terça-feira, 14 de junho de 2011

Ultraje racista contra Zumbi e a luta negra e popular




Por Wilson H. da Silva, da redação

No domingo passado, 5 de junho, o Monumento Nacional a Zumbi dos Palmares, no Rio de Janeiro, foi vandalizado e pichado com inscrições racista. Apesar de ultrajante – exatamente por se tratar de um monumento que, em muitos sentidos, se confunde com a luta dos negros brasileiros – esta não foi a primeira vez que a escultura foi alvo de ataques. Isto tem ocorrido de forma sistemática, desde 1986, quando foi inaugurado
O ataque anterior ocorreu em novembro de 2010, às vésperas do Dia de Consciência Negra, quando a face da figura que representa o líder do Quilombo dos Palmares foi pichada. O novo ataque, contudo, foi muito mais “violento” e direto. Algo, lamentavelmente, bastante sintonizado com um momento em que assistimos agressões homofóbicas país afora, prisões políticas – com a dos “13 do Consulado” – e os absurdos praticados contra os bombeiros.

Os mesmos racistas de sempre


Insultos racistas na estátua de Zumbi

Os mesmos racistas de sempre
A estátua, que fica na Av. Presidente Vargas (no bairro da Praça Onze, no centro do Rio), amanheceu com o “rosto” pintado de branco e várias ofensas racistas, pichadas na pirâmide de mármore que dá sustentação à cabeça que simboliza o líder guerreiro.
Além de xingamentos como “invasores malditos” e “fora macacos”, também foi desenhada uma suástica, marca registrada dos agrupamentos de grupos fascistas e seus muitos similares e derivados que infestam o país e, com freqüência cada vez mais preocupante, têm posto suas garras pra fora.
Apesar de ter sido rapidamente limpa e das muitas promessas, por parte do governo carioca, de punir os responsáveis, a história tem tudo pra virar mais um exemplo da impunidade que cerca os crimes praticados contra negros, mulheres, homossexuais, sindicalistas, ambientalistas, lutadores e os muitos setores oprimidos e explorados deste país.
Um símbolo do fim da ditadura e da resistência negra
O ataque contra o monumento Zumbi dos Palmares não pode ser confundido com os atos de “vandalismo” que ocorrem frequentemente contra peças do patrimônio histórico, artístico e cultural espalhados pelo país.
Na maioria das vezes, as pichações e “mutilações” que afetam esculturas, prédios e estátuas que celebram personagens e eventos de nossa história têm origem num fato que, apesar de não servir como “justificativa”, nos possibilita uma interpretação: os objetos do patrimônio são atacados simplesmente porque a maioria da população não tem qualquer identidade (e, muitas vezes, sequer conhecimento) do porquê do personagem ou evento está sendo celebrado.
Este, no entanto, está longe de ser o caso da estátua de Zumbi. Sua própria construção só pode ser entendida como resultado da luta da grande maioria do povo brasileiro, não só dos negros, mas de todos aqueles que se levantaram contra a ditadura.
A história do monumento, que mostra uma cabeça, de 800 quilos de bronze, em cima de um pedestal de sete metros de mármore, nos remete ao início dos anos 1980, quando a ditadura estava sendo sacudida por greves, protestos de todos os tipos e, principalmente, pelo processo de reorganização dos movimentos políticos e sociais.
O movimento negro, por exemplo, fervilhava desde junho de 1978, quando um ato nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo, lançou as bases do Movimento Negro Unificado, lançando como uma de suas principais bandeiras o resgate da história da luta dos negros no país, uma reivindicação que se concretizava no combate pela transformação do “20 de novembro” em Dia Nacional da Luta e da Consciência Negra.
No Rio de Janeiro, o movimento negro escolheu como uma das “frentes” desta batalha o reconhecimento histórico de Zumbi (e, também, do Almirante Negro João Cândido) através da construção de monumentos em sua homenagem. Reivindicação que, na época, se transformou, também, em campo de batalha contra a ditadura.
Com a chegada do populista Leonel Brizola ao governo do Rio, em 1982, houve a sinalização de que o monumento finalmente seria erguido. Mas, como tudo mais em nosso tumultuado processo de democratização, o projeto só saiu do papel em novembro de 1986, ainda sim marcado por polêmicas, principalmente em relação ao local de sua instalação, já que setores conservadores de todas as tonalidades e matizes sempre rechaçaram a homenagem aos nossos lutadores.
Vale lembrar que, no caso de João Cândido, a situação foi (e é) ainda mais absurda, já que a total oposição das Forças Armadas (com a benção, agora, do Lulismo) até hoje impede que o líder da Revolta da Chibata ocupe o lugar que merece na História do país e, inclusive, que um monumento em sua homenagem seja erguido no lugar que tem por direito.
Em ambos os casos, também é importante ressaltar que (como aconteceu em vários outros lugares do país) os monumentos existentes só surgiram depois de muita luta. No Rio de Janeiro, por exemplo, desde o final dos anos 1970 centenas de ativistas foram presos ao tentarem erguer monumentos construídos pelo próprio movimento em pontos relacionados com a nossa história.
Nas pedras pisadas do cais, das senzalas e dos quilombos
Se é verdade que o ataque ao monumento deve ser repudiado, também é um fato que não podemos nos calar diante de um “ataque” tão violento quanto este que é praticado há séculos pelas elites dominantes deste país: a tentativa sistemática de apagar os lutadores, principalmente dos setores mais marginalizados ou “radicais” da sociedade, da história do país.
Uma tentativa que se reflete nos livros didáticos, na programação e pautas da grande mídia e, também, no patrimônio histórico, artístico e cultural que é reconhecido pelo Estado. No caso particularmente dos monumentos, é evidente que eles refletem a ideologia dominante e, por isso mesmo, são raros os exemplos de marcos que celebrem aqueles que desafiaram a lógica do poder instituído.
E quando eles são erguidos, depois de muita luta, também não é raro que eles sejam largados ao abandono e descaso, como o próprio monumento para Zumbi atestava, já que até recentemente, quando passou por um restauro de emergência, estava prestes a cair, tamanha a deterioração.
Como também, os atentados não resumem a pichações e ofensas. Basta lembrar o monumento aos mortos na ocupação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Minas Gerais, que foi, literalmente, bombardeado, em 1988.
É por isso mesmo que, como lembra um dos versos mais belos da MPB (na música “O mestre sala dos mares, de Aldir Blanc e João Bosco), a história de nosso povo só tem por “monumento as pedras pisadas do cais”, as marcas de dor deixadas nos pelourinhos ou o sangue que misturou ao chão de terra batida das senzalas ou correu nas celas dos porões da repressão ou pelo asfalto em que pisaram e tombaram tantos de nossos companheiros e companheiras.
E diferentemente da classe dominante, que ergue seus monumentos para celebrar seus “heróis” (que, via de regra, não passaram de assassinos, opressores e exploradores), ao reivindicarmos que esses lutadores sejam celebrados “em praça pública”, o que queremos é exatamente restituí-los em seu lugar na História: colocá-los em meio ao povo, pelo qual eles deram sua vida.
Por estas e outras, é que o ataque racista contra o Monumento Zumbi dos Palmares tem que ser veementemente repudiado e tomado, pelos movimentos sociais e todos aqueles comprometidos com a luta por liberdade e justiça, como um ataque à memória de todos que deram suas vidas para mudar a História deste país. E, por isso mesmo, é fundamental que as entidades dos movimentos sociais se manifestem, exigindo a punição dos responsáveis.
Fonte:
http://candidoneto.blogspot.com
http://pstu.org.br/opressao_materia.asp?id=12906&ida=0

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Estado laico. O que é isso, companheira?


Carta aberta de Católicas pelo Direito de Decidir à Presidenta Dilma Rousseff sobre a polêmica criada em torno do kit anti-homofobia

Presidenta Dilma, estamos estarrecidas! A polêmica criada em torno do kit anti-homofobia e o recuo do governo federal ante as pressões vindas de alguns dos setores mais conservadores e preconceituosos da sociedade nos deixou perplexas. E temerosas do que se anuncia para uma sociedade que convive com os maiores índices de violência e crimes de morte cometidos contra pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersex (LGBTTI) do mundo. Temos medo de um retorno às trevas, senhora Presidenta, e não sem motivos.

A vitoriosa pressão contra o kit anti-homofobia da bancada religiosa, majoritariamente composta por conservadores evangélicos e católicos, em um momento em que denúncias de corrupção atingem o governo, traz de volta ao cenário político a velha prática de se fazer uso de direitos civis como moeda de troca. Trocam-se, mais uma vez, votos preciosos e silêncio conivente pelo apoio ao preconceito homofóbico que retira de quase vinte milhões de brasileiros e brasileiras o direito a uma vida sem violência e sem ódio. A dignidade e a vida de pessoas LGBTTI estão valendo muito pouco nesse mercado escuso da política do toma-lá-dá-cá, senhora Presidenta! E o compromisso com a verdade parece que nada vale também.

Presidenta, convenhamos, a senhora sabe que o kit anti-homofobia é um material educativo, que não tem por finalidade induzir jovens a se tornarem homossexuais, até mesmo porque isso é impossível, como todos sabemos. Não se induz ninguém a sentir amor ou desejo por outrem. Mas respeito, sim. E ódio também, senhora Presidenta... ódio é possível ensinar! Poderíamos olhar para trás e ver o ódio que a propaganda nazista induziu contra judeus, ciganos, homossexuais. Porém, infelizmente, não precisamos ir tão atrás no tempo. Temos terríveis exemplos recentes de agressões covardes e aviltantes a pessoas LGBTTI e o enorme índice de violência contra as mulheres acontecendo aqui mesmo, em nosso próprio país.

Quando a senhora afirma, legitimando os conservadores homofóbicos, que é contra a propaganda da "opção" sexual, faz parecer que alguém pode, de fato, "optar" por sentir esse ou aquele desejo. Amor, desejo, afeto não são opcionais, ninguém escolhe por quem se apaixona, senhora Presidenta! Mas se escolhe ferir, matar, humilhar.

Quando a senhora diz que todo material do governo que se refira a "costumes" deve passar por uma consulta a "setores interessados" da sociedade antes de serem publicados ou divulgados, como estampam hoje os jornais, ficamos ainda mais perplexas. De que "costumes" estamos falando, senhora Presidenta? E de que "setores interessados"? Não se trata de "costumes", mas de direitos de cidadania que estão sendo violados recorrentemente em nosso país e em nome de uma moral religiosa conservadora, patriarcal, misógina, racista e homofóbica.

Trata-se de direitos humanos que são negados a milhões de pessoas em nosso país!

E "setores interessados", nesse caso, deveria significar a população LGBTTI e todas as forças democráticas do nosso país que não querem ter um governo preso a alianças políticas duvidosas, ainda mais com setores "interessados" em retrocessos políticos quanto aos direitos humanos da população brasileira.

O país que a senhora governa ratificou resoluções da ONU tomadas em grandes conferências internacionais, em Cairo (1994) e em Beijing (1995), comprometendo-se a trabalhar para que os direitos sexuais e os direitos reprodutivos sejam reconhecidos como direitos humanos. No entanto, até hoje pessoas LGBTTI morrem por não terem seus direitos garantidos. Mulheres morrem pela criminalização do aborto e pela violência de gênero.

Comemoramos quando uma mulher foi eleita ao cargo máximo de nosso país. Ainda mais porque, como boa parcela da sociedade, levantamos nossa voz contra o aviltamento do Estado laico, ao termos um uso perverso da religião nas campanhas eleitorais de 2010 para desqualificar uma mulher competente e com compromisso com a dignidade humana. Antes ainda, levantamos nossa voz a favor do III PNDH, seguras de que deveria ser um instrumento de aprofundamento do respeito aos direitos humanos em nosso país. Agora não temos o que comemorar, senhora Presidenta! Parece que o medo está, de novo, vencendo a verdade. E a dignidade.

Infelizmente, temos de - mais uma vez! - vir a público exigir que os princípios do Estado laico sejam cumpridos. Como a senhora bem sabe, a laicidade é essencial à democracia e não se dá pela simples imposição da vontade da maioria, pois isso resulta em desrespeito aos direitos humanos das minorias, sejam elas religiosas, étnico-raciais, de gênero ou orientação sexual. Não existe democracia se não forem respeitados os direitos humanos de todas as pessoas. Impor a crença religiosa de uma parcela da população ao conjunto da sociedade coloca em risco a própria democracia, já que os direitos humanos de diversos segmentos sociais estão sendo violados. Portanto, senhora Presidenta, não seja conivente! Não permita que alguns setores da sociedade façam do Estado laico um conceito vazio, um ideal abstrato.

Como Católicas pelo Direito de Decidir, repudiamos o uso das religiões neste contexto de manipulação política e afirmamos nosso compromisso com a laicidade do Estado, com a dignidade humana e nosso apoio ao uso do kit educativo pelo fim da homofobia nas escolas brasileiras.

CATÓLICAS PELO DIREITO DE DECIDIR

www.catolicasonline.org.br

www.sededeque.com.br

sábado, 11 de junho de 2011

Professorado e bombeiros juntos contra a repressão e pelo salário digno


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Diário Liberdade - As 439 pessoas presas foram libertadas ontem. Quase 3.000, conforme mídia comercial, protestaram em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) ontem, sexta-feira (10).


A brutal repressão de sábado passado contra os protestos dos bombeiros, que deixou 439 presos, marcou a passeata de luta conjunta contra as indignas condições laborais de professorado e funcionariado do corpo de bombeiros.

E é que, pode parecer mentira, mas apesar da importância destas e destes dois coletivos, o professorado estadual sofre um piso salarial de 760 R$, e as e os bombeiros do RJ são os pior pagados do Brasil, com 950 R$ de piso. Professorado vem protagonizando grandes manifestações em protesto por essa situação, como a de passado dia 30 de março.

O começo da passeata foi na Candelária, onde professorado e estudantado exigiam como principal reivindicação um reajuste de 26% sobre o piso salarial. Desde a última terça-feira, as e os professores estaduais lutam em greve. No avanço pela avenida do Rio Branco atingiram a Alerj e juntaram-se aos centos de bombeiros que estavam acampados em protesto permanente até conseguir a libertação dos e das companheiras detidas.

Libertação

As 439 pessoas presas pelo governo repressor de Cabral receberam o Habeas Corpus, sendo libertadas na tarde de ontem, sexta-feira.

Para o magistrado que ditou a medida, Cláudio Brandão, o fato de as e os bombeiros continuarem em prisão "não é justo". Considera relevante o argumento da falta de documentação que deveria constar no local da prisão dos pacientes e a inadequação das instalações onde os presos são mantidos.

"Sabemos que o habeas corpus é uma solução provisória, mas tenho certeza que o Ministério da Justiça vai dar anistia aos nossos companheiros." -disse o cabo Láercio Soares, porta-voz do Corpo de Bombeiros. Soares indicou que agora que as pessoas presas estão "indo pra casa ficar com as suas famílias, agora vamos continuar no diálogo”. Agradeceu todo o apoio do povo carioca e da sociedade civil.

Apoio

Nos últimos dias, a cor vermelha tornou-se a do apoio às e aos bombeiros. Hoje no Rio de Janeiro eram visíveis numerosos carros luzindo um distintivo dessa cor em apoio às pessoas brutalmente reprimidas pelo simples fato de lutarem por um salário digno.

A repressão

Bombeiras e bombeiros ocuparam o quartel do dia 3 de junho pelas 19:30, em protesto pelo seu salário de 950 R$ - o pior salário no país, sem vale transporte. Após uma passeata nas principais ruas do Centro, na que participaram milhares, ocuparam o quartel, onde permaneceram ininterrompidamente desde então.

As autoridades, com o governador Sérgio Cabral à cabeça, decidiram três dias depois pela atuação da tropa de Choque da Polícia Militar e do BOPE, que invadiram o quartel do Centro para despejar os e as manifestantes. Foram detidas 439 pessoas, e a brutal repressão deixou uma mulher gestante que abortou como consequência da brutal atuação policial, crianças intoxicadas e acusações de maus tratos entre as pessoas detidas: "Estamos há mais de dez horas sem comer" – assegurou o sargento Monteiro para a mídia comercial.

Um Cabral cínico assegurou na altura que "não há negociação com vândalos, eu não negocio com vândalos, eles responderão administrativa e criminalmente".

Vídeo

O blog Bombeiros do Brasil publica uma filmagem feita no momento em que o Choque entra no quartel e começa com as suas agressões indiscriminadas.


Tropa de Elite 3 - BOPE x Heróis, Mulheres e Crianças from Rick Sardella on Vimeo.


Fonte: http://diarioliberdade.org/

domingo, 5 de junho de 2011

Bombeiros do RJ são presos violentamente; imediata libertação




Fotos: http://fotografia.folha.uol.com.br

MOÇÃO DE REPÚDIO – O governador Sergio Cabral mandou prender 2.000 bombeiros no Rio de Janeiro, que ocuparam ontem à noite o Quartel Central dos Bombeiros, com esposas e crianças. Hoje, às 6h10, o BOPE invadiu o local usando bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo e prendeu 600 bombeiros. Uma criança de dois anos foi hospitalizada por ter inalado gás.
Após quase um mês em greve, os bombeiros haviam suspendido a paralisação e aguardavam uma negociação com o governo por melhores condições de trabalho e reajuste salarial, uma vez que recebem o piso mais baixo do país, R$ 986,00. Eles reivindicam R$ 2 mil de salários.
ACSP-Conlutas repudia veementemente esse ato arbitrário e violento do governo do Rio de Janeiro. Os bombeiros prestam um serviço essencial à sociedade e de risco, por isso não podem receber salários aviltantes e trabalhar em péssimas condições.
Exigimos a imediata libertação dos presos e nenhuma punição aos bombeiros em luta; abertura de negociação, com o atendimento das reivindicações da categoria.
Fonte: CSP-Conlutas

Informações Importantes

Concurso público PEB II:

A Secretaria de Estado da Educação convocou no dia 01.06.2011, mais 8.217professores para atuar como efetivos na rede estadual de ensino. No final de semana, foram chamados 11.064 docentes, somando agora 19.281 convocados para a área.
Os professores assumirão as aulas em 2012, depois de passar por um curso na Escola de Formação de Professores. O curso terá duração de quatro meses e começará em julho. A data exata ainda não foi definida pela S.E. Os professores que fizerem o curso terão uma bolsa-auxílio durante os quatro meses, no valor de 75% sobre o salário-base da área. Segundo a S.E. ao todo, pretende chamar 15 mil novos professores, que deverão iniciar na rede em 2012.
Veja tabela Resumo:
CHAMADA PARA ESCOLHA DE VAGAS (SESSÃO DE ESCOLHA) D.O.E. 28/05/11 pág. 111, 01/06/11 pág. 135 e 3/6/11 pág. 87

Nova chamada do concurso público ver - http://secretariacomunicacaosubsul.blogspot.com/2011/05/atencao-nova-chamada-do-concurso.html


Prova de mérito:

Professores a essa prova de mérito é uma farsa e uma fraude: é inconstitucional (fere o principio da isonomia salarial); não há critérios claros (muitos professores fizeram a prova, foram aprovados e não receberam o "mérito" e ainda foram impedido de fazer nova prova); substitui nossa negociação salarial – data-base; é excludente , pois contempla abaixo dos 20% dos docentes. Estamos entrando com uma ação judicial (sem fazer inscrição) para receber os 25%, pois sendo a “maldita” prova inconstitucional, há possibilidades de ganhos judiciais. Procure o sindicato e entre com uma ação individual.

Concurso de remoção de docente:

A Secretaria de Estado da Educação divulgou no inicio de maio a lista com a classificação geral dos professores que pediram para mudar de escola. Ao todo, 15.336 docentes estão participando do concurso de transferência - 2.101 na capital, 2.312 na Grande São Paulo e 10.923 no interior.
Provavelmente o resultado final será divulgado somente em dezembro, e a mudança será válida apenas a partir do ano que vem.
Há possibilidade de Mandado de Segurança aos que tiveram o pedido de remoção indeferido, pelo fato de estarem cumprindo estágio probatório proveniente de ingresso por concurso público regionalizado, ocorrido em 2010. Checar com seu sindicato os prazos para a interposição dos recursos.

Fique atento as informações nos sitios da S.E e de suas respectivas D.Es.

Sobre a APEOESP:

Realmente temos um sindicato “PELEGO”!

Temos um grupo que comanda a APEOESP (diretoria majoritária – CHAPA 1 - BEBEL/CUT) que estão há 20 anos fora das salas de aulas.

Nos últimos nos últimos anos sua maior tarefa foi defender o projeto do Governo Federal (LULA/DILMA) em detrimento a luta intransigente para melhorar efetivamente a vida do professor em sala de aula (“nossa” presidenta aprovou até o desemprego na nossa categoria, concordando com a redução das aulas no ensino médio - 20% das aulas não presenciais, concordando também com a prova de mérito).

A solução é sair do maior sindicato da América Latina? Acredito que não, afinal quem negocia salário e condições de trabalho com os fascistas do governos são os sindicatos. A classe trabalhadora ainda não construiu uma organização tão poderosa quanto os sindicatos para lutar contra a opressão dos patrões. Ainda é mais vantajoso procurar o Sindicato do que o Governo.

Nenhum governo vai “ouvir” (negociar) um sindicato sem que esse tenha legitimidade e poder político. (os verdadeiros sindicatos são compostos por pessoas e não por prédios e advogados).

Uma solução imediata é retirar esse “grupelho de pelegos” (chapa 1-BEBEL/CUT) da direção do nosso sindicato, dia 09.06.2011 temos essa possibilidade.

Depois devemos pressionar e auxiliar esse novo grupo (DE OPOSIÇÃO) a fazer as lutas para as melhorias de nossas condições de trabalho e de salário.

Realmente a APEOESP poderia ter feito mais se não fosse chapa branca, ou seja, se não estivesse no governo (DILMA).

Como é possivel uma professora do Rio Grande do Norte (Amanda Gurgel) pautar a educação de norte a sul do país através de um vídeo de 8 minutos (youtube) e o maior sindicato da América Latina ficar calado diante dos desmandos dos governos (Federal e Estadual)?

Não há problema nenhum em ser governo!

A diretoria majoritária CUTISTA da APEOESP, deveria EFETIVAMENTE deixar o sindicato e ingressar nas linhas de frente do governo PETISTA e deixar os professores (sujos de giz) organizar nosso sindicato. Nesse sentido, poderá arquitetar as “maldades” para ferrar a vida do professorado sem constrangimentos pois, nós professores já estamos acostumados receber dos sucessivos governos. Mas é inadmissível que esses PELEGOS façam isso descaradamente dentro da estrutura de nosso sindicato. Basta!!!

Os verdadeios sindicatos só "existem" quando há participação. Não existe conquistas quando delegamos nossas ações a terceiros, principalmente a pelegos governistas.

Portanto, sindicato ativo, livre, autônomo e independente de patrão e governo é aquele que existe através da participação efetiva da maioria de seus filiados. (temos que cobrar soluções, mas também estar juntos propondo e construindo e organizando nossas lutas).

Temos que nos apoderar dessa instituição!

Todos ao sindicato para espantar a pelegada burocrata traidora.

O sindicato não é governo! Fora aos traidores da chapa 1.


Dia 9, vamos todos votar para a Chapa 2!


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Chile: estudantes protestam contra privatização da educação

Por Enrique Gutiérrez - La Jornada

Cerca de 30 mil estudantes universitários participaram, quarta-feira, de uma paralisação nacional e de marchas de protesto na capital Santiago e em diversas outras cidades chilenas. Os sindicatos dos servidores públicos, dos professores e reitores das universidades somaram-se aos protestos contra o modelo privatizador do governo Piñera. Em Santiago, os carabineros reprimiram manifestação em frente ao palácio presidencial. Segundo a Unesco, o Chile é a única nação do mundo com uma educação superior quase inteiramente privatizada.

Federações universitárias chilenas realizaram quarta-feira uma paralisação nacional. Milhares de estudantes se manifestaram pelas ruas de Santiago e de outras cidades do país, apoiados por autoridades acadêmicas e professores, contra o modelo privatizador na educação, por uma mudança estrutural no setor e maior acesso ao ensino superior.

Estima-se que ao menos 30 mil universitários participaram das marchas de protesto pelo centro da capital e em cidades como Talca, Valparaíso, Concepción, Temuco, La Serena, Coquimbo, Valdivia e Puerto Montt, em mobilizações onde só se registraram alguns incidentes isolados. As autoridades policiais informaram que algumas pessoas foram detidas, sem precisar o número.

Em Santiago, a marcha foi realizada pacificamente e, somente no final, houve distúrbios em frente ao Ministério da Educação, a uma quadra do palácio presidencial de La Moneda, quando um grupo de jovens encapuzados tentou bloquear o tráfego de veículos em ruas próximas ao local. A polícia militarizada dos Carabineiros interveio com jatos de água e bombas de gás lacrimogêneo.

O Colégio de Professores e a Associação Nacional de Funcionários Fiscais se somaram à manifestação de protesto, encabeçada pelos dirigentes da Confederação de Estudantes do Chile e pelos reitores da Universidade de Santiago, Manuel Zolezzi, e da Universidade Tecnológica Metropolitana, Luis Pinto. O reitor Zolezzi declarou que as reivindicações que os estudantes levantam agora são coerentes com o que ele vem defendendo há cinco, seis anos. Por isso, disse, “me parece legítimo acompanhá-los já que tomaram as mesmas bandeiras que sustentei por muito tempo, por uma educação pública de qualidade, justa e equitativa”.

Os dirigentes da Universidade do Chile, Camila Vallejos, e da Universidade Católica, Giorgio Jackson, expressaram sua satisfação com a convocatória que atraiu a milhares de manifestantes para exigir o regresso à educação superior ampliando o acesso a jovens de baixa renda e que se estabeleçam limitações às universidades privadas para impedir que sejam apenas um negócio.

Vallejo assinalou que “nossas demandas seguem sendo transversais, como foi o 12 de maio – dia de outra grande mobilização nacional -, a população nos apoia, acreditando que é necessário avançar no quê estamos pleiteando porque a educação é um direito e tem que ser garantida como tal, razão pela qual não vamos negociar com essa questão”.

Jackson, dirigente da Federação de Estudantes da Universidade Católica, comemorou a recepção ao chamado pela reforma completa do sistema. “Viemos dizer ao ministro que nós, que viemos para essa luta, não somos os privilegiados de sempre, mas sim que estamos fazendo um movimento amplo”.

Nos últimos anos, os estudantes chilenos têm denunciado a falta de financiamento para as universidades públicas, assim como a escassa regulação nas universidades privadas. Nestas últimas, sustentam, os currículos são deficientes, existe uma alta evasão escolar e a prioridade é somente a rentabilidade econômica.

Os dirigentes universitários têm insistido com as autoridades que o problema tem origem no período da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), quando o regime militar impôs uma drástica redução dos recursos às universidades e promoveu uma ampla privatização do setor.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Ciência, a Educação e a Cultura (Unesco), o Chile é a única nação do mundo com uma educação superior considerada quase inteiramente privatizada, pois é toda paga e os estudantes dos setores mais pobres da população só podem ter acesso a ela por causa dos altos impostos.

As universidades tradicionais que tem a melhor docência e pesquisa no Chile estão há muitos anos esperando um tratamento justo e equitativo das autoridades. Não queremos seguir esperando enquanto se frustram os sonhos e ideais de gerações inteiras de chilenos, declarou o reitor da Universidade do Chile (estatal), Víctor Pérez Vela. “É por isso que estamos exigindo que haja seriedade, transparência e que termine o lobby obscuro que utiliza recursos de todos os chilenos, sem fiscalização alguma, para melhorar o negócio de algumas novas universidades privadas”.

Tradução: Katarina Peixoto

Fotos: La Jornada
Fonte: Agencia Carta Maior