terça-feira, 7 de setembro de 2010

Das ruas de São Paulo para a faculdade em Cuba

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Tijolaço - Falar mal de Cuba é um dos exercícios preferidos da grande imprensa brasileira e dos integrantes do campo conservador, como José Serra.

Ontem mesmo, no Jornal da Globo, Dilma foi inquirida sobre a postura do presidente Lula em relação a Cuba, e sempre que alguém defende Cuba, o oponente na discussão sempre a encerra com a indefectível e tendenciosa pergunta: Por que você não vai morar lá?

Pois é bom saber que muitos brasileiros vão morar lá em busca de oportunidades que não têm aqui. Um comentarista me chamou a atenção para uma carta, publicada no blog Balaio do Kotscho, do jornalista Ricardo Kotscho, de uma jovem brasileira, Gisele Antunes Rodrigues, de 23 anos, que foi menina de rua em São Paulo e hoje estuda medicina em Havana.

Gisele estuda com outros 275 brasileiros numa instituição voltada a estudantes de toda a América Latina. Cuba, com seus parcos recursos, é um país solidário, o que definitivamente não entra nas cabeças competitivas do mercado, que desconhece tal valor.

Mas o que me impressionou e tenho certeza que impressionará a todos é a história de Gisele e sua luta para levar adiante os seus sonhos.

Esta exemplar brasileira saiu de casa aos 9 anos por não suportar a desestrutura familiar, que incluía agressões físicas, e caiu na rua. Cheirou cola, consumiu drogas e só não se acabou numa cracolândia da vida porque teve gente que se interessou por seu destino e encontrou instituições sérias, dedicadas à recuperação e à educação de crianças de rua.

Gisele foi seguindo sua trajetória ascendente até chegar à Faculdade de Pedagogia. Quando cursava o primeiro semestre, um educador do abrigo em que se encontrava lhe informou sobre um processo seletivo para estudar medicina em Cuba. Gisele foi aprovada e desde 2007 está em Cuba. Mês que vem, começa o terceiro ano de Medicina. No total, ficará sete anos em Cuba. Seis de faculdade e um de pré-médico.

O seu relato após três anos no país é singular. Alguém que comeu o pão que o diabo amassou tem uma visão da sociedade diferente de quem nunca passou dificuldades. E o que Gisele conta é o oposto do que lemos com frequência na grande imprensa.

"Ir a Cuba foi minha maior conquista. Além de aprender sobre a medicina, aprendo sobre a vida, a importância dos valores. Antes de ir, sempre lia reportagens negativas sobre o país, mas quando cheguei lá, não foi isso que vi. Em Cuba, todos têm direito a educação, saúde, cultura, lazer e o básico pra sobreviver", conta Gisele.

"Li em muitas revistas que o Fidel Castro é um ditador, e descobri em Cuba, que ele é amado e idolatrado pelos cubanos. Escrevem que Cuba é o país da miséria. Mas de que tipo de miséria eles falam? Interpreto como miséria o que passei na infância. Em casa, não tinha água encanada, luz, comida", prossegue.

Gisele lembra dos tempos difíceis da infância, quando ela, seu irmão e sua mãe enganavam a fome bebendo água doce. "Então, quando abro uma revista publicada no Brasil e nela está escrito que Cuba é um país miserável, eu me pergunto: se em Cuba, onde todos têm os direitos a saúde, educação, moradia, lazer e alimento, como podemos denominar o Brasil?"

Apesar do embargo econômico sofrido por Cuba, Gisele ressalta os níveis de educação e saúde gratuitas e os indicadores positivos do desenvolvimento humano no país. "Vivenciando tudo isso, eu queria também que o Brasil fosse miserável como Cuba, como é escrito em varias revistas. Acho que o brasileiro estaria melhor e não seria tão comum encontrar tantos jovens sem educação, matando, roubando e se drogando nas ruas."

O objetivo de Gisele é concluir a faculdade para ajudar a saúde dos brasileiros e outros jovens a realizarem seus sonhos, assim como foi ajudada. Com a consciência adqurida, pede ao povo brasileiro que nas próximas eleições "escolha a pessoa adequada pra administrar o nosso país tão injusto."

Transcrevi aqui alguns trechos que me chamaram a atenção, mas a carta de Gisele merece a leitura integral e pode ser acessada no link do blog. É o depoimento de uma pessoa vitoriosa, que julga as coisas a partir de seus olhos e sua vivência e não do que ouve falar.

Quando Gisele se formar, daqui a quatro anos, espero que o Brasil já tenha vencido a burocracia que atrapalha o reconhecimento de diplomas universitários de outros países. Relatei na Comissão de Educação da Câmara um projeto que cria um sistema de credenciamento de cursos no Mercosul, que está pronto para ser votado em plenário. Com ele, estabeleceremos parâmetros que poderão ser estendidos a outros países, como Cuba.

Fonte: http://www.diarioliberdade.org

Os retardatários do atraso – ou a imprensa e Serra


Acabei de ver pela primeira vez o “novo” Roda Viva, entrevistando Demétrio Magnoli. Ainda volto ao tema. Mas enqanto assistia pensei em Serra, na TV Cultura, na nossa grande imprensa, nas bancas nos dias de hoje, na Veja, que eu já analisei tanto, Folha de S. Paulo, direita brasileira etc… E a guerra santa deles contra blogs, twitter, Lula, Dilma, a popularidade do presdente etc…
Eu não pensei sozinho não. Conversei muito com a minha irmã. “Não tenho jornal para ler. É tudo idiota, fascista, mentiroso. Eu não posso ler uma crítica justa ao governo, bem feita.”
A questão toda é essa. Nesse mês que vai até as eleições e talvez por um tempo depois, vamos ver um espetáculo muito tosco. Onde jornal é Folha de S.Paulo, revista é Veja, e intelectuais são o Reinaldo Azevedo e o Magnoli. Essas são as referências deles…
O ponto é que se não fossem tão fiéis à suas próprias naturezas – toscos (a palavra merece ser repetida), preconceituosos, isolados na sua visão de elite ou classe média arrivista e medrosa - talvez pudessem de fato construir críticas aos aspectos negativos que existem no PT e no governo. Talvez conseguissem construir uma alternativa. Talvez conseguissem ser a oposição que querem ser. Quem sabe até cumprir uma função pública construtiva como oposição. Mas hoje o atraso no Brasil está conseguindo ser incompetente até no seu papel de ser reacionário…(essa tese de mestrado de Fabio Jammal Makhou, na PUC-SP é genial nesse sentido, ao mostrar que a tosquice da Veja em tentar derrubar Lula só fortaleceu Lula).
A mídia diz que é problema do Serra, que não parte para o confronto direto, ou do PSDB, que não fez oposição por 8 anos. Serra acha que falta apoio da mídia. O problema são sempre os outros. Não enxergam que se merecem, são espelho um do outro: toscos, avessos ao debate, a organização, incampazes de atuar no longo prazo ou construir instituições que funcionam, adeptos dos conchavos, traições e personalismos.
O que dizer de um candidato cujo “plano de governo” são dois discursos seus… E que se defende “mas eu escrevi mesmo os discursos”. Plano de governo deveria ser uma peça séria desenvolvida por gente de várias áreas em debates inteligentes, cobrindo e integrando temas complexos com propostas de políticas públicas. Não redações: “O que eu farei como presidente”, não importa quem seja o autor.
O que dizer da Folha de S.Paulo? O que as pessoas tem que fazer para se tornarem chefes naquele ambiente? Ou na Veja? Quanto diversidade foi expulsa da imprensa no eixo Rio-São Paulo-Brasília? Eu tenho hoje dó de ver essa burrice de Merval Pereira, de Augusto Nunes, tentando achar em seus repertórios pobres, em sua cultura de salão, no meio da sua empáfia que deve ter sido muito útil para chegarem onde chegaram, uma saída para se contrapor ao “apedeuta”, ao “analfabeto”, ou para não serem humilhados em blogs feitos por pessoas no seu tempo livre… eles ficam tentando travestir de “análise de política” tentativas desastradas de consultoria política ao PSDB. É ridículo.
O que sobrou na oposição? É importante lembrar que eles não são a elite, o capital, os poderosos, o fisiologismo, ou mesmo muitas das oligarquias. A maioria desses, os mais ponderados, sensatos, ou mais espertos no cuidar dos seus interesses também estão com a Dilma. O mercado financeiro está com o PT, o que é bizarro em muitos sentidos. Mas um dos mais interessantes é ver o que sobrou, nessa imprensa mais realista que o rei, mais tucana que os tucanos, exposto para quem quiser ver:
a burrice e o preconceito estão desnudos.
Voltemos ao Roda Viva. Tradicionalmente um espaço de debate, de entrevistas amplas que vem desde a redemocratização do país. O PSDB finalmente conseguiu destruí-lo. Por causa de uma pergunta sobre pedágios feito ao Serra, finalmente acabou sua pluralidade, diversidade e colocaram no comando a apresentadora mais perdida e rasa de toda sua história, nada pessoal contra a Marília Gabriela, é só uma pessoa completamente deslocada de onde deveria estar, para ser útil a essa imbecilidade. Dois jornalistas medalhões “caga-regras” fixos, independente de serem quem são, e até respeito o Paulo Moreira Leite, mas em plena era onde esses tipos ficam cada vez menos relevantes e patéticos…E só dois convidados rotativos.
Como Magnoli é opositor das cotas, deram de chamar em uma dessas vagas o escritor Paulo Lins. E Paulo Lins, a certa altura, apontou o óbvio, denunciou a farsa estrutural de sua presença ali: por que ele era o único negro na mesa? E por que eles não notavam que ele era o único negro na mesa de entrevistadores, mas que entre os técnicos a proporção de negros era maior? Todos se indignaram, se ofenderam, e reagiram em uníssono contra Paulo, como se que ele tivesse dizendo fosse racismo, depois tratando-o de forma condescendente.
Típico! Típico! Típico!
O que Paulo Lins tentou foi denunciar que sua presença ali era uma espécie de “cota racial”. Ou concessão. Para fazer o papel de negro que defende as cotas.Imagine a produção “xi, o Magnoli ataca as cotas, mas não tem nenhum negro na bancada. Ah, vê se o Paulo Lins pode vir…”
No fim, Magnoli, talvez tenha feito forma perversamente calculada, mas provavelmente de forma incosciente, comentou as participações de todos os entrevistadores. Menos de Paulo Lins. Menos do negro que estava ali para justificar que eles não eram racistas, que não havia discriminação no debate. Para “fazer uma pose” e “dar um colorido” ao debate.
Essa gente não nota que faz essas coisas. Não nota o quanto discrimina. Não nota quanto oprime a empregada. Não nota a arrogância idiota e ignorante de São Paulo em relação ao resto do país. Não nota e não quer reconhecer o que os últimos 8 anos representaram – no campo simbólico, mas ainda mais na prática – para o Brasil. Não percebem que isso é obra de muito mais que um homem, ou partido, mas de uma trajetória do país. Preferem dizer que tudo foi conquistado por FHC, para não quebrar sua escala de valores simbólicos. Falam demais. Ouvem muito pouco. Não enxergam nada que escape aos seus preconceitos. Vão para a Europa e Estados Unidos, e não entendem porcaria nenhuma, confundem primeiro mundo com ostentação. Nesse mês que estarão histéricos tudo isso será ainda pior.
Não é por causa do PT, de Lula, das pessoas de esquerda que essa gente está esfarelando. É culpa da indigência mental, moral, de projeto, de relação com o Brasil que eles tem.
Esses nossos compatriotas…pareciam imbatíveis, tão pouco tempo atrás…que decepção…Mas era de se esperar que o programa de incentivos à burrice deles fosse terminar nesse show tosco que estamos vendo nos jornais e TVs deles esses dias.
Fonte: http://remidia.wordpress.com/2010/09/07/os-retardatarios-do-atraso-ou-a-imprensa-e-serra/

domingo, 5 de setembro de 2010

O toma-lá-dá-cá da Educação de SP, a imprensa e as eleições 2010

No dia 16 de julho de 2010, o Secretário de Educação de São Paulo, Sr. Paulo Renato Costa Souza, mandou a FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação) assinar o seguinte negócio (publicado em 21/julho no DO):

Contrato: 15/00062/10/04
- Empresa: Empresa de Publicidade Rio Preto Ltda.
- Objeto: Aquisição pela FDE de 200 assinaturas anuais do Jornal "Diário da Região" destinados às escolas da Rede de Ensino da Região de São José do Rio Preto, do Estado de São Paulo - Projeto Sala de Leitura
- Prazo: 365 dias
- Valor: R$ 65.160,00
No mesmo jornal Diário da Região, em 25 de agosto passado, aparece a matéria Aloysio e o desafio de se tornar conhecido, cuja imagem grandiosa - pedindo votos ao seu genuíno latifundiário filho da terra - pode ser vista abaixo:



Para ler tudo na íntegra e conhecer melhor o candidato ao Senado Aloysio Nunes Ferreira Filho (como pede José Serra), recorra à página 6A (e/ou a estes links também caso queira confirmar a façanha). Por outro lado, lamentamos não saber informar se tal "santinho" do candidato está nos conformes da legalidade eleitoral.

Para o bom entendedor, uma assinatura basta

Há que ser justo neste vale de lágrimas. Há que se publicar as outras compras de mesma natureza feitas até o momento, pelo Secretário Paulo Renato de Souza, que servirão como incremento pedagógico nas escolas paulistas. Todas sem necessidade de licitação, é óbvio. Sempre visando facilitar a sua vida, ao final a soma dos valores parciais das aventuras. Vamos lá.
  • 22/junho/2010
    Contrato: 15/00060/10/04
    - Empresa: VS Publicidade Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 196 (cento e noventa e seis) Assinaturas do Jornal "Diário da Região" de Osasco, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Osasco do Estado de São Paulo.
    -Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 49.000,00
    -Data de Assinatura: 01-06-2010

    Contrato: 15/00068/10/04
    - Empresa: Empresa Jornalística Tribuna Araraquara Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 50 (cinquenta) Assinaturas do Jornal "Tribuna Impressa" de Araraquara, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Araraquara do Estado de São Paulo.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 16.140,00
    - Data de Assinatura: 10-06-2010.

    Contrato: 15/00071/10/04
    - Empresa: Fundação Ubaldino do Amaral
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 176 (cento e setenta e seis) Assinaturas do Jornal "Cruzeiro do Sul" de Sorocaba, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Sorocaba do Estado de São Paulo.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 50.160,00
    - Data de Assinatura: 11-06-2010

    Contrato: 15/00067/10/04
    - Empresa: a Tribuna de Santos Jornal e Editora Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 142 (cento e quarenta e duas) Assinaturas do Jornal "A Tribuna" de Santos, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Santos do Estado de São Paulo. - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 51.120,00
    - Data de Assinatura: 18-06-2010.

    Contrato: 15/00069/10/04
    - Empresa: Lauda Editora Consultorias e Comunicações Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 139 (cento e trinta e nove) Assinaturas do Jornal "Jornal de Jundiaí Regional", destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Jundiaí do Estado de São Paulo.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 45.314,00
    -Data de Assinatura: 18-06-2010.

    Contrato: 15/00120/10/04
    - Empresa: Jornal da Cidade de Bauru Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 156 (cento e cinquenta e seis) Assinaturas do Jornal "Jornal da Cidade" de Baurú, destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de Baurú do Estado de São Paulo.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 46.761,00
    -Data de Assinatura: 18-06-2010.
  • 25/junho/2010
    Contrato: 15/00070/10/04
    - Empresa: Editora Folha da Região de Araçatuba Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE, de 113 (cento e treze) assinaturas anuais do Jornal "Folha da Região" destinados às escolas da Rede de Ensino da Região da Araçatuba do Estado de São Paulo - Projeto Salas de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 28.589,00
    - Data de Assinatura: 23-06-2010.

    Contrato: 15/00078/10/04
    - Empresa: Empresa Editora o Liberal Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE, de 135 (cento e trinta e cinco) assinaturas anuais do Jornal "O Liberal" destinados às escolas da Rede de Ensino da Região de Americana do Estado de São Paulo - Projeto Salas de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 29.646,00
    - Data de Assinatura: 23-06-2010.

    Contrato: 15/00063/10/04
    - Empresa: Valebravo Editorial S.A.
    - Objeto: Aquisição pela FDE, de 280 (duzentos e oitenta) assinaturas anuais do Jornal "O Vale" destinados às escolas da Rede de Ensino da Região de São José dos Campos do Estado de São Paulo - Projeto Salas de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 77.280,00
    - Data de Assinatura: 23-06-2010.

  • 23/julho/2010
    Contrato: 15/00079/10/04
    - Empresa: Jornal de Piracicaba Editora Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 53 (cinquenta e três) assinaturas anuais do jornal "Jornal de Piracicaba" destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de “Piracicaba” do Estado de São Paulo - Projeto Sala de Leitura.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 12.455,00
    - Data de Assinatura: 15/07/2010

    Contrato: 15/00077/10/04
    - Empresa: Empresa Francana Editora de Jornais e Revistas Ltda.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 82 (oitenta e duas) assinaturas anuais do Jornal "Comércio de Franca" destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de “Franca” no Estado de São Paulo - Projeto Sala de Leitura.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 21.976,00
    - Data de Assinatura: 21/07/2010

    Contrato: 15/00065/10/04
    - Empresa: Empresa Jornalística Orestes Lopes de Camargo S.A
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 159 (cento e cinquenta e nove) assinaturas anuais do Jornal "A Cidade" destinado às escolas da Rede de Ensino da Região de “Ribeirão Preto” do Estado de São Paulo - Projeto Sala de Leitura.
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 56.604,00
    - Data de Assinatura: 22/07/2010.

Um ninho amigo para os amigos

Além de comprar de tudo em todo Estado de SP, não faltaram negócios com a grande imprensa. Já mostradas neste humílimo blog, entidades como Estadão, Folha, Veja etc., foram gentilmente agraciadas, de novo, pelo desvairado pacotaço e permanecerão nas escolas públicas por mais um ano (compare quantidades e valores de 2009). Alvíssaras!

A pergunta que fica é por que a Carta Capital nunca, jamais, em tempo algum mereceu as mesmas benesses do Estado? Estranho, né não?
Outra: quem mais se beneficia com tais "ações pedagógicas"?

Olha só que meiguice:
  • 27/maio/2010 (também publicado em 26/maio)
    Contrato: 15/00548/10/04
    - Empresa: Editora Brasil 21 Ltda.
    - Objeto: Aquisição de 5.200 Assinaturas da "Revista Isto É" - 52 Edições - destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo - CEI e COGSP - Projeto Sala de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 1.203.280,00
    - Data de Assinatura: 18/05/2010.

  • 28/maio/2010
    Contrato: 15/00545/10/04
    - Empresa: S/A. O ESTADO DE SÃO PAULO
    - Objeto: Aquisição de 5.200 assinatura do Jornal "o Estado de São Paulo" destinado as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São Paulo - Projeto Sala de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 2.568.800,00
    - Data de Assinatura: 18/05/2010.

  • 29/maio/2010
    Contrato: 15/00547/10/04
    - Empresa: Editora Abril S/A
    - Objeto: Aquisição de 5.200 assinaturas da Revista "VEJA" destinada as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado São de Paulo - CEI e COGSP - Projeto Sala de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 1.202.968,00
    - Data de Assinatura: 20/05/2010.

  • 8/junho/2010
    Contrato: 15/00550/10/04
    - Empresa: Empresa Folha da Manhã S.A.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas anuais do jornal "Folha de São Paulo" para as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo - CEI e COGSP - Projeto Sala de Leitura
    - Prazo: 365 dias
    - Valor: R$ 2.581.280,00
    - Data de Assinatura: 18-05-2010.

  • 11/junho/2010
    Contrato: 15/00546/10/04
    - Empresa: Editora Globo S/A.
    - Objeto: Aquisição pela FDE de 5.200 assinaturas da Revista "Época" – 43 Edições, destinados as escolas da Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo - CEI e COGSP - Projeto Sala de Leitura
    - Prazo: 305 dias
    - Valor R$ 1.202.968,00
    - Data de Assinatura: 20/05/2010.

TOTAL PARCIAL DE COMPRAS DA IMPRENSA PELA FDE (pré-eleições):
  • Jornais regionais = R$ 550.205,00
  • Os de sempre = R$ 8.759.296,00
    • R$ 9.309.501,00

Em tempo¹ - Apesar de tantos e tão variados esforços descomunais com o dinheiro público, o candidato-(ex)guerrilheiro, hoje um homem de bens, Aloysio Nunes não está nem entre os seis primeiros colocados; pelo que tudo indica, não vai decolar nesta encarnação. O mesmo para José Serra, que fica a cada dia, por tudo e com tudo, mais por baixo que oritimbó de ofídio. Desesperación total.
Em tempo² - A próxima pesquisa desta casa será sobre um tema muito em voga na campanha do Sr. Alckmin, aguarde.


EDITADO EM 5/SETEMBRO, ÀS 16:10


Reproduzo aqui duas respostas que dei para um comentador no blog do Azenha, que gentilmente divulgou o texto. Disse lá um Sr. Gilton:
Justiça seja feita: o diario da região esta entrevistando todos os candidatos ao senado.
Menos,'rapaziada, menos.
Én isso que queima o filme da blogosfera petista: tem muita negada publicando "notícias", "grandes furos", sem checar. Não é assim que se faz. Presta atenção, pô!
Resposta 1:
Mas nenhum dos candidatos é unha da carne do comprador das milhares de assinaturas (ou ainda faz parte intestina dos quadros do comprador). É, Gilton? Além disso, e coincidentemente, nenhum dos candidatos ligados intestinalmente aos compradores, é também de São José do Rio Preto, onde exerce influência típica dos coronéis. É, Gilton?
É mais, Gilton, mais...
Resposta 2:
Caro Gilton;
retorno para te agradecer a oportunidade de nova "checagem", graças ao que me alertou. Depois do que te respondi acima, fui ao Diário da Região de São José do Rio Preto, o qual você diz estar entrevistando todos os candidatos ao Senado. De fato, encontrei a entrevista com a candidata Marta Suplicy do PT, a primeira colocada nas pesquisas - cujo Diário mesmo reproduz matérias confirmando a primeira colocação - desde sempre.

O interessante, entre tantos pontos, é a diferença de tratamento. Veja só que bacana:
- A entrevista do Sr. Aloysio Nunes Filho, em sexto lugar, atrás até do candidato Moacir Franco, foi feita em 25/agosto; a da Marta, primeira colocada, foi em 1/setembro;
- A manchete de Aloysio é "Aloysio e o desafio de se tornar conhecido"; a da Marta é "Ex-ministra, Marta defende verba para festas". Somente lendo é possível saber quais 'festas' são essas, as quais aliás, são tão propícias à região do jornal (a entrevista: http://www.diariodaregiao.com.br/novoportal/Notic...
- Aloysio teve publicadas as respostas para 20 questões; Marta apenas 8.
- Não houve menções ao passado do Sr. Aloysio como assaltante de trem; Marta respondeu sobre o "relaxa e goza" e "opção sexual do Kassab";
- Nas versões em papel (reproduzida em PDF) e digital aparece o santinho (recortável) em azul do Sr. Aloysio; Marta só tem o santinho na versão PDF (ver aqui: http://www.diariodaregiaodigital.com.br/Flip/Flip... - e comparar com o link da entrevista acima).

Ainda não fui pesquisar as entrevistas para o restante dos candidatos ao Senado, mas farei, fique tranquilo. Mas busquei por "Marta Suplicy" no Diário da Região. Novamente a forma de tratamento é absolutamente diversa. Nas 5 páginas mantidas no histórico do jornal (a partir de 18/10/2010), os links das "matérias" que tratam do PT não parecem receber os mesmos afagos que as do PSDB. Daí que posso estar redondamente enganada, me perdoe, mas parece que o tal Diário é adepto ferrenho do PSDB. Para que qualquer mortal possa ir até lá e me alertar novamente para o bom caminho, basta recorrer à ferramenta de buscas do Diário - e ao bom senso crítico.

Só falta aguardar (e achar) as entrevistas com Netinho de Paula, Orestes Quércia, Romeu Tuma, Ciro Moura, Moacir Franco, Ana Luiza, Dirceu Travesso, Alexandre Serpa, João André Dorta, Marcelo Henrique, Mazzeo, Ricardo Young, Ernesto Pichler e Toni Curiati. Em pouco menos de um mês todas estarão lá no Diário, certamente.
[ ] s
Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/2010/09/o-toma-la-da-ca-da-educacao-de-sp.html#ixzz0yi4CWwAK

Contra o Latifundio

sábado, 4 de setembro de 2010

Piaget: do ensino para o aprendizado

Há 30 anos, morria um dos maiores nomes da educação, Jean Piaget. Naquele momento, sua contribuição começava a fazer parte dos principais debates sobre a área no Brasil

Por Cristina Uchôa
Em setembro de 1980, aos 84 anos de idade, falecia Jean William Fritz Piaget. Normalmente listado entre os grandes pedagogos da história mundial, o suíço dedicou-se, na verdade, à epistemologia, buscando, mais do que as questões relativas ao ensino, os mistérios da gênese e da construção do conhecimento.
“Diferenciar aprendizado de ensino foi um passo fundamental para nossas discussões nos anos 80, para superar o modelo da pedagogia bancária no Brasil”, conta Maria Izabel Azevedo Noronha, professora de português e atual presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). “Afinal, dizer que um professor ensina determinado conteúdo não quer dizer necessariamente que o aluno realmente aprende aquilo”, explica, diferenciando as duas etapas do processo educacional.
Diversos estudiosos da Pedagogia se dedicaram à assimilação das novas ideias e passaram a aproveitar suas teorias, no mundo todo. No Brasil, surgiram diversas iniciativas na rede particular de ensino, principalmente no Sudeste – como a Escola da Vila, em São Paulo –, dedicadas a colocar em prática um novo paradigma de educação. “Nos anos 80, quando os resultados de pesquisas de orientação piagetiana chegaram ao país, nós da Escola da Vila nos identificamos com essa metodologia e passamos a desenvolver nosso projeto pedagógico levando em consideração essas contribuições”, conta a professora Zélia Cavalcanti, coordenadora pedagógica da escola. Para a rede pública, também não foi pequeno o reflexo das novas ideias. Ao concentrar-se em como o conhecimento se forma, o problema da educação passou a ser como provocar a criança a aprender, e não mais como transferir conhecimento e informações acumuladas, que era o que buscavam os professores da época, conta Maria Izabel.
Na prática, o que mudou foi o entendimento dos lugares que ocupam professor e aluno no processo de passagem e construção do conhecimento. “O aluno é o agente do processo. O centro tem que ser o interesse do aluno; buscamos ver o que ele já conhece em relação a cada tema que será abordado e, respeitando o ritmo de cada um, usamos estratégias diferentes para garantir que todos sejam contemplados”, explica Paula Angélica Pimentel Prado, orientadora pedagógica da Educação Infantil e séries iniciais do Ensino Fundamental do Colégio Piaget, na capital paulista.
A inteligência, segundo Piaget, é uma adaptação: o indivíduo desenvolve formas de agir e pensar para superar os desafios colocados pelos meios natural e social. Ao se deparar com uma novidade, um desafio, a pessoa é capaz de remanejar suas ideias e criar novas conclusões a partir delas, para resolver seu problema. “O pensamento se desenvolve a partir das ações sensoriais e motoras que antecedem o aparecimento da função simbólica, isto é, da capacidade de pensar”, explica a docente do curso de Psicologia da PUC-SP Maria Regina Maluf, presidente da Sociedade Interamericana de Psicologia e estudiosa de Piaget.
Na escola, isso adquire a roupagem de provocação. “Temos em mente a situação de que o novo conteúdo traz um desequilíbrio para o aluno, sendo que ele volta à situação de equilíbrio depois de assimilar esses novos conhecimentos. Ou seja, o cerne da questão é a problematização, fazermos com que os alunos enfrentem os desafios e se sintam capazes de superá-los”, sustenta a orientadora pedagógica. Pelo foco da psicologia, Maria Regina explica: “surge assim [com os estímulos adequados] o pensamento lógico, sob a influência de quatro fatores do desenvolvimento, conforme os estudos de Piaget: a maturação, a aprendizagem, as interações sociais, e a equilibração, ou seja, a busca constante de regulação mental”.
O educador, porém, não é uma figura menos importante no sistema do aprendizado, lembra Maria Izabel. “O professor é o grande provocador, é o que tem que reconhecer as condições dos alunos para traçar suas estratégias para fazer com que seja realizado o objetivo, que é o aprendizado”, reflete. Mais do que a responsabilidade de trazer todas as respostas, o educador faz com que o aluno busque por si mesmo as informações. “O papel do professor é o de estimular a pesquisa e o esforço do aluno, sensibilizar para a busca e o interesse. Sempre que recebemos uma pergunta, devolvemos para eles, para entender o que sabem sobre o assunto e verificar o caminho para que tenham curiosidade de buscar o novo conhecimento. Formulamos a aula para intervir”, explica Paula.

Linha pedagógica

“Piaget foi sem dúvida um trabalhador da ciência, que nos deixou uma obra vasta e complexa”, afirma Maria Regina, ressaltando que a educação é apenas um dos campos nos quais as hipóteses piagetianas podem ser aplicadas. Dedicado a investigar a gênese do conhecimento (epistemologia genética), Piaget, se vivesse hoje, provavelmente transitaria mais na área da neurociência do que nos ambientes escolares. O debate sobre a que área da ciência pertencem as ideias de Piaget, no entanto, não é a principal questão 30 anos depois de sua morte, até porque hoje conhecimento, ciência e aprendizado não são um problema restrito apenas às escolas e ambientes similares de ensino formal.
Para Maria Izabel, afirmar que uma escola ou outra é “piagetiana” hoje não passaria de uma ação de marketing. “A escola pública carece de qualquer teoria pedagógica, está tudo desorientado. Nos colégios particulares, há divisões, mas não se pode dizer que uma escola tem uma linha pedagógica; ela tem que se adaptar para atingir a finalidade, que é fazer com que o aluno aprenda e tenha sucesso no objetivo de ser aprovado no vestibular”, analisa.
Por outro lado, colégios já vistos como construtivistas [hiperlink: Em suas pesquisas, o epistemólogo apontou uma série de conclusões a respeito de como se opera a construção do conhecimento e da própria estrutura lógica mental para o indivíduo – daí terem dado à “linha pedagógica” inspirada em sua teoria o nome de construtivista] em São Paulo, como a Escola da Vila e o próprio Colégio Piaget, rejeitam o rótulo de “piagetianos”. Seus professores dizem aproveitar os ensinamentos de Piaget, mas não seguir uma “linha piagetiana”. “Não aplicávamos suas teorias nas salas de aula, apenas procurávamos entender o desenvolvimento das condições de conhecimento nas crianças, para então promover boas situações de aprendizagem”, conta Zélia Cavalcanti. Para ela, o adequado é usar o termo “construtivista”: “Adotamos o ponto de vista que não reconhece uma ‘linha pedagógica’ piagetiana, mas sim uma metodologia de ensino derivada das suas pesquisas: a concepção construtivista de ensino e aprendizagem ou construtivismo escolar”, diz. Para o colégio que traz em seu nome uma homenagem a Piaget, se uma definição de linha pedagógica se aplicasse, seria a “interacionista”, segundo a orientadora Paula. “Construímos nossa atuação adaptando ensinamentos de Piaget, Vigostky, Wallom e Ausubel, aproveitando a parte boa de cada um”, explica.

Da classificação de fases à divisão em ciclos

O legado mais concreto de Piaget para a educação foi a classificação assertiva, por faixas etárias, das fases da criança, apontando em qual delas o indivíduo é capaz de realizar determinadas operações mentais, lógicas ou mesmo sociais, morais – como a capacidade de interagir com o outro, de se colocar no lugar do outro. “Ele [Piaget] construiu hipóteses explicativas vigorosas a respeito das fases de desenvolvimento mental”, diz Maria Regina. “No primeiro período da vida – sobretudo os dois primeiros anos – são de grande importância as atividades de imitação, jogos simbólicos de faz-de-conta, desenhos, e linguagem oral”, completa.
No Colégio Piaget, uma das práticas destacadas é o uso dos recursos lúdicos no ensino infantil. “Todo tema novo a ser ensinado começa com uma brincadeira, porque se sabe que de 0 a 6 anos o que desperta o interesse da criança é a brincadeira”, exemplifica Paula. Para Maria Regina, está correta a prática: “Essas atividades devem ser valorizadas e estimuladas pelo educador, pois a partir delas, sobretudo da linguagem, vai surgir o pensamento operacional, abstrato”.
Contextualizando a aplicação da classificação das faixas para o sistema brasileiro, Maria Izabel reconhece que “a classificação das fases foi fundamental para a divisão dos ciclos [Infantil e Fundamental I e II], como temos hoje nas escolas, e a inserção de outras disciplinas, como Artes e Educação Física”. Diretamente ligada a essa divisão dos ciclos está a proposta da progressão continuada, incentivada no Brasil principalmente por Paulo Freire, porque não existe razão para o indivíduo que cresce e que muda de faixa etária continuar repetindo operações destinadas a estimular crianças que estão numa fase anterior.
“A ideia da progressão continuada faz muito sentido; pena que o que vemos hoje não tem nada a ver com isso. O que vivemos hoje é um sistema de aprovação automática, sem critério e sem uma ação que possibilite a adaptação do aluno”, afirma, lamentando a mudança de rumos das políticas de educação na rede pública depois da década de 90. “A partir da era Collor, houve a mudança de rumos, com uma proposta engessada para a nova LDB, que retirou autonomia dos professores, trazendo as apostilas e as metas simplificadas, as aulas robotizadas, sem preocupação com o aprendizado de fato”, reclama.

Autonomia, criatividade e coletividade
A melhor avaliação que se pode fazer do legado de Piaget para a educação é: os indivíduos que criaram seu conhecimento com as técnicas baseadas em suas teorias sobre o aprendizado são diferentes? “Sem dúvida, formamos indivíduos mais autônomos, críticos e criativos”, garante Paula, do Colégio Piaget.
Para Maria Izabel, também está claro que a proposta de centrar o aprendizado nas referências e na lógica do aluno tem muito a ver com a proposta de pedagogia da autonomia. Em sua visão, não é só o encaixe do conceito da progressão continuada que faz as ideias de Piaget se parecerem muito com as do educador brasileiro Paulo Freire. “O educador que centra sua prática no aluno tem que buscar sua referência na realidade dele, como Paulo Freire, quando definia, com o conjunto dos seus alunos, que a figura do tijolo seria o ponto de partida, por exemplo. Dali para a frente, o professor sabe aonde quer chegar, mas utilizou como referência algo que já é assimilado para todos”, explica.
Assim como o brasileiro, o suíço inovava ao argumentar que a realidade e as informações trazidas pelo outro influem nas estruturas e na lógica que a criança cria sobre seu conhecimento e sua interpretação sobre o mundo. Daí a importância da interação com o ambiente e com o outro, o que busca também uma consciência de coletividade.
“Uma das influências de Piaget para nossa prática é a troca do indivíduo com o meio em que está inserido: fazemos atividades de interação com o meio e com o outro, promovemos atividades em dupla, em grupo, muitas atividades práticas, principalmente no ensino infantil e fundamental”, afirma a orientadora do Colégio Piaget. Na Escola da Vila, está claro que o aprendizado não é um processo autocentrado, individualista: “Para o construtivismo escolar, a interação entre iguais (em alguns momentos) e entre diferentes (em outros) é fundamental para a qualidade da aprendizagem numa sala de aula”, esclarece Zélia.
Para Paula, o grande objetivo de aplicar técnicas de ensino inspiradas em linhas pedagógicas como as inspiradas em Piaget é enfrentar um dos novos desafios que a escola se colocou ao assumir o papel de educadora: formar pessoas. “Formamos pessoas completas, com uma visão criativa e coletiva, que é uma visão atual, ajustada ao mundo que vivemos agora”, conclui.
Fonte: Revista Forum

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Oficina de Blog 1

Estadual Giulio David Leone.
Docente: Claudemir Mazucheli Canhin
Parceiros: Coletivo Rede de Comunidades Extremo Sul
Sindicato dos Professores do Ensino do Estado de São Paulo – Subsede: Santo Amaro
Disciplina: Geografia (Ministério Organização e Gestão do Território)
Período: Agosto – Outubro de 2010 – 3° Bimestre
Duração: 6 aulas (50 min)
Numero de alunos: 30 (dois alunos por micro)
Período: Aos sábados ou no Contra-Turno

Motivo: Criação de BLOGs: Meio informativo para o “Projeto Eleições”
Diante dos inúmeros desafios inerentes às práticas didático-pedagógicos da aplicação do “Projeto Eleições” em execução nessa unidade escolas (E.E. Giulio David Leone) proponho a apropriação de uma metodologia ainda pouco utilizada nas escolas públicas, mas em franca ascensão na rede mundial de computadores, os Blogs.
Esse projeto tem exigido dos alunos criatividade, aumento do espírito crítico, e incentivado a tomada de decisões, além de posicionar aos alunos a tomada de posições políticas diante aos acontecimentos do seu dia-a-dia. Notamos um aumento da participação dos alunos e consequentemente o surgimento de novos desafios para o corpo docente dessa UE. Esses desafios aumentam devido às condições precárias das escolas públicas paulistas, que não estão bem equipadas e não respondem, a contento as demandas (tecnológicas, logísticas e infraestruturais) de um projeto dessa envergadura.
Não podemos cruzar os braços e esperar a solução desses problemas para avançarmos no processo educativo. Afinal a classe trabalhadora, anseia por autonomia e sabemos que o “projeto das elites” é o controle da tecnologias e da informação e, consequentemente, a inviabilidade desses direitos dentro das escolas. Nesse sentido faz-se necessário apropriarmos das ferramentas metodológicas disponíveis, para otimizar projetos como esse, que é de fundamental importância para a construção dos projetos de vidas dos alunos. A internet tem se tornado uma dessas ferramentas.
A rede mundial de computadores tem se tornado um dos espaços mais democrático propiciando a troca de idéias, de informações e a organização de ações individuais e coletivas, nunca antes vistas na história da humanidade. Suas ferramentas têm conseguido “furar” o bloqueio midiático do oligopólio impresso e televisivo. Os Blogs têm surgido como uma ferramenta muito eficaz na desconstrução do “pensamento único”, parafraseando Milton Santos, e sua multiplicação têm contribuído para a democratização dos meios midiáticos.
Desde que surgiram no mundo virtual, os blogs deixaram de ser apenas diários on-line para assumir funções muito mais significativas no processo de comunicação. Alimentados por especialistas, muitos deles acabam formando opinião por serem tão ou mais atrativos do que publicações (tele) jornalísticas consagradas.
Blog é a abreviação da palavra weblog, que quer dizer diário online. Desde que surgiram no mundo virtual, os blogs deixaram de ser apenas diários on-line para assumir funções muito mais significativas no processo de comunicação. Alimentados por especialistas, muitos deles acabam formando opinião por serem tão ou mais atrativos do que publicações jornalísticas consagradas. Basta acompanhar o número de clicks e posts comentando as notícias para saber quais são os mais bem sucedidos. Justamente o seu dinamismo e a possibilidade de ampliar a difusão de idéias é que faz do blog um aliado para quem procura e, também, produz conhecimento. É aí que, na opinião de especialistas, a ferramenta se traduz em uma grande aliada dos professores no processo de ensino/aprendizagem. Logo, uma das finalidades do blog pode ser a educação. É notório o fato de que a tecnologia tem trazido a possibilidade de uma dinamização no ensino na medida em que o profissional educador consegue integrá-la com sua disciplina de uma forma atrativa.
O uso do blog em sala de aula pode trazer mais dinamismo para a realização e apresentação de trabalhos, facilitar o dia-a-dia de professores e estudantes que têm no ambiente virtual uma espécie de arquivo de documentos, além de aproximar os alunos, que podem discutir idéias e opiniões sem que estejam no mesmo espaço físico e ao mesmo tempo. Pode ainda contribuir para o aumento do espírito crítico dos alunos, a melhora na produção escrita e a maior familiaridade com a leitura e interpretação de textos informativos, literários e teóricos.
Além de trocar idéias com a turma, no blog, o professor faz isso em um meio conhecido por eles, pois muitos costumam se comunicar por meio das redes sociais. Não é preciso dizer que, com tanta conexão possibilitada por um blog, o professor consegue ampliar sua aula. Alunos interessados podem aproveitar a oportunidade para pensar mais um pouco sobre o tema, o que nunca faz mal a ninguém. Além disso, o blog permite que os próprios alunos vejam os trabalhos dos colegas e consigam fazer uma comparação das idéias resultantes de cada trabalho, o que é saudável para o aprendizado.
Outra vantagem é que, conectado à modernidade tecnológica e a uma nova maneira de se comunicar com os alunos, o educador também vai acabar conectando-se ainda mais ao mundo em que vive. Isso ocorre concretamente nos blogs por meio dos links que ele é convidado a inserir em seu espaço. Os blogs mais modernos reservam espaços para links, e logo o professor "blogueiro" acabará por dar algumas sugestões ali.
"Ao indicar um link, o professor se conecta ao mundo, pois muito provavelmente deve ter feito uma ou várias pesquisas para descobrir o que lhe interessava. Com essa prática, acaba descobrindo uma novidade ou outra e tornando-se uma pessoa ainda mais interessante", diz. Além disso, o blog será um instrumento para conectar o leitor a fontes de consulta provavelmente interessantes. E assim todos permanecem conectados: professor, colegas, alunos e mundo.
Nesse sentido, especificamente para o “Projeto Eleições” em aplicação nessa unidade escolar (E.E. Giulio David Leone) o Blog aparece como uma ferramenta de fácil compreensão, barata e que permite uma comunicação escrita dinâmica entre os alunos e professores. Pode inclusive, servir como agente multiplicador das propostas (comunicação, propaganda e marketing) dos partidos políticos criado pelos alunos, visto que essa escola não há estrutura para produzir propagandas políticas nos moldes da “vida real”.

Estrátéias: Os alunos serão incentivados a criar os Blogs para apresentar seus respectivos partidos políticos. Difundirão suas propostas e suas praticas democráticas para desenvolver tais propostas.

Objetivos:
Conteúdo:
Criação e formatação de Blog;
Manipulação de Fotos, charges textos e vídeos para publicação na internet;
Legislação: direitos e deveres do internauta;
Habilidades:
Apropriar-se e utilizar as novas tecnologias e ferramentas técnicas disponíveis na rede mundial de computadores;
• Desenvolver o espírito crítico;
• Elaborar proposta de intervenção solidária à realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.
• Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
• Reconhecer informações geográficas expressas em diferentes linguagens: principalmente imagéticas e fílmicas.
• Coletar dados através de pesquisas; Trabalhar de forma coletiva e cooperativa, seguindo as orientações do professor;
• Problematizar eventos e processos geográficos a partir da análise de um conjunto de dados produzidos pela geografia e áreas afins
• Inferir e julgar opiniões e ponto de vista de interesse geográfico, existentes em diferentes tipos de textos, imagens ou audiovisual
• Conscientizar politicamente aqueles que irão participar das decisões políticas fundamentais do país, num futuro próximo;
• Despertar a consciência de classe e os ideais democráticos através de aulas sobre o processo eleitoral, seus atores e o exercício do voto;