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domingo, 9 de fevereiro de 2014

Educar para reproduzir as relações de produção ou educar para transformar o mundo?

por 

Nós, que participamos da luta sindical e política, e que atuamos no campo da educação pública, não podemos nos dar ao luxo de nos enganar: precisamos fazer de nossa prática educacional uma militância política cotidiana, comprometida com o desenvolvimento da consciência crítica dos jovens estudantes. Existe uma tendência, no seio da escola pública, a pensar que os governos não nos valorizam, logo, já que não somos valorizados, não temos motivos para pensar em um ensino público de qualidade para os nossos jovens. Ora, segundo nosso ponto de vista, desistir de dar uma aula de qualidade, por conta das manobras governamentais, é alienante e simplesmente ajuda o projeto de reprodução da lógica do capital.
Vamos raciocinar: quem estuda na escola pública? Filhos da classe trabalhadora, não é verdade? E quem somos nós, os educadores? Trabalhadores da educação, não é verdade? Então, quem sai prejudicado se desistirmos de lutar por uma escola pública, gratuita e de qualidade? Todos nós, da classe trabalhadora. E é preciso entender: não interessa aos governos, favoráveis ao capitalismo, o investimento na escola pública, gratuita e de qualidade, justamente porque nessa escola estão os filhos da classe trabalhadora e, no capitalismo, os trabalhadores são criados para serem escravos da exploração, escravos da mais-valia. Não somos criados-formados para sermos livres e críticos, com vida digna. Somos criados-formados para reproduzir as relações de produção do capital: lucro, consumismo, exploração, riqueza para poucos, destruição ambiental e da vida.
Qual, então, o lugar do educador nesse mundo? É preciso ser categórico, nosso lugar é o da militância política. Não podemos nos dar ao luxo de não sermos militantes políticos em nossas aulas, não podemos nos dar ao luxo de desistir. Um mundo melhor será parto da luta diária, não será filho do desânimo, da descrença ou da desesperança. É isso que os capitalistas querem, que fiquemos abatidos, desanimados, desesperançados, desapaixonados, entediados, assim não precisam gastar com a educação dos trabalhadores.
Porém, enquanto educadores, temos obrigação moral de sermos apaixonados pela educação, porque educar é despertar a crítica, é desnaturalizar as práticas, é desmistificar as falsas verdades, é arrancar o obscurantismo da sociedade, é questionar as políticas públicas ausentes, é combater as opressões machistas, racistas, homofóbicas, trabalhistas, políticas, de classe, educar é sonhar com outros mundos possíveis. Não existe aula neutra, a eleição de um tema X ou Y, a ser discutido em sala de aula, já está repleto de ideologia. Damos aulas para legitimar a visão burguesa do mundo ou damos aulas para despertar os filhos da classe trabalhadora para um outro mundo, um mundo sem opressões e sem exploração?
Nosso lugar precisa ser o do ânimo presente, caminhando com espírito de luta rumo ao futuro. Qual tem sido, em geral, o projeto dos governos para a educação, por exemplo? Doutrinar alunos e professores rumo às avaliações externas, como se bastasse subir as metas educacionais para alunos e professores terem uma vida melhor. Todos sabem que esse é um projeto de educação falso. Mesmo se tivéssemos uma avaliação externa em que os alunos fossem altamente bem sucedidos, sem despertar a postura crítica e o desejo de construir um mundo mais justo, no outro dia, após o resultado das avaliações, ainda teríamos as mesmas mazelas sociais, o mundo dos ricos e o mundo dos pobres, o mundo dos incluídos e dos excluídos socialmente. Portanto, não podemos educar pensando nessa lógica das avaliações externas, como se elas fossem o grande selo de qualidade da educação pública. Esse não pode ser o nosso projeto de educação, não pode ser o projeto de educação dos lutadores. Nós, os lutadores, temos que despertar a postura crítica dos estudantes. Temos de desnaturalizar, deseternizar, deslegitimar, questionar as pretensas verdades das diversas práticas sociais. Temos de despertar nos educandos o desejo do não existente, a partir de uma crítica lúcida daquilo que existe.
Por exemplo, o mundo é machista, deveríamos, na educação do dia a dia, despertar o desejo de um mundo em que as mulheres sejam respeitadas. O mundo é racista, deveríamos depertar o desejo de um mundo sem opressão. O mundo é homofóbico, deveríamos despertar o desejo de tolerância face ao diferente. O mundo é agressivo, deveríamos despertar o desejo da gentileza. O mundo é inculto, deveríamos despertar o desejo de descobrir. O burguês não paga o total de horas trabalhadas ao operário, deveríamos despertar em nossos jovens o desejo de justiça trabalhista. Os pobres morrem por diversas enfermidades nas filas do SUS, deveríamos despertar o interesse por um sistema de saúde decente. Os jovens são ceifados pelo mundo das drogas, deveríamos despertar perspectivas e sonhos outros para nossa juventude. O mundo não tem emprego para todos, deveríamos despertar o sonho do pleno emprego. O mundo não oferece sequer moradia para uma boa parte da população, deveríamos despertar nos jovens o desejo de morar dignamente. Os pobres sofrem, deveríamos despertar o desejo de não sofrer.
Infelizmente, os governos não tem sido nossos aliados nessa luta por uma educação crítica, pois ao comprometerem-se com o capitalismo, suas práticas políticas não toleram cinco minutos de exame crítico. Não é necessário e nem é natural, por exemplo, sufocar os professores dentro das escolas, simplesmente porque não lhes paga o suficiente para sobreviver. Qual governo, entretanto, não está fazendo isso? Existe algum? Não é legítimo e necessário manter escolas sem livros, sem laboratórios, sem jornais, sem espaços de lazer. Quantos se preocupam em resolver seriamente tais problemas? E os demais problemas mencionados acima: existe alguma política dos governos voltada para despertar nos jovens e no povo o desejo de um mundo melhor? Não temos visto tal prática. Portanto, a educação é o lugar de problematizar-discutir os problemas da sociedade, é o lugar de instigar o desejo do não existente, a partir de um exame atento das condições reais e vigentes.
Em toda disciplina, é possível fazer isso. Os lutadores precisam pesquisar e compartilhar práticas rumo a uma educação que desnaturalize as falsas verdades das práticas sociais. Nossos sindicatos precisam dar voz a esse debate. O que motiva a paixão de educadores e estudantes é a luta acompanhada da visão crítica. Quando temos a certeza de que o nosso trabalho é uma militância política cotidiana contra todos os inimigos políticos, econômicos e ideológicos que emperram a construção de um mundo mais justo, então encontramos sentido para o nosso trabalho, nos tornamos incansáveis, fazemos greves, preparamos aulas que despertam a consciência crítica, ganhamos aliados, ganhamos apoio na classe trabalhadora, ganhamos outros sujeitos para sonhar junto conosco, caímos, levantamos, sabemos que a cada dia estamos travando uma batalha contra o senso comum e contra a lógica da reprodução das relações de produção. É hora de debater, na escola, os temas que angustiam as vidas da classe trabalhadora. Esse é nosso papel. Educar para a vida futura começa educando os seres humanos para entenderem a vida presente, com a firme convicção de é possível modificar aquilo que não aceitamos. Não temos o direito de desistir. É preciso fazer das nossas aulas uma militância política em prol da luta para transformar o mundo.
Como Socialista Livre e trabalhando como professor, acredito que a educação pode e deve ser um lugar de militância política.
Por: Gílber Martins Duarte – Coletivo Socialistas Livres – Conselheiro do Sind-UTE-MG e diretor da subsede do Sind-UTE em Uberlândia – Professor da Rede Estadual de Minas Gerais – Doutor em Análise do Discurso/UFU – Membro do Movimento Nacional dos Educadores Organizados pela Base (MEOB) – Membro da CSP-CONLUTAS.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

ZIRALDO CRIA CARTILHA PARA EXPLICAR O AUTISMO

"CARTILHA ILUSTRADA"

QUE O CARTONISTA ZIRALDO ELABOROU PARA AS ESCOLAS COM O OBJETIVO DEESCLARECER A ALUNOS E PROFESSORES, O PASSO A PASSO DO DESENVOLVIMENTO DAS CRIANÇAS PORTADORAS DO ESPECTO 
AUTISTA.


VEJAM:















quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dúvidas e Certezas


"Sou um homem muito mais feito de dúvidas que de certezas, e estou sempre predisposto a ouvir argumentos e a mudar de opinião. Tenho mudado muitas vezes na vida. Felizmente."
Darcy Ribeiro

Boaventura de Sousa Santos



Texto: A Construção Multicultura da Igualdade e da Diferença

Essa reinvenção [do Estado] tem um forte sinal anti-capitalista e dificilmente poderá ser levada a cabo através dos mecanismos de democracia representativa. Convoca-nos, pelo contrário, a novas práticas democráticas. Por um lado, implica uma luta que extravasa do marco nacional em que vigora a democracia representativa. De facto, está votada ao fracasso a luta que não tiver presenteque o Estado nacional está a ser, ele próprio, transnacionalizado. Daí a urgência a que também referi de potenciar as globalizações contrahegemónicas que geram um novo cosmopolitismo emancipatório. Dado o espaço-tempo global em que se vaza, este novo cosmopolitismo tem de articular diferentes formas democráticas, as quais terão elas próprias de ser multiculturais se quiserem ser o instrumento propiciador de uma nova articulação entre políticas de igualdade e políticas de identidade segundo o imperativo que enunciei:temos o direito a ser iguais sempre que a diferença nos inferioriza; temos o direito a ser diferentes sempre que a igualdade nos descaracteriza.
 
Disponível em:

Peter Mclaren




Texto: A vida nas escolas: uma introdução à pedagogia crítica nos fundamentos da educação

“Quando os professores, aceitando seu papel de técnicos, falham em desafiar as maneiras pelas quais os currículos educacionais correspondem às demandas da indústria ou os meios pelos quais o ensino reproduz as relações de classe, raça e gênero existentes em nossa sociedade, correm o risco de transmitir a estudantes em desvantagem a noção de que seus papeis subalternos na ordem social estão justificados e são invioláveis”.

António Nóvoa




Texto: Entrevista à revista Nova Escola

José Carlos Mariátegui

 
  Texto: 7 Ensayos de Interpretación de la Realidade Peruana
 
La importación del método norteamericano no se explica, fundamentalmente, por el cansancio del verbalismo latinista, sino por el impulso espiritual que determinaban la afirmación y el crecimiento de una economia capitalista. Este proceso histórico –que en el plano político produjo la caída de la oligarquía representativa de la casta feudal a causa de su ineptitud para devenir clase capitalista–, en el plano educacional impuso la definitiva adopción de una reforma pedagógica inspirada en el ejemplo de la nación de más próspero desarrollo industrial.
 
Se aborda, pues, con la reforma de 1920, una empresa congruente com el rumbo de la evolución histórica del país. Pero, como el movimiento político que canceló el dominio del viejo civilismo aristocrático, el movimientoeducacional –paralelo y solidario a aquél– estaba destinado a detenerse.
La ejecución de un programa demoliberal, resultaba en la práctica entrabada y saboteada por la subsistencia de un régimen de feudalidad en
la mayor parte del país. No es posible democratizar la enseñanza de um país sin democratizar su economía y sin democratizar, por ende, su superestructura política.
 
En un pueblo que cumple conscientemente su proceso histórico, La reorganización de la enseñanza tiene que estar dirigida por sus propios hombres. La intervención de especialistas extranjeros no puede rebasar los límites de una colaboración.
 
Por estas razones, fracasó el experimento de la misión norteamericana. Por estas razones, sobre todo, la nueva ley orgánica quedó más bien como un programa teórico, que como una pauta de acción.
 
 
 

José Claudinei Lombardi




Texto: Reflexões sobre educação e ensino na obra de Marx e Engels

"(...)Há, indubitavelmente, muita controvérsia sobre o papel da educação para a sociedade e para os indivíduos. Estamos vivendo um acelerado processo de transformações sociais, notadamente com a integração crescente dos conhecimentos científicos e tecnológicos aos processos produtivos. Face a um tal quadro, é impossível deixar de reconhecer a importância de uma profunda discussão sobre o papel da educação na reprodução social e, contraditoriamente, sobre o potencial revolucionário da educação no desenvolvimento social. 

Em tempos de defesa apologética do particular, do fragmentário, do microscópico, da idéia, da subjetividade e da irracionalidade, não temos motivo algum para ficarmos na retaguarda. Precisamos resgatar as armas teóricas desde uma perspectiva que vislumbre a materialidade, a totalidade histórico-social, a objetividade e a racionalidade revolucionária. 

À eternização capitalista dada por uma perspectiva teórica defensora do fim da história, é preciso demonstrar que as aceleradas transformações em curso desvelam um processo de constante recomeçar de uma história marcada pela contradição. 

Para além de uma escola mistificadora e conformista, precisamos como educadores acreditar no futuro, submetendo o presente a uma profunda, radical e rigorosa crítica que, desvinculando-se de tudo o que é antiquado e caduco, colabore com o processo de construção do novo." 


L. S. Vigotski



"Só uma teoria histórica do discurso interior poderá tratar cabalmente este complexo e imenso problema. A relação entre o pensamento e a palavra é um processo vivo; o pensamento nasce através das palavras. Uma palavra vazia de pensamento é uma coisa morta, e um pensamento despido de palavras permanece uma sombra. A conexão entre ambos não é, no entanto, algo de constante e já formado: emerge no decurso do desenvolvimento e modifica-se também ela própria. À expressão bíblica “No princípio era o Verbo”, Goethe faz Fausto responder: “No princípio era a ação”. A intenção desta frase é a de diminuir o valor da palavra, mas podemos aceitar esta versão se lhe dermos outra acentuação: no princípio era a ação. A palavra não é o ponto de partida – a ação já existia antes dela; a palavra é o termo do desenvolvimento, o coroamento da ação."
 
Texto: Pensamento e linguagem
 

Dermeval Saviani





Texto: Antecedentes, origem e desenvolvimento da pedagogia histórico-crítica

No livro: MARSIGLIA, Ana Carolina Galvão. Pedagogia histórico-crítica: 30 anos. Campinas: Autores Associados, 2011.

Antonio Gramsci - Texto: Os indiferentes


Texto
: Os indiferentes


Odeio os indiferentes. Como Friederich Hebbel acredito que "viver significa tomar partido". Não podem existir os apenas homens, estranhos à cidade. Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Por isso odeio os indiferentes.
 
A indiferença é o peso morto da história. É a bala de chumbo para o inovador, é a matéria inerte em que se afogam freqüentemente os entusiasmos mais esplendorosos, é o fosso que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor do que o peito dos seus guerreiros, porque engole nos seus sorvedouros de lama os assaltantes, os dizima e desencoraja e às vezes, os leva a desistir de gesta heróica.
 
A indiferença atua poderosamente na história. Atua passivamente, mas atua. É a fatalidade; e aquilo com que não se pode contar; é aquilo que confunde os programas, que destrói os planos mesmo os mais bem construídos; é a matéria bruta que se revolta contra a inteligência e a sufoca. O que acontece, o mal que se abate sobre todos, o possível bem que um ato heróico (de valor universal) pode gerar, não se fica a dever tanto à iniciativa dos poucos que atuam quanto à indiferença, ao absentismo dos outros que são muitos. O que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça quanto porque a massa dos homens abdica da sua vontade, deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar. A fatalidade, que parece dominar a história, não é mais do que a aparência ilusória desta indiferença, deste absentismo. Há fatos que amadurecem na sombra, porque poucas mãos, sem qualquer controle a vigiá-las, tecem a teia da vida coletiva, e a massa não sabe, porque não se preocupa com isso. Os destinos de uma época são manipulados de acordo com visões limitadas e com fins imediatos, de acordo com ambições e paixões pessoais de pequenos grupos ativos, e a massa dos homens não se preocupa com isso. Mas os fatos que amadureceram vêm à superfície; o tecido feito na sombra chega ao seu fim, e então parece ser a fatalidade a arrastar tudo e todos, parece que a história não é mais do que um gigantesco fenômeno natural, uma erupção, um terremoto, de que são todos vítimas, o que quis e o que não quis, quem sabia e quem não sabia, quem se mostrou ativo e quem foi indiferente. Estes então zangam-se, queriam eximir-se às conseqüências, quereriam que se visse que não deram o seu aval, que não são responsáveis. Alguns choramingam piedosamente, outros blasfemam obscenamente, mas nenhum ou poucos põem esta questão: se eu tivesse também cumprido o meu dever, se tivesse procurado fazer valer a minha vontade, o meu parecer, teria sucedido o que sucedeu? Mas nenhum ou poucos atribuem à sua indiferença, ao seu cepticismo, ao fato de não ter dado o seu braço e a sua atividade àqueles grupos de cidadãos que, precisamente para evitarem esse mal combatiam (com o propósito) de procurar o tal bem (que) pretendiam.
 
A maior parte deles, porém, perante fatos consumados prefere falar de insucessos ideais, de programas definitivamente desmoronados e de outras brincadeiras semelhantes. Recomeçam assim a falta de qualquer responsabilidade. E não por não verem claramente as coisas, e, por vezes, não serem capazes de perspectivar excelentes soluções para os problemas mais urgentes, ou para aqueles que, embora requerendo uma ampla preparação e tempo, são todavia igualmente urgentes. Mas essas soluções são belissimamente infecundas; mas esse contributo para a vida coletiva não é animado por qualquer luz moral; é produto da curiosidade intelectual, não do pungente sentido de uma responsabilidade histórica que quer que todos sejam ativos na vida, que não admiteagnosticismos e indiferenças de nenhum gênero.
 
Odeio os indiferentes também, porque me provocam tédio as suas lamúrias de eternos inocentes. Peço contas a todos eles pela maneira como cumpriram a tarefa que a vida lhes impôs e impõe quotidianamente, do que fizeram e sobretudo do que não fizeram. E sinto que posso ser inexorável, que não devo desperdiçar a minha compaixão, que não posso repartir com eles as minhas lágrimas. Sou militante, estou vivo, sinto nas consciências viris dos que estão comigo pulsar a atividade da cidade futura que estamos a construir. Nessa cidade, a cadeia social não pesará sobre um número reduzido, qualquer coisa que aconteça nela não será devido ao acaso, à fatalidade, mas sim à inteligência dos cidadãos. Ninguém estará à janela a olhar enquanto um pequeno grupo se sacrifica, se imola no sacrifício. E não haverá quem esteja à janela emboscado, e que pretenda usufruir do pouco bem que a atividade de um pequeno grupo tenta realizar e afogue a sua desilusão vituperando o sacrificado, porque não conseguiu o seu intento.

 
Vivo, sou militante. Por isso odeio quem não toma partido, odeio os indiferentes.



Disponível em: 
http://www.marxists.org/portugues/gramsci/1917/02/11.htm

Eduardo Galeano





Texto: O  LIVRO DOS ABRAÇOS
(EL LIBRO DE LOS ABRAZOS)

Carlos Drummond de Andrade




Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas eas ações não enceram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guardas chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas por entre os mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

Confira: Caetano Veloso lendo o poema Elegia 1938http://migre.me/7JKhs

Educadores Jan.2012

Aníbal Ponce



 

Texto: Educação e luta de classes

Karl Marx





Texto: Crítica ao Programa de Gotha


"O Partido Operário Alemão exige, como base espiritual e moral do Estado: 1. Educação popular geral e igual a cargo do Estado. Assistência escolar obrigatória para todos. Instrução gratuita". Educação popular igual? Que se entende por Isto? Acredita-se que na sociedade atual (que é a de que se trata), a educação pode ser igual para todas as classes? O que se exige é que também as classes altas sejam obrigadas pela força a conformar-se com a modesta educação dada pela escola pública, a única compatível com a situação econômica, não só do operário assalariado, mas também do camponês?
Assistência escolar obrigatória para todos. Instrução gratuita". A primeira já existe, inclusive na Alemanha; a segunda na Suíça e nos Estados Unidos, no que se refere às escolas públicas, O fato de que em alguns Estados deste último país sejam "gratuitos" também os centros de ensino superior, significa tão somente, na realidade, que ali as classes altas pagam suas despesas de educação às custas do fundo dos Impostos gerais. E - diga-se de passagem - Isto também pode ser aplicado à "administração da justiça com caráter gratuito", de que se fala no ponto A,5 do programa. A justiça criminal é gratuita em toda parte; a justiça civil gira quase inteiramente em torno dos pleitos sobre a propriedade e afeta, portanto, quase exclusivamente às classes possuidoras. Pretende-se que estas decidam suas questões às custas do tesouro público? O parágrafo sobre as escolas deveria exigir, pelo menos, escolas técnicas (teóricas e práticas), combinadas com as escolas públicas. Isso de "educação popular a cargo do Estado" é completamente inadmissível. Uma coisa é determinar, por meio de uma lei geral, os recursos para as escolas públicas, as condições de capacitação do pessoal docente, as matérias de ensino, etc., e velar pelo cumprimento destas prescrições legais mediante inspetores do Estado, como se faz nos Estados Unidos, e outra coisa completamente diferente é designar o Estado como educador do povo! Longe disto, o que deve ser feito é subtrair a escola a toda influência por parte do governo e da Igreja. Sobretudo no Império Prussiano-Alemão (e não vale fugir com o baixo subterfúgio de que se fala de um "Estado futuro"; já vimos o que é este), onde, pelo contrário, é o Estado quem necessita de receber do povo uma educação muito severa."

Disponível em:http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/gotha.pdf

Newton Duarte





Texto: Luta de classes, educação e revolução

(entrevista publicada na revista Germinal: marxismo e educação em debate)
 

"G.: Em face de tantas tarefas atribuídas à escola, a seu ver qual seria a tarefa precípua dos professores?
 
D: Depois de tudo o que afirmei nesta entrevista, torna-se quase desnecessário responder a essa pergunta. A tarefa precípua dos professores é dominar e transmitir aos seus alunos o conhecimento científico, artístico e filosófico em suas formas mais desenvolvidas. Parafraseando Marx eu diria que na sociedade comunista ser professor deixará de ser um meio de vida e passará a ser a primeira necessidade vital de muitos indivíduos, ou seja, para esses indivíduos a transmissão do conhecimento será uma atividade de desenvolvimento de sua individualidade como uma individualidade para-si. Nós podemos e devemos começar a lutar nessa direção desde já." 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Vencimentos e salários dos integrantes do Quadro do Magistério

Conforme Lei Complementar nº 1.204, de 1º de julho de 2013

ESCALA DE VENCIMENTOS - CLASSE DOCENTE

PROFESSOR EDUCAÇÃO BÁSICA II

TABELA I – 40 HORAS SEMANAIS

Faixa/Nível
 I
 II
 III
 IV
 V
 VI
 VII
 VIII
1
   2.257,84 
   2.370,73 
   2.489,27 
   2.613,73 
   2.744,42 
   2.881,64 
   3.025,72 
   3.177,00 
2
   2.494,91 
   2.619,66 
   2.750,64 
   2.888,17 
   3.032,58 
   3.184,21 
   3.343,42 
   3.510,59 
3
   2.756,88 
   2.894,72 
   3.039,46 
   3.191,43 
   3.351,00 
   3.518,55 
   3.694,48 
   3.879,20 
4
   3.046,35 
   3.198,67 
   3.358,60 
   3.526,53 
   3.702,86 
   3.888,00 
   4.082,40 
   4.286,52 
5
   3.366,21 
   3.534,53 
   3.711,25 
   3.896,81 
   4.091,65 
   4.296,24 
   4.511,05 
   4.736,60 
6
   3.719,67 
   3.905,65 
   4.100,93 
   4.305,98 
   4.521,28 
   4.747,34 
   4.984,71 
   5.233,95 
7
   4.110,23 
   4.315,74 
   4.531,53 
   4.758,11 
   4.996,01 
   5.245,81 
   5.508,10 
   5.783,51 
8
   4.541,81 
   4.768,90 
   5.007,34 
   5.257,71 
   5.520,59 
   5.796,62 
   6.086,46 
   6.390,78 

TABELA II – 30 HORAS SEMANAIS

Faixa/Nível
 I
 II
 III
 IV
 V
 VI
 VII
 VIII
1
   1.693,38 
   1.778,05 
   1.866,95 
   1.960,30 
   2.058,31 
   2.161,23 
   2.269,29 
   2.382,75 
2
   1.871,18 
   1.964,74 
   2.062,98 
   2.166,13 
   2.274,43 
   2.388,16 
   2.507,56 
   2.632,94 
3
   2.067,66 
   2.171,04 
   2.279,59 
   2.393,57 
   2.513,25 
   2.638,91 
   2.770,86 
   2.909,40 
4
   2.284,76 
   2.399,00 
   2.518,95 
   2.644,90 
   2.777,14 
   2.916,00 
   3.061,80 
   3.214,89 
5
   2.524,66 
   2.650,89 
   2.783,44 
   2.922,61 
   3.068,74 
   3.222,18 
   3.383,29 
   3.552,45 
6
   2.789,75 
   2.929,24 
   3.075,70 
   3.229,48 
   3.390,96 
   3.560,51 
   3.738,53 
   3.925,46 
7
   3.082,67 
   3.236,81 
   3.398,65 
   3.568,58 
   3.747,01 
   3.934,36 
   4.131,08 
   4.337,63 
8
   3.406,35 
   3.576,67 
   3.755,51 
   3.943,28 
   4.140,45 
   4.347,47 
   4.564,84 
   4.793,08 

TABELA III – 24 HORAS SEMANAIS
Faixa/Nível
 I
 II
 III
 IV
 V
 VI
 VII
 VIII
1
   1.354,70 
   1.422,44 
   1.493,56 
   1.568,24 
   1.646,65 
   1.728,98 
   1.815,43 
   1.906,20 
2
   1.496,95 
   1.571,79 
   1.650,38 
   1.732,90 
   1.819,55 
   1.910,52 
   2.006,05 
   2.106,35 
3
   1.654,13 
   1.736,83 
   1.823,67 
   1.914,86 
   2.010,60 
   2.111,13 
   2.216,69 
   2.327,52 
4
   1.827,81 
   1.919,20 
   2.015,16 
   2.115,92 
   2.221,71 
   2.332,80 
   2.449,44 
   2.571,91 
5
   2.019,73 
   2.120,72 
   2.226,75 
   2.338,09 
   2.454,99 
   2.577,74 
   2.706,63 
   2.841,96 
6
   2.231,80 
   2.343,39 
   2.460,56 
   2.583,59 
   2.712,77 
   2.848,41 
   2.990,83 
   3.140,37 
7
   2.466,14 
   2.589,45 
   2.718,92 
   2.854,86 
   2.997,61 
   3.147,49 
   3.304,86 
   3.470,11 
8
   2.725,08 
   2.861,34 
   3.004,41 
   3.154,63 
   3.312,36 
   3.477,97 
   3.651,87 
   3.834,47 

TABELA IV – 12 HORAS SEMANAIS

Faixa/Nível
 I
 II
 III
 IV
 V
 VI
 VII
 VIII
1
      677,35 
      711,22 
      746,78 
      784,12 
      823,32 
      864,49 
      907,72 
      953,10 
2
      748,47 
      785,90 
      825,19 
      866,45 
      909,77 
      955,26 
   1.003,03 
   1.053,18 
3
      827,06 
      868,42 
      911,84 
      957,43 
   1.005,30 
   1.055,57 
   1.108,34 
   1.163,76 
4
      913,90 
      959,60 
   1.007,58 
   1.057,96 
   1.110,86 
   1.166,40 
   1.224,72 
   1.285,96 
5
   1.009,86 
   1.060,36 
   1.113,38 
   1.169,04 
   1.227,50 
   1.288,87 
   1.353,31 
   1.420,98 
6
   1.115,90 
   1.171,70 
   1.230,28 
   1.291,79 
   1.356,38 
   1.424,20 
   1.495,41 
   1.570,18 
7
   1.233,07 
   1.294,72 
   1.359,46 
   1.427,43 
   1.498,80 
   1.573,74 
   1.652,43 
   1.735,05 
8
   1.362,54 
   1.430,67 
   1.502,20 
   1.577,31 
   1.656,18 
   1.738,99 
   1.825,94 
   1.917,23 


PROFESSOR EDUCAÇÃO BÁSICA I

TABELA I – 40 HORAS SEMANAIS
Faixa/Nível
 I
 II
 III
 IV
 V
 VI
 VII
 VIII
1
   1.950,40 
   2.047,92 
   2.150,31 
   2.257,83 
   2.370,72 
   2.489,26 
   2.613,72 
   2.744,41 
2
   2.155,19 
   2.262,95 
   2.376,10 
   2.494,90 
   2.619,65 
   2.750,63 
   2.888,16 
   3.032,57 
3
   2.381,49 
   2.500,56 
   2.625,59 
   2.756,87 
   2.894,71 
   3.039,45 
   3.191,42 
   3.350,99 
4
   2.631,54 
   2.763,12 
   2.901,27 
   3.046,34 
   3.198,65 
   3.358,59 
   3.526,52 
   3.702,84 
5
   2.907,85 
   3.053,25 
   3.205,91 
   3.366,20 
   3.534,51 
   3.711,24 
   3.896,80 
   4.091,64 
6
   3.213,18 
   3.373,84 
   3.542,53 
   3.719,65 
   3.905,64 
   4.100,92 
   4.305,96 
   4.521,26 
7
   3.550,56 
   3.728,09 
   3.914,49 
   4.110,22 
   4.315,73 
   4.531,52 
   4.758,09 
   4.996,00 
8
   3.923,37 
   4.119,54 
   4.325,52 
   4.541,79 
   4.768,88 
   5.007,32 
   5.257,69 
   5.520,58 

TABELA II – 30 HORAS SEMANAIS
Faixa/Nível
 I
 II
 III
 IV
 V
 VI
 VII
 VIII
1
   1.462,80 
   1.535,94 
   1.612,74 
   1.693,37 
   1.778,04 
   1.866,94 
   1.960,29 
   2.058,30 
2
   1.616,39 
   1.697,21 
   1.782,07 
   1.871,18 
   1.964,74 
   2.062,97 
   2.166,12 
   2.274,43 
3
   1.786,11 
   1.875,42 
   1.969,19 
   2.067,65 
   2.171,03 
   2.279,58 
   2.393,56 
   2.513,24 
4
   1.973,66 
   2.072,34 
   2.175,96 
   2.284,75 
   2.398,99 
   2.518,94 
   2.644,89 
   2.777,13 
5
   2.180,89 
   2.289,93 
   2.404,43 
   2.524,65 
   2.650,88 
   2.783,43 
   2.922,60 
   3.068,73 
6
   2.409,88 
   2.530,38 
   2.656,90 
   2.789,74 
   2.929,23 
   3.075,69 
   3.229,47 
   3.390,95 
7
   2.662,92 
   2.796,07 
   2.935,87 
   3.082,66 
   3.236,80 
   3.398,64 
   3.568,57 
   3.747,00 
8
   2.942,53 
   3.089,65 
   3.244,14 
   3.406,34 
   3.576,66 
   3.755,49 
   3.943,27 
   4.140,43 



TABELA III – 24 HORAS SEMANAIS
Faixa/Nível
 I
 II
 III
 IV
 V
 VI
 VII
 VIII
1
   1.170,24 
   1.228,75 
   1.290,19 
   1.354,70
   1.422,43
   1.493,55
   1.568,23
   1.646,64
2
   1.293,11 
   1.357,77 
   1.425,66 
   1.496,94
   1.571,79
   1.650,38
   1.732,90
   1.819,54
3
   1.428,89 
   1.500,34 
   1.575,35 
   1.654,12
   1.736,83
   1.823,67
   1.914,85
   2.010,59
4
   1.578,92 
   1.657,87 
   1.740,76 
   1.827,80
   1.919,19
   2.015,15
   2.115,91
   2.221,71
5
   1.744,71 
   1.831,95 
   1.923,54 
   2.019,72
   2.120,71
   2.226,74
   2.338,08
   2.454,98
6
   1.927,91 
   2.024,30 
   2.125,52 
   2.231,79
   2.343,38
   2.460,55
   2.583,58
   2.712,76
7
   2.130,34 
   2.236,85 
   2.348,70 
   2.466,13
   2.589,44
   2.718,91
   2.854,85
   2.997,60
8
   2.354,02 
   2.471,72 
   2.595,31 
   2.725,07
   2.861,33
   3.004,39
   3.154,61
   3.312,35

TABELA IV – 12 HORAS SEMANAIS

Faixa/Nível
 I
 II
 III
 IV
 V
 VI
 VII
 VIII
1
      585,12 
      614,38 
      645,09 
      677,35 
      711,22 
      746,78 
      784,12 
      823,32 
2
      646,56 
      678,88 
      712,83 
      748,47 
      785,89 
      825,19 
      866,45 
      909,77 
3
      714,45 
      750,17 
      787,68 
      827,06 
      868,41 
      911,83 
      957,43 
   1.005,30 
4
      789,46 
      828,94 
      870,38 
      913,90 
      959,60 
   1.007,58 
   1.057,95 
   1.110,85 
5
      872,36 
      915,97 
      961,77 
   1.009,86 
   1.060,35 
   1.113,37 
   1.169,04 
   1.227,49 
6
      963,95 
   1.012,15 
   1.062,76 
   1.115,90 
   1.171,69 
   1.230,28 
   1.291,79 
   1.356,38 
7
   1.065,17 
   1.118,43 
   1.174,35 
   1.233,07 
   1.294,72 
   1.359,45 
   1.427,43 
   1.498,80 
8
   1.177,01 
   1.235,86 
   1.297,65 
   1.362,54 
   1.430,66 
   1.502,20 
   1.577,31 
   1.656,17


Fonte:http://entendaseuholerite.blogspot.com.br/