sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

LERNER, Delia. Ler e escrever na escola. O real, o possível e o necessário

10. LERNER, Delia. Ler e escrever na escola. O real, o possível e o necessário. Porto Alegre. Artmed. 2002

Introdução

Embora seja difícil e demande tempo, a escola necessita de trans-formações profundas no que concerne ao aprendizado da leitura e da es-crita, que só serão alcançadas através da compreensão profunda de seus problemas e necessidades, para que então seja possível falar de suas possibilidades.
Capítulo 1
Ler e Escrever na Escola: O Real, o Possível e o Necessário
Aprender a ler e escrever na escola deve transcender a decodificação do código escrito, deve fazer sentido e estar vinculado à vida do sujeito, deve possibilitar a sua inserção no meio cultural a qual pertence, tornando-o capaz de produzir e interpretar textos que fazem parte de seu entorno.
Torna-se então necessário reconceitualizar o objeto de ensino tomando por base as práticas sociais de leitura e escrita, re-significando seu aprendizado para que os alunos se apropriem dele 'como práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir'.
Para tornar real o que compreendemos ser necessário é preciso conhecer as dificuldades que a escola apresenta, distinguindo as legítimas das que fazem parte de 'resistências sociais' para que então se possa propor soluções e possibilidades.
A tarefa é difícil porque, a própria especificidade do aprendizado da leitura e da escrita que se constituem em construções individuais dos sujeitos agindo sobre o objeto (leitura e escrita) torna a sua escolarização difícil, já que não são passíveis de se submeterem a uma programação sequencial. Por outro lado, trata-se de práticas sociais que historicamente foram, e de certo modo continuam sendo, patrimônio de certos grupos, mais que de outros, o que nos leva a enfrentar e tentar buscar caminhos para resolver as tensões existentes na instituição escolar entre a tendência à mudança (democratização do ensino) e a tendência à conservação (reprodução da ordem social estabelecida).
É difícil ainda, porque o ato de ensinar a ler e escrever na escola tem finalidade puramente didática: a de possibilitar a transmissão de saberes e comportamentos culturais, ou seja, a de preservar a ordem pre-estabelecida, o que o distancia da função social que pressupõe ler para se comunicar com o mundo, para conhecer outras possibilidades e refletir sobre uma nova perspectiva.
É difícil também, porque a estruturação do ensino conforme um eixo temporal único, segundo uma progressão linear acumulativa e irreversível entra em contradição com a própria natureza da aprendizagem da leitura e da escrita, que como vimos ocorre por meio de aproximações do sujeito com o objeto, provocando coordenações e reorganizações cognitivas que lhe permite atribuir um novo significado aos conteúdos aprendidos.
E, finalmente, a necessidade da escola em controlar a aprendizagem da leitura faz com que se privilegie mais o aspecto ortográfico do que os interpretativos do ato de ler, e o sistema de avaliação, onde cabe somente ao docente o direito e o poder de avaliar, não propicia ao aluno a oportuni-dade de autocorreção e reflexão sobre o seu trabalho escrito, e conseqüentemente não contribui para a construção da sua autonomia intelectual.
Diante desses fatos, o que é possível fazer para que se possa conciliar as necessidades inerentes a instituição escolar e, ao mesmo tempo, atender as necessidades de formar leitores e escritores competentes ao exercício pleno da cidadania?
Em primeiro lugar devem se tornar explícitos aos profissionais da edu-cação os aspectos implícitos nas práticas educativas que estão acessíveis graças aos estudos sociolingüísticos, psicolingüísticos, antropológicos e históricos, ou seja, aqueles que nos mostram como a criança aprende a ser leitora e escritora; o que facilita ou quais são as prerrogativas essen-ciais a esse aprendizado.
Em segundo lugar, é preciso que se trabalhe com projetos como fer-ramenta capaz de articular os propósitos didáticos com os comunicativos, já que permitem uma articulação dos saberes sociais e os escolares. Além disso, o trabalho com projetos estimula a aprendizagem, favorece a au-tonomia, já que envolve toda a classe, e evita o parcelamento do tempo e do saber, já que tem uma abordagem multidisciplinar.
"É assim que se torna possível evitar a justaposição de atividades sem conexão - que abordam aspectos também sem conexão com os conteúdos -, e as crianças tem oportunidade de ter acesso a um trabalho suficientemente duradouro para resolver problemas desafiantes, construindo os conhecimentos necessários para isso, para estabelecer relações entre diferentes situações e saberes, para consolidar o aprendido e reutilizá-lo... ".(p.23).
Finalmente, é possível repensar a avaliação, sabendo que esta é neces-sária, mas que não pode prevalecer sobre a aprendizagem. Segundo a au-tora, 'ao diminuir a pressão do controle, toma-se possível avaliar aprendi-zagens que antes não ocorriam [...]' já que no trabalho com projetos os alunos discutem suas opiniões, buscam informações que possam auxiliá-los e procuram diferentes soluções, fatores importantíssimos a formação de cidadãos praticantes da cultura escrita.

Capítulo 2 - Para Transformar o Ensino da Leitura e da Escrita
"O desafio [...] é formar seres humanos críticos, capazes de ler entrelinhas e de assumir uma posição própria frente à mantida, explicita ou implicitamente, pelos autores dos textos com os quais interagem em vez de persistir em formar indivíduos dependentes da letra do texto e da autoridade dos outros", (p.27)
Para que haja uma transformação verdadeira do ensino da leitura e da escrita, a escola precisa favorecer a aprendizagem significativa, abandonando as atividades mecânicas e sem sentido que levam o aluno a compreender a escrita como uma atividade pura e unicamente escolar. Para isso, a escola necessita propiciar a formação de pessoas capazes de apreciar a literatura e de mergulhar em seu mundo de significados, formando escritores e não meros copistas, formando produtores de escrita conscientes de sua função e poder social. Precisa também, prepa-rar as crianças para a interpretação e produção dos diversos tipos de texto existentes na sociedade, conseguindo que a escrita deixe de ser apenas um objeto de avaliação e passe a ser um objeto de ensino, capaz não apenas de reproduzir pensamentos alheios, mas de refletir sobre o seu próprio pensamento, enfim, promovendo a descoberta da escrita como instrumento de criação e não apenas de reprodução. Para realmente transformar o ensino da leitura e da escrita na escola, é preciso, ainda, acabar com a discriminação que produz fracasso e abandono na escola, assegurando a todos o direito de 'se apropriar da leitura e da escrita como ferramentas essenciais de progresso cognoscitivo e de crescimento pessoal'.
É possível a mudança na escola?
Ensinar e ler e escrever faz parte do núcleo fundamental da instituição escolar, está nas suas raízes, constitui a sua missão alfabetizadora e sua função social, portanto, é a que mais apresenta resistência a mudanças. Além disso, nos últimos anos, foi a área de que mais sofreu com a invasão de inovações baseadas apenas em modismos.
"... O sistema de ensino continua sendo o terreno privilegiado de todos os voluntarismos - dos quais talvez seja o último refúgio. Hoje, mais de que ontem, deve suportar o peso de todas as expectativas, dos fantasmas, das exigências de toda uma sociedade para a qual a educação é o ultime portador de ilusões"2.
Sendo assim, para que seja possível uma mudança profunda da prática didática vigente hoje nas instituições de ensino, capaz de tornar possível a leitura na escola, é preciso que esta esteja fundamentada na evolução histórica do pensamento pedagógico, sabendo que muito do que se propõe pode ser encontrado nas ideias de Freinet, Dewey, Decroly e outros pensadores e educadores, o que significa estarem baseadas no avanço do conhecimento científico dessa área, que como em outras áreas do conhecimento científico, teve suas hipóteses testadas com o objetivo de desvendar a gênese do conhecimento humano - como os estudos realizados por Jean Piaget. É preciso compreender também, que essas mudanças não dependem apenas da capacitação adequada de seus pro-fissionais, já que esta é condição necessária, mas não suficiente, é preciso conhecer o cotidiano escolar em sua essência, buscando descobrir os mecanismos ou fenômenos que permitem ou atravancam a apropriação da leitura e da escrita por todas as crianças que ali estão inseridas.
O que vimos até hoje, por meio dos trabalhos e pesquisas que temos realizado no campo da leitura e da escrita, é que existe um abismo que separa a prática escolar da prática social da leitura e da escrita - lê-se na escola trechos sem sentido de uma realidade desconhecida para a crian-ça, já que foi produzido sistematicamente para ser usado no espaço es-colar - a fragmentação do ensino da língua (primeiro sílabas simples, de-pois complexas, palavras, frases...) não permite um espaço para que o aluno possa pensar no que aprendeu dentro de um contexto que lhe faça sentido, e ainda, fazem com que esta perca a sua identidade.
"Como o objetivo final do ensino é que o aluno possa fazer funcionar o aprendido fora da escola, em situações que já não serão didáticas, será necessário manter uma vigilância epistemológica que garanta uma semelhança fundamental entre o que se ensina e o objeto ou prática social que se pretende que os alunos aprendam. A versão escolar da leitura e da escrita não deve afastar-se demasiado da versão social não-escolar". (p.35)
O "Contrato Didático"
O Contrato Didático aqui é considerado como as relações implícitas estabelecidas entre professor e aluno, sobretudo porque estas exercem influência sobre o aprendizado da leitura e da escrita, já que o aluno deve concentrar-se em perceber ou descobrir o que o professor deseja que ele 'saiba' sobre aquele texto que o professor escolheu para que ele leia e não em suas próprias interpretações: "A 'cláusula' referente à interpretação de textos parece estabelecer [...] que o direito de decidir sobre a validade da interpretação é privativo do professor...".
Se o objetivo da escola é formar cidadãos praticantes da leitura e da escrita, capazes de realizar escolhas e de opinar sobre o que leem e veem em seu entorno social, é preciso que seja revisto o Contrato Didático, prin-cipalmente no âmbito da leitura e da escrita, e essa revisão é encargo dos pesquisadores de didática - divulgando os resultados obtidos bem como os elementos que podem contribuir para as mudanças necessárias -, é responsabilidade dos organismos que regem a educação - que devem levar em conta esses resultados -, é encargo dos formadores de professores e de todas as instituições capazes de comunicar à comunidade e particularmente aos pais, da importância que tem a análise, escolha e exercício de opinião de seus filhos quando do exercício da leitura e da escrita.

Ferramentas para transformar o ensino
Vimos que transformar o ensino vai além da capacitação dos profes-sores, passa pela sua revalorização pessoal e profissional; requer uma mudança de concepção da relação ensino-aprendizagem para que se possa conceber o estabelecimento de objetivos por ciclos que abrangem os conhecimentos - objeto de ensino -de forma interdisciplinar, visando diminuir a pressão do tempo didático e da fragmentação do conhecimento.
Requer que não se perca de vista os objetivos gerais e de prioridade absoluta, aqueles que são essenciais à educação e lhe conferem significado. Requer ainda, que se compreenda a alfabetização como um processo de desenvolvimento da leitura e da escrita, e que, portanto, não pode ser desprovido de significado.
Essa compreensão só será alcançada na medida em que forem conhecidos e compreendidos os estudos científicos realizados na área, e que nos levaram a descobrir a importância da atividade mental construtiva do sujeito no processo de construção de sua aprendizagem, re-significando o papel da escola. Colocando em destaque o aprendizado da leitura e da escrita, consideramos fundamental que sejam divulgados os resultados apresentados pelos estudos psicogenéticos e psicolingüísticos, não apenas a professores ou profissionais ligados à educação, mas a toda soci-edade, objetivando conscientizá-los da sua validade e importância, levando-os a perceber as vantagens das estratégias didáticas baseadas nesses estudos, e, sobretudo, conscientizando-os de que educação também é objeto da ciência.
Voltando a capacitação, enfatizando sua necessidade, é preciso que se criem espaços de discussão e troca de experiências e informações, que dentre outros aspectos servirão para levar o professor a perceber que a diversidade cultural não acontece apenas em sua sala de aula, que ela faz parte da realidade social na qual estamos inseridos, e que sendo assim, não poderia estar fora da escola, e ainda, que esta diversidade tem muito a contribuir se o nosso objetivo educacional consistir em preparar nossos alunos para a vida em sociedade. No que concerne a leitura e escrita, parece-nos essencial ter corno prioritária a formação dos professores como leitores e produtores de texto, capazes de aprofundar e atualizar seus saberes de forma permanente'.
Nossa experiência nos levou a considerar que a capacitação dos professores em serviço apresenta melhores resultados quando é realizada por meio de oficinas, sustentadas por bibliografias capazes de dar conta das interrogações a respeito da prática que forem surgindo durante os encontros, que devem se estender durante todo o ano letivo, e que contam com a participação dos coordenadores também em sala de aula, mas que, à longo prazo, capacitem o
professor a seguir autonomamente, sem que seja necessário o acompanhamento em sala de aula.
Capítulo 3 – Apontamentos a partir da Perspectiva Curricular
É importante que, ao propor uma transformação dídática a uma instituição de ensino, seja considerada a sua particularidade, o que se dá através do conhecimento de suas necessidades e obstáculos, implícitos ou explícitos, que caberá a proposta suprir ou superar. É imperativo que a elaboração de documentos curriculares esteja fortemente amparada na pesquisa didática, já que será necessário selecionar os conteúdos que serão ensinados o que pressupõe uma hierarquização, já que privilegiará alguns em detrimento de outros.
"Prescrever é possível quando se está certo daquilo que se prescreve, e se está tanto mais seguro quanto mais investigada está a questão do ponto de vista didático".(p. 55).
As escolhas de conteúdos devem ter como fundamento os propósitos educativos', ou seja, se o propósito educativo do ensino da leitura e da escrita é o de formar os alunos como cidadãos da cultura escrita, então o objeto de ensino a ser selecionado deve ter como referência fundamental às práticas sociais de leitura e escrita utilizadas pela comunidade, o que supõe enfatizar as funções da leitura e da escrita nas diversas situações e razões que levam as pessoas a ler e escrever, favorecendo seu ingresso na escola como objeto de ensino.
Os estudos em torno das práticas de leitura existentes ou preponderantes no decorrer da história da humanidade mostraram que em determinados momentos históricos privilegiavam-se leituras intensas e profundas de poucos textos, como por exemplo, os pensadores clássicos, seguidos de profundas reflexões realizadas por meio de debates ou conversas entre pequenos grupos de pessoas ou comunidades, se tomarmos como exemplo a leitura da Bíblia.
Com o avanço das ciências e o aumento da diversidade literária disponível - nas sociedades mais abastadas - as práticas de leitura passaram a se alternar entre intensivas ou extensivas (leitura de vários textos com menor profundidade), mas sempre mantendo um fator comum: elas, leitura e escrita, sempre estiveram inseridas nas relações com as outras pessoas, discutindo hipóteses, ideias, pontos de vista ou apertas indicando a leitura de algum título ou autor.
O aspecto mais importante que podemos tirar acerca dos estudos históricos é que aprende-se a ler, lendo (ou a escrever, escrevendo), por-tanto, é preciso que os alunos tenham contato com todos os tipos de texto que veiculam na sociedade, que eles tenham acesso a eles, que esses materiais deixem de ser privilégio de alguns, passando a ser patrimônio de todos. Didaticamente, isto significa que os alunos precisam se apropriar destes textos através de práticas de leitura significativas que propiciem reflexões individuais e grupais, que embora demandem tempo, são essenciais para que o sujeito possa, no futuro, ser um praticante da leitura e da escrita.
"...É preciso assinalar que, ao exercer comportamentos de leitor e de escritor, os alunos têm também a oportunidade de entrar no mundo dos textos, de se apropriar dos traços distintivos[...] de certos gêneros, de ir detectando matizes que distinguem a 'linguagem que se escreve' e a diferenciam da oralidade coloquial, de pôr em ação [...] recursos linguísticos aos quais é necessário apelar para resolver os diversos problemas que se apresentam ao produzir ou interpretar textos [...[é assim que as práticas de leitura e escrita, progressivamente, se transformam em fonte de reflexão metalingüística". (p. 64).
Capítulo 4
E possível ler na escola?
"Ler é entrar em outros mundos possíveis. É indagar a realidade para compreendê-la melhor, é se distanciar do texto e assumir uma postura crítica frente ao que se diz e ao que se quer dizer, é tirar carta de cidadania no mundo da cultura escrita...".(p.73).
Ensinar a ler e escrever foi, e ainda é, a principal missão da escola, no entanto, dois fatores parecem contribuir para que a escola não obtenha sucesso:
1. A tendência de supor que existe uma única interpretação possível a cada texto;
2. A crença - como diria Piaget - de que a maneira como as crianças aprendem difere da dos adultos, e que, portanto, basta ensinar-lhes o que julgarem pertinente, sem que haja preocupação com o sentido ou significado que tais conteúdos tem para as crianças, o que, além de tudo, facilita o controle da aprendizagem, já que essa concepção permite uma padronização do ensino.
Para que seja possível ler na escola, é necessário que ocorra uma mudança nessas crenças, é preciso, como já vimos, que sejam conside-rados os resultados dos trabalhos científicos em torno de como ocorre o processo de aprendizagem nas crianças: que ele se dá através da ação da criança sobre os objetos (físicos e sociais), sendo a partir dessa ação que ela (a criança) lhe atribuirá um valor e um significado.
Sabendo que a leitura é antes de tudo um objeto de ensino que na escola deverá se transformar em um objeto de aprendizagem, é importante não perder de vista que sua apropriação só será possível se houver sentido e significado para o sujeito que aprende, que esse sentido varia de acordo com as experiências prévias do sujeito e que, portanto, não são suscetíveis a uma única interpretação ou significado e que o caminho para a manutenção desse sentido na escola está em não dissociar o objeto de ensino de sua função social.
O trabalho com projetos de leitura e escrita cujos temas são dirigidos à realização de algum propósito social vem apresentando resultados positivos. Os temas propostos visam atender alguma necessidade da co-munidade em questão e são estruturados da seguinte forma:
a) Proposta do projeto às crianças e discussão do plano do trabalho;
b) Curso de capacitação para as crianças visando prepará-las para a busca e consulta autônoma dos materiais a serem utilizados quando da realização das etapas do projeto;
c) Pesquisa e seleção do material a ser utilizado e/ou lugares a serem visitados;
d) Divisão das tarefas em pequenos grupos;
e) Participação dos pais e da comunidade;
f) Discussão dos resultados encontrados pelos grupos;
g) Elaboração escrita dos resultados encontrados pelos grupos (que passará pela revisão de outro grupo e depois pelo professor);

h) Redação coletiva do trabalho final;i) Apresentação do projeto à comunidade interessada.
j) Avaliação dos resultados.
Nesses projetos tem-se a oportunidade de levar a criança a extrair in-formações de diversas fontes, inclusive de textos que não foram escritos exclusivamente para elas, e que, portanto, apresentam um grau maior de dificuldade. A discussão coletiva das informações que vão sendo coletadas propicia a troca de ideias e a verificação de diferentes pontos de vista, como acontece na vida real, e, ainda, durante a realização desses projetos as crianças não leem e escrevem só para 'aprender', a leitura as-sume um propósito, um significado, que atende também aos propósitos do docente - de inseri-las no mundo de leitores e escritores. Os projetos permitem ainda, uma administração mais flexível do tempo, porque pro-piciam o rompimento com a organização linear dos conteúdos já que costumam trabalhar com os temas selecionados de forma interdisciplinar, o que possibilita a retomada dos próprios conteúdos em outras situações e ainda, a análise destes a partir de um referencial diferente.
Acontecem concomitantemente e em articulação com a realização dos projetos, atividades habituais, como 'a hora do conto' semanal ou momen-tos de leitura de outros gêneros, como o de curiosidades científicas e ativi-dades independentes que podem ter caráter ocasional, como a leitura de um texto que tenha relevância pontual ou fazer parte de situações de sistematização: passar a limpo uma reflexão sobre uma leitura realizada durante uma atividade habitual ou pontual. Todas essas atividades con-tribuem com o objetivo primordial de 'criar condições que favoreçam a formação de leitores autônomos e críticos e de produtores de textos adequados à situação comunicativa que os torna necessário' já que em todos eles observam-se os esforços por produzir na escola as condições sociais da leitura e da escrita.
"É assim que a organização baseada em projetos permite coordenar os propósitos do docente com os dos alunos e contribui tanto para preservar o sentido social da leitura como para dotá-la de um sentido pessoal para as crianças". (p.87).
Ainda, o trabalho com projetos, por envolver grupos de trabalho e, abrir espaço para discussão e troca de opiniões, permite o estabelecimento de um novo contrato didático, ou seja, um novo olhar sobre a avaliação, porque admite novas formas de controle sobre a aprendizagem, nas quais todos os sujeitos envolvidos tomam parte, o que contribui para a formação de leitores autônomos, já que estes devem justificar perante o grupo as conclusões ou opiniões que defendem. É importante ressaltar, que essa modalidade de trabalho torna ainda mais importante o papel das intervenções do professor - fazendo perguntas que levem a ser conside-rados outros aspectos que ainda não tenham sido levantados pelo grupo, ou a outras interpretações possíveis do assunto em questão. Em suma, é importante que a necessidade de controle, inerente a instituição escolar, não sufoque ou descaracterize a sua missão principal que são os propósi-tos referentes à aprendizagem.
O professor: um ator no papel de leitor
É muito importante que o professor assuma o papel de leitor dentro da sala de aula.
Com esta atitude ele estará propiciando a criança a oportunidade participar de atos de leitura. Assumir o papel de leitor consiste em ler para os alunos sem a preocupação de interrogá-los sobre o lido, mas de conseguir com que eles vivenciem o prazer da leitura, a experiência de seguir a trama criada pelo autor exatamente para este fim, e ao terminar, que o professor comente as suas impressões a respeito do lido, abrindo espaço para o debate sobre o texto -seus personagens, suas atitudes.
Assumir o papel de leitor é fator necessário, mas não suficiente, cabe ao professor ainda mais, cabe-lhe propor estratégias de leitura que aproximem cada vez mais os alunos dos textos.
A Instituição e o sentido da leitura
Quando os projetos de leitura atingem toda a instituição educacional, cria-se um clima leitor que atinge também os pais, e que envolvem os professores numa situação de trabalho conjunta que tem um novo valor: o de possibilitar uma reflexão entre os docentes a respeito das ferramentas de análise que podem contribuir para a resolução dos problemas didáticos que por ventura eles possam estar vivendo.
As propostas de trabalho e as reflexões aqui apresentadas mostram que é possível sim! Ler e escrever na escola, desde que se promova uma mudança qualitativa na gestão do tempo didático, reconsiderando as formas de avaliação, não deixando que estas interfiram ou atrapalhem o propósito essencial do ensino e da aprendizagem. Desde que se elaborem projetos onde a leitura tenha sentido e finalidade social imediata, trans-formando a escola em uma 'micros-sociedade de leitores e escritores em que participem crianças, pais e professores...". (p. 101).

Capítulo 5
O Papel do Conhecimento Didático na Formação do Professor
"O saber didático é construído para resolver problemas próprios da comunicação do conhecimento, é o resultado do estudo sistemático das interações que se produzem entre o professor, os alunos e o objeto de ensino; é produto da análise das relações entre o ensino e a aprendizagem de cada conteúdo específico; é elaborado através da investigação rigorosa do funcionamento das situações didáticas". (p. 105).
É importante considerar que o saber didático, como qualquer outro objeto de conhecimento, é construído através da interação do sujeito com o objeto, ele se encontra, portanto, dentro da sala de aula, e não é exclu-sividade dos professores que trabalham com crianças, ele está presente também em nossas oficinas de capacitação. Então, para apropriar-se desse saber é preciso estar em sala de aula, buscando conhecer a sua realidade e as suas especificidades.
A atividade na aula como objeto de análise
O registro de classe apresenta-se como principal instrumento de análise do que ocorre em sala de aula. Esses registros podem ser utilizados durante a capacitação objetivando um aprofundamento do conhecimento didático, já que as situações nele apresentadas permitem uma reflexão conjunta a respeito das situações didáticas requeridas para o ensino da leitura e escrita.
Optamos por utilizar, a princípio, os registros das 'situações boas' ocor-ridas em sala de aula, porque percebemos, através da experiência, que a ênfase nas 'situações más' distanciava capacitadores e educadores, e para além, criavam um clima de incerteza, por enfatizar o que não se deve fazer, sem apresentar direções do que poderia ser feito, em suma, quando enfatizamos 'situações boas´ estamos mostrando o que é possível realizar em sala de aula, o que por si só, já é motivador.
É importante destacar que as 'situações boas' não se constituem em situações perfeitas, elas apresentam erros que, ao serem analisados, en-riquecem a prática docente, pois são: considerados como importantes ins-trumentos de análise da prática didática - ponto de partida de uma nova reflexão - sendo vistos como parte integrante do processo de construção do conhecimento.
"... a análise de registros de classe opera como coluna vertebral no processo de capacitação, porque é um recurso insubstituível para a comunicação do conhecimento didático e porque é a partir da análise dos problemas, propostas e intervenções didáticas que adquire sentido para os docentes se aprofundarem no conhecimento do objeto de ensino e de s processos de aprendizagem desse objeto por parte das crianças", (p. 116).
Palavras Finais

Quanto mais os profissionais capacitadores conhecerem a prática pedagógica e os que exercitam essa prática no dia-a-dia: as crenças que os sustentam e os mecanismos que utilizam; quanto mais conhecerem como se dá o processo de ensino e aprendizagem da leitura e escrita na escola, mais estarão em condições de ajudar o professor em sua prática docente.

19 comentários:

  1. maravilhoso o texto de Délia, as escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Elas tem contribuido em demasia para a construção de neoróticos por não entenderem de amor, de sonhos, de fantasias, de símbolos e de dores.. parabens MARIA INES

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  2. Depois vc pega seu aluninho na vida adulta manda prestar um concurso para o banco do brasil ou outra entidade qualquer e fala pra ele responder com sonho, amor, fantasia e simbolos. Vê se consegue colocar comida na mesa com esses elementos.

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  3. Caro Anônimo!
    O problema não é a teoria e sim a nossa realidade objetiva!
    O construtivismo apregoado Por Lerner é possível, mas não em escolas sucateadas sem material pedagógico, sem profissionais da educação , com salas superlotadas, com professores mau remunerados com contratos precarizados e doentes.
    Essa realidade transforma qualquer teoria em um "conto de fadas" principalmente o construtivismo.
    Nossa tarefa é lutar para que a realidade concreta esteja próximo a teoria. Isso não ocorre no Brasil e principalmente em São Paulo, pois há verdadeiros criminosos que não aplicam a constituição negando financiamento efetivo para a educação. (mínimo 15% do PIB)
    Se isso realmente acontecer a educação poderá ser sinônimo de comida na mesa do brasileiro.
    Não devemos admitir como "normal" a realidade degradante das escolas e vociferar contra a teoria sem ao menos proporcionar os pressupostos práticos para aplica-lá.
    Finalizo com um pensamento de Paulo Freire "não pode existir um ser permanentemente preocupado com o vir a ser, portanto com o amanhã, sem sonhar. É inviável. Sonhar aí não significa sonhar a impossibilidade, mas projetar. Significa arquiteturar, significa conjecturar sobre o amanhã.Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou esquerda. Sou professor a favor da luta constante contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura".

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  4. Patrícia

    Eu acho que você tem toda a razão. Eu sou pedagoga e acredito que a educação é o futuro do país [ e não é demagogia] Não consigo entender o por quê de termos uma educação tão fraca. É preciso que a educação elitista se torna acessível a todos. É dever do Estado assegurar educação a todos. Lerner é referência em vários concursos e acredito que ela está certa. Se os professores começarem a mudar a realidade dentro da sala de aula, as coisas vão começar a melhorar. Acontece que, a maioria do corpo professorado, só sabe reclamar do salário ( que é uma vergonha mesmo), todavia... temos que pensar que fazendo a diferença, mudando pensamentos, agindo mais, um dia as teorias dos grandes filósofos da educação serão as nossas práticas educacionais.

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  5. Seu filho estuda em escola publica?
    Acho que não, pois a escola particular é tradicional é ela que vai formar seu filho para mandar naqueles que estudaram na escola publica, que brincava de aprender, sairam da escola sem saber escrever o nome.....não consigo entender como um pais que é a 8ª economia ainda é o ultimo colocado no quesito educação

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  6. Companheiro anônimo, o ensino tradicional ministrado nas escolas particulares não tem sido o diferencial para melhorar a qualidade do ensino. A qualidade do ensino está associada a um conjunto de fatores e não só a "uma prática" de ensino. A estrutura física da escola (salas, bibliotecas, espaço diferenciados e apropriados para aulas práticas, associação entre ensino prático e teórico, a dedicação dos profissionais (salário digno), quantidade de alunos por sala de aula, ação efetiva da comunidade na gestão escolar, a qualificação dos profissionais (formação continuada, ensino significante (currículo contruido em conjunto com a comunidade escolar) ..... etc...

    Não é a teoria que está errada e sim os pressupostos estruturais e práticos para aplicação dessa teoria que não é observada e adotada pelos governos.

    Se observarmos e educação somente pelo prisma da métodologia e/ou das práticas e como reproduzir a a velha máxima de "jogar a agua com o bebê fora"....

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  7. interessante livro mas a realidade na sala de aula é gritante ,pois não há respeito pelo professor alguns alunos já chegam achando-se o dono do pedaço e perde-se o controle da situaçao e o que seria uma aula produtiva para o aluno cai por terra devido mau comportamento,e olha que procuro inovar sempre ,participo da vida deles. coach do interior(professora)

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  8. Para anônimo

    Caro colega, o ensino construtivista se você realmente tiver interesse em se aprofundar, te indico o livro ensaios construtivistas de Lino de Macedo,neste explica de maneira muito clara os estudos de Piaget e como estes estudos podem contribuir para a construção do conhecimento no ambiente escolar,construir o conhecimento, nada mais é do que dar autonomia ao aluno de refletir sobre sua própria aprendizagem,e a conscientização do professor que todos nós passamos por processos cognitivos que dependem de maturação do cérebro e que estimulam a lógica e a reflexão se forem estimulados e se o professor fizer as intervenções de maneira certa, quando o professor transmite o conhecimento, ao invés de propor situações de aprendizagem autônoma, este priva o aluno da descoberta, da reflexão sobre o erro, e de encontrar significado real naquilo que se aprende.
    O caos na educação, acontece porque nós tivemos uma educação de transmissão de conteúdo, a maioria de nós é incapaz de ler um texto por prazer, muitos só tocam em um livro se for por obrigação.
    Com relação as escolas particulares,estas não sei se você sabe, tem um desempenho baixíssimo comparada as escolas particulares de outros países, os filhos daqueles que pagam por este serviço, costuma ter cursos complementares, sem contar que estes tem acesso a cultura em todos os âmbitos.
    Como podemos mudar a educação se as escolas públicas "fabricam" alunos copistas, que não gostam da leitura porque não a compreendem?Como podemos elevar os índices educacionais se existem discursos como o seu que acreditam que o melhor é a educação de imposição?
    Se a educação tradicional, copista e de imposição no qual o professor é detentor do saber e o aluno é alienado é a educação que defende,sinto lhe informar, mas não viveremos para ver transformações positivas na mesma.
    O ensino construtivista é uma sacada de gênio para quem o compreende, mas o fato é que muitos que se dizem construtivistas, não sabem o significado e nem como se dá a construção do conhecimento e portanto não conseguem atingir resultados satisfatórios e por conta disso, disseminam uma prática que tinha tudo para dar certo como fracassada.
    A chave para a educação brasileira evoluir é proporcionar educação de qualidade a todos os professores, que em sua grande maioria tem formação pobre, pois na sua base escolar, não lhes foi proposto pensar e sim copiar e decorar, e estes ficaram condicionados a perpetuar essa pobreza educacional.

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  9. Poxa...Parabéns pelo resenha! fiz magisterio,pedagogia e agora estou na especialização.Li o livro e compreendi perfeitamente!A resenha acima permitiu uma reflexão minha diante de certos paradoxos e possíveis caminhos!...grato^^

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  10. É tudo muitoo bonitinho, mas minha pergunta é: NA PRATICA, NA VIDA REAL, no dia-a-dia das escola publicas as crianças estão APRENDENDO A LER E A ESCREVER com esse conteúdo??? SE ENFEITA DEMAIS E ESQUECE DO PRINCIPAL!!! Vamos acordar BRASIL!!!! Va as escolas publicas e veja qtas crianças tem do 1 ao 4 ano que sabem ler bem e escrever......minha opinião.....ZEROOOOO pra toda esse enfeite desnecessário |!!!

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    1. Eu só espero meu caro que você não seja um profissional da sala de aula, porque com esse pesamento tosco vai contiribuir para a pepertuação dessa idéia arcaíca do que falar é fácil, Vamos estudar meu caro! Conheço esse livro trabalho na formação com eles e os professores de fato quando compreendem que vinham reproduzido uma velha prática conseguem dar maior significado a sua prática e os alunos `sua aprendizagem, apesar de estarmos inseridos em uma cultura de faz de conta por parte dos nosso governantes que mentem dizendo que acreditam em educação.

      Pensa antes de manifestar sua opinião. Ela é tudo que a escola pública não precisa.
      Zero para o governo e Zero para você que não usou bem a sua oportunidade.

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  11. Discordo do seu posicionamento.... O problema não está na teoria..... E sim na prática....
    A questão é: por qual motivo os alunos não estão lendo? Quem merece ZERO é o GOVERNO!
    Resposta: Pelas péssimas condições que estão as escolas públicas, condição diretamente ligada ao descaso dos governos com a educação pública. Portanto para que a teoria se aproxime da prática, primeiro é importante que os governos forneça às escolas condições necessária ao aprendizado. Nesse sentido rejeitar a teoria sem estabelecer condições para aplicá-lá empiricamente é reforçar a BARBÁRIE. "É necessário dar banho no BEBÊ e não joga-lo com a água fora!

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    1. Que bom que existe este blog e, que bom que existe a possibilidade de ampliarmos o debate sobre estas questões que tanto nos afetam. Estamos vivendo numa época em que não adianta mais chorar o leite derramado, devemos sim, na medida do possível, buscar soluções, mesmo que individualmente, cada um em sua sala de aula, para uma eficaz Mudança!

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  12. concordo plenamente com "anonimo" não seria melhor então mudar o foco para a politica? escrevem estes livros bem "elaborados" sem ter a estrutura necessária para aplica-lo e ai temos que nos sujeitar a teorias que neste momento, estão longe de acontecer no Brasil, peço desculpas aos escritores que tão sábios, criam suas teses embasadas em escolas do exterior, mas isso, no momento no Brasil, não funciona!!! aproveitem todo esse conhecimento e vão a Brasília, é lá que seus conhecimentos farão a diferença!!!

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  13. Então devemos destruir a teoria e nos adequarmos a barbárie??
    Ou devemos mudar a estruturas carcomidas da barbárie e nos adequarmos a teoria???

    Devemos continuar com salas superlotadas (até 50 alunos por sala) e aplicar as metodologias tradicionais?
    Devemos aplicar os pressupostos teórico metodológicos em do ensino bancário em detrimento aos pressupostos construtivistas devido a falta de estrutura???

    Necessitamos urgentemente uma mudança na nossa prática e não a destruição das teorias....

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  14. Sou a favor de que escola é lugar de ensinar os conteúdos sistematizados acumulados pela humanidade e que são fundamentais para o desenvolvimento da criticidade e das competências exigidas nos concursos e vestibulares da vida. São esses conteúdos que vão proporcionar a compreensão da realidade social e consequentemente, sua transformação num processo dialético. Puro discurso ideológico esse de achar que escola é a solução de todas as mazelas sociais. É certo que bons exemplos devem estar presentes em todas as instituições sociais, mas é a família que deve transmitir aos filhos os valores necessários. Também um pouco de fantasia não faz mal a ninguém, desde que não sirva para mascarar a realidade.

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  15. Boa noite! O que falta nas escolas é o lado sentimental das maiorias dos professores, falta fé nas transmissões de seus conteúdos, desacreditam em tudo e em todos até em si mesmo. esperam por mudanças, empurrando sempre os problemas de aprendizagem para alguém, nunca caem na real que podem começar a fazer a diferença.
    È culpa do governo, acredito que também, do sistema, do Pedro, do João e daí, o que isso leva em resolver o problema, não seria culpa dos professores também, toda teoria é válida se bem aplicada!

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  16. Como já relatei logo acima a qualidade do ensino está associada a um conjunto de fatores e não só a "uma prática" de ensino, ou a uma "pegadogia do amor" . A estrutura física da escola (salas, bibliotecas, espaço diferenciados e apropriados para aulas práticas, associação entre ensino prático e teórico, a dedicação dos profissionais (salário digno), a quantidade de alunos por sala de aula, ação efetiva da comunidade na gestão escolar, a qualificação dos profissionais (formação continuada, ensino significante (currículo contruido em conjunto com a comunidade escolar) entre outros fatores..

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