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segunda-feira, 4 de novembro de 2013
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Mais exploração, mais doenças mentais
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Motoristas de ônibus estão entres os trabalhadores mais afetados mentais causados pelo trabalho |
Relações degradantes no ambiente profissional têm resultado no aumento dos casos de trabalhadores com transtornos mentais
Por Michelle Amaral
Desânimo,
apreensão e angústia. Esses eram os sentimentos que tomavam conta de
João* diariamente quando saía de casa para ir ao trabalho. “Cada dia que
ia trabalhar era uma tortura, me sentia muito mal quando entrava na
empresa”, conta o supervisor de uma central de telemarketing em São
Paulo. O que, para ele, parecia apenas uma insatisfação com a função
exercida e as pressões do trabalho, acabou se intensificando e, ao
procurar ajuda médica, foi diagnosticado como depressão.
O
caso de João não é isolado. De acordo com a Organização Mundial da
Saúde (OMS), a depressão será a segunda causa da incapacidade para o
trabalho até 2020. Atualmente, segundo dados do Instituto Nacional de
Seguridade Social (INSS), os transtornos mentais e de comportamento
ocupam o terceiro lugar em número de benefícios concedidos. “Os
transtornos mentais, como as depressões, têm sido uma das principais
causas de afastamento do trabalho no Brasil”, relata Myrian Matsuo,
psicóloga e pesquisadora da Coordenação da Saúde no Trabalho da
Fundacentro, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Em
2011, a Previdência Social concedeu mais de 15 mil aposentadorias por
invalidez a trabalhadores vítimas de adoecimento mental. Já os
auxílios-doença concedidos por causa de quadros depressivos chegaram a
82 mil em todo o país. “Fiquei alguns dias afastado, tomei remédios e
fiz sessões de terapia, o que amenizou um pouco os sintomas da
depressão”, conta João. Segundo ele, um fator determinante para sua
melhora foi a mudança nas relações em seu ambiente de trabalho. “Minha
chefe não nos via como ser humano e, sim, como número para atingir as
metas a qualquer custo. Isso mudou quando ela foi substituída por alguém
mais compreensível, mais humano”, descreve.
Péssimas
condições de trabalho, jornada de trabalho prolongada, pressão por
metas e produtividade, falta de tempo para a realização das tarefas
laborais, ausência de pausas para descanso, pouca valorização do
trabalhador, participação insatisfatória destes nas decisões das
empresas e o medo do desemprego são fatores que contribuem para o
aumento da incidência de distúrbios psíquicos entre os trabalhadores,
segundo Myrian.
Assujeitamento
A
psicóloga explica que os transtornos mentais relacionados ao ambiente
de trabalho atingem funcionários de todos os níveis de hierarquia de
empresas públicas e privadas.
Isto
porque, conforme analisa o pesquisador do Centro de Tecnologia e
Informação Renato Archer, do Ministério da Ciência, Tecnologia e
Informação (CTI-MCTI), Marco Antônio Silveira, a atividade profissional
ocupa uma posição central na construção da identidade do indivíduo e o
fato de as instituições serem importantes espaços de socialização,
sobretudo nas grandes cidades. “Hoje passamos mais tempo nas empresas do
que em casa. Portanto, a forma como o trabalho está organizado e,
principalmente, a qualidade das relações humanas impactam fortemente os
estados mentais e emocionais das pessoas”, pondera.

Outro
aspecto que contribui para o adoecimento mental dos trabalhadores é a
ideia de que o indivíduo deve doar-se completamente à atividade
profissional. “As empresas e boa parte da mídia têm se empenhado para
mostrar que cada vez mais há menos interesses conflitantes entre
trabalhadores e empresas, o que dificulta o estabelecimento do limite
subjetivo do trabalhador”, afirma a médica do trabalho e pesquisadora da
Fundacentro, Maria Maeno. Essa condição faz com que as contradições
existentes no trabalho sejam sentidas pelos trabalhadores como “uma
traição” à empresa, gerando neles a culpa por não conseguirem doar mais
de si mesmos e, consequentemente, surge o sofrimento psicológico e
emocional. “Os ‘fracassos’ são individualizados e os próprios
trabalhadores se culpam por não corresponder às expectativas. A
individualização e a culpabilização pela impossibilidade de ‘dar conta’
[do trabalho] são aspectos altamente adoecedores”, descreve a médica do
trabalho.
Dessa
forma, conforme explica a psicóloga Renata Paparelli, os fatores que
levam ao desgaste mental estão relacionados com o grau de assujeitamento
ao qual o trabalhador é submetido no processo de trabalho. “Quanto
menos controle houver sobre o trabalho, quanto menos possível for
adaptá-lo às características de quem o realiza, mais penoso ele será, já
que será mais difícil o respeito ao limite subjetivo de cada um”,
relativiza.
Mudanças
A
psicóloga defende a necessidade de se colocar limites à exploração da
força de trabalho, para que se impeça a precariedade no ambiente laboral
e seja permitido ao trabalhador transformar a atividade profissional de
modo a respeitar o seu limite pessoal. “Essa possibilidade implica,
muitas vezes, em diminuição da produtividade. Daí a importância de
estimular políticas que coloquem a saúde dos trabalhadores como fator de
competitividade entre as empresas, de modo a transformar os contextos
de trabalho adoecedores”, defende Renata.
De
acordo com Myrian, “o empresariado deve repensar o modelo de gestão nas
empresas, que visa apenas a produtividade e o lucro em detrimento da
vida dos trabalhadores”. Para isto, Silveira afirma que é preciso que se
transcenda a contradição inerente aos modelos econômico e empresarial
vigentes que, há séculos, têm levado ao conflito capital - trabalho.
“[Deve-se] migrar da visão engessada da ‘mais valia absoluta’, que
enxerga o trabalhador como ‘mão de obra’, para a situação da ‘mais valia
relativa’, onde a qualidade do trabalho e os conhecimentos do
trabalhador são considerados”, defende.
Sintomas do adoecimento mental por trabalho
Fadiga
crônica, tristeza, irritabilidade, falta de motivação, insônia,
isolamento, dificuldade de concentração, déficit de atenção, ansiedade e
a sensação de que o fim de semana não é sufi ciente para descansar.
Caso
os sintomas sejam verificados, procure ajuda médica. Uma opção são os
Centros de Referência em Saúde do Trabalhador, equipamentos públicos
especializados em atender pessoas com problemas de saúde relacionados ao
trabalho.
Fonte: Brasil de Fato
Mundo do Trabalho: Pressões resultam em adoecimento físico e mental
Imposição de metas abusivas e cobrança por produtividade contribuem para o surgimento de doenças nos trabalhadores
Por Michelle Amaral
A
organização do trabalho atual, em nome de uma maior produtividade,
exige que os trabalhadores tenham atribuições flexíveis e consigam
trabalhar em várias frentes concomitantes, devendo ter individualmente
um empenho considerado satisfatório. O desempenho de cada um é medido
através do cumprimento de metas impostas pelas empresas, muitas vezes
consideradas abusivas pelo esforço e dedicação que requerem dos
empregados.
Para especialistas, as dificuldades de
se atingir o padrão estabelecido por este tipo de organização laboral
contribuem para o adoecimento físico e mental dos trabalhadores. “As
metas pressionam na direção de um ritmo acelerado de trabalho, colocando
o sujeito sempre no lugar de quem está devendo, de quem pode ser
rebaixado”, explica a psicóloga Renata Paparelli.
Foi
o que aconteceu com Regina* durante os 24 anos em que trabalhou como
caixa em um banco. “Além de dar conta do meu serviço, tinha que cumprir
as metas de vendas de produtos que eram impostas. Mas eu não era boa
vendedora, eu era caixa”, conta a bancária, que afirma ter sofrido
diversos tipos de pressão em relação ao cumprimento das metas. “Para
pressionar, eles colocam sua vaga de emprego em dúvida, fazem reuniões
antes do expediente com a desculpa de dar dicas, quando, na verdade, só
querem fazer pressão sobre você”, relata.
Reorganização
Para
Plínio Pavão, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do
Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT), o problema da organização do
trabalho é que ela não é feita a partir da percepção do trabalhador
sobre a atividade a ser realizada. “Não se pode pensar a execução do
trabalho sem levar em conta a opinião de quem vai executá-lo”, defende o
sindicalista, para o qual, “os métodos de pressão por cumprimento de
metas são absolutamente cruéis e influenciam diretamente a vida pessoal
dos trabalhadores”. Além disso, o pesquisador do Centro de Tecnologia e
Informação Renato Archer (CTI-MCTI), Marco Antônio Silveira, alerta para
o fato de que o estado mental e emocional dos trabalhadores impacta
diretamente em sua capacidade de aprendizagem e de trabalho em equipe.
“Portanto, afeta diretamente a sua capacidade de implantar melhorias e
inovações, condições fundamentais para a inserção competitiva das
empresas nos dinâmicos mercados atuais”, analisa.
Invisibilidade
A
concessão de auxílios-doença por causa de transtornos mentais e
comportamentais em 2011 foi 20% maior do que em 2010, conforme dados da
Previdência Social. No entanto, segundo especialistas, as notificações
deste tipo de adoecimento ainda estão aquém do número real de casos. “é
bastante difícil estabelecer a relação entre o transtorno mental
(efeito) e as condições de trabalho (causa)”, analisa Silveira. O
pesquisador do CTIMCTI afirma também que o adoecimento mental de
trabalhadores ainda é um assunto tabu dentro das empresas, cercado de
preconceitos, medos e desconhecimento. “Ao perguntar se na empresa há
problemas de transtornos mentais, a resposta padrão é não. No
desenvolvimento da conversa, contudo, fica claro que o problema
obviamente existe”, relata.
Dessa forma, grande
parte dos casos de adoecimento mental não são tidos como acidente de
trabalho e a maioria dos empregados acaba se afastando sem essa
caracterização. Consequentemente, estes trabalhadores são privados do
benefício previdenciário devido.
Mesmo nos casos em que
há a notificação ao Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS).
Pavão relata que os trabalhadores têm o tratamento médico adequado
negligenciado. No momento do afastamento, os pacientes já recebem um
prognóstico do tratamento, com o tempo para o retorno ao trabalho
estabelecido. No entanto, Pavão salienta que quando se trata de problema
mental não dá para se fazer um prognóstico. “É uma situação dramática
para o trabalhador, que adoece por causa da atividade profissional, tem
uma grande dificuldade de caracterizar o caso como doença do trabalho,
recebe um benefício de 120 dias no máximo e sabe que depois desse
período vai ter que voltar nas mesmas condições”, pondera.
terça-feira, 26 de junho de 2012
Precarização do trabalho e as lutas operárias no Brasil
Introdução
A
precarização do trabalho em geral e a terceirização em particular, como
parte da “reestruturação produtiva” e da ofensiva neoliberal, foram
peças fundamentais para a elevação da taxa de exploração do trabalho nas
últimas duas décadas do século XX, contribuindo diretamente para a
recomposição da taxa de lucro do capital, proporcionando, dessa forma,
uma saída, ainda que limitada, para a sua crise nos anos 70.
Em
fins dos anos 80, após a derrota do ascenso operário e popular da
década anterior, mas sobretudo, na onda neoliberal e privatizante da
década de 90, a terceirização e a precarização do trabalho avançaram em
larga escala nos serviços, na indústria e até mesmo na Administração
Pública.
“Esta “nova ordem” foi imposta sobre a base da derrota do ascenso anterior, e em muitas casos diretamente a partir de ditaduras, o que chamamos de “democracias pós- contra revolucionárias”, mas acima de tudo, teve como base a fratura interna da classe trabalhadora como nunca antes. Junto à tradicional divisão imposta pelo capital entre a classe operária dos países imperialistas e das semicolônias e colônias, se somaram outras que deram lugar, junto à proliferação de desempregados permanentes, ao surgimento de trabalhadores “de segunda categoria” (contratos temporários, subcontratos por empresas “terceirizadas”, trabalhadores sem contrato legal, sem contrato coletivo, “sem registro em carteira”, ou diferentes combinações disso) que conformam quase metade da classe trabalhadora mundial, contrastando com o setor da classe operária “efetiva”, sindicalizada, com salários e condições de trabalho marcadamente superior à média” (Albamonte, Emilio e Maiello, Matias. Nos limites da restauração burguesa. Revista estratégia Internacional Brasil nº 5, 2011, São Paulo.)
No
Brasil, entre 1994 e 2002, durante os mandatos de FHC (PSDB), em meio
aos processos de privatização das principais estatais brasileiras, as
medidas neoliberais e a precarização do trabalho avançam em larga
escala. A partir de 2002, no Governo Lula (PT), ao contrário do que
levantavam seus ideólogos, a precarização laboral não apenas avança como
passa a ser um dos pilares fundamentais de sustentação de um
crescimento econômico amplamente dependente do sistema financeiro
internacional, das grandes construtoras e da exportação de commodities
para a China. Esse crescimento econômico é o que possibilitou ao governo
petista impulsionar programas sociais (Bolsa Família), extremamente
tímidos se comparados à medidas do “estado de bem estar social” dos EUA e
dos países europeus no pós-guerra, que, somado ao prestigio de Lula e a
cooptação dos principais sindicatos e entidades de massas, proporciona
uma grande estabilidade e garante que as grandes empresas nacionais
possam seguir auferindo seus fabulosos lucros num mar de relativa
“calmaria” social e política.
Mas
essa relativa passividade não pode esconder que hoje, segundo os dados
mais recentes, são mais 10 milhões de trabalhadores terceirizados em
todo o Brasil. Esse número não inclui os milhões de trabalhadores com
contratos temporários (que não entram nesses dados, pois são regulados
por lei específica) e principalmente os trabalhadores informais, que
formam cerca 30% dos 57 milhões de assalariados brasileiros.
Dessa
forma, no “Brasil Potência” de Lula e Dilma, enquanto parte dos
assalariados caminha para o abismo se endividando como nunca para viver
as maravilhas do “Brasil Potência”, outros milhões de trabalhadores
vivem sem os mais mínimos direitos básicos, com salários incompatíveis
com os gastos de uma família e em condições de trabalho sub-humanas que
se somam a histórica deficiência de moradia e saúde pública de
qualidade.
“(...) mesmo com todo o crescimento econômico (com diminuição do desemprego, aumento da renda média e redução da pobreza extrema) que caracterizou o lulismo, o desemprego estrutural e as favelas estão organicamente ligados à ampliação do trabalho precário como parte estrutural do capitalismo brasileiro. Essa relação se estabelece na medida em que a competição gerada pelo exército de mão-de-obra desempregada pressiona para baixo o custo de reprodução da força de trabalho; e as condições precárias e irregulares de moradia contribuem para viabilizar esse rebaixamento ou isentarem os capitalistas de terem que arcar com os custos de uma moradia digna nos salários pagos aos trabalhadores.” (MATOS, Daniel. Entre o gradualismo reformista e as contradições estruturais do país. Revista estratégia Internacional Brasil nº 5, 2011, São Paulo.)
Terceirização: a semiescravidão no século XXI
A terceirização, embora já
esteja disseminada em muitas áreas e atividades, se concentra
essencialmente nos serviços de limpeza, jardinagem, vigilância e
telemarketing, condicionando milhões trabalhadores, na sua grande
maioria de pele negra e do sexo feminino, a um regime de trabalho cujas
condições são, na maioria dos casos, análogas ao trabalho escravo.
Nos
canteiros de obras por todo o Brasil, em especial nas obras do PAC
(programa de aceleração do crescimento), dos estádios para a Copa e as
Olímpiadas, as grandes Construtoras são responsáveis por manter um
“exército” de centenas de milhares de operários que, não seria forçoso
dizer, vivem em condições semelhantes aos trabalhadores fabris do século
XIX. Nas obras da usina de Jirau, no Estado de Rondônia, os operários,
contratados por via da terceirização ou por contratos de subempreitada,
oriundos de regiões distantes e contratados sem nenhuma estabilidade,
denunciaram, em março de 2011, que cumpriam jornadas de trabalho de mais
de 14 horas diárias, não tinham atendimento médico, ficavam mais de 6
meses sem visitarem as famílias, recebiam alimentação estragada, além de
sofrerem frequentes assédios e agressões físicas por parte dos
seguranças contratados pelas empresas. Tudo isso num canteiro de obra em
pleno século XXI e mantido pela Camargo Corrêa, uma das cinco empresas
que mais contribuíram financeiramente para a campanha do PT nas últimas
eleições.
Quilômetros
de distância dos canteiros de obras da Usina de Jirau, na capital
paulista, trabalhadoras terceirizadas da Universidade de São Paulo
(USP), a maior e mais prestigiada instituição de ensino superior da
América Latina, traziam à tona sua verdadeira condição de trabalho.
Manuseavam produtos químicos de alto risco sem qualquer proteção, já que
nem a empresa prestadora nem a USP forneciam os devidos equipamentos de
segurança, eram forçadas a se alimentarem em banheiros (!) e conviviam
com constantes assédios e até agressões por parte das chefias. As
péssimas condições de trabalho, cujas consequências para a saúde dessas
trabalhadoras a Reitoria da USP parece não se importar, são tão
precárias que levaram a morte de um trabalhador terceirizado, José
Ferreira, que caiu de uma grande altura devido a precariedade de seu
equipamento de serviço.
Tais
casos não são exceções, essas mesmas situações foram encontradas em
muitos outros canteiros de obras e concentrações operárias do país, como
no complexo petroquímico de Suape, nas obras da usina de Santo Antônio
na região Norte do país e do PAC no estado de Goiás. O trabalho
semiescravo, entretanto, não está somente nos canteiros de obras da
região Norte e Nordeste do País. A precarização do trabalho também está
presente no Estado de São Paulo. São inúmeras as denuncias de
trabalhadores, principalmente terceirizados e temporários, que vivem em
condições de semiescravidão. Mais recentemente veio à tona a denuncia
que a Multinacional Zaira, do setor Têxtil, utilizava mão de obra
escrava em suas confecções.
Nos
prédios da Justiça do Trabalho acumulam-se pilhas de processos onde
trabalhadores terceirizados, muitas vezes por anos sem receber resposta
alguma, reivindicam seus direitos com empresas que sequer existem mais,
já que muitas dessas são verdadeiras empresas de fachada que desaparecem
na primeira oportunidade.
A Precarização do Trabalho coloca o Brasil no Topo do Ranking de países com mais acidentes e mortes no Trabalho
No Brasil, agora estampado nas
capas da imprensa internacional como a sexta economia do mundo, os
trabalhadores e povo pobre sofrem cotidianamente com as mortes nas
enchentes devido a negligência do governo, com a violência policial que
anualmente põem fim na vida de milhares de jovens pobres e negros nas
periferias e com a miséria em geral que ainda coloca milhões pessoas
abaixo da linha da pobreza. Mas, além disso, há um “genocídio
silencioso” que ocorre todos os anos em nosso país. Trata-se dos
acidentes de trabalho. Só em 2009 os acidentes de trabalho causaram a
morte de 2.496 trabalhadores e deixaram outros 13.047 incapacitados
permanentemente. Essas mortes e acidentes são frutos diretos da
precarização do trabalho. Os números da última pesquisa realizada sobre
terceirização são taxativos: De cada 10 acidentes de trabalho no país 8
são em empresas terceirizadas e a cada 5 mortes em decorrência do
trabalho 4 são de trabalhadores terceirizados.
A
terceirização e as precárias subcontratações na construção civil são
verdadeiras “fábricas” de acidentados e pessoas com doenças
ocupacionais. A maioria das empresas terceirizadas, para oferecer um
serviço a um baixo custo, se furta de utilizar os mínimos equipamentos
de segurança ou assegurar as mais elementares condições de higiene, além
de manterem uma pressão e um assédio descomunal contra os
trabalhadores, contribuindo diretamente para criar um ambiente de
trabalho completamente hostil e suscetível de mortes, acidentes,
alergias e intoxicação com produtos químicos.
O
regime semiescravo que essa “lógica moderna de gestão de recursos
humanos” mantém fez com que o Brasil, durante o ano de 2009, ocupasse o
terceiro lugar no ranking mundial de países com mais acidentes de
trabalho. De 2005 para cá os números só aumentaram. Em 2009 foram mais
de 723 mil acidentes registrados. E os números são infinitamente maiores
já que quase um terço da classe trabalhadora brasileira está na
informalidade e sequer são registradas ocorrências.
Justiça de Classe: O Papel da justiça do Trabalho na legitimação da precarização do
Trabalho.
Se por um lado a terceirização
encontrou na velha legislação trabalhista (CLT) corporativa da década de
40 um relativo obstáculo para sua disseminação, por outro, viu no
judiciário trabalhista, regulado por essa mesma legislação, um grande
aliado na tarefa de desobstruir todos os empecilhos legais que de alguma
maneira inviabilizavam que essa forma de precarização do trabalho
avançasse em diversas áreas. A Justiça do trabalho, como parte das
engrenagens da democracia burguesa, acompanhou detidamente o avanço do
trabalho precário, contribuindo diretamente na criação de uma cobertura
legal que proporcionou, inclusive, o avanço da terceirização na
Administração pública.
Em
1986, na falta de uma legislação própria, Tribunal Superior do
Trabalho, órgão de cúpula da justiça laboral, emitiu seu primeiro
enunciado (256) sobre o tema. Tal dispositivo legal abria as portas para
a terceirização. Ainda sim, foi considerado insuficiente pelos setores
patronais, pois apenas previa a possibilidade de terceirização de
algumas profissões estipuladas em lei específica e proibia claramente a
terceirização nos serviços públicos, inclusive levantando a hipótese de
formação de vinculo de emprego numa eventual contração de terceirizados
por parte dos órgãos públicos.
No
entanto, mais uma vez a justiça do trabalho decidiu a favor dos setores
patronais e, por via do enunciado 331 de 1993, expandiu a possibilidade
da terceirização em “atividades-meio” das empresas privadas e também no
serviço Público. A definição geral de “atividade-meio”, cuja definição
os próprios juristas e ministros do TST divergem, possibilitou um avanço
sem precedentes da terceirização. O TST, ao editar o novo enunciado,
também tomou o devido “cuidado” de proibir taxativamente qualquer
vínculo dos trabalhadores terceirizados com a Administração pública,
mesmo que haja contratação irregular ou em atividade fim.
“Enunciado 331 do TST:
II
- A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta,
não gera vínculo de emprego com os órgãos da administração pública
direta, indireta ou fundacional”
Dessa
forma, a justiça do Trabalho garantiu uma barreira legal contra as
reivindicações para incorporação desses trabalhadores terceirizados ao
quadro dos funcionários efetivos. Pior, ainda previu que nos casos de
inadimplemento de créditos trabalhistas a Administração Pública tem
apenas responsabilidade subsidiaria, ou seja, o trabalhador terceirizado
só pode ir à juízo contra o poder público após percorrer longo caminho
processual contra a empresa prestadora do serviço. Assim, até mesmo a
possibilidade de pleitear seus direitos na justiça do trabalho segue
extremamente limitada e demasiadamente morosa.
Ainda
assim, as investidas dos setores patronais e da Justiça do Trabalho
contra as condições de trabalho não cessam. Pelo contrário, o cenário
internacional turbulento, a partir da crise econômica internacional que
hoje tem como epicentro o continente europeu, redobra a necessidade que a
burguesia brasileira tem de tomar medidas preparatórias para amenizar
suas perdas. A receita, como não poderia ser de outra maneira, é
justamente aprofundar as fórmulas que permitam, por via do aumenta da
exploração do trabalho, fazer com que sejam os trabalhadores que arquem
com a crise desse sistema irracional que a cada dia arrasta mais a
humanidade para uma barbárie. Nesse clima de preparação, e de alguma
forma também tentando responder aos recentes e cada vez mais constantes
conflitos envolvendo trabalhadores terceirizados, o TST realizou, em
outubro de 2011, uma audiência pública com o objetivo de chamar setores
da “sociedade civil” para debater o tema da terceirização.
Entretanto,
os setores da “sociedade civil” para o TST se resumem a dezenas de
representantes de entidades patronais que querem o aprofundamento do
trabalho terceirizado ou então algumas poucas entidades sindicais, como a
CUT, que mantêm um programa de “regularizar” e “controlar” a
semiescravidão. Entre os “ilustres” convidados estavam o Sr. Lívio
Giosa, representante do Centro Nacional de Modernização Empresarial,
além do presidente da Federação Brasileira de Bancos, Murilo Portugal
Filho.
Alguns
dias depois da Audiência Pública as turmas do TST passaram a
interpretar de maneira mais “flexível” o conceito de atividade meio.
Fazendo um balanço positivo da audiência, o Jornal Estadão, porta voz de
grande parte do empresariado paulista, fala sobre os julgamentos
realizados após a Audiência pública e comemora a liberação da
terceirização nas empresas de telefonia:
"Com
base nas audiências públicas, quando mais de 50 técnicos e acadêmicos
se manifestaram a respeito da subcontratação de mão de obra, o TST, que
até então considerava o call center uma atividade-fim das empresas de
telefonia, começou a rever seu entendimento. Invocando argumentos
apresentados nas audiências públicas, a 7.ª Turma, por exemplo,
autorizou a Oi a terceirizar seu call center. O relator Ives Gandra da
Silva Martins Filho alegou que o telemarketing é um instrumento para a
venda de serviços e lembrou que as leis que regulamentam os serviços
essenciais admitem subcontratação de mão de obra. (...) Elaborada com
base numa ampla e inédita consulta aos interessados, essa mudança de
entendimento mostra que o TST vem procurando adequar-se à evolução do
mercado de trabalho, por causa dos avanços da tecnologia e da
diversificação do setor de serviços." ( Editorial Estadão de 24 de
outubro de 2011)
A Revolta dos precarizados: um primeiro exercício.
O crescimento econômico e a
calmaria social do lulismo, que permanecem sob o governo de Dilma
Rouseff, não foram suficientes para impedir a explosão de lutas de
trabalhadores terceirizados e precarizados.
Na
construção civil, com os exemplos da luta dos operários de Jirau,
Suape, Santo Antônio, usina de Belo Monte, greve dos operários de
fortaleza, 2011 mostrou que uma parcela importante do proletariado desse
setor não aceitará passivamente as condições de trabalho degradantes a
qual as grandes construtoras querem empurrá-los.
Tais
lutas, ainda que com programas limitados, foram em geral levadas à cabo
com certo nível de espontaneidade, massividade e com métodos
radicalizados. Em jirau, durante todo o mês de Março, milhares de
operários paralisaram as obras, queimaram ônibus e alojamentos contra as
péssimas condições de trabalho encontradas no canteiro de Obra. O
governo Dilma só conseguiu “contornar” a situação a partir de um
trabalho combinado que contou com uma brutal repressão da força de
segurança nacional e com manobras e desvios levados à frente pela
burocracia sindical da CUT. Hoje as principais lideranças operárias do
conflito estão sendo indiciadas por formação de quadrilha e destruição
de patrimônio.
No
Estado do Pernambuco, mais de 30 mil operários paralisaram as obras da
refinaria Abreu e Lima e da Petroquímica Suape. A luta, que conquistou
algumas medidas econômicas mais favoráveis, só foi encerrada após o
Tribunal Regional do Trabalho do Estado declarar a greve ilegal. No
final de 2011, os trabalhadores das obras da Usina de Belo Monte,
combinando-se a inúmeros protestos de movimentos sociais e setores
populares devido a remoção de aldeias indígenas, entraram em greve por
melhores salários e condições de trabalho.
O
ano de 2012 também começa com importantes lutas de trabalhadores
terceirizados ou da construção civil. Os operários da obra da Usina
Angra 3 fizeram 6 dias de paralisação, inclusive com propostas e ações
por fora do sindicato (força Sindical). Em Janeiro mais de 8 mil
operários que trabalham na construção da indústria Eldorado, em Três
lagoas (MS), levaram uma importante luta por melhores condições de
Trabalho. Mais recentemente os trabalhadores da obra do Estádio “Arena
Pernambuco”, a 19 Km de Recife, paralisaram o trabalho no canteiro
também reivindicando melhores salários e condições de trabalho. Mesmo
sem a anuência do sindicato e com o Tribunal Regional do Trabalho de
Pernambuco julgando a greve ilegal os trabalhadores demostram, até o
momento que escrevemos essas linhas, uma importante disposição de seguir
paralisados.
Esse
extenso rol de lutas operárias num lapso temporal relativamente pequeno
deixam claro a disposição de luta desse setor de trabalhadores
precarizados que não querem ficar de fora das beneficies do crescimento
econômico dos últimos anos e muito menos suportar as condições de
semiescravidão que empresas como Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez,
Odebrecht, entre outras, se utilizam para manter suas altas taxas de
lucro. Essas movimentações, ainda iniciais, dispersas e com programa
limitado, são os primeiros exercícios de uma longa ginástica da luta de
classe que pode se aprofundar na medida em que a crise internacional
impacte o dependente crescimento econômico brasileiro.
A Burocracia Sindical e a precarização do Trabalho
Não é possível uma compreensão
completa do avanço da terceirização e do trabalho precário sem destacar o
papel da burocracia sindical cuja parcela mais degradada e atrelada à
patronal, como a Força Sindical, conseguiu, além dos milhões de reais
que já absorvem por via do imposto sindical, fazer rios de dinheiro
atuando em cooperação com as empresas prestadoras de serviços
terceirizados. Em muitos casos, os próprios burocratas sindicais tem
participação no capital dessas empresas ou então contribuem
arregimentando os trabalhadores para tais “empresas-máfias”.
Já
outra parcela da burocracia sindical, como a CUT, ainda que evita uma
colaboração em tal grau com as patronais, mantém uma relação
completamente conivente com a terceirização e totalmente passiva no que
diz respeito à mobilização dos terceirizados em unidade com os
trabalhadores efetivos. Não a toa que a resposta que a CUT dá contra a
terceirização é impulsionar um projeto de Lei, por via de seus
parlamentares, que tem por objetivo a regulamentação da terceirização.
O
deputado Vicentinho (PT), reconhecido burocrata sindical da CUT, foi o
responsável por apresentar o projeto de Lei que tramita já alguns anos
na Câmara Federal que tem por objetivo proibir a terceirização das
atividades fim das empresas e abrir completamente as portas para a
terceirização nas atividades meio. Em outras palavras, a CUT não vê
problema que milhões de trabalhadores dos setores de limpeza,
vigilância, telemarketing, jardinagem etc., sigam ganhando três ou
quatro vezes menos que seus colegas efetivos e sem inúmeros diretos
trabalhistas básicos.
Em
realidade, a “grande” novidade que a lei proposta pelos dirigentes da
CUT traz é a inversão da responsabilidade subsidiária da Administração
Pública para uma responsabilidade solidária. Dessa forma o trabalhador
terceirizado, que continuaria em empregos precários, com salários
menores, sem direitos, sem liberdade de organização sindical e política
teria a chance de propor uma ação contra a empresa e a Administração
Pública concomitantemente.
O
projeto de Lei da CUT é uma verdadeira regulamentação da
semiescravidão. Não dá qualquer saída para resolver as péssimas
condições de trabalho a qual milhões de trabalhadores terceirizados
estão submetidos. E de fato não poderia ser diferente já que essa
Central se constitui há muito tempo numa verdadeira correia de
transmissão dos interesses e propostas da burguesia para o movimento
operário. Com toda certeza, para avançar contra o trabalho precário os
trabalhadores que hoje saem a lutar nos canteiros de obra pelo extenso
território brasileiro necessitam saber quem são seus aliados.
Definitivamente, a CUT com seu projeto de regulamentar a semiescravidão e
seus profundos laços com o governo federal e muito menos a Força
sindical, completamente ligada a Patronal, não estão nesse campo.
O exemplo da luta das trabalhadoras terceirizadas da USP e o papel dos sindicatos classista.
Durante o mês de março de 2011,
mais de 400 trabalhadores terceirizados da empresa União, na sua quase
totalidade mulheres e negras, protagonizaram uma importante luta que,
sem sombra de dúvidas, marcou a história recente da Universidade de São
Paulo (USP).
Após
o atraso no pagamento dos salários e de outros benefícios centenas de
mulheres decidiram não somente sair à luta, mas também expor toda
situação precária a qual eram obrigadas a suportar. Atraso nos salários,
falta de equipamentos de segurança, assédios morais e sexuais por parte
das chefias eram parte da extensa lista de brutalidades que a empresa
União e a administração da USP destinavam a essas trabalhadoras.
Com
o apoio e a direção do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP), em
particular pela atuação da sua ala minoritária composta pelos
revolucionários da Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional
(LER-QI), as trabalhadoras da União lançaram mãos dos clássicos e
históricos métodos de luta do proletariado: Greve, piquetes na Reitoria e
marchas. Logo apareceram destacadas e combativas lideranças no
movimento que tomaram a direção do conflito junto ao SINTUSP, sindicato
cujo programa classista e não corporativo dá destaque na luta pela
unidade das fileiras operárias a partir de levantar o programa de
incorporação dos trabalhadores terceirizados ao quadro de efetivos sem a
necessidade de concurso público.
Exatamente
por levantar um programa combativo e de independência de classe o
SINTUSP e seus dirigente têm sido vítima de inúmeras investidas por
parte da Reitoria e do Governo do PSDB. Sem sombra de dúvida o exemplo
mais taxativo é a demissão do dirigente Claudionor Brandão. A Reitoria
da USP, numa verdadeira “monstruosidade” jurídica e num impressionante
desrespeito aos princípios e garantias consubstanciados na Constituição
Federal de 1988, demitiu Brandão, sem sequer realizar um inquérito
judicial de apuração de falta grave como manda a CLT, alegando que este
defendeu “interesses alheios” à universidade. Tais “interesses alheios”,
cuja explicação a Reitoria da USP omite, tratava-se de centenas de
trabalhadores terceirizados da USP com os quais Brandão reivindicava
seus direitos e salários atrasados.
De
todo modo, esses ataques não impediram que o SINTUSP seguisse firme na
sua luta contra a precarização do trabalho dentro da USP. A combinação
de um programa que levantava um questionamento mais profundo da
precarização do trabalho com os métodos de lutas da classe operária, e o
imprescindível apoio de um importante setor de estudantes, formando uma
verdadeira aliança operário-estudantil, foi fundamental para dar
visibilidade à luta das trabalhadoras da União e obrigar a Reitoria a
realizar o feito inédito de realizar o pagamento dos salários não pagos
pela empresa União.
Como
numa verdadeira “escola de guerra” essas trabalhadoras passaram por
experiências fundamentais. Viram e repudiaram o papel nefasto da
burocracia sindical. Perceberam a importância dos métodos de luta e de
auto-organização dos trabalhadores, assim como, da necessidade da busca
de aliados, como foram os estudantes da USP e alguns intelectuais de
esquerda. Passaram a compreender a importância de não cessar a luta com
os pagamentos e levantar o programa de incorporação sem concurso
público. E por fim tiveram a oportunidade conhecer sua própria história,
a história da classe operária mundial, ao participar da nutrida coluna
do ato do 1º de maio da LER-QI.
O
exemplo da luta das trabalhadoras terceirizadas da empresa União mostra
que apenas o programa de incorporação dos terceirizados aos quadros
efetivos, com mesmos salários e direitos, em contraposição direta ao
programa de regulamentação da terceirização, pode, combinado com os
históricos métodos de luta operário que dobram a vontade da burguesia,
acabar com a semiescravidão do século XXI e abrir portas para uma luta
resoluta dos trabalhadores contra as investidas que o capital arma e
prepara para jogar o custo da crise em suas costas.
Nessa
luta ganha destaque fundamental a batalha por sindicatos classistas e
independentes da patronal e do governo. Assim como também elementos de
auto-organização local que possam abrir suas portas para a atuação
conjunta de terceirizados e efetivos. Já em 1938, Trotsky explicava a
importância das comissões de fábrica como via de alcançar os setores
mais explorados da classe:
“Os
sindicatos, mesmo os mais poderosos, não abarcam mais de 20% a 25% da
classe operária, que, aliás, formam as camadas mais qualificadas e
melhor pagas. A maioria da classe operária não é arrastada à luta a não
ser episodicamente nos períodos de um excepcional auge do movimento
operário. Nesses momentos é necessário criar organizações ad hoc que
abarquem toda a massa em luta: os comitês de greve, os comitês de
fábrica e, enfim, os soviets”
As
recentes lutas explosivas dos setores precarizado mostra a necessidade
de que as organizações sindicais combativas, em primeiro lugar a Central
Sindical e Popular Conlutas, assim como os sindicatos que compõem,
passem a levantar abertamente o programa de incorporação dos
terceirizados (sem a necessidade de concursos no caso dos serviços
públicos), denunciando as manobras de regulamentação da terceirização da
Força Sindical e da CUT, impulsionando comissões de fábrica
independentes que reúna efetivos e terceirizados.
domingo, 29 de abril de 2012
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
‘Tempos Modernos’: trabalho alienado na Revolução Industrial
A primeira exibição de Modern Times (Tempos Modernos), filme de Charles Chaplin em que o seu famoso personagem — “The Tramp” ou “Carlitos” (no Brasil) — tenta sobreviver em meio ao mundo moderno e industrializado, ocorreu em 5 de fevereiro de 1936, no Rivoli Theater de Nova Iorque. O Sul21 reproduz abaixo um artigo do Prof. Sérgio Prieb, do Departamento de Ciências Econômicas e pesquisador do Núcleo de Estudos Econômicos (NEEC) do curso de Ciências Econômicas da UFSM.
Após o artigo, antes das Referências bibliográficas, trazemos o link do YouTube com a exibição completa do filme.
Por Sérgio A. M. Prieb
“Não sois máquinas! Homens é que sois!”
(Discurso de Charles Chaplin no final do filme “O grande ditador”)
(Discurso de Charles Chaplin no final do filme “O grande ditador”)
A origem da palavra trabalho tem sido comumente atribuída ao latim tripalium, instrumento de tortura utilizado para empalar prisioneiros de guerra e escravos fugidios. Assim, em sua própria terminologia, o trabalho carrega uma carga de esforço e desprazer, o que é extremamente compreensível em sociedades onde predominavam o trabalho forçado e que atividades produtivas eram desprezadas e executadas tão somente por escravos como na Grécia e Roma antigas, cabendo aos homens livres a execução de atividades intelectuais ligadas às ciências e às artes.
Pode-se afirmar que o trabalho é o ato que o homem executa visando transformar conscientemente a natureza, ou para citar Marx (1983, p. 149), é uma ação em que o homem media, regula e controla seu metabolismo com a natureza. A origem do trabalho encontra-se na necessidade de a humanidade satisfazer suas necessidades básicas, evoluindo para outros tipos de necessidades, mesmo supérfluas. Assim, trabalhar é produzir riqueza, o que é necessário em todos os modos de produção, seja no comunal primitivo, no escravista, no feudal, no capitalista, e mesmo nas experiências socialistas. O que muda é a forma de produzir, a tecnologia utilizada, e a relação entre o sujeito que produziu e o que se apropria do que foi produzido, que varia de acordo com a forma de organização da sociedade1.
Uma sociedade não vive sem o trabalho, na verdade, pode-se dizer que o homem evoluiu de sua condição animal até sua condição atual devido ao seu trabalho2. Engels (s/d, p. 270) afirma que o homem modifica sua relação com a natureza devido ao trabalho. Se na condição animal ele tinha de submeter-se às leis da natureza, através do trabalho ele busca dominar a natureza, transforma-a em proveito próprio. Passa de ser dominado a ser dominante devido ao desenvolvimento do trabalho.
O próprio desenvolvimento do seu corpo, do cérebro, da fala, e da relação entre os homens origina-se do trabalho. Desta forma, Engels afirma que o trabalho criou o homem e o homem criou o trabalho, sendo esta uma ação exclusivamente humana, pois assume uma forma consciente, não intuitiva, pois antes de produzir um objeto é necessário ao trabalhador elaborá-lo inicialmente em seu cérebro para só então partir para a execução. Já as atividades que os animais executam (a aranha e sua teia, o joão-de-barro e sua casa) são meramente intuitivas, daí trabalho ser uma atividade exclusiva da espécie humana.
Para Marx, o único bem que o trabalhador possui devido a não ser proprietário de meios de produção é a sua força de trabalho, a sua capacidade de trabalhar, sendo por isso que o trabalhador é obrigado a vender sua força de trabalho ao capital. Ao contrário de sociedades pré-capitalistas como o feudalismo e a escravidão, no capitalismo o trabalhador entrega sua capacidade de trabalhar por um tempo determinado através de um contrato de trabalho.
Além do estabelecimento de um contrato de assalariamento que regula as relações capital-trabalho, algumas diferenças podem ser encontradas no trabalho sob o modo de produção capitalista em comparação com sociedades pré-capitalistas. Como já visto, o trabalho era desprezado na Grécia e Roma antigas, fazendo com que a socialização dos indivíduos ocorresse fora do trabalho, enquanto na sociedade capitalista a socialização dos indivíduos ocorre exatamente nas relações de trabalho. Para esta mudança, a revolução industrial dos séculos XVIII e XIX teve um peso determinante3, com a formação de exércitos de trabalhadores que desprovidos de qualquer propriedade são obrigados a abandonar a vida do campo, sendo jogados nas cidades em busca de empregos assalariados junto às nascentes indústrias.
O trabalho então assumiria um novo caráter, de atividade indigna no passado, passam a ser vistos como indignos aqueles que não trabalham, taxados como vagabundos os que não se submetem a trabalhar para o capital4, mesmo que o próprio capital não tenha interesse em absorver todo o trabalho posto à sua disposição. Assim, os capitalistas sempre encontram um grupo de trabalhadores à margem do processo produtivo, mas sempre ávidos por incorporar-se a ele, a estes trabalhadores Marx denominou de “exército industrial de reserva”.
Em “Tempos modernos” (“Modern times”), filme de Charles Chaplin5 de 1936, o diretor mostra com maestria os efeitos que o desenvolvimento capitalista e seu processo de industrialização trouxeram à classe trabalhadora. Como diz o texto de introdução do filme, “’Tempos modernos’ é uma história sobre a indústria, a iniciativa privada e a humanidade em busca da felicidade”6.
A temática de “Tempos modernos” custou a Chaplin uma série de perseguições por parte da CIA, juntamente com a acusação de simpatias comunistas7. Além disso, havia recusado naturalizar-se norte-americano argumentando ser um “cidadão do mundo” o que agrava ainda mais sua situação. Chaplin passa a constar na “lista negra” de Hollywood durante a perseguição macarthista, o que torna sua situação de trabalho nos EUA insustentável (seus filmes eram proibidos), levando-o a abandonar definitivamente os EUA em 1952.
No filme, o vagabundo Carlitos, ironicamente, encontra-se na condição de operário. É ao auge do predomínio do padrão de acumulação taylorista-fordista, em que os trabalhadores tem suas habilidades substituídas por um trabalho rotineiro e alienado. É o predomínio da esteira rolante de Ford, do cronômetro de Taylor8, do operário-massa.
A inadequação de Carlitos com o trabalho alienado perpassa o tempo todo do filme. Na condição de operário ele tenta se adaptar, se esforça para inserir-se naquele novo mundo de produção em massa, máquinas gigantescas, exploração do trabalho, mas também de greves e de organização sindical. Esta inadequação fica presente logo no início do filme, quando um bando de ovelhas brancas é mostrado e apenas uma delas tem a cor preta, certamente esta representa o próprio Carlitos. A cena do bando de ovelhas é misturada com a cena dos operários entrando na fábrica, como se fossem animais indo para o abate, só que, na verdade, vão para a produção na fábrica.
Como operário da fábrica, Carlitos se depara com a esteira de produção fordista que aumenta o ritmo de produção a todo instante, tornando a relação homem-máquina extremamente conflituosa, até o ponto em que o próprio Carlitos é engolido pela máquina, saindo de lá em uma condição de insanidade, momento em que ele abandona a condição de quase um autômato (repetindo um gesto mecânico mesmo quando não está trabalhando, fruto da alienação do trabalho) para uma situação de confronto direto em que ele sabota a produção, insurge-se contra o patrão e é internado como louco.
A contradição capital-trabalho está presente de forma clara no filme. O patrão fica numa sala armando quebra-cabeças e lendo jornal, ao mesmo tempo em que de um monitor controla todos os movimentos dos operários e dita o ritmo de produção a ser executado9.
Em outras passagens, a inadequação de Carlitos com o trabalho alienado fica presente nas tantas tentativas de trabalhar que o personagem enfrenta. Quando arranja trabalho no caís após sair do hospício, consegue em um simples gesto lançar um navio ao mar. Quando o personagem vira vigia na loja de departamentos, além, de não conseguir impedir um assalto, consome produtos da loja, leva a amiga para o interior da loja, e dorme no serviço. Trabalhando como auxiliar de mecânico, Carlitos demonstra a todo instante sua inadequação com a simples tarefa de ajudar o mecânico chefe, fazendo com que este seja também engolido pela máquina. Quando assume o papel de garçom, também é nítida a sua incapacidade de servir uma mesa.
Na verdade, Carlitos só consegue mostrar sua identificação com atividades nada alienantes e que fogem ao domínio da máquina sobre o trabalho. Quando ele está na loja de departamentos e mostra uma grande habilidade em patinar, e quando está no restaurante trabalhando como garçom e que improvisa um número musical cômico. Neste momento percebe-se que em ao menos em uma atividade ele é bom, em um tipo de trabalho que requeira criatividade e não uma mera execução de tarefas formulada por terceiros. Só então, ele é aplaudido por todos e inclusive, parabenizado pelo patrão10.
A voz de Carlitos é ouvida pela primeira vez no cinema quando ele canta. Chaplin opunha-se ao cinema falado, achando que este não duraria muito tempo. Na verdade, seu temor era com seu próprio personagem, adequado muito mais ao gestual do que a fala. Somente depois de 10 anos de existência, é que em “Tempos modernos”, Chaplin faria sua primeira experiência com o cinema falado, ou no seu caso, “semi-falado”. Ouve-se o ruído das máquinas, o som mecânico da “máquina de comer”, do alto-falante em que o patrão dirige-se aos funcionários, mas em nenhum momento um personagem fala, que não seja através de uma máquina11.
Mesmo quando Carlitos canta ele expressa uma crítica ao cinema falado, quando esquece a letra, sua amiga12 grita a ele: “Cante! Dane-se a letra!”, e é o que ele faz, mostra que mesmo sem palavras, ou no caso, usando palavras sem sentido, mas caprichando no gestual, faz com que todos consigam compreender uma história13.
Outro aspecto que chama atenção no filme é o predomínio completo do trabalho abstrato sobre o trabalho concreto14, ou seja, ao capital não interessa a forma como está sendo produzido ou que está sendo produzido, somente importa é que está sendo criado valor. Daí não sabermos exatamente qual a mercadoria que Carlitos produz, e certamente, nem mesmo os operários da fábrica o sabem. Assim, não existe qualquer identificação do trabalhador com seu trabalho, nem com a mercadoria produzida por ele.
Mesmo com toda a crítica social que é feita, a reação do personagem Carlitos ao sistema é feita de maneira individual e não coletiva. Quando eclode a Grande Depressão de 1929, que coincide com a saída do personagem do hospício, é levado à prisão acusado de ser líder comunista por empunhar uma bandeira (pretensamente vermelha) em frente a um grupo de trabalhadores que fazia uma passeata na rua. Carlitos é visto como o cidadão comum, não politizado, mas que pelo simples gesto de buscar devolver a bandeira que tinha caído do caminhão é acusado de líder da revolta operária. Em outro momento, quando eclode uma greve na fábrica em que trabalha, também por acidente é acusado de agressão a um policial que viria reprimir a greve.
No final do filme, quando sua amiga indignada com a situação de perseguição, miséria e desemprego pergunta: “para que tudo isso?” ele responde: “levante a cabeça, nunca abandone a luta”. No entanto, a reação dos dois não é o enfrentamento contra o capital, é retirar-se da cidade, indo em direção ao campo15.
Ao som da belíssima “Smile”, de autoria de Chaplin, Carlitos dá as costas para a para produção em massa, para as gigantescas máquinas que desempregam trabalhadores, para as suntuosas lojas com suas escadas rolantes, para o trabalho alienado. Seria o último filme mudo de Chaplin e também a despedida do personagem Carlitos, que havia se tornado obsoleto em um momento em que o cinema falado tomava conta dos cinemas do mundo todo. Era o sinal dos tempos. Os tais “tempos modernos”.
.oOo.
A seguir, o filme completo:
.oOo.
Referências bibliográficas
BRAVERMAN, Harry. Trabalho e capital monopolista – a degradação do trabalho no século XX. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.
CHAUÍ, Marilena. Introdução. In: LAFARGUE, Paul. O direito à preguiça. São Paulo: Hucitec, 1999.
CLARET, Martin. Chaplin por ele mesmo. São Paulo: Martin Claret, 2004.
ENGELS. Friedrich. Sobre o papel do trabalho na transformação do macaco em homem. In: MARX, Karl. e ENGELS. Friedrich. Obras escolhidas, volume 2. São Paulo: Editora Alfa-Omega, s/d.
GOMES, Morgana. A vida e os pensamentos de Charles Chaplin. Rio de Janeiro: 4D Editora, s/d.
LEPROHON, Pierre. Charles Chaplin – o seu destino e a sua obra. Lisboa: Livros do Brasil, s/d.
MARX, Karl. O capital – crítica da economia política – Vol. I, Tomo I. São Paulo: Abril Culural, 1983.
PRIEB, Sérgio. O trabalho à beira do abismo – uma crítica marxista à tese do fim da centralidade do trabalho. Ijuí: Editora Unijuí, 2005.
VÁSQUEZ, Adolfo. Filosofia da práxis. São Paulo: Expressão popular/CLACSO Livros, 2007.
*Professor Adjunto do Departamento de Ciências Econômicas da UFSM. Doutor em Economia Social e do Trabalho pela Unicamp. Membro do Comitê Central do PCB.
1. “Como criador de valores de uso, como trabalho útil, é o trabalho, por isso, uma condição de existência do homem, independente de todas as formas de sociedade, eterna necessidade natural de mediação entre homem e natureza e, portanto, da vida humana” (Marx, 1983, p. 50).
2. Sobre o papel central do trabalho na sociedade capitalista contemporânea, bem como uma crítica aos autores que acreditam ter o trabalho perdido seu sentido na sociedade moderna, ver Prieb (2005).
3. Vásquez (2007, p. 47) afirma que mesmo que tenha ocorrido a partir da revolução industrial uma valorização maior do trabalho e da técnica, não chega a despertar uma valorização do trabalhador e da significação de sua atividade produtiva.
4. “Nesse imaginário, ‘a preguiça é a mãe de todos os vícios’ e nele vêm inscrever-se hoje, o nordestino preguiçoso, a criança de rua vadia (vadiagem, aliás, o termo empregado para referir-se às prostitutas), o mendigo – ‘jovem, forte, saudável, que devia estar trabalhando em vez de vadiar’” (Chauí, 1999, p. 10).
5. Charles Spencer Chaplin nasceu em 1889 em Londres, Inglaterra, e morreu em 1977 em Vevey, na Suiça.
6. “O filme custou US$1.500.000 de dólares (somente para fazer a grande máquina que engole Chaplin e Chester Conklin foram gastos 500 mil), mas nos Estados Unidos rendeu apenas US$1.800.000. enquanto a Itália e a Alemanha proibiram sua exibição, em Londres, Paris e Moscou, ele alcançou um sucesso considerável durante o resto do ano” (Gomes (s/d, p. 67).,
7. Chaplin no início dos anos 30 percorre o mundo divulgando “Luzes da cidade”. Ao retornar publica vários artigos em jornais falando de suas viagens pelo mundo, salientando as contradições que estava encontrando na sociedade moderna, sendo estes artigos a inspiração para “Tempos modernos”. Juntamente com suas idéias sociais, Chaplin defendia que os EUA deveriam parar com a propaganda anti-comunista contra a União Soviética. Mesmo assim, Chaplin nunca declarou-se comunista, sendo que em um telegrama endereçado a Parnell Thomas, da Comissão de Atividades Antiamericanas escreveu: “Dizem que você quer perguntar se sou comunista. Deveria ter-me feito essa pergunta durante os dez dias em que permaneceu em Hollywood. Sobre o que quer saber, não sou comunista. Sou somente um fator da paz” (Claret, 2004, p. 126).
8. Taylor introduz o cronômetro das atividades produtivas na fábrica, cronometrando todas as fases do processo de produção, buscando que os trabalhadores tornassem seu trabalho mais produtivo. Braverman (1987, p. 97) mostra que em uma experiência de Taylor, ele conseguiu fazer com que um operário aumentasse em 276% a produção, com um simples incremento de 60,86% no salário. O exemplo deveria ser disseminado para os demais operários, mostrando, assim, que era possível aumentar as produtividade se os trabalhadores se empenhassem mais. Existem no filme várias referências à medição do tempo. A primeira imagem do filme é exatamente do relógio da fábrica, que marca a hora da entrada, do almoço, da troca de turno e da saída do trabalho. A todo instante, Carlitos bate o ponto no relógio-ponto da fábrica, mesmo quando está fugindo da polícia. Outras tantas referências irão aparecer no decorrer do filme, Carlitos perde a hora na loja de departamentos, quando dorme demais. Por acidente prensa o relógio de seu chefe imediato na fábrica, além disso, a “máquina de comer” promete que vai “eliminar a pausa para o almoço, aumentar a produção e ultrapassar a concorrência”. A própria realização do filme parecia insurgir-se contra o tempo moderno, sendo rodado de outubro de 1934 a agosto de 1935, um tempo bastante longo para os filme da época.
9. Esta dissociação entre o trabalho do operário que simplesmente cumpre ordens e não tem qualquer inserção sobre a forma como produz, fica claro em Braverman (1987, p. 53): “Assim, nos seres humanos, diferentemente dos animais, não é inviolável a unidade entre a força motivadora do trabalho e o trabalho em si mesmo. A unidade de concepção e execução pode ser dissolvida. A concepção pode ainda continuar e governar a execução, mas a idéia concebida por uma pessoa pode ser executada por outra.”
10. Esta inaptidão para outros tipos de trabalho que não o artístico foi presente na vida do próprio Chaplin, que tendo trabalhado como entregador de mercearia, recepcionista de consultório médico, garoto de recados entregador de papelaria, tipógrafo, vendedor e assoprador de vidros, só conseguiu sucesso profissional após tornar-se artista (Gomes, s/d, 11-13).
11. Em “O capital” Marx afirma que as formas de valor das mercadorias teriam uma “fala própria”: “Vê-se, tudo que nos disse antes a análise do valor das mercadorias, diz-nos o linho logo que entra em relação com outra mercadoria, o casaco. Só que ele revela seu pensamento em sua linguagem exclusiva, a linguagem das mercadorias. [...] Diga-se de passagem que a linguagem das mercadorias, além do hebraico, possui também muitos outros idiomas mais ou menos corretos” (Marx, 1983, p. 57). Marx quer dizer que o capital passa a assumir propriedades que não são suas, mas sim dos homens, ou seja, o capital domina o trabalho, o que é derivado do trabalho passa a ser considerado mérito do capital.
12. A órfã, amiga de Carlitos no filme, é a atriz Paulette Goddard (1910-1990). Chaplin era 21 anos mais velho que Paulette e ficaria casado com ela de 1932 a 1940.
13. “Ainda desta vez utiliza um subterfúgio para demonstrar a inutilidade da palavra na sua arte. Mima esta canção e canta-a numa língua imaginária de palavras feitas de sons diversos e onomatopaicos, de tal modo que esta língua, graças unicamente à interpretação do ator (já que o texto é inintelígevel, diverte, interessa e significa” (Leprohon, s/d, p. 205).
14. Os conceitos de trabalho concreto e trabalho abstrato foram introduzidos por Marx no livro 1 de “O capital” (Marx, 1983). O trabalho concreto produz valores de uso, enquanto o trabalho abstrato produz simplesmente valor.
15. Chaplin havia gravado outro final para o filme, em que a órfã teria virado freira e Carlitos como em filmes anteriores, terminaria sozinho. Preferiu o final mais otimista, em que os dois personagens ficam juntos.
Fonte: http://sul21.com.br
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