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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

376 famílias são violentamente expulsas de comunidade em Fortaleza

376 famílias são violentamente expulsas de comunidade em Fortaleza

Um cenário de guerra. Mulheres grávidas, crianças e trabalhadores desarmados contra 150 policiais da Tropa de Choque. Resultado: 376 famílias pobres violentamente despejadas de uma comunidade carente

Veja a seguir cenas do despejo forçado na manhã do dia 20 de fevereiro de 2014 na comunidade Alto da Paz, no bairro Vicente Pinzón, em Fortaleza. Cerca de 376 famílias ocupavam o terreno desde setembro de 2012. Após uma série de negociações frustradas com a Prefeitura (proprietária do terreno), a ordem judicial de despejo foi cumprida com a presença de 150 homens do Batalhão de Choque.
Vídeo:
Grávida agredida
Juliane Queiroz da Silva, 20, moradora da Comunidade Alto da Paz foi surpreendida pela chegada da polícia em seu barraco. Grávida de 8 meses, Juliane recebeu um chute de um policial.
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Girlane da Silva (dir.), grávida de 8 meses, foi agredida em despejo (Reprodução)
Sua mãe, Ana Célia, ao chegar no local, encontrou sua filha gritando de dor com a marca do coturno em sua barriga. A grávida foi imediatamente levada para a ambulância que estava no local.
“Disseram pra gente que era uma varrição na praia. Isso aqui tá errado. Se soubesse não teria vindo”
Vestidos de uniforme laranja, vários dos garis da Prefeitura escalados para o despejo pareciam desconfortáveis, enquanto ajudavam os moradores do Alto da Paz a retirarem seus pertences de casa. Não era só o calor, os estampidos de bala aqui e ali, a gritaria. Quando subiram na caçamba de um caminhão (“Viemos igual cachorro, no meio do entulho, de cheiro de merda…“) rumo ao Vicente Pinzón, não sabiam qual serviço lhes esperava.
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Um disse pensar que iriam capinar o meio fio da avenida Dioguinho. Outro chegou furtivo e disse nos nossos ouvidos: “Disseram pra gente que era uma varrição na praia. Isso aqui tá errado. Se soubesse, não tinha vindo.” Todos com quem falamos moram em bairros periféricos de Fortaleza (Bonsucesso, Bom Jardim, José Walter), ganham um salário mínimo e pagam aluguéis entre R$ 200 e 350. Nenhum disse morar numa ocupação.
“Lembrei agora da minha cama…”
O seu Francisco, de 70 anos, desceu a rua Ismael Pordeus arrastando no calçamento o assoalho metálico de seu carrinho de catar material reciclado. Desceu rápido como se já soubesse pra onde ir. Cruzou no caminho com uma formação da cavalaria que subia a ladeira rumo à entrada da comunidade. Estancou dois quarteirões depois da barreira policial para descansar um pouco.
Seu Francisco (Reprodução)
Seu Francisco (Reprodução)
Carregava sacolas com roupas, a televisão de 14 polegadas, um fogão, o bujão de gás, panelas e o que sobrou da despensa. “Não é pra levar, não?”, assustou-se quando chegamos pra entrevistá-lo. Desconfiou que não poderia se tirar nada da casa. Depois mostrou a marca na batata da perna do que deve ter sido uma bala de borracha. Natural de Canindé, chegou a Fortaleza em 1970. Morou a vida toda nas redondezas da Praia do Futuro, sustentando-se da coleta de sucata e material reciclado. Disse que voltaria agora para um quartinho alugado na PF. E quando ia retomar a marcha, espantou-se num pulo com as mãos na cabeça: “Ih! Olha! Lembrei agora da minha cama… A cama novinha… Será que dá pra buscar ainda?”
Confira abaixo mais imagens do despejo da comunidade Alto da Paz:
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com informações de NigeriaFilmes e agências locais
Fonte: http://www.pragmatismopolitico.com.br/

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O que as ocupações revelam sobre a gestão Haddad - Parte 1

Parte 1 – A gestão Haddad e as Empreiteiras

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Quem vive nas periferias sente na pele as trágicas consequências de um crescimento urbano movido pelo lucro das grandes empresas, que se sustenta por meio do suor e do sofrimento da população trabalhadora. De tempos em tempos somos despejados pela força da polícia ou do mercado (o aumento do preço das terras, dos aluguéis e do custo de vida), e temos que nos abrigar em locais mais distantes e precários.Há anos temos denunciado a maneira como a cidade de São Paulo tem sido construída e reconstruída aqui, nas bandas do Grajaú e arredores. Às vésperas das eleições, são feitos contratos com grandes empreiteiras, que não por coincidência são as principais financiadoras das campanhas político-partidárias. Sob o argumento mentiroso da preservação ambiental e da reurbanização de favelas, milhares de pessoas foram e continuam sendo despejadas, sem alternativa habitacional. Quando muito, recebem o auxílio-aluguel de 400 reais e uma promessa de moradia num pedaço de papel. Com esses despejos em massa, os preços dos aluguéis subiram às alturas, e se tornou impossível para uma família com muitos filhos encontrar uma casa aqui na região.
pq-cocaia-resistePor outro lado, na maioria das vezes as áreas despejadas permanecem abandonadas por anos, e nem os entulhos das casas destruídas são removidos, compondo um quadro de devastação e de risco para a vizinhança. Em alguns casos, aempreiteira planta um tanto de grama e passa a chamar aquilo de parque ou de praça, que também ficam abandonados ou usados de maneira prejudicial à população do entorno. Um exemplo disso é o do Cantinho do Céu, e outro é a da Vila Brejinho: quando centenas de famílias foram removidas desses bairros, em 2010, prometia-se nesses locais a criação de um parque e de um sistema de esgoto, tanto que passaram a cobrar a água e o esgoto da população que não foi despejada. Porém, o entulho que não foi jogado na represa pela empresa responsável pela obra permanece no mesmo local em que a casa foi destruída, e até hoje o esgoto das demais residências é jogado na represa Billings sem tratamento! (Para mais informações, veja aqui,aqui e aqui – vídeos da vila brejinho destruída, da denuncia despejo e do cantinho do ceu)
despejo 1Cada uma dessas obras tem um custo altíssimo, e um impacto social devastador. Até uns poucos meses atrás, a gestão Haddad insistiu nesse caminho de tirar as famílias humildes para criar os parques de mentira. Uma prova disso é que emfevereiro, empregando os mesmos métodos da gestão anterior, a atual gestão tentou iniciar o despejo de cerca de 2 mil famílias no Parque Cocaia I, ação essa que foi barrada pela organização popular (veraqui e aqui). E nos últimos meses vimos despejos no Jardim Prainha, no Alto da Alegria, no Jd. Eliana, e existem vários outros na iminência de acontecer.
???????????????????????????????Como temos repetido, as ocupações que se multiplicaram em nossa região são uma resposta popular a essa política de massacre. Num primeiro momento, a reação da gestão Haddad foi criminalizar as famílias em luta, chamando-as de oportunistas. Depois disso, passou a estimular e a realizar despejos, como o que ocorreu no dia 16 de setembro no Jd. daUnião (no Itajaí), quando sem ordem judicial e sem aviso prévio a Prefeitura mobilizou a Tropa de Choque e outras forças policiais, que atacaram violentamente crianças, gestantes, idosos, pais e mães de família, e roubaram geladeiras, fogões, camas, instrumentos de trabalho (como maquitas, marretas, pontaletes etc.), celulares, uma filmadora, e diversos outros pertences.
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Ao mesmo tempo, conseguiram uma façanha: a gestão Haddad alegava que o terreno do Itajaí seria destinado ao ParqueLinear Ribeirão Cocaia, e por esse motivo faria o despejo das famílias. Menos de uma semana depois, em reunião marcada após a ocupação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o Secretário de Habitação anunciou que o mesmo terreno abrigaria cerca de 5 mil moradias, e que o projeto (que como sempre não foi apresentado aos manifestantes) já estava em Brasília! A capacidade técnica da Prefeitura, que consegue fazer um projeto de 5 mil casas em poucos dias, só é superada pela sua irresponsabilidade política e social. Numa região tão carente de infraestrutura, de equipamentos de saúde, de creches, de transporte, de uma hora para outra a gestão Haddad propõem um adensamento habitacional superior ao da Cidade Tiradentes!!!
IMG_3803O que explica esses argumentos contraditórios, esse vai-e-vem, essa truculência, essa intransigência, esse desrespeito às necessidades da população? A resposta é uma só: vale tudo quando se trata de atender aos interesses econômicos dasgrandes empresas. Assim, o argumento ambiental é bom como motivo para despejar a população pobre, mas é logo posto de lado quando se trata de atender aos interesses das empreiteiras, os patrões do Haddad. E quem coloca qualquer obstáculo à busca desenfreada dessas empresas por lucros, mesmo com uma reivindicação legítima e de maneira organizada, é tido como inimigo mortal, que deve ser aniquilado.
prot recanto centro_3939Como afirmou com todas as letras o Secretário de Habitação, não existe qualquer possibilidade de discutir um projeto habitacional nos terrenos da Prefeitura, pois todos eles serão destinados às “empreiteiras da Prefeitura”. Isso é um lapso do secretário; não é a Prefeitura que possui empreiteiras, são asempreiteiras que possuem a Prefeitura de São Paulo, e outras tantas prefeituras pelo país afora. Elas foram os principais financiadores da campanha do Haddad e dos vereadores do PT, e não é à toa que a administração Haddad manteve na coordenação do Programa Mananciais as mesmas pessoas que faziam parte da gestão Kassab, como o engenheiro Ricardo Sampaio, figura truculenta, arrogante e insensível. Afinal, como diz o ditado, “quem paga a banda escolhe a música”.
Não somos ingênuos, não esperamos de uma Prefeitura qualquer ação no sentido de combater esse sistema podre, que nos oprime. Mas esperávamos um mínimo de esforço por parte da gestão Haddad para evitar uma tragédia social ainda maior, mesmo que isso significasse um lucro um pouquinho menos exorbitante para as empreiteiras.
itajaiSVMA_5244peqDa nossa parte, lutamos e nos esforçamos para fugir de duas armadilhas: pensamos a ocupação dos terrenos com a construção de moradias dignas, e não de caixas de concreto,favelas verticalizadas. Além disso, pensamos a ocupação do espaço com a criação de áreas coletivas, espaços culturais, creches, equipamentos de saúde, sistemas de transporte e áreas de lazer que preservem as poucas áreas verdes que ainda existem. É por isso que juntamos a luta por moradia com diversas outras lutas.
Diante disso, cabe refletir um pouco sobre como tem se dado a relação da administração Haddad com as lutas do povo e com os movimentos sociais, o que faremos na segunda parte desse texto.

domingo, 22 de setembro de 2013

Manifesto de Apoio às Ocupações do Grajaú e de Repúdio à Violência Policial contra os Trabalhadores e Trabalhadoras em Luta por Moradia.

Carta aberta aos  intelectuais de esquerda que apoiam a luta das ocupações no extremo sul.

Desde junho estamos vivendo um momento de transformações nas formas de luta no Grajaú e outras regiões do Extremo Sul da cidade de São Paulo. Muitas áreas ociosas foram ocupadas para pressionar os governos na tentativa de acelerar o cumprimento das promessas referente as políticas habitacionais. Como era esperado , nas ultimas semanas a repressão contra os lutadores se intensificou.( Ver em:  http://redeextremosul.wordpress.com/),  militantes  foram arbitrariamente presos, mulheres e crianças foram agredidas pelo aparato policial (Prefeitura e Estado). Hoje temos centenas de famílias desalojadas.
Diante dessa barbárie criamos frentes de luta.  Estamos solicitando apoio de Sindicatos, movimentos sociais, grupos de cultura, universidades entre outros repúdiando à Violência Policial  contra periferia em luta. 
O professor Paulo Arantes (FFLCH USP) está nos ajudando a recolher assinaturas para um manifesto de intelectuais de esquerda que apoiam a luta das ocupações no extremo sul.
Agradecemos o apoio!

Prof. Claudemir Mazucheli
Rede de Comunidade Extremo Sul.

Segue o texto e assinaturas que temos até agora, se puder mandar a outros camaradas, agradecemos muito.

Manifesto de Apoio às Ocupações do Grajaú e de Repúdio à Violência Policial contra os Trabalhadores e Trabalhadoras em Luta por Moradia.

A falta de moradias e a precariedade das condições de habitação de grande parte da população pobre de São Paulo sempre foi um problema social grave, e tem piorado nos últimos anos. Por meio da ação de grandes empreiteiras e imobiliárias, respaldadas e incentivadas pelo Estado em âmbito municipal, estadual e federal, regiões que abrigam uma importante parcela da população trabalhadora da cidade passaram a ser objeto de violenta especulação imobiliária. O distrito do Grajaú, que concentra mais de 1 milhão de pessoas, tem sido varrido por uma onda de despejos em massa. Via de regra, às famílias atingidas é oferecida uma indenização pífia ou o auxílio-aluguel, desencadeando um brutal aumento do déficit habitacional, do preço dos aluguéis, bem como do custo de vida na região de uma maneira geral.
Em resposta a esse quadro desesperador, sobretudo nos últimos dois meses dezenas de terrenos abandonados foram ocupados de maneira espontânea pela população pobre do extremo sul de São Paulo. Em muitos casos, em meio a um processo intenso de organização, os ocupantes se engajaram em viabilizar um projeto habitacional nas áreas ocupadas, buscando garantir não apenas a construção de moradias, mas também a preservação ambiental, e a criação de equipamentos públicos e de áreas coletivas.
Diversos esforços foram feitos no sentido de discutir esses projetos com a administração do Prefeito Fernando Haddad, que reiteradamente negou a possibilidade de diálogo. Além disso, por diversas vezes se afirmou publicamente que os ocupantes são oportunistas, que supostamente querem “furar” as irreais “filas de espera” da COHAB e da Secretaria Municipal de Habitação. Além disso, foi dito categoricamente por membros da gestão Haddad que todos os terrenos públicos serão reintegrados, e que inclusive iriam pressionar os proprietários dos terrenos privados a solicitar a reintegração de posse na justiça.
A intransigência e a truculência da atual gestão municipal chegou a um ponto extremo no dia 16 de setembro, quando, sem qualquer aviso prévio e sem ordem judicial, o Prefeito Fernando Haddad e a Subprefeita da Capela do Socorro, Cleide Pandolfi, mobilizaram a Tropa de Choque da Polícia Militar, bem como efetivos da Guarda Civil Metropolitana e da Guarda Ambiental para despejar violentamente os moradores do Jardim da União, que ocupavam um imenso terreno abandonado, de propriedade da Prefeitura de São Paulo. Bombas de gás lacrimogêneo, sprays de pimenta, balas de borracha e cassetetes foram empregados contra crianças, idosos, gestantes, pais e mães de família que já haviam se comprometido a desocupar a área pacificamente. Móveis, geladeiras, fogões e diversos outros pertences dessas famílias foram destruídos e extraviados, celulares e câmeras filmadoras foram roubados, pessoas foram detidas... Uma violência desmedida e inaceitável objetivando dar cabo a uma reivindicação legítima e necessária.
A questão habitacional do Grajaú não será resolvida com repressão policial, e nem com intransigência, desqualificação e medidas paliativas. Reivindicamos a abertura de uma real negociação entre as famílias ocupantes e o Prefeito Fernando Haddad, para que se viabilize a implementação de programas habitacionais nos terrenos ocupados. E repudiamos o emprego de violência contra as famílias em luta, como ocorreu no trágico dia 16 de setembro. Todo Apoio à Ocupação Jardim da União, e às demais ocupações do Grajaú! Abaixo a Repressão contra a população em luta por moradia!

Paulo Arantes - FFLCH USP
Otília Beatriz Fiori Arantes - FAU-USP
Boaventura de Sousa Santos, Universidade de Coimbra
Maria Rita Kehl. psicanalista, SP
Roberto Leher - UFRJ
Lincoln Secco - USP
Ivana Jinkings, editora, SP
Caio N. de Toledo. - Unicamp
João Bernardo, escritor
Luiz Bernardo Pericás , USP  
Yanina Stasevskas, psicanalista, SP
Clarisse Chiappini Castilhos, economista, Porto Alegre
Lorene Figueiredo, UFF
Elie Ghanem – FEUSP
Rubens Barbosa Camargo – FEUSP
Hamilton Octávio – PUC-SP
Isabel Loureiro – UNESP
Amarílio Ferreira Junior – professor -Ufscar
Marisa Bittar- Ufscar
Marcos Barbosa de Oliveira – FEUSP
 
Novas
Ricardo Antunes – UNICAMP
Marcus Orione, Professor da Faculdade de Direito – USP

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O GRAJAÚ ACORDOU COM GÁS LACRIMOGÊNEO ONTEM

Cerca de 400 pessoas acordaram ao som de bombas de gás lacrimogêneo nessa segunda (16 de setembro) pela manhã na ocupação Jardim da União, no bairro do Itajaí, Grajaú. Esse é o quinto despejo que enfrentam os moradores ocupantes da área – onde está prevista a instalação de um parque – há cerca de 50 dias.  Efetivos da Guarda Civil Metropolitana, da Polícia Militar e da Tropa de Choque estavam por lá. Duas pessoas foram detidas e soltas no fim do dia. Uma delas foi acusada de agredir um policial, que apareceu na delegacia com uma perna enfaixada. Segundo os moradores, foi o policial que partiu para a agressão e o momento foi gravado. Pressionada, a polícia não denunciou o caso. Barracos foram derrubados, assim como roupas, objetos e móveis foram apreendidos. Quem estava gravando com o celular, perdeu o aparelho para a polícia. O mesmo aconteceu com a câmera da Rede Extremo Sul.
Juntamente com os protestos de junho convocados pelo MPL, uma onda de ocupações tomou conta de terrenos inativos do Grajaú. Famílias com baixo ou nenhum salário deixaram de pagar aluguel para viver sobre terra batida, em barracos improvisados com madeirite e lona.
Um protesto feito na semana passada pelo centro de São Paulo rendeu uma reunião com Marco Antonio Biasi, secretário adjunto da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab). No encontro, foi pedido que os ocupantes apresentassem um plano de moradia. Assim, a Sehab poderia intermediar um acordo junto à Secretaria do Verde e Meio Ambiente, dona do terreno. Foi o que me contou Sandra, uma das moradoras desocupadas. Ainda segundo ela, durante as negociações, os ocupantes pediram para que cessassem as reintegrações até a entrega do plano e Biasi concordou. Como prova, um vídeo foi feito pela Rede Extremo Sul (que estava em uma das câmeras apreendidas na manhã de ontem). Os moradores me informaram que Biasi teria prometido uma nova reunião para solucionar a questão do terreno, mas que a resposta foi a truculência. Falei com a assessoria de imprensa da Sehab e eles justificam que as ocupações prejudicam a política habitacional em curso, “cuja meta é a entrega de 55 mil unidades nos próximos quatro anos”.  Sobre o encontro dos moradores com Biasi, disseram que “as famílias serão cadastradas nos programas habitacionais. No entanto, não terão prioridade no atendimento”.
Assim que a Tropa de Choque chegou, por volta das 8h15, a galera da ocupação pediu um tempo para entrar em contato com o secretário. Foram negociados 30 minutos para isso. “Conseguimos falar com ele no último momento, e ele disse que nem ele, nem a Prefeitura iam tomar uma posição. Aí a Tropa de Choque começou a agir”, conta Sandra. “Os móveis que conseguimos arrastar pra rua também foram levados. Aí começa a ser roubo. Eles falam pra retirarmos na Prefeitura. Pra buscar, precisa da nota fiscal. Existe nota fiscal de um fogão velho?”.
Sócrates, um dos ocupas, disse ter apanhado dos policiais e tirou a camisa pra mostrar as marcas.

Uma das indignações recorrentes era o fato de que a maioria dos policiais estavam sem identificação. Quando alguém reclamou com o comandante da PM sobre isso, ele disse que tinha justificativas para não estar identificado. “É uma norma da PM. É uma ação de controle de distúrbios civis”, falou. Quando um cara reclamou por ter apanhado sem ter feito nada, o comandante disse que ele deveria fazer um B.O., algo meio complicado quando não se sabe o nome do policial. Eram muitas as perguntas dos moradores: por que a polícia tomou o celular de quem estava gravando? Por que a polícia apreendeu uma câmera digital? Por que a policial chegou com bombas de gás e spray de pimenta? “Infelizmente, ainda não inventaram uma arma de rosas pra gente espantar os outros”, resumiu o comandante. Veja o vídeo que fiz a seguir:

Na rua em frente à ocupação, famílias desoladas estavam pela calçada. Crianças de colo, grávidas, idosos, jovens. A maioria ficou somente com a roupa do corpo. Nem RG, nem colchão para contar história. Tânia, mãe de um recém-nascido e de uma menina de quatro anos, disse que, assustada, não teve tempo de ir até seu barraco pegar as coisas das crianças. “Bolsa, fralda, mamadeira. Levaram tudo. Minha filha está assustada, chorando. Eu não podia ficar lá. Peguei um pela mão e outro no colo e saí correndo. Nem eu sei o que vou fazer agora”, me conta.
Um vizinho do Jardim da União abriu os portões de casa e, num fogão improvisado no quintal, os moradores fizeram o almoço. Arroz, peixe frito e salada de maionese. Aproveitei para conversar com eles sobre a manhã de ontem.
Diómedes

O que aconteceu no Jardim da União?
Aconteceu um descaso. Estamos em busca de um terreno. Na reunião da semana passada, o secretário de habitação de São Paulo disse que até quarta-feira dessa semana nos daria uma resposta. Mas acordamos hoje com a Tropa de Choque.

Com quem você morava?
Eu, minha esposa e meu filho.

Você conseguiu recuperar alguma coisa?
Nada, nada. Trouxe algumas coisas aqui pra fora, mas eles vieram, jogaram bombas na rua e levaram tudo.

E o que você e sua família vão fazer agora?
Minha esposa e meu filho estão na casa de uma tia dela. Vou ver o que faço da minha vida. A gente não quer esse terreno de graça. Queríamos que eles fizessem um carnezinho, fizessem um financiamento pra gente pagar. Não queremos de graça. Todo mundo trabalha. Da mesma forma como pagamos um aluguel, podemos pagar um financiamento. Não faz sentido ter um parque num lugar onde muita gente paga 600, mil reais de aluguel por mês.

Francisco e Cida

Há quanto tempo vocês moram aqui?
Cida: Desde o começo. Faz cinquenta e poucos dias. Até a hora que soltaram bombas e quase soltaram no meu bebezinho. Minha netinha tem um ano e pouco, também estava aqui dentro. Pulamos esse muro aqui. Não dava nem pra enxergar. Pedi pra mulher de uma casa aqui na rua pra lavarmos o rostinho do meu filho com água. Porque eles jogavam bombas de gás. Policial não respeita ninguém, filha.

Antes de vir pra cá, onde vocês moravam?
Em casa de aluguel. A gente pagava 500 e poucos de aluguel, com água e luz dava quase 600 reais. E é só ele que trabalha. Eu sou desempregada.

Com que o senhor trabalha, Sr. Francisco?
Francisco: Na Prefeitura.
Cida: Ele é gari.

E o que vocês vão fazer agora?
Cida: Vamos esperar a mão de Deus.
Francisco: Esperar devagarzinho.
Cida: Nós não vamos desistir. Vamos lutar pela nossa moradia.

Sócrates

Você mora com quem?
Com meu irmão.

Como foi o momento em que te bateram?
Eu estava subindo ali e os caras falaram “você não vai entrar”. Aí três, quatro policiais começaram a me bater. Eu estava com o celular na mão e caiu no chão. Tentei pegar e o policial chutou. Saí correndo e ele continuou me batendo.

Maria José

O que aconteceu na ocupação?
Assim que cheguei, vi a fumaça e a garganta começou a doer, o olho correndo água. Aí eu corri.

A senhora conseguiu recuperar alguma coisa?
Nada. Quando eu cheguei aqui as bombas estavam explodindo. Não cheguei mais pra frente. Perdi tudo. Eu comprei o material pra fazer o barraco. Gastei um dinheiro que eu não podia.

A senhora trabalha?
Em casa de família. Meu salário não é muito. Tenho três filhos e pago aluguel. Mas eu vivia mais aqui.

O que a senhora vai fazer agora?
Lutar. Fui na manifestação que teve no centro da cidade. Vamos à luta.

Siga a Débora Lopes no Twitter: @deboralopes

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Acorrentamento contra o despejo da Ocupação Jd. da União


 Os moradores da Ocupação Jardim da União, do Itajaí (Grajaú) foram em marcha para a Subprefeitura da Capela do Socorro, que executou a ação de despejo pela manhã. Neste momento, os manifestantes estão acorrentados na subprefeitura, exigindo atendimento e respeito à reivindicação de moradia.

Periferia Luta! 
Todo poder ao povo!






terça-feira, 30 de julho de 2013

Ocupações do Grajaú se fortalecem


União e Organização

???????????????????????????????Hoje, a ocupação do terreno da Chácara, próximo ao Mutirão (Jd. Lucélia) ganhou nome: Recanto da Vitória. Apesar da repressão policial, que por várias vezes exigiu a desocupação da área, ameaçou que a tropa de choque faria o despejo, e inclusive levou pessoas à delegacia sem apresentar qualquer acusação, os moradores estão animados e trabalhando para consolidar a ocupação. Na Ocupação Povo Unido Para Vencer, também o dia foi de muito trabalho para a???????????????????????????????organização dos espaços, mas não houve qualquer tentativa de intimidação e de ameaça por parte das polícias.
???????????????????????????????Aos poucos, as ocupações no Grajaú estão se organizando, se fortalecendo, e se multiplicando também. E não existe aqui nenhum mistério: é a resposta popular aos proprietários que mantém grandes áreas vazias, sem função nenhuma, a não ser a de ganhar dinheiro com isso (a chamada especulação). É a resposta aos governantes, que ???????????????????????????????protegem esses proprietários, e que buscam promover a especulação, despejando milhares de pessoas, e tentando expulsar a população pobre de nossa região. É também a resposta às indenizações miseráveis que os governantes dão a essas pessoas, e ao cheque-despejo disfarçado, o tal bolsa-aluguel; é a resposta ao fato de que não se constrói moradia popular para as famílias que são expulsas de suas casas, e para aqueles tantos que nunca tiveram uma casa própria.
???????????????????????????????Enfim, é a resposta correta, pois a terra deve ser usada por quem precisa dela para viver, trabalhar e se alimentar, e não para os parasitas que se beneficiam com o suor e o sofrimento dos demais. Todo Poder ao Povo! 
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Fonte:http://redeextremosul.wordpress.com

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Dossiê das Remoções 2013


 O Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro é o responsável pela segunda versão deste dossiê. Com informações atualizadas, o dossiê procura denunciar as violações em curso do direito à moradia e evidencia o desrespeito do direito dos cidadãos e cidadãs de terem acesso à informação e de participarem dos processos decisórios

terça-feira, 15 de maio de 2012

Especulação imobiliária e corrupção


Os milagres dos governantes

No mesmo dia, a grande imprensa publica duas notícias que se complementam. A primeira é que, segundo um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento, 62% dos habitantes de São Paulo não tem condições de comprar uma casa, e que 33% das famílias brasileiras são sem teto ou não tem moradia adequada (vejaaqui), o que segundo o último levantamento do IBGE é ainda pior (43% das habitações brasileiras seriam inadequadas).
A outra notícia é que um Diretor da gestão Kassab, que entre 2005 e 2012 foi responsável por aprovar obras imobiliárias na cidade de São Paulo, adquiriu nesse período mais de 100 imóveis, no valor de mais de R$ 50 milhões. E isso declarando no imposto de renda uma renda mensal de R$ 20 mil! (veja aqui).
Eis aí o milagre da “multiplicação dos imóveis”, junto ao repetido milagre de enriquecer ainda mais os endinheirados, e de jogar a população em condições terríveis de existência.
Mas a questão que fica é: deixaremos esses desgraçados continuar a realizar o milagre de conter nossa revolta?

Mais de 60% das famílias não podem comprar casa em São Paulo


VANESSA CORREA


Na cidade de São Paulo, 62% das famílias não têm condições de comprar uma casa ou apartamento próprio. E isso ocorre, na maior parte dos casos, porque os imóveis estão muito caros.
Essas são algumas das conclusões de um levantamento feito pelo BID (BancoInteramericano de Desenvolvimento) em 18 países da América Latina e do Caribe.
O dado foi calculado com base na porcentagem de domicílios que gastariam mais de 30% de sua renda para pagar prestações de financiamento de 20 anos, com 10% de entrada, considerando o imóvel mais barato em oferta. Em São Paulo, esse imóvel custa US$ 40 mil, diz o banco.
Rivaldo Gomes - 19.jan.2012/Folhapress
Casas da favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, cidade onde imóveis são considerados caros
Casas da favela de Heliópolis, na zona sul de São Paulo, cidade onde imóveis são considerados caros
PREÇO ALTO
Segundo o coordenador da pesquisa, Cesar Bouillon, o principal motivo para a incapacidade dessas famílias de comprar sua casa é o preço elevado do imóvel na cidade e a escassez de imóveis para a população de baixa renda. Esse fator impede que 32% adquiram a casa própria.
"A maior parte dos imóveis em oferta é para famílias ricas", diz Bouillon. Para ele, o governo precisa incentivar, através de políticas, as empresas a construírem imóveis para a população mais pobre.
A Folha tentou entrevistar o secretário da Habitação, Ricardo Pereira Leite, mas ele não estava disponível.
O estudo identificou outros motivos para as famílias paulistanas não conseguirem comprar um imóvel, além do preço elevado: renda muito baixa (7%), dificuldade de comprovar renda (25%) e altas taxas de juros (8%).
A cidade latino-americana com maior porcentagem de famílias que não conseguem comprar um imóvel (não entram na conta as famílias que podem construir suas próprias casas) é Caracas, na Venezuela. Lá, o imóvel mais barato custa US$ 54 mil.

Gráficos sobre habitação na América Latina

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Divulgação/BID
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Mais de 60% das famílias não podem comprar casa em SP Leia mais
Para o especialista em políticas sociais Haroldo Torres, parte grande das famílias já tem imóveis ou vai recebê-los como herança. "O que significa que, no caso de uma nova aquisição, a entrada pode ser bem superior a 10%."
Como isso não foi considerado na pesquisa, Torres acredita que a porcentagem de famílias que não podem comprar uma casa em São Paulo é menor do que 62%.
Para ele, o que a pesquisa mostra é que a moradia na cidade está cara. "Uma família que não tem ativos, e que tenta adquirir um imóvel agora, vai ter que ganhar bastante para conseguir fazê-lo. Esse esforço será provavelmente maior do que no passado."
O estudo do BID também aponta que 33% das famílias brasileiras são sem-teto ou não tem moradia adequada.
Falta de título de propriedade, paredes feitas de material descartado (como papelão), piso de terra e falta de ligação às redes de água tratada e esgoto foram fatores que, em conjunto ou isoladamente, definiram na pesquisa o que é moradia inadequada.
Já segundo o último censo do IBGE, de 2010, 43% das moradias brasileiras são consideradas inadequadas.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo