria, fazem de tudo para não estarem presentes em sala de aula", relata. "Quando nada mais funciona, utilizam o recurso da licença médica."
Sobre as críticas de diversas secretarias de educação de que muitos professores querem licenças simplesmente para matar trabalho, a psicóloga retruca: "é claro que muito disso pode ser 'mais ou menos fingido', mas tem um valor psíquico para o sujeito. Por que ele se apresentaria como um sofredor? Podemos chegar à conclusão de que isso não se configura como depressão, mas pode ser um estresse".
Sandra destaca que o professor não é escutado no ambiente escolar. Na opinião dela, esse profissional convive muito tempo com os alunos e lida com demandas diversas e contraditórias e não tem com quem conversar. "Assim, o médico é a figura que pode ajudar e que, em último caso, pode afastá-lo da sala de aula, e isso pode aumentar ainda mais a sua angústia."Sandra de Almeida, da UCB: "Por que se apresentar como um sofredor? O fingimento também tem valor psíquico"
"A leitura que faço é de como podemos intervir no âmbito da formação de pessoal", explica. Sua proposta é resgatar a memória educativa desse professor para entender como alguns expostos às mesmas condições conseguem fazer algo criativo e outros caem na depressão. Identificar sua história como estudante, ideais educativos. Fazer com que ele perceba que não é o único a ter problemas psicológicos e que pode encontrar soluções por meio de relações interpessoais. "Ele precisa se interrogar, caso contrário, não há o que fazer."
Vale a pena tentar entender o que aflige e adoece o professor brasileiro, esse indivíduo difícil de ser explicado. Afinal, segundo a pesquisa realizada pela UnB, esse trabalhador, com todos os problemas que enfrenta, ainda pertence a uma categoria que apresenta índices de satisfação profissional próximos de 90%.
Fonte: http://revistaeducacao.uol.com.br/imprime.asp?codigo=12081


Veja o que tem ocorrido com os professores nesse ano:

Procura Se Professor

Professor Doente

Falta de Professores 2

Precarização do Professor

Secretário da educação disse que não sabe porque faltam professores. Taí a resposta:

Professor: carreira pouco atraente
Média salarial é de R$ 1,8 mil para docentes do fundamental. Caixas de banco, policiais e contadores ganham até R$ 4 mil a mais
Na hora de escolher uma profissão, poucos são os jovens que disputam vagas em cursos de licenciatura ou pedagogia, as carreiras que foram professores para a educação básica no País. A falta de bons salários e de valorização profissional desanima os estudantes.
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego sobre a remuneração dos docentes – tabulados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – mostram que a remuneração média de um professor que trabalha 40 horas por semana em instituições públicas ou privadas é bem menor do que a de outros profissionais tão importantes para a sociedade quanto ele.
Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2008, quem dá aulas na educação infantil recebe, em média, 1,7 mil. No ensino fundamental, R$ 1,8 mil. No ensino médio, R$ 1,9 mil. Já a remuneração média de um caixa de banco é R$ 2,7 mil. A de um policial, R$ 3,3 mil, quase o dobro de um professor que atua em creche ou pré-escola. Um contador ganha até R$ 4 mil a mais.
Quando se avalia as profissões mais prestigiadas pelos estudantes, então, as diferenças ficam gritantes. A média salarial de um médico que trabalha 40 horas por semana é de R$ 6 mil. A de um advogado, R$ 6,3 mil e a de um engenheiro, R$ 7,4 mil.
“A realidade é que, hoje, os alunos querem ser qualquer coisa, menos professores, porque eles sabem a luta que terão de enfrentar”, afirma o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão. “Enquanto não valorizarmos a carreira, não teremos profissionais suficientes para atuar nas escolas.”
Uma pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas mostra que apenas 2% dos estudantes de ensino médio querem cursar uma licenciatura ou pedagogia. O estudo divulgado em fevereiro ouviu 193 alunos em grupos de discussão e recebeu 1,5 mil questionários respondidos por jovens de sete estados das cinco regiões brasileiras.
Apesar de os estudantes reconhecerem a importância do professor para a sociedade, eles acreditam que a profissão é desvalorizada pela sociedade e pelo governo, segundo a pesquisa. Os resultados revelam que alguns (32%) haviam considerado a possibilidade de investir na carreira, mas desistiram.
Leão lembra que nem o piso nacional estabelecido para o magistério está sendo cumprido em todos os estados e municípios. Em julho de 2008, o Congresso Nacional aprovou lei que determina a remuneração mínima de R$ 950 a todos os professores do País. Em janeiro de 2010, o MEC recomendou o aumento para R$ 1.024. Mas o fato é que, até hoje, não são todos os estados e municípios que cumprem a medida.
Uma ação movida por governantes estaduais com apoio da Confederação Nacional dos Municípios (CMN) aguarda parecer final no Supremo Tribunal Federal (STF). Para esses gestores, o piso é inconstitucional da forma como foi aprovado pelos parlamentares. Segundo a lei, gratificações e benefícios não devem ser incluídos na conta para se atingir o piso.
“Já é uma vergonha que o piso salarial da categoria seja de R$ 1.024. Para a CNTE, esse valor deveria ser de R$ 1.312. Além do piso temos de oferecer perspectivas a esses jovens, com um plano de carreira”, defende o presidente da CNTE. Leão argumenta que a qualidade da educação depende de investimentos em infraestrutura e nos profissionais da área.
Uma comparação feita pelo Inep confirma a tese de Leão: a formação docente interfere diretamente na qualidade de ensino aos alunos. Entre as dez escolas com melhor desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), quase 90% dos professores tinham curso superior. Já entre as piores, pouco mais da metade deles possuía a mesma formação.
“A educação, historicamente, tem sido um bom mote para fazer campanha, mas os investimentos nas escolas diminuíram. Ampliamos o acesso à escola, mas continuamos investindo apenas 4,5% do PIB em educação. É muito pouco diante das dificuldades”, afirma. (Reportagem do “Último Segundo”)