segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Mais de 25 cidades protestam contra o fechamento de escolas no estado de São Paulo


São Paulo
E.E. Padro Saboia, Zona Sul de São Paulo
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E.E. João Ernesto Baschim, Jabaquara
Alunos da E.E. Calhim Manuel Abud, Zona Sul


Alunos da E.E. Carlos Gomes, Leste II


Estudantes da E.E. Carlos Gomes, Leste II


Alunos da E.E. Raul Fonseca, segue o link:
https://www.facebook.com/gabriela.reis.18041/videos/988994027829560

Osasco
Alunos e professores da E.E.Tarsila do Amaral

https://www.facebook.com/giseledemello/videos/1024352720928354/
Manifestação de alunos e professores no Bairro Piratininga, Zona norte de Osasco.

Fonte: http://correiopaulista.com/2013/moradores-protestam-contra-fechamento-de-escolas-estaduais-em-osasco/

Guarulhos
Manifestação dos Alunos das escolas da Diretoria Guarulhos Sul.
https://www.facebook.com/FiscalizaGuarulhos/videos/617391075029892/
Guarulhos Norte
https://www.facebook.com/magali.batista.33/videos/976833365673424/

Ribeirão Preto
Manifestação das E.E. “Prof. Pedreira de Freitas”, E.E. Paiva I e outras na frente da Diretoria de Ensino

Professores e alunos protestam contra o fechamento de escolas em Ribeirão Preto

Fonte: www.jornalacidade.com.br/multimidia/galeriadefotos/GFOT,0,3,16930,Alunos+e+professores+protestam+contra+o+fechamento+de+escolas+estaduais+em+Ribeirao+Preto.asp
Vídeo: www.facebook.com/acidaderibeirao/videos/1143253299035777/
Cantanduva
Manifestação do estudantes, professores e responsáveis na frente da Camara dos vereadores da Araçatuba, Votuporanda e Cadanduva
Veja o vídeo em: http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/tem-noticias-1edicao/videos/t/edicoes/v/estudantes-do-noroeste-paulista-fazem-protesto-contra-mudancas-anunciadas-pelo-governo/4510438/
Araçatuba
No dia 2, de outubro, estudantes da E.E. prof Maria Aparecida Balthazar, E.E Maria do Carmo Lélis e de demais escola estiveram em marcha na frente da câmara municipal de Araçatuba contra a reorganização escolar

Fonte: http://www.blogdoconsa.com.br/2015/10/protestos-contra-fechamento-de-escolas.html?spref=fb
Votuporanga
Fotos da Manifestação em Votuporanga

Hortolândia
Ato dos alunos da E.E. Raquel Saes Melhado

São José dos Campos
Video da manifestação dos alunos e professores em São José dos Campos. https://www.facebook.com/maria.i.noronha.5/videos/10200814908252344
Lenções Paulista
Video de ato na E.E. Antonieta Grassi Malatrasi, em lençóis paulista https://www.facebook.com/billy.mao.50/videos/10204709310962100/
Lençóis Paulista contra o fechamento da E. E. Antonieta Grassi Malatrasi https://www.facebook.com/billy.mao.50/videos/10204709310962100/?fref=nf
Cachoeira Paulista
Protesto dos alunos e professores E.E Bairro Embauzinho
https://www.facebook.com/100002240197544/videos/903259329758732/
Santos
Alunos e professores lutam na E.E. Cleobulo Amazonas Duarte
Leme
Manifestação dos alunos e professores da E.E Profª Altimira Pinke de Leme, no fechamento da escola no Sábado.
http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/10/leme-sp-realiza-manifestacao-contra-mudancas-em-escolas-estaduais.html‬‬‬
Araras
Manifestação em Araras na praça barão de araras reuniu 200 pessoas.
Ibitinga
http://ibitingadiario.com/noticias/educacao-e-saude/dia-e-marcado-por-manifestacao-de-estudantes/?utm_source=facebook.com&utm_medium=social&utm_campaign=Postcron.com
Bauru
Ayrton Busch, no parque Jaraguá http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2015/09/pais-e-alunos-fecham-rua-e-ateam-fogo-durante-protesto-em-bauru.html
Jau https://www.facebook.com/leandro.rozatte/videos/1127417443953419/
Itapetininga http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/tem-noticias-1edicao/videos/t/edicoes/v/professores-e-alunos-de-escolas-estaduais-em-itapetininga-protestam-contra-reestruturacao/4507714/
Paraguaçu Paulista http://www.i7noticias.com/paraguacu/noticia/22130/alunos-e-professores-protestam-em-paraguacu-contra-a-reestruturacao-da-escola-cene-
Itapetiniga http://g1.globo.com/sao-paulo/itapetininga-regiao/noticia/2015/10/professores-e-estudantes-protestam-contra-reestruturacao-em-itapetininga.html
Agudos http://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2015/09/alunos-e-professores-protestam-em-tupa-contra-fechamento-de-escolas.html https://www.facebook.com/fernando.ana.750/videos/1684090761833390/
Guaratinguetá
Alunos junto com seus responsáveis da E.E. Ernesto Quissak, no dia 2 de outubro. Marcado manifestação na frente câmara municipal, no dia 6 de outubro.
Assis
http://www.assiscity.com/?id=245-49450
Atos por vir
Dia 5 de outubro, em Ribeirão Pires, as 14h00, na diretoria de ensino de Mauá.
Dia 5 de outubro, em Taboão da Serra,
Dia 5 de outubro, em Osasco, na frente da DE, as 15h00. https://www.facebook.com/events/639401262868319/
Dia 6 de outubro, em Ribeirão Preto, as 12h30. https://www.facebook.com/events/518658634959673/
Dia 7 de outubro, em São Paulo. https://www.facebook.com/events/1619501238313373/
Dia 8 de outubro, as 18h30, São Paulo, Zona sudoeste, E.E. Architiclino Santos. https://www.facebook.com/events/168518230156835
Dia 8 de outubro, em São Carlos https://www.facebook.com/events/592729014208145/
Dia 9 de outubro, em são Paulo, zona sul, Jabaquara as 17h00. https://www.facebook.com/events/509298382581065/
Dia 9 de outubro, em São Paulo, mooca, 06h50 https://www.facebook.com/events/489592924552239/
Dia 9 de outubro, em Itapecerica da Serra, as 14h00 https://www.facebook.com/events/178737369129154/
Dia 9 de outubro, em Araraquara, as 16h00, ato em frente da câmara do vereadores. https://www.facebook.com/events/1649541935263174/
*Agradecemos a Profa Alerne Sandra por ajudar no levantamento dos atos
Fonte: http://www.esquerdadiario.com.br

Espalham-se mobilizações contra a "Reorganização Escolar" de Alckmin


Após quase duas semanas da divulgação pela Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) do plano de “Reorganização Escolar”, já começam a ficar mais claras as reais intenções do governo estadual. Boa parte já havíamos apontado em artigo anterior sobre essa questão se concretiza 

- Fechamento de escolas: Como a própria SEE-SP informou “A reorganização poderá levar até ao fechamento de algumas unidades [...] “(1) Essa “Reorganização escolar” representa um profundo ataque a professores, estudantes e pais. Ao afirmar falaciosamente que necessita adequar uma rede projetada para 6 milhões de estudantes, mas que “só” tem 4 milhões, a SEE-SP está tentando justificar o fechamento de centenas de escolas em todo o Estado. Como podem afirmar tal coisa se a maioria das salas na rede estadual são superlotadas, só podendo ser abertas com 40 alunos em lista? Não sobram, faltam escolas. Afinal, se o máximo permitido fosse de 25 alunos por sala, o que começaria a viabilizar as aulas, os “espaços ociosos” se tornariam, ao contrário, insuficientes.
- Superlotação das escolas que continuam existindo: Mesmo as escolas que não serão fechadas sofrerão com esse processo. Imaginem uma escola com 10 salas, 40 alunos por sala, que funcione em 2 períodos (manhã e tarde). Isso significa 800 alunos e entre 10 e 20 professores. Após a escola fechar, para onde vão esses alunos? Para a escola mais próxima de sua residência num raio de 1,5km. E os professores? Mesma situação. O que ocorre então com as escolas que não fecham? Superlotação de salas.
- Professores efetivos “adidos”: para os professores existe ainda outro problema. Fecham-se as escolas, diminui o número de aulas disponíveis e aumenta a probabilidade, em especial para os professores que recentemente ingressaram, de ficarem “adidos” (quando o professor não tem à sua disposição o número mínimo de aulas para cumprir sua jornada). Imagine um Professor de Sociologia que ingressou no último concurso (2013-2014), tendo assim pontuação baixa na atribuição, mas ainda conseguindo pegar aulas em sua escola sede. Porém, como fecharam a escola vizinha, outro professor mais velho, com altíssima pontuação vem e toma seu lugar. Esse professor terá que atribuir, agora, aula, quando existir essa possibilidade, na Diretoria de Ensino sendo obrigado a lecionar em 3, 4 escolas para cumprir sua jornada mínima. Se as aulas não estiverem disponíveis, o professor receberá basicamente um salário mínimo, tendo que cumprir permanência de 10 aulas semanais.
- Professores categoria F exonerados: as Diretorias de Ensino estão sendo claras. Com o alto número de professores efetivos que ficarão adidos em 2016, muitos professores “estáveis” (ou o chamado categoria F) terão que atribuir aulas independente da distância, mesmo em outras diretorias de ensino. Caso se recusassem, serão exonerados.
- Municipalização das escolas estaduais: separando as escolas por ciclos, o que não tem nada a ver com “melhora da aprendizagem”, o estado só quer se livrar do ônus que é a educação para o orçamento do estado, desconsiderando o impacto que isso terá na vida de professores, pais e alunos, jogando a responsabilidade para os municipios que tem um orçamento menor.
- Servidores técnico-administrativos e trabalhadores terceirizados demitidos: realocação de funcionários para “onde existir espaço”, demissão dos trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas das escolas fechadas.
A verdadeira intenção de Alckmin é só uma: CORTE DE CUSTOS. É o ajuste fiscal do PSDB querendo que a classe trabalhadora, que depende da escola pública, seja prejudicada em prol da manutenção dos privilégios das classes dominantes. Porém, professores, pais e estudantes estão em mobilização intensa em quase 20 cidades em todo o estado.

Professores e alunos tomam as ruas contra esse novo ataque

Tupã
Milhares de professores, pais e estudantes tomam as ruas do estado de São Paulo contra o ajuste fiscal do governo Alckmin na educação.
Em Tupã-SP 300 alunos e professores se manifestaram contra o fechamento da escola Lélio Toledo Piza e Anísio Carneiro:

Guarulhos
Em Guarulhos – SP, quase 800 estudantes tomaram as ruas contra a reestruturação:

Ibitinga 
Em Ibitinga-SP cerca de 1 mil professores e alunos protestaram na manhã do dia 2/10/2015 contra a reestruturação na rede estadual e o fechamento da escola estadual Iracema de Oliveira Carlos:
Em muitas outras localidades segue a mobilização da classe trabalhadora contra esse novo e mais forte ataque do governo tucano contra a educação Pública.

Jaú
 - Protesto contra a reestruturação e fechamento da escola estadual Major Prado em Jaú-SP:

 Hortolândia
- Protesto contra a reestruturação em Hortolândia – SP:

 Presidente Prudente

- Protesto contra a reestruturação em Presidente Prudente – SP:
Fonte: Hortolândia







 Leme

- Protesto contra a reestruturação em Leme – SP:

 São Paulo Capital  - Zona Leste
- Protesto contra a reestruturação e fechamento de escola na Capital (Zona Leste):

 Ribeirão Preto
- Protesto contra a reestruturação e fechamento de 4 escolas em Ribeirão Preto – SP:

 Osasco
- Protesto contra a reestruturação e fechamento de 7 escolas em Osasco – SP:

 Agudos
- Protesto contra a reestruturação em Agudos – SP:


 Poá
- Protesto contra a reestruturação em Poá – SP e contra o fechamento de uma escola:

 Catanduva
- Protesto contra a reestruturação em Catanduva-SP:

 Martinópolis

- Protesto contra a reestruturação e fechamento de escolas em Martinópolis – SP





Rancharia
 


Itapetininga
 
- Protesto contra a reestruturação em Itapetininga-SP:

São José dos Campos
 
- Protesto contra a reestruturação em São José dos Campos – SP, ver vídeo no link:  https://www.facebook.com/maria.i.noronha.5/videos/10200814908252344/

 Santos
- Protesto contra a reestruturação e contra o fechamento do Colégio Cleóbulo em Santos-SP, ver vídeo no link: https://www.youtube.com/watch?v=jWuX5f7ffWw&feature=youtu.be

 Araçatuba

sábado, 19 de setembro de 2015

Žižek: não podemos abordar a crise dos refugiados sem enfrentar o capitalismo global


“Nós não podemos abordar a crise dos refugiados sem enfrentar o capitalismo global. Os refugiados não chegarão à Noruega. Mas a Noruega que eles procuram sequer existe.”
Em seu estudo clássico On Death and Dying, Elisabeth Kübler-Ross propôs o famoso esquema de cinco estágios de como reagimos ao saber que temos uma doença terminal: negação (a pessoa simplesmente se recusa a aceitar o fato: “Isso não pode estar acontecendo, não comigo.”); raiva (que explode quando já não podemos negar o fato: “Como isso pode acontecer comigo.”); negociação (a esperança de que podemos de alguma forma adiar ou diminuir o fato: “Apenas deixe-me viver para ver meu filho graduado.”); depressão (desinvestimento libidinal: “Eu vou morrer, então por que se preocupar com alguma coisa?”); aceitação (“Eu não posso lutar contra isso, mas eu bem posso me preparar para isso.”). Mais tarde, Kübler-Ross aplicou esses estágios a qualquer forma de perda catastrófica pessoal (desemprego, morte de um ente querido, divórcio, vício em drogas) e enfatizou que eles não acontecem necessariamente na mesma ordem, nem que os cinco estágios são vivenciados por todos os pacientes.
A reação da opinião pública e das autoridades na Europa Ocidental ao fluxo de refugiados da África e do Oriente Médio não teve uma combinação semelhante de reações disparatadas? Houve a negação, agora diminuindo: “Não é tão sério, vamos simplesmente ignorar.” Existe uma raiva: “Os refugiados são uma ameaça ao nosso modo de vida, entre eles escondem-se fundamentalistas muçulmanos, eles precisam ser barrados a qualquer preço”. Há negociação: “Ok, vamos estabelecer quotas e apoiar os campos de refugiados nos seus próprios países!” Há depressão: “Estamos perdidos, a Europa está se transformando em uma Europa-stan.” O que está faltando é a aceitação, o que, neste caso, significaria um consistente plano pan-europeu para lidar com os refugiados.
Então, o que fazer com centenas de milhares de pessoas desesperadas, que esperam no Norte da África, fugindo da guerra e da fome, tentando atravessar o mar e encontrar refúgio na Europa?
Existem duas principais respostas. Liberais de esquerda expressam sua indignação com a forma como a Europa está permitindo que milhares de pessoas se afoguem no Mediterrâneo. O argumento deles é que a Europa deve mostrar solidariedade abrindo as portas amplamente. Os populistas anti-imigrantes reivindicam que devemos proteger nosso modo de vida e deixar que os africanos resolvam seus próprios problemas.
Qual é a melhor solução? Parafraseando Stalin, as duas são piores. Aqueles que defendem a abertura das fronteiras são grandes hipócritas: Secretamente, eles sabem muito bem que isso nunca vai acontecer, uma vez que provocaria uma imediata revolta populista na Europa. Eles jogam com a bela alma que os fazem se sentir superiores diante de um mundo corrompido enquanto secretamente participam dele.
O populista anti-imigrante também sabe muito bem que, deixados por si mesmos, os africanos não terão sucesso na mudança de suas sociedades. Por que não? Porque nós, norte-americanos e europeus ocidentais, estamos impedindo-os. Foi a intervenção europeia na Líbia que jogou o país no caos. Foi o ataque dos Estados Unidos ao Iraque que criou as condições para o surgimento do ISIS [Estado Islâmico do Iraque e do Levante]. A guerra civil em curso na República Centro-Africana não é apenas uma explosão do ódio étnico; França e China estão lutando pelo controle dos recursos petrolíferos através de seus procuradores.
Mas o caso mais claro de nossa responsabilidade é o Congo de hoje, que está novamente emergindo como o “coração das trevas” africano. Em 2001, uma investigação da ONU, sobre a exploração ilegal de recursos naturais no Congo, descobriu que os conflitos internos acontecem para se ter o acesso, o controle e o comércio de cinco minerais fundamentais: coltan, diamante, cobre, cobalto e ouro. Sob a fachada de guerra étnica, nós podemos identificar o funcionamento do capitalismo global. O Congo não existe mais como um estado unificado; é uma multiplicidade de territórios governados por senhores da guerra locais, que controlam o seu pedaço de terra com um exército, que como regra, inclui crianças drogadas. Cada um desses senhores da guerra estão ligados pelos negócios com empresas ou corporações estrangeiras que exploram as riquezas minerais da região. A ironia é que muitos destes minerais são usados em produtos de alta tecnologia, tais como laptops e telefones celulares.
Retire as empresas estrangeiras de alta tecnologia da equação e toda a narrativa de guerra étnica alimentada por velhas paixões desmorona. Este é o lugar onde devemos começar se realmente queremos ajudar os africanos e parar com o fluxo de refugiados. A primeira coisa é lembrar que a maioria dos refugiados vem de Estados falidos – onde a autoridade pública é inoperante, pelo menos em grandes regiões – Síria, Líbano, Iraque, Líbia, Somália, Congo, etc. Essa desintegração do poder do Estado não é um fenômeno local, mas o resultado da economia e da política internacional, em alguns casos, como a Líbia e o Iraque, um resultado direto da intervenção ocidental. É claro que o aumento destes “Estados falidos” não é um inesperado infortúnio, mas sim uma das formas que as grandes potências exercem seu colonialismo econômico. Deve-se notar também que as sementes dos “Estados falidos” do Oriente Médio devem ser procuradas nas fronteiras arbitrárias desenhadas após a Primeira Guerra Mundial pelo Reino Unido e a França, que criaram uma série de Estados “artificiais”. Com o propósito de unir os sunitas na Síria e no Iraque, o ISIS está, em última análise, juntando o que foi dilacerado pelos mestres coloniais.  
Não se pode deixar de notar o fato de que alguns países não muito ricos do Oriente Médio (Turquia, Egito, Iraque) são muito mais abertos aos refugiados do que os realmente ricos (Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes, Qatar). Arábia e Emirados não receberam refugiados, embora façam fronteira com países em crise e são culturalmente muito mais próximos aos refugiados (que são na maioria muçulmanos) do que a Europa. Arábia Saudita tem até mesmo devolvido alguns refugiados muçulmanos da Somália. Isto porque a Arábia é uma teocracia fundamentalista que não pode tolerar estrangeiros intrusos? Sim, mas deve-se também ter em mente que esta mesma Arábia Saudita é totalmente integrada à economia do Ocidente. Do ponto de vista econômico, Arábia Saudita e Emirados, que afirmam depender totalmente das suas receitas petrolíferas, não são puros postos avançados do capital ocidental? A comunidade internacional deveria colocar toda pressão em países como Arábia Saudita, Kuwait e Qatar para fazer seus deveres de aceitarem um grande contingente de refugiados. Além disso, por estar apoiando os rebeldes anti-Assad, a Arábia Saudita é o grande responsável pela situação na Síria. E, em diferentes graus, o mesmo se aplica para muitos outros países – nós estamos todos nisso.
Uma nova escravidão
Outra característica partilhada por esses países é o surgimento de uma nova escravidão. Enquanto o capitalismo se legitima como o sistema econômico que sugere e promove a liberdade individual (como uma condição do mercado cambial), ele gerou por conta própria a escravidão, como parte de sua dinâmica: embora a escravidão estivesse quase extinta no final da Idade Média, explodiu cedo na modernidade e durou até a Guerra Civil Americana. E hoje, numa nova época do capitalismo global, pode-se arriscar a hipótese de que uma nova era da escravidão também está surgindo. Embora não exista um estatuto jurídico legal para escravizar as pessoas de forma direta, a escravidão adquire uma multiplicidade de novas formas: na península da Arábia (Emirados, Qatar, etc.), milhões de trabalhadores imigrantes são de fato privados de direitos civis elementares e liberdades; o controle total sobre milhões de trabalhadores em fábricas asiáticas, muitas vezes organizados diretamente como campos de concentração; o uso massivo de trabalho forçado na exploração de recursos naturais em muitos estados africanos centrais (Congo etc.). Mas nós não temos que olhar tão longe. Em 01 de dezembro de 2013, pelo menos sete pessoas morreram quando uma fábrica de roupas de propriedade chinesa em uma zona industrial na cidade italiana de Prato, a 19 km do centro de Florença, incendiou, matando trabalhadores presos em um dormitório de papelão improvisado, construído no local.  O acidente ocorreu em Macrolotto, distrito industrial da cidade conhecido por suas fábricas de vestuário. Milhares de imigrantes chineses estariam vivendo ilegalmente na cidade, trabalhando até 16 horas por dia para uma rede de oficinas atacadista que confeccionava roupa barata.
Nós, portanto, não temos que olhar para a vida miserável dos novos escravos nos longínquos subúrbios de Xangai (ou em Dubai e Qatar) e hipocritamente criticar a China – a escravidão pode estar aqui mesmo, dentro de nossa casa, nós apenas não vemos (ou melhor, fingimos não ver). Este novo apartheid de facto, esta explosão sistemática do número de diferentes formas de escravidão de facto, não é um acidente lamentável, mas uma necessidade estrutural do capitalismo global de hoje.
Mas estão os refugiados entrando na Europa apenas oferecendo-se para se tornar força de trabalho precário, em muitos casos, à custa dos trabalhadores locais, que reagem a essa ameaça unindo-se a partidos político anti-imigrantes? Para a maioria dos refugiados, esta será a realidade de seu sonho realizado.
Os refugiados não estão somente fugindo de suas terras devastadas pela guerra; eles também estão possuídos por um sonho. Podemos ver repedidas vezes em nossas telas. Refugiados no Sul da Itália deixam claro que eles não querem ficar lá, eles querem majoritariamente viver nos países escandinavos. E o que dizer dos milhares de acampados em Calais que não estão contentes com a França, mas estão dispostos a arriscar suas vidas para entrar no Reino Unido? E o que dizer de dezenas de milhares de refugiados dos países Bálcãs que querem ao menos chegar à Alemanha? Eles declaram esse sonho como um direito incondicional, e exigem das autoridades europeias não só alimentação adequada e cuidados médicos, mas também o transporte para o local de sua escolha.
Há algo enigmaticamente utópico nesta demanda impossível: como poderia a Europa realizar o sonho deles, um sonho que, aliás, está fora do alcance para a maioria dos europeus. Quantos europeus do Sul e do Leste não prefeririam viver na Noruega? Pode-se observar aqui o paradoxo da utopia: precisamente quando as pessoas se encontram em situação de pobreza, aflição e perigo, e seria de se esperar que eles estivessem satisfeitos com o mínimo de segurança e bem-estar, a utopia absoluta explode. A dura lição para os refugiados é que “não há Noruega”, mesmo na Noruega. Eles terão que aprender a censurar seus sonhos: Em vez de persegui-los, em realidade, eles devem se concentrar em mudar a realidade.
Um tabu da esquerda
Um dos grandes tabus da esquerda terá que ser quebrado aqui: a noção de que uma maneira de proteger um modo de vida [way of life] é em si mesma protofascista ou racista. Se não abandonarmos essa noção, abrimos o caminho para a onda anti-imigrante que prospera em toda a Europa. (Mesmo na Dinamarca, o Partido Democrático, anti-imigrante, pela primeira vez ultrapassou os sociais-democratas e tornou-se o partido mais forte do país.) Responder às preocupações das pessoas comuns sobre as ameaças ao seu especifico estilo de vida também pode ser feito a partir da esquerda. Bernie Sanders é uma prova viva disso! A verdadeira ameaça para nossos estilos de vida comunitários não são os estrangeiros, mas a dinâmica do capitalismo global: Só nos Estados Unidos, as mudanças econômicas das ultimas décadas fez mais para destruir a convivência comunitária das cidades pequenas do que todos os imigrantes juntos.
A reação padrão da esquerda liberal é, naturalmente, uma explosão de arrogante moralismo: No momento em que damos alguma credibilidade a “proteção do nosso modo de vida”, nós já comprometemos a nossa posição, uma vez que propomos uma versão mais modesta do que os populistas anti-imigrantes defendem abertamente. Esta não é a história das últimas décadas? Partidos centristas rejeitam o racismo aberto dos populistas anti-imigrantes, mas afirmam simultaneamente “compreender as preocupações das pessoas comuns” e promulgam uma versão mais “racional” da mesma política.
Mas, embora exista um núcleo de verdade, as queixas moralistas – “A Europa perdeu a empatia, é indiferente para o sofrimento dos outros,” etc. – são apenas o reverso da brutalidade anti-imigrante. Ambas as posições compartilham o pressuposto, o que não é de forma alguma evidente, que a defesa do próprio modo de vida exclui o universalismo ético.  Assim, deve-se evitar ser pego pelo jogo liberal de “quanto de tolerância podemos oferecer.” Devemos tolerar eles impedirem suas crianças de irem para as escolas estaduais, eles arrumarem casamentos para seus filhos, eles brutalizarem gays nos seus espaços? A este nível, é claro, nós nunca somos suficientemente tolerantes, ou somos sempre tolerantes demais, negligenciando os direitos das mulheres, etc. A única maneira de sair deste impasse é movendo-se para além da mera tolerância ou respeito em direção a uma luta comum.
Nesse sentido, é preciso ampliar a perspectiva: Os refugiados são o preço da economia global. Em nosso mundo global, mercadorias circulam livremente, mas as pessoas não: novas formas de apartheid estão surgindo. O tema de parede oca, da ameaça de sermos inundado por estrangeiros, é estritamente imamente ao capitalismo global, é o índex do que é falso sobre a globalização capitalista. Enquanto as grandes migrações são uma característica constante da historia da humana, a sua principal causa na historia moderna são as expansões coloniais: Antes da colonização, o Sul Global consistia, principalmente, de comunidades locais autossuficientes e relativamente isoladas. Foi a ocupação colonial e o comércio de escravos que lançou este modo de vida para fora dos trilhos e renovou as migrações em larga escala.
A Europa não é o único lugar que está experimentando uma onda de imigração. Na África do Sul, existem mais de um milhão de refugiados do Zimbabwe, que estão expostos a ataques de pobres locais por roubarem empregos. E haverá mais, não apenas por causa de conflitos armados, mas por conta dos novos “Estados párias”, crise econômica, desastres naturais (agravados pela mudança climática), desastres criados pelo homem, etc. Sabe-se que, após o desastre nuclear de Fukushima, por um momento, as autoridades japonesas imaginaram que toda área de Tóquio – 20 milhões de pessoas – deveria ser evacuada. Para onde essas pessoas iriam? Em que condições? Eles deveriam receber um pedaço de terras ou dispersar ao redor do mundo? E se o Norte da Sibéria tornar-se mais habitável e arável, enquanto várias áreas subsaarianas tornam-se demasiadamente secos para que uma grande população suporte viver lá? Como será organizado o intercambio de populações? No passado, quando coisas similares aconteceram, as mudanças sociais ocorreram de uma forma espontaneamente selvagem, com violência e destruição (recorde as grandes migrações no final do Império Romano) – Nos dias de hoje, tal perspectiva é catastrófica, com armas de destruição em massa disponíveis para muitas nações.
Portanto, a principal lição a ser aprendida é que a humanidade deve estar preparada para viver de forma mais “plástica” e nômade: Rápidas mudanças climáticas, locais e globais, podem exigir, de forma inédita, transformações sociais em larga escala. Uma coisa é clara: a soberania nacional terá que ser radicalmente redefinida e novos níveis de cooperação global inventados. E o que dizer das enormes mudanças na economia e padrões de conservação do clima devido a escassez de água e energia? Através de quais mecanismos de decisão tais mudanças serão decididas e executadas? Aqui uma série de tabus deverá ser quebrado e um conjunto de medidas complexas realizadas.
Em primeiro lugar, a Europa terá de reafirmar seu total empenho em proporcionar condições dignas para a sobrevivência dos refugiados. Não deve existir compromisso aqui: grandes migrações são o nosso futuro, e a única alternativa a esse empenho é a barbárie renovada (que alguns chamam de “choque de civilização”).
Em segundo lugar, como consequência necessária deste empenho, a Europa deve organizar-se e impor regras e regulamentos claros. O controle do Estado ao fluxo de refugiados deve ser implantado através de uma vasta rede administrativa abrangendo toda a União Europeia (para evitar as barbáries locais como as da Hungria ou Eslováquia). Os refugiados devem ser tranquilizados de sua segurança, mas também devem acatar as áreas de convivência atribuídas pelas autoridades europeias, além disso, precisam respeitar as leis e as normas sociais dos Estados europeus: nenhuma tolerância a violência religiosa, sexista ou étnica de qualquer dos lados, nenhum direito de impor sobre os outros o próprio modo de vida ou religião, o respeito da liberdade de cada individuo de abandonar seus costumes comunais, etc. Se uma mulher decide cobrir seu rosto, sua decisão deve ser respeitada, mas se ele escolhe não cobri-lo, sua liberdade deve ser garantida. Sim, um conjunto privilegiado de regras do modo de vida europeu. Estas regras devem ser claramente estabelecidas e aplicadas, por medidas repressivas (contra os estrangeiros fundamentalistas, bem como contra os nossos próprios racistas anti-imigrantes), se necessário.
Em terceiro lugar, um novo tipo de intervenção internacional terá de ser inventada: intervenções militares e econômicas que evitem as armadilhas neocoloniais. E sobre as forças da ONU que garantem a paz na Líbia e no Congo? Uma vez que tais intervenções estão intimamente associadas com o neocolonialismo, serão necessárias extremas salvaguardas. Os casos de Iraque, Síria e Líbia demonstram como o tipo de intervenção errada (no Iraque e Líbia), bem como a não intervenção (na Síria, onde, sob a aparência de não intervenção, os poderes externos da Rússia, Arábia Saudita e os EUA estão totalmente engajados) acabam no mesmo impasse.
Em quarto lugar, a tarefa mais difícil e importante é uma mudança econômica radical que deve abolir as condições sociais que criam refugiados. A última causa dos refugiados é o próprio capitalismo global de hoje e seus jogos geopolíticos, e se nós não transformarmos isso radicalmente, os imigrantes da Grécia e de outros países europeus em breve se juntarão aos refugiados africanos. Quando eu era jovem, uma tentativa organizada de regulamentar o bem comum [commons] foi chamada de comunismo. Talvez devêssemos reinventar isso. Talvez, no longo prazo, isso seja a única solução.
Tudo isso é uma utopia? Talvez, mas se não fizermos isso, então, estamos realmente perdidos, e nós merecemos estar.
* Publicado originalmente em inglês no In these times em 9 de setembro de 2015. A tradução é de Danilo Chaves Nakamura para o Blog da Boitempo.
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Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917) (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009), Em defesa das causas perdidasPrimeiro como tragédia, depois como farsa (ambos de 2011), Vivendo no fim dos tempos (2012), O ano em que sonhamos perigosamente (2012), Menos que nada (2013) e o mais recente Violência (2014). Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.